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5.6 Evaluation de l’approche dans le cadre de TAC-KBP ´

5.6.4 Evaluation de l’extraction des relations ´

"crescer é difícil, fatigante e cheio de ciladas..."

Galimard

As transformações físicas do adolescente ocorrem num cenário de grande tempestade emocio-

nal e cognitiva, com o despertar hormonal da hipófise e a activação do hipotálamo, do ponto de vista

neurológico.

Até o final da infância, a hipófise, glândula responsável de regular a actividade de todas as outras glândulas do organismo, começa a estimular os testículos nos rapazes e os ovários nas meni- nas, com a finalidade de pô-los em actividade; assim pode-se observar no pré-adolescente um aumen- to progressivo de reacções em cadeia das glândulas, na circulação de hormonas sexuais, que passa despercebido no começo, até que sua concentração é suficiente para provocar mudanças próprias da puberdade.

O termo puberdade emprega-se para designar o período da adolescência em que ocorre o ama- durecimento das glândulas reprodutoras, que é acompanhado do desenvolvimento de certos órgãos e de outras modificações, que vão, em média, dos 11 aos 13 anos nas meninas e dos 12 aos 14 anos nos meninos.

Os indivíduos amadurecem fisiologicamente em diferentes momentos, pelo que situar o início da puberdade é consensual. CLAES (1990), considera que “ nenhuma teoria científica consegue explicar

o modo como se regula o relógio biológico que desencadeia a puberdade”. Contudo, ARAGÓ (1986)

considera que “...esta evolução biológica verifica-se actualmente a partir dos onze anos no sexo femi-

nino e dos doze no sexo masculino”, donde depreendemos que a puberdade, mais do que qualquer

outra fase da vida, é controlada por factores biológicos hereditários.

Fisicamente verificam-se grandes transformações ao nível dos órgãos e dos ritmos genitais, que se produzem a um ritmo diferente, segundo os indivíduos e o sexo.

É sabido que o desenvolvimento físico processa-se de modo significativamente diferente entre os rapa- zes e as raparigas, nestas a evolução pubertária e o crescimento maturativo dá-se mais precocemente (cerca de um a dois anos antes) que nos meninos.

Contudo, no entender de BLOS (1994), existe ainda o padrão individual de desenvolvimento que não é idêntico para a totalidade dos indivíduos “...as características sexuais primárias e secundárias

processam-se ao mesmo ritmo. O ritmo não é constante nem a linha é recta durante o desenrolar do ciclo da adolescência”.

Nos rapazes manifesta-se com o crescimento gradativo dos testículos e do pénis, com a apari- ção de pêlos na regiões genital e nas axilas, com surgimento de bigode e o despontar dos primeiros pêlos de barba, com a mudança de tom de voz, e com a primeira ejaculação nocturna, durante o sono.

Nas meninas, o primeiro sinal da puberdade é o aumento de volume dos seios e o engrossamen- to do quadril; pouco depois aparecem os pêlos na região genital e nas axilas, aumentam e modificam- se as secreções vaginais, até que ocorre a primeira menstruação, um ou dois anos após o início deste processo, marcando com esse facto o começo dos ciclos menstruais.

Além das mudanças específicas em cada sexo, os homens e as mulheres adolescentes apre- sentam outras transformações, como o crescimento assombroso que começa a ganhar peso e estatura rapidamente. A aceleração do crescimento produz um aumento da estatura de 25% e do peso pode ir de 50% até 100%. É natural que este ritmo acelerado de crescimento traga um aumento das necessi- dades nutricionais, e é por isso que o apetite dos adolescentes chega a ser voraz.

Enquadra-se neste contexto a perspectiva de GALIMARD (1990) ao referir que “a transformação

pubertária faz-se pois em primeiro lugar pelo corpo, através do corpo...”. Com o impulso do crescimen-

to estaturo-ponderal, o aspecto morfológico geral modifica-se, paralelamente ao crescimento e matura- ção genital, “tornando-se a fonte mais importante de preocupações”. Por seu lado, SOIFER (1992) argumenta que “... uma causa de angústia emana das transformações corporais devidas tanto ao cres-

cimento como ao gradual aparecimento dos caracteres sexuais secundários”.

Neste sentido, a mesma autora, mostra que na puberdade encontramos um predomínio de emo- ções muito mais pronunciadas do que no período de latência e as descargas de ansiedade têm carac- terísticas idênticas às das crianças pequenas, pois segundo ela “na menina, o aparecimento da mens-

truação produz grande angústia...”; “...o súbito crescimento do pénis e as frequentes erecções espon- tâneas sem aparente causa externa, tornam-no angustiado...”.

