No 2º parâmetro foi realizado um período de conversação com os docentes coparticipantes da pesquisa, os que utilizaram a Tabela FD em sua didática de ensino com alunos cegos ou com baixa visão.
O participante 01 da Escola de Educação Especial Osny Macedo Saldanha, localizada junto ao IPC, no município de Curitiba, também com deficiência visual, enfatizou a grande importância que os recursos adaptados possuem para o processo inclusivo, não sendo um material que “remove” a deficiência ou “soluciona”, e sim um mecanismo que elimina as barreiras existentes, proporcionando o acesso igualitário a todos. Segundo o participante 01, a grande maioria de pessoas e profissionais da educação acredita que seria necessária uma invenção extraordinária, quando na verdade apenas simples adaptações para o uso.
De acordo com o participante 01, a Tabela FD representou um excelente suporte pedagógico, uma adaptação realmente efetiva na tradução das informações básicas, propriedade e conceitos na compreensão da disciplina, ao mesmo tempo em que proporcionou independência aos estudantes cegos ou com baixa visão durante o seu uso.
[...] alguns anos atrás, o modelo que nós tínhamos para ensinar a tabela periódica, era apenas uma tradução em ordem alfabética dos elementos químicos e suas informações, tinha um tamanho maior que a carteira escolar, media quase duas carteiras quando aberto. Era muito complicado utilizá-la, mas este “modelinho” aqui, além de pequeno é também leve, qualquer um pode utilizar, eu posso deixar o aluno utilizando sozinho que ele dá conta do recado.
Participante 01, IPC/2016
Assim como continua argumentando:
[...] outra vantagem é a capacidade de entreter os alunos com o conteúdo, existe tanta fonte de distração para nossos alunos ou simplesmente sua apatia pelos estudos, que conseguir prender sua atenção e curiosidade no conteúdo quando ele é investigado, representa para o professor um sucesso no seu papel de educador.
Quando o professor comenta sobre “prender” o interesse do estudante no conteúdo, refere-se à disposição do recurso de forma interativa e investigativa, o que remove seus discentes da condição de ouvinte para uma condição participativa, na qual seu ato de construção mental foi substituído por uma constatação da disposição espacial.
Precisamos de toda ajuda que existir, não possuímos uma incapacidade cognitiva, apenas um “probleminha” na coleta de informações, mas ficamos limitados quando não nos oferecem as mesmas oportunidades.
Participante 01, IPC/2016.
Durante o acompanhamento e gravações da prática docente, o participante 01 comentou que a educação inclusiva no Brasil tem avançado de forma acelerada nos últimos anos, mas que boa parte das conquistas ainda se localizam em outros campos de atuação como trabalho, saúde, arquitetura, sendo a Educação o setor que menos avançou na oferta de mudanças de ordem física e metodológica. As diversas áreas do conhecimento fazem da educação um campo meio fragmentado, de forma que não será possível haver uma única ação pedagógica inclusiva. “São os professores de cada disciplina que deverão pensar Inclusão de forma a buscar novos métodos e desenvolverem adaptações” (Participante 01/2017) que lhes permita ter êxito em uma dinâmica de Educação Inclusiva.
Ainda segundo o participante 01, o recurso utilizado (Tabela FD), foi sim a melhor proposta de adaptação da tabela periódica que já utilizou, reconhecendo que existem outras adaptações com o mesmo objetivo, mas nenhuma com tantas vantagens quanto o recurso estudado. Pode, então, ser interpretada como uma excelente ferramenta para ser adotada e utilizada pelas instituições de ensino na garantia de educação inclusiva para estudantes cegos ou com baixa visão.
O material está ótimo, com dimensões e características ideais para utilização de estudantes cegos, conservando a estes as mesmas condições de aprendizado. Agora todos os estudantes com cegueira terão acesso ao currículo mínimo da disciplina de química, melhor ainda, poderão integrar-se totalmente a dinâmica de sala de aula.
O participante 01 mencionou que na grande maioria das vezes o professor não tem suporte técnico ou instrumental no atendimento de estudantes cegos ou com baixa visão: primeiro por ter que partir do profissional da educação o reconhecimento da carência e consequentemente a criação de um método mais eficaz, como revisão de suas práticas, segundo por inexistência de recursos que correspondam àquela especificidade. Por isso ter tido a oportunidade de conhecer e utilizar um novo recurso pedagógico como a Tabela FD foi um suporte de imensa ajuda na mediação do processo de ensino.
Já o participante 02, docente da Escola de Educação Especial Orlando Chaves, localizada junto à ADEVIPAR, no município de Curitiba, também com deficiência visual, enfatizou que nunca gostou de química porque não conseguiu compreendê-la na escola, apenas memorizava o conteúdo para o processo avaliativo. Por isso, vislumbrar uma proposta que tem como objetivo a inclusão de alunos cegos nas aulas de Química, representa um excelente avanço da educação inclusiva, o que já torna o recurso avaliado, Tabela FD, um material promissor.
Falar sobre inclusão é fácil, agora fazer não é todo mundo que faz, e eu estou falando de profissionais que deveriam estar buscando meios como os professores. Por isso toda ajuda e interesse é bem vinda.
Participante 02, ADEVIPAR/2016.
Durante o acompanhamento e gravações da prática docente, o participante 02 argumentou que o recurso traduz com clareza as informações alfanuméricas de uma tabela periódica comum, através de caracteres tácteis e o Braille. Enfatiza que “ensinar um estudante cego ou com baixa visão não é difícil desde que o docente proponha-se a rever sua prática nas adaptações de materiais” (Participante 02/2017).
Não é difícil trabalhar com um aluno cego, basta que o professor esteja disposto a preparar material diferenciado. No restante, toda pessoa com deficiência visual compensará em participação e aprendizado.
Participante 02, ADEVIPAR/2016.
O participante 02 se lembrou da hostilidade que enfrentava devido à cegueira, por isso todo material que dê suporte no processo de
ensino/aprendizagem auxilia a ação docente ao mesmo tempo em que elimina as barreiras de acesso ao aprendizado de um estudante com cegueira.
Concluiu reconhecendo que a Tabela FD apresenta excelente performance garantindo a qualidade do Braille, dimensões e dinâmica, revelando efetividade. Um bom recurso para ser considerado ao uso para a inclusão de estudantes cegos ou com baixa visão, revelando seu apoio da associação.
A ADEVIPAR apoia toda e qualquer iniciativa cujo objetivo é contribuir para a qualidade de vida e garantia dos direitos das pessoas com deficiência visual.
Participante 02, ADEVIPAR/2016.
O participante 02 também lembra que o atendimento que realiza dentro da Escola E.E Orlando Chaves não está de acordo com a nova dinâmica da educação inclusiva, a qual tem que acontecer em ambiente de sala de aula regular, junto a uma classe generalizada, em que o professor ensine sua disciplina para todos os alunos de forma igualitária, mas que apenas conseguirá esta abordagem se estiver munido de ferramentas apropriadas.
7.5.3 Os benefícios da Tabela FD na inclusão educacional de estudantes cegos