Público online Correio da Manhã online Expresso online Figura 3: Intervalo entre erros nos jornais online ao longo da semana.
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Assim, é mais uma vez digno de nota o efeito que tem a sobrecarga de trabalho sobre os jornalistas: havendo menos pessoas na redação, cada uma terá de produzir mais notícias do que faria durante a semana, pois tem de trabalhar por mais do que uma pessoa.
Detenhamo-nos agora na análise sobre as zonas do texto em que os erros ocorrem, ou melhor, na quantidade de erros que ocorrem em zonas de grande destaque visual: os títulos e as entradas115. No Público online, dos 71 artigos analisados, oito títulos (5,6%) e 11 entradas (8,5%) têm pelo menos um erro de português. Isto constitui um aumento em relação à edição impressa do Público, em que apenas 2,7% dos títulos e 3,7% das entradas apresentam desvios à norma. Assim, enquanto não se nota um aumento de desvios entre o Público impresso e o online – pelo contrário –, nota-se, curiosamente, um aumento dos erros nas zonas de maior destaque visual.
No Correio da Manhã online, dos 60 artigos analisados, nenhum título apresenta desvios e apenas três entradas (5%) o fazem. Assim, em relação ao papel, existe um decréscimo no caso dos títulos (na edição impressa, 1,7% dos títulos têm pelo menos um erro) e o número mantém-se igual no caso das entradas.
No Expresso online, nenhum dos títulos dos 60 artigos analisados apresenta desvios à norma (já no impresso a percentagem de títulos com erros é 0,8%), mas existe um forte aumento da percentagem de entradas em que isso acontece: de 1,2% no impresso, passa-se para 21,7% no online (ou seja, 13 entradas apresentam pelo menos um desvio).
Assim, nesta categoria existem variações significativas entre as edições impressas e as edições online. Os maiores aumentos dever-se-ão provavelmente ao menor escrutínio do online de que já falámos, enquanto os valores que decresceram terão por base o facto de no online ser possível fazer alterações após a publicação dos artigos, o que permite que assim que se deteta um erro num título ou numa entrada (e para o fazer nem é preciso ler o texto na íntegra) este seja corrigido.
Antes de avançarmos para a análise dos tipos de erros mais frequentes no online, vejamos, a partir dos artigos que no período em análise foram publicados na edição impressa e na edição digital, quais as diferenças que existem (se existem) entre uma e outra.
Começando pelo Público, a revisora Rita Pimenta explicou, durante a entrevista, que quando o mesmo artigo é publicado no site e no jornal em papel é mais frequente que o texto seja exportado do online para o impresso do que o contrário. Analisando as notícias que fazem parte do corpus de observação e que foram publicadas no online e no impresso, não se verificou muitas vezes que um
115 Foi decidido, tal como no impresso, que não faz sentido analisar os destaques em produndidade, por não ser possível estabelecer uma proporção entre os destaques com erros e os destaques sem erros (já que nem todos os textos têm esta componente e que os que a têm têm-na por vezes repetida). Não houve no Expresso e no Correio da Manhã, porém, qualquer destaque com desvios à norma; no Público, houve 18.
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erro da notícia online fosse corrigido na versão impressa. Aconteceu, por exemplo, na notícia “Cidadãos considera «irresponsável» excluir Vox de um governo na Andaluzia”, de 5 de dezembro: a frase original era “chegou a vez do líder do Cidadãos admitir exactamente o mesmo”, estando o sujeito de uma oração infinitiva contraído com uma preposição, o que não pode acontecer segundo a norma do português-padrão (Neves, 2019, p. 67). No impresso, na mesma notícia (publicada a 6 de dezembro, na página 24 do jornal) essa contração foi desfeita: “Chegou a vez de o líder do Cidadãos admitir exactamente o mesmo”.
Noutros casos, um erro que estava presente no site não foi exportado tal qual para o jornal em papel, mas nesses não se trata de uma simples correção do erro: a própria frase foi alterada, deixando a dúvida sobre se essa alteração teve o intuito de eliminar o erro ou se resultou apenas da necessidade de reduzir o número de caracteres. A Tabela 11 mostra as frases tal como se encontravam no online e a forma como foram publicadas na versão impressa:
Público online Público impresso
Uma das conclusões mais surpreendentes, diz o antigo ministro, é a posição da Liga portuguesa como o campeonato mais desequilibrado: “Como é que isto não merece uma cimeira de todos os responsáveis do futebol português? Isto tem depois um impacto enorme no interesse da própria competição, explica por que razão os jogos têm menos espectadores e os próprios direitos televisivos têm menos valor”, adverte.116
"Como é que isto não merece uma cimeira de todos os responsáveis do futebol português? questiona.117
A autora do romance best-seller Chocolate foi um dos destaques deste sábado do Tinto no Branco, festival literário de Viseu e falou sobre o seu processo de escrita, inspiração, e o seu mais recente livro, O Feitiço da Lua Azul.118 [entrada]
Joanna Harris, autora do romance best-seller Chocolate, foi um dos
destaques do Tinto no Branco, festival literário119 [entrada]
Tabela 11: Casos de alterações numa mesma notícia publicada na edição digital e na edição impressa.
No caso do Correio da Manhã, observando os artigos constituintes do campo de observação que foram publicados no site e no jornal impresso, apenas num caso um erro cometido no artigo online foi corrigido no impresso. Na notícia “Sting é o primeiro nome confirmado do Festival Marés Vivas em
116 Vaza, M. (2018, dezembro 6). O futebol europeu está a ficar cada vez mais desequilibrado. Público. Disponível em https://www.publico.pt/2018/12/06/desporto/noticia/futebol-europeu-ficar-desequilibrado-1853863 [Consult. em: 13 de junho de 2019].
