1. Etude phytochimique et activité anti-radicalaire de la propolis
1.6. Evaluation du pouvoir réducteur du peroxyde d’hydrogène H2O2
A missão do CEPAC ganha um sentido particular quando se aproxima das pessoas. Sabe-se, de antemão, que o serviço da διακονια – que não pode separar da tríplice da natureza da Igreja, o anúncio da Palavra (kerygma-martyria) e da celebração dos Sacramentos (leiturgia) – não significa simplesmente um apoio social, mas que valoriza o homem413 através de um serviço que é prestado à humanidade. Ora, se o CEPAC presta um serviço de diakonia, é importante que se tenha em conta que
«A diaconia/caridade não se esgota num mero sentido de solidariedade (por mais valiosa que seja a responsabilidade humana solidária), mas é suportada
412
Cf. FRANCISCUS PP., Evangelii Gaudium, nº 46.
123
pelo amor gratuito de Deus que nos faz superar contrariedades e dificuldades, saltar as barreiras aparentemente intransponíveis (a barreira do inimigo, se for o caso disso), oferecer aquele amor que só é possível porque se vê no outro alguém amado por Deus»414.
Este amor, que gera a κοινωνία, tal como foi dito nos inícios desta reflexão, purifica a Igreja e a sociedade onde se está inserido e, por isso, integra na missão do CEPAC. Um amor, que para além de ser um acto sentimentalista, cria laços fraternos entre todos, apesar de todas as diferenças de géneros, de graus académicos, de idades e de culturas. Assim sendo, poder-se-á dizer que a primeira missão do CEPAC é de reconhecer que cada ser humano é único e irrepetível, comprometendo-se a servir cada ser humano para que tenha meios suficientes para o seu desenvolvimento integral enquanto pessoa. Ao mesmo tempo, é necessário que se tome consciência que os colaboradores, os voluntários e os clientes não são instrumentos para os fins alheios, vendo neles um meio de concretizar as vontades pessoais ou os objectivos do CEPAC. Daí, a importância do cultivo das atitudes morais fundamentais (justiça, honestidade, veracidade, etc.) para que cada um seja livre e responsável pela transformação da sociedade em que vive 415.
a) A importância da mulher nos serviços do CEPAC
Grande parte dos serviços prestados, pelo CEPAC, são efectuados por mulheres. A sua colaboração, nas diferentes valências, permite valorizar «a capacidade tenaz e desinteressada que as mulheres têm de acolher, partilhar e de gerar no amor»416. A presença das mulheres neste apoio social, para além de mostrar a sua sensibilidade pelas questões sociais, é uma grande valia na medida em que torna o CEPAC um lugar onde muitos imigrantes encontram um lugar de refúgio e de conforto – um dos aspectos que os próprios clientes salientaram e manifestaram a sua gratidão. Além disso, torna-se num testemunho para muitas mulheres que vivem diversas represálias e abusos quer nos países de origem quer no país de acolhimento. Tem-se conhecimento que, em muitos países – e muitos destes países vêm pedir auxílio ao CEPAC – a mulher é vítima de discriminação «quer social quer cultural, que [atinje] os direitos fundamentais da pessoa, baseada no sexo, na raça, na cor, na condição social, na língua ou na religião» (GS, 29); por outro lado, existem também nos países de acolhimento diversos
414 J. BORGES DE PINHO, Diaconia e caridade. Uma aproximação eclesiológica in Communio 2
(2009), p. 200.
415
Cf. CDSI, nº 131-134.
problemas que impossibilitam a promoção da dignidade da mulher: a dificuldade em arranjar um emprego, o abandono por parte dos maridos, sobretudo, quando ficam grávidas, a exploração no mundo do trabalho (através da exploração sexual, trabalhos sem rendimentos mensais justos, etc.), sem esquecer aqueles casos em que o homem, ao imigrar, cria uma outra família, desleixando-se da família (mulher e filhos) que se encontram nos países de origem. Todas estas realidades vêm bater à porta do CEPAC, daí a importância, de
«criar para ela um espaço onde possa tomar a palavra e exprimir os seus talentos, através de iniciativas que reforcem o seu valor, a estima de si mesma e a sua especificidade, permitir-lhe-ia ocupar, na sociedade, um lugar igual ao do homem – sem confusão nem nivelamento da especificidade de cada um - porque ambos são «imagem» do Criador (cf. Gn 1,27)»417.