Nesta fase e apesar da grande variação, inter-individual, inter-grupal e, sobretudo, inter-sexual de ritmos e idade dos eventos, observa-se um aumento do ritmo de crescimento, duma maneira geral, quer nos rapazes, quer nas raparigas. Segundo AJURIAGUERRA (1991), torna-se evidente o papel que desempenham, no comportamento do adolescente, as alterações corporais em geral, e as genitais em particular, as quais podem, eventualmente, desencadear desarmonias transitórias tanto ao nível do crescimento, como ao nível do comportamento, embora sejam, de um modo geral, pontuais e sem graves consequências, dado que o adolescente vive um momento privilegiado de maturação, o que se torna na base insubstituível do desenvolvimento individual e relacional.

As mudanças físicas do adolescente repercutem no seu estado de ânimo, porque, enquanto dura a transição, perde o semblante e as características da criança sem ter ainda adquirido as de adulto, e percebe sua própria imagem como um fotografia «borrada». Isso provoca no jovem um sentimento de insegurança que o conduz a cuidar, com especial atenção, de sua aparência física. Assim se explicam as horas que passa diante do espelho arrumando o cabelo, ensaiando novos penteados ou experimen- tando diferentes roupas, assim como a preocupação exagerada por fazer regimes e cuidar da pele.

Alguns problemas físicos como a obesidade e o acne são relativamente frequentes entre os ado- lescentes; apesar de não serem graves, merecem especial atenção, pois acentuam neles o sentimento de insegurança e interferem negativamente em seu estado emocional.

Nesta etapa do desenvolvimento e devido às transformações corporais, na opinião de ABERASTURY e KNOBEL (1988), o adolescente “...vê-se obrigado a assistir passivamente a toda uma

série de modificações que se realizam na sua própria estrutura, criando um sentimento de impotência frente a esta realidade concreta que o leva a deslocar a sua rebeldia em direcção à esfera do pensa- mento”. Impõem-se-lhe duas tarefas principais: a reconstrução da imagem corporal e o acesso à identi-

dade sexual que lhe vão permitir ascender progressivamente à genitalidade e à sexualidade adultas. Na perspectiva dos mesmos autores, dá-se o luto pelo corpo infantil, “a perda que o adolescente deve

aceitar ao fazer o luto do corpo é dupla: a do seu corpo de criança , quando os caracteres sexuais secundários o colocam ante a evidência do seu novo status e o aparecimento da menstruação na rapa- riga e do sémen no rapaz, que lhe impõem o testemunho da definição sexual, bem como o papel que terão de desempenhar...”, o que pressupõe o abandono da fantasia do duplo sexo, decorrente da bis-

sexualidade típica de todos os seres humanos. O adolescente, como resultado de imposição de um corpo sexuado, necessita de aceitar-se como ser masculino ou feminino, anteriormente ao assumir-se como tal – identidade de género.

Como já referimos, o ritmo de desenvolvimento do adolescente varia, não só segundo o sexo, mas também de indivíduo para indivíduo, dependendo, segundo BRACONNIER e MARCELLI (2000), de diversos factores intrínsecos e extrínsecos, como a hereditariedade, o meio ambiente no qual o adolescente vive quanto a factores culturais, à alimentação (excesso de gordura acelera a puberdade) e a factores de equilíbrio emocional relacionados com a família. Este crescimento provoca no adoles- cente perturbações emocionais, pois dificilmente conseguem adaptar-se numa primeira fase às modifi- cações que surgem, necessitando de apoio dos pais, crescimento este que é mais desajeitado no rapaz do que nas raparigas.

O conhecimento desta assincronia de desenvolvimento nos adolescentes é de crucial importân- cia para que eles possam ultrapassar as barreiras que lhes são impostas, quer pelo próprio corpo, quer pela mente, sendo talvez esta a que mais sofre, entrando, muitas das vezes, os jovens em situações de stress, podendo conduzir a fenómenos de comportamento estranhos que atingem o ambiente fami- liar de forma negativa. Nesta etapa da vida, o adolescente deverá ser estimulado positivamente quer em relação à sua auto-estima, quer à sua auto-imagem, para que perca a vergonha em relação ao seu corpo e comece a sua maturação biológica.