117 Vaza, M. (2018, dezembro 7). O futebol europeu está a ficar ainda mais desequilibrado. Público, 50. Neste caso eliminou- se um erro (a vírgula a unir duas frases sem relação de subordinação entre elas) mas criou-se outro: além de não se terem fechado as aspas (o que se assume ser um lapso), desapareceu a vírgula que precede o verbo declarativo, marcando a alteração à ordem direta dos constituintes da frase (uma vez que o complemento direto, a citação, passou a ocupar a posição pré-verbal). 118 Monteiro, M. J. (2018, dezembro 9). Joanne Harris: “Na escrita há uma espera semelhante à fermentação do vinho”.
Público. Disponível em https://www.publico.pt/2018/12/09/culturaipsilon/noticia/joanne-harris-escrita-ha-espera- semelhante-fermentacao-vinho-1854103 [Consult. em: 13 de junho de 2019].
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Gaia para 2019”120, escreve-se “o britânico Sting é a primeira confirmação do Festival Marés Vivas em
Vila Nova de Gaia, que decorre de 19 a 21 de julho (…)”121. Na notícia impressa, com o título “Sting vem ao Marés Vivas’19”, a mesma frase surge já com o modificador apositivo “em Vila Nova de Gaia” entre vírgulas122. Esta parece ser, porém, uma exceção. Na notícia “Wilson Eduardo põe Braga no 2.º lugar da Liga”123 (online), de 9 de dezembro, por exemplo, há quatro desvios à norma, não tendo sido nenhum deles corrigido no impresso124. O motivo por que isto acontece, no entanto, torna-se evidente após uma análise mais cuidada: o primeiro artigo referido, sobre o Festival Marés Vivas, é o único do período em observação que foi publicado online antes de o ser no papel: nos restantes casos, o texto foi publicado na edição impressa e depois no site, já não sofrendo mais alterações.
Quanto ao Expresso, dos cinco artigos analisados que foram publicados em papel e no online, não houve nenhum em que um erro cometido na edição digital tivesse sido corrigido na edição impressa. A razão, porém, parece ser o facto de estes textos terem passado primeiro pela revisão e só depois terem sido publicados, mesmo no online, pois, observando as datas, estas revelam que os artigos foram sempre publicados no papel antes de o serem na edição digital.
120 Título online, em que a expressão adverbial “em Gaia” deveria estar entre vírgulas, por estar a acrescentar informação sobre o Festival e não a especificar de que festival se fala.
121 Lusa. (2018, dezembro 3). Sting é o primeiro nome confirmado do Festival Marés Vivas em Gaia para 2019. Correio
da Manhã. Disponível em https://www.cmjornal.pt/cultura/detalhe/sting-e-a-primeira-confirmacao-do-festival-mares-
vivas-em-gaia-para-2019?ref=Pesquisa_Destaques [Consult. em: 10 de junho de 2019]. 122 Sting vem ao Marés Vivas ’19. (2018, dezembro 4). Correio da Manhã, 39.
123 Pereira, T. V. (2018, dezembro 9). Wilson Eduardo põe Braga em 2.º. Correio da Manhã, 36.
124 Pereira, T. V. (2018, dezembro 9). Wilson Eduardo põe Braga no 2.º lugar da Liga. Correio da Manhã. Disponível em https://www.cmjornal.pt/desporto/futebol/detalhe/wilson-eduardo-poe-braga-no-2-lugar-da-
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Podemos agora analisar os tipos de erros que ocorrem com maior e menor frequência no online. O gráfico presente na Figura 4 apresenta a proporção em que cada tipo ocorre nos três jornais e no conjunto geral dos resultados.
Olhando para os dados, conclui-se haver três pontos a destacar: primeiro, a pontuação continua a ser a área em que mais se erra, correspondendo a quase um terço de todos os erros cometidos; em segundo lugar, as estruturas argumentais figurarem entre os três tipos de erros mais frequentes em todos os jornais, ocupando assim o lugar que na edição impressa tinham as orações relativas e passando a segundo tipo de erros mais frequente; em terceiro lugar, as estruturas de elevação, as construções passivas e a propriedade de vocabulário serem, tal como no papel, os três campos em que os desvios à norma são menos frequentes, de tal maneira, aliás, que nos artigos analisados online não existe qualquer erro em construções passivas e existe apenas um em estruturas de elevação, no Expresso.
O destaque da pontuação como a área em que se verifica um maior número de desvios, tanto na edição impressa como na edição digital, aponta sem dúvida para um domínio deficiente das regras que lhe dizem respeito – sobretudo no que toca à pontuação dos modificadores apositivos e dos elementos intercalados, que foram os dois tipos de erros mais frequentes. Já o aumento dos erros em estruturas argumentais (passam de 12% dos erros no impresso para 16,2% no online) e a redução dos desvios em orações relativas (de 16,9% no impresso para 12,5% no online) não quererá dizer certamente que quem escreve no papel tem um menor conhecimento das regras das orações relativas do que quem escreve no site (até porque se trata muitas vezes das mesmas pessoas), mas, porventura, que as equipas de revisão têm uma maior preocupação – ainda que inconscientemente – com os casos de erros em estruturas argumentais (por exemplo, regências erradas e supressão ou adição de argumentos), o que causa uma alteração da
16,20% 15,4% 18,9% 14,7% 12,5% 6,8% 14,9% 14,1% 9,9% 12,8% 7,4% 9,9% 9,4% 10,3% 6,8% 10,9% 5,5% 5,9% 4,1% 6,3% 2,6% 5,9% 0% 2,1% 29,2% 25,6% 25% 34,6% 14,5% 17,1% 21,6% 7,3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Total CM online EXP online PÚB online