Quadro nº 11: Género dos inquiridos
Nº respostas % Masculino 52 42,6
Feminino 70 57,4
Total 122 100
b) Diálogo com outras ciências
Partindo das respostas que foram dadas nos inquéritos (quadro nº 12), percebe-se que um dos grandes desafios do CEPAC é conjugar os diversos aspectos que permitam que se realize a sua missão. Por um lado, existem as motivações individuais em que cada um procura a sua realização: no seu campo profissional, quer da parte dos técnicos e de alguns voluntários que colocam a sua formação em prol dos imigrantes. Por outro lado, existem os princípios fundamentais da fé cristã e da espiritualidade espiritana que devem promover uma consciência clara de que os serviços prestados pelo CEPAC são destinados, acima de tudo, aos homens e mulheres em que os seus direitos se tornaram invisíveis.
Quadro nº 12: Grau académico dos Colaboradores e Voluntários do CEPAC
Nº respostas % 1º Ciclo Básico (1º ao 4º ano) 3 10,7 2º Ciclo Básico (5º ao 9º ano) 4 14,3 Ensino Secundário (10º ao 12º ano) 5 17,9
Bacharelato 2 7,1 Licenciatura 10 35,7 Mestrado 3 10,7 Sem resposta 1 3,6 Total 28 100
125
A maioria dos colaboradores e voluntários possuem estudos superiores nos diversos campos das ciências humanas e da saúde, que auxiliam a missão do CEPAC. A presença destas ciências permite que cada colaborador e voluntário ponha ao serviço so CEPAC as suas aptidões intelectuais e formativas, de acordo com as suas disponibilidades (quadro nº 11).
Quadro nº 13: Disponibilidade dos voluntários
Nº respostas % Não tenho nenhum trabalho, o que me permite uma maior disponibilidade 7 36,8
Durante a semana em horário de trabalho 6 31,6
Estou disponível quando me chamarem 2 10,5
Durante a semana após expediente 2 10,5
Uma vez por semana 1 5,3
Sem resposta 1 5,3
Total 19 100
A disponibilidade do CEPAC ao aceitar voluntários, para além de contribuir para que esta IPSS ajude os seus clientes nas suas necessidades, proporciona que cada um deles possa dar um pouco do que tem aos outros, apesar de todo o activismo que muitos destes voluntários vivem diariamente. A hospitalidade do CEPAC, ao acolher as outras áreas da ciência, possibilita que estes se deixem encantar pelo serviço gratuito ao outro, tornando-se num meio de transmitir a alegria de servir sem interesses pessoais418.
Valorizam-se, assim, as outras ciências humanas e científicas possibilitando que a caridade não seja simplesmente «uma ideia, nem uma filosofia, nem um sentimento piedoso»419, mas, com o auxílio das ciências, a caridade produza a realização de uma transformação na vida de cada pessoa e da sociedade. A Doutrina Social da Igreja, citando a Constituição Dogmática «Gaudium et Spes», valoriza as diversas ciências da seguinte forma:
«Se por autonomia das realidades terrenas se entende que as coisas criadas e as próprias sociedades têm as suas leis e os seus valores próprios, que o homem irá gradualmente descobrindo, utilizando e organizando, é perfeitamente legítimo exigir tal autonomia […] de acordo com a vontade do Criador. Pois, em virtude do próprio facto da criação, todas as coisas possuem consistência, verdade, bondade e leis próprias, que o homem deve respeitar, reconhecendo os métodos peculiares de cada ciência e arte»420.
