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Chapitre 4 Etude de stabilité à long terme de charges froides actives

4.3 Comparaison des deux charges froides

4.3.2 Etude de stabilité

Ensinar e aprender uma língua estrangeira no contexto atual significa estar em um espaço de múltiplas divergências e tensões que ficam persistentes devido às constantes mudanças que temos testemunhado desde a primeira globalização marcada pela necessidade de integração e sistematização de “novas” técnicas ligadas à vida social e tecnológica (KALANTIZIS ; COPE, 2006, p. 405). Além disso, cada vez mais, como resultado da globalização, exige-se uma educação multicultural que visa “à transformação social através da busca pela justiça social e igualdade entre todas as pessoas acima de uma mera celebração das diferenças ou apenas assumir que as pessoas são iguais” (KUBOTA, 2004, p. 37). Tudo isso destaca o atual papel do professor enquanto aquele que promove o “engajamento dos estudantes no ciclo de reflexão e ação por endossar práticas de posicionamento diante de problemas sociais”. (RASHIDI, 2011, p. 256) e o papel do aluno enquanto sujeito protagonista e transformador de sua realidade ( MACLAREN, 1999).

Primeiramente, pensando no papel do professor diante do cenário atual, pautado nas desigualdades sociais e econômicas, também resultantes da globalização e neoliberalismo (BLOCK; CAMERON, 2002), o LC aponta para a necessidade de uma educação de professores visando à justiça social (ZEICHNER, 2011). Isso significa que nos tempos atuais é preciso que os professores sejam preparados para ensinar em sociedades em que a desigualdade ameaça o futuro do planeta. Para a consecução dessa meta, Zeichner (2011) propõe que o docente insira em sua prática a reflexão sobre o modo como ele e seus alunos concebem aqueles que são diferentes deles, como encaram as políticas públicas, a sua identidade política, cultural, social (FREITAS; PESSOA , 2012).

O ensino pautado na justiça social promove a consciência sociocultural, vê as especificidades dos alunos e suas famílias; conhece a vida deles. Esse ensino reconhece a diversidade como fonte de rica aprendizagem e não como problema. Caminhando para uma direção similar, Guenther e Dees (2000), propõem que os professores façam uma leitura crítica de si mesmos no sentido de entender qual a sua voz no processo de ensino e aprendizagem uma vez que sua voz “reflete os valores, ideologias e princípios estruturantes usados para entender e mediar as histórias, culturas e subjetividades de seus alunos” (MACLAREN, 1989, p. 230, apud GUENTHER; DEES, 2000, p. 33). É preciso que os professores possam dar voz para seus alunos no sentido de não apenas entender, mas também questionar e se posicionar acerca das tendências autoritárias e ideologias hegemônicas persistentes e dominantes, especialmente disseminadas pela mídia. De acordo com Guenther e

Dees (2000), uma forma de fazer isso é usar a cultura popular com o objetivo de propiciar uma leitura de si mesmo, do outros e da realidade ao seu redor. O uso de mídias da cultura popular pode servir de insumo para reflexão e discussão sobre os mais variados estereótipos da vida comum e naturalmente, da escola. Como exemplo de cultura popular, cito os vários seriados de TV, considerando sua grande disseminação entre os jovens e a forma como os referidos seriados podem mostrar relações entre lingua, cultura, questões sociais e poder já que eles também trazem à tona as mais complexas ideologias acerca da vida, das relações humanas, do papel do Estado, do professor e do aluno.

Todas as considerações feitas anteriormente fazem parte da agenda do professor “pós- moderno” (KUMARAVADIVELU, 2012), que entende a necessidade de se adequar e reagir pedagogicamente diante dos tempos de globalização que rompem com a ideia de limitar-se ao nacional e de restringir-se a métodos pré-estabelecidos para o ensino de uma língua estrangeira. De acordo com Kumaravadivelu (2012), a era pós-moderna implica na reflexão sobre os princípios da particularidade (sensibilidade à especificidade de um contexto de atuação), praticalidade (ruptura das classes “teoria” e “prática”), e, por fim, a possibilidade (que resgata o legado de Freire com relação à sala de aula como um espaço de múltiplas possibilidades para se entender e se posicionar acerca de uma realidade que é construída e historicamente determinada).

A proposta de renovação da prática docente, de acordo com o LC, enfatiza o trabalho dos docentes como mediadores do processo ensino/aprendizagem, aprendendo juntamente como os alunos, sem que haja uma hierarquia tradicionalmente estabelecida. Larson & Marsh (2005) propõem que o professor seja capaz de ajudar o aluno a compreender que eles estão posicionados nos textos e nas práticas sociais (onde as desigualdades se materializam). Além disso, é importante compreender como os textos posicionam os sujeitos sociais. Afinal, como afirma Louro (1997, p.121) as desigualdades "só poderão ser percebidas – desestabilizadas e subvertidas – na medida em que estivermos atentas/os para suas formas de produção e reprodução". O professor tem um papel fundamental em elucidar as desigualdades e fomentar a criticidade de seus alunos.

Em se tratando dos papeis dos alunos, para Luke (2012), Vásquez (2004) e McLaren (1993) o LC deve permitir que os aprendizes também se tornem “professores” (LUKE, 2012, p. 7) no sentido de que eles podem beneficiar outros aprendizes (e os próprios educadores) com suas experiências e compreensão do mundo que surge a partir de seu contato com diferentes tipos de texto, bem como sua condição enquanto ser humano em uma determinada sociedade. Logo, o LC propõe um novo olhar sobre os alunos enquanto pesquisadores

críticos da língua, que depreendem e desconstroem significados presentes nos textos, estabelecendo novos sentidos fora dele, baseando-se em suas experiências e conhecimento do mundo (COMBER, 2001 apud LARSON & MARSH, 2005; MORRELL, 2008).

Essa nova forma de se pensar os alunos indica que eles devem ser sujeitos ativos no processo de ensino/aprendizagem de forma a ter autonomia e participação ativa na sociedade enquanto cidadãos críticos. Isso é reforçado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), ao falar sobre o objetivo da aprendizagem de uma língua estrangeira no Brasil.

A aprendizagem de língua estrangeira é uma possibilidade de aumentar a autopercepção do aluno como ser humano e como cidadão. Por esse motivo, ela deve centrar-se no engajamento discursivo do aprendiz, ou seja, em sua capacidade de se engajar e engajar outros no discurso, de modo a poder agir no mundo social (BRASIL, 1998, p. 15).

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