As ciências ambicionam conhecer a tão complexa realidade que é o homem, ajudando-o a libertar-se das superstições e das dúvidas/mistérios que têm acompanhado a história da humanidade, para que a própria humanidade faça, tal como escreveu Paulo
418 Cf. IOANNES PAULUS PP. II, ChristiFideiles laici, nº 41. 419
E. FONSECA, A acção caritativa da Igreja…, p. 64.
VI, «a passagem de condições menos humanas a condições mais humanas»421. Assim, o intercâmbio com os outros saberes, enriquece a pastoral sócio-caritativa na medida em que se conhece, nas diversas perspectivas, a realidade do mundo, ajudando a discernir que metodologias a utilizar para que a fé cristã proponha novas luzes para o homem de hoje422. Esta consciência foi, também, reconhecida pelos espiritanos reunidos em Capitulo Geral, em 2004, afirmando que:
«No passado, a Igreja viu-se por vezes na situação de pregar uma opção pelos pobres abstracta, porque ao mesmo tempo que o fazia apoiava estruturas culturais, económicas e políticas injustas. Tais estruturas, concretamente, tornaram impossível a passagem dos pobres de uma situação de exclusão para a situação de inclusão na sociedade. Hoje, a falta de credibilidade da instituição eclesial, em muitos sectores do mundo moderno e pós-moderno, pode ser posta em relação com situações do género no passado»423.
É verdade que a missão da Igreja não tem meios suficientes para propor soluções técnicas que respondam aos problemas sociais424. Daí, a importância do diálogo com os diversos campos da ciência para que se possa responder aos anseios humanos. Contudo, é sempre necessário que se tenha consciência que todas as investigações não correspondem à totalidade dos problemas de muitos homens e mulheres. Ora, quando se esquece tais limitações, absolutizam-se as normas e as leis a tal ponto que se tornam superiores à própria dignidade da pessoa humana. É importante não esvaziar as inspirações iniciais do CEPAC, agindo pelo funcionalismo impessoal, onde se exagera na burocracia e arranjando sempre meios para satisfazer os interesses pessoais425. Não se pretende desprezar a necessidade de uma coordenação. Se não existe uma organização, a caridade fica reduzida à expressão «tudo vale», torna-se individual, sem responsabilidade, transformando-se num acto piedoso, o que prejudicará na promoção da dignidade humana.
Surge, então, a necessidade de conjugar a competência dos profissionais com os valores da fé cristã.
«A competência profissional é uma primeira e fundamental necessidade, mas, por si só, não basta. É que se trata de seres humanos, e estes precisam sempre de algo mais que um tratamento apenas tecnicamente correcto: precisam de humanidade, precisam da atenção do coração»426.
421 PAULUS PP. VI, Populorum progressio, nº 20. 422
Cf. J. MARTÍNEZ, Moral social y espiritualidad…, pp. 50-51.
423 CONGREGAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO, Reavivai o dom que recebestes…, nº 1.1.4. 424 Cf. IOANNES PAULUS PP. II, Sollicitudo rei socialis, nº 41.
425
Cf. IOANNES PAULUS PP. II, ChristiFideiles laici, nº 41.
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Sente-se, então, a importância de olhar para os fundadores da Congregação para que se encontrem as chaves hermenêuticas para uma verdadeira e autêntica acção pastoral sócio-caritativa do CEPAC. Poullart des Places e Libermann sempre quiseram pessoas aptas para os serviços mais difíceis e abandonados, para que aí se aprenda a escutar os apelos do mundo.
O CEPAC ao atender as diversas histórias dramáticas dos imigrantes nunca se sinta indiferente – que é sempre um risco que se corre, de se deixar acomodar face aos sofrimentos dos outros, uma vez que já são realidades que se repetem diariamente – mas que se aprenda, cada vez mais, a solidarizar-se com os outros427. «A solidariedade confere particular relevo à intrínseca sociabilidade da pessoa humana, à igualdade de todos em dignidade e direitos, aos caminhos dos homens e dos povos para a unidade cada vez mais convicta»428. Neste sentido, torna-se importante recordar as palavras de João Paulo II para o início no Novo Milénio:
«É hora duma nova ‘fantasia da caridade’, que se manifeste não só nem sobretudo na eficácia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar e de ser solidário com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda seja sentido, não como esmola humilhante, mas como partilha fraterna»429.