VII) Applications dans une procédure de réaction tandem inter-intramoléculaire
5. Etude de la réaction de rétro-hydroamination avec le complexe (R)-L1a-Y -
São Nicolau nasceu por volta do ano 280, na antiga cidade de Patara, na Anatólia, hoje uma província da Turquia. A sua biografia conhecida é composta mais de lendas do que de factos seguramente acontecidos. Na Legenda Aurea, obra composta em latim, no século XIII, pelo monge dominicano Jacopo Varazze, uma vasta coleção de biografias e milagres de santos, conta-se que os seus pais, Epifânio e Joana, «ricos e santos», o terão gerado logo após o casamento e que passaram o resto da vida em abstinência carnal. Terá revelado sinais de santidade desde os seus primeiros dias: quando lhe deram banho, no dia em que nasceu, ficou de pé; enquanto a sua mãe o amamentou, cumpriu uma espécie de jejum às quartas e às sextas-feiras, dias em que se pegava ao seio materno uma única vez; na infância, evitava as brincadeiras próprias da idade, preferindo passar o seu tempo em igrejas, registando na memória o que escutava das Sagradas Escrituras.
Quando os seus pais faleceram, Nicolau «começou a pensar no que faria com as suas grandes riquezas para proporcionar glória a Deus, mas evitando os elogios humanos por essas obras.» Segundo a Legenda
Aurea, a primeira demonstração da sua generosidade terá acontecido quando mudou o destino a três
donzelas, filhas de um seu vizinho, um homem nobre, mas indigente, que se tinha visto obrigado a prostituir as suas filhas virgens para que a família pudesse sobreviver. Por três vezes, Nicolau atirou sacos cheios de moedas de ouro para dentro da casa onde viviam, o que lhes permitiu escapar à má sorte. Algum tempo depois, tendo falecido o bispo de Mira (a atual cidade turca de Demre), o bispo que tinha autoridade para designar o seu sucessor, depois de um período de jejum e orações, escutou de noite uma voz que lhe disse que o escolhido seria o primeiro homem chamado Nicolau que entrasse na igreja no dia seguinte. «Na hora das matinas, como que conduzido pela mão de Deus, o primeiro a apresentar- se na igreja foi Nicolau», que, apesar de contrariado, recebeu a investidura eclesiástica. Como bispo, participou em Niceia no primeiro concílio ecuménico, reunido no ano de 325.
A São Nicolau são atribuídos diversos milagres, que o tornaram no patrono dos marinheiros, das crianças e dos estudantes. Num deles, terá devolvido à vida três crianças que um estalajadeiro teria assassinado, esquartejado e salgado, para servir dissimuladamente em refeição aos seus hóspedes. É deste milagre, que teve grande curso no Norte da Europa e que não será mais do que uma lenda surgida depois da composição da Legenda Aurea, que lhe vem a fama de protetor das crianças, que o transformaria em Santa Claus, o Pai Natal que, num trenó puxado por dois cervos negros, visita anualmente todas as crianças. Entre os milagres que terá praticado, também se conta aquele em que terá ressuscitado dois estudantes assassinados por ladrões, de onde lhe veio a fama de padroeiro dos escolares. No entanto, da sua hagiologia oficial apenas consta um estudante miraculado:
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«Por amor a seu filho, que estudava as belas-letras, um homem comemorava todos os anos com solenidade a festa de São Nicolau. Certa vez, o pai do rapaz preparou um banquete ao qual convidou grande número de clérigos. Ora, o diabo veio à porta, em trajes de mendigo, pedir esmola. O pai mandou imediatamente o filho dá-la ao peregrino. O rapaz apressou-se, mas não encontrou o pobre e correu em sua busca. Quando chegou a uma encruzilhada, o diabo agarrou-o e estrangulou-o. Ao saber do sucedido, o pai lamentou-se muito, recolheu o corpo, deitou-o na cama e pôs-se a dar vazão à sua dor, proferindo estes gritos: “Ó querido filho, o que aconteceu? São Nicolau, é esta a recompensa da consideração de que por tanto tempo dei prova?”. Assim dizia ele, quando de repente o rapaz abriu os olhos como se saísse de um sono profundo, e ressuscitou.»
Não se sabe ao certo em que ano morreu São Nicolau, mas sabe-se o dia: 6 de dezembro (o mesmo dia em que morreu D. Afonso Henriques no ano de 1185). Inicialmente sepultado na Catedral de Mira, as suas relíquias foram conduzidas furtivamente para a cidade italiana de Bari, no ano de 1087. O seu culto propagou-se pela cristandade, de Oriente a Ocidente. Tem especial veneração no Báltico e no mar do Norte, para onde terá sido levado pela devoção de marinheiros. É o padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega. Desde a Idade Média, os alunos das universidades e das escolas das catedrais veneram-no como o seu patrono. Os estudantes de Guimarães dedicam-lhe as Festas Nicolinas.
As representações iconográficas de São Nicolau, muito abundantes na tradição europeia, mostram-no com vestes e insígnias de bispo, muitas vezes junto de três crianças que ressuscitou, com as três bolsas de ouro que ofereceu às donzelas que salvou ou com ofertas que distribui às crianças, frequentemente simbolizadas por maçãs vermelhas.
O Colégio das Artes e Humanidades da Costa
Depois de estudar em Paris e em Lovaina, onde se doutorou em Teologia, o padre jerónimo D. Diogo de Murça regressou ao mosteiro da Penha Longa, em Sintra, onde professara. Pretendendo aperfeiçoar a instrução dos membros da sua congregação, convenceu o rei D. João III a fundar, naquele convento, um colégio de humanidades e artes. Instituído em 1535, o colégio foi transferido para o Convento da Costa, em Guimarães, onde já estava a funcionar em setembro de 1537 por ocasião da visita de um dos mestres de Diogo de Murça em Lovaina, o humanista Nicolau Clenardo. A transferência do colégio dos monges jerónimos para a Costa estará relacionada com a formação do seu aluno mais notável, D. Duarte de Portugal, filho bastardo do rei D. João III. Com ele estudou Antoninho – filho do infante D. Luís e de Violante Gomes, a Pelicana ―, que viria a ser Prior do Crato e um dos pretendentes ao trono de Portugal na crise sucessória de 1580, na sequência da morte do cardeal-rei D. Henrique.
41 Em 1539, o papa Paulo III autorizou o Colégio da Costa a conferir graus em Artes,
Filosofia e Teologia. Dois anos mais tarde, o rei concedeu autorização para que passasse a atribuir os graus de bacharel, licenciado e mestre, com equiparação aos que eram concedidos pela Universidade de Coimbra.
O Colégio da Costa teve uma existência efémera. Em 1542, D. João III designou o príncipe D. Duarte para arcebispo de Braga. Tinha 21 anos e o seu episcopado seria breve, já que viria a falecer em novembro de 1543. Nesse mesmo mês, Frei Diogo de Murça foi elevado à condição de reitor da Universidade de Coimbra e parte dos alunos do colégio de Guimarães foram transferidos para aquela cidade. O Colégio da Costa perdia assim o seu mentor e iria perder, num dos anos seguintes, um dos seus principais alunos, D. António. Esta terá sido a machadada final na breve experiência de estudos superiores no Mosteiro da Costa. O Colégio da Costa foi extinto em 1550.
Em razão dos cursos que ministrava e pela qualidade dos seus mestres, humanistas formados em universidades estrangeiras, o Colégio da Costa era um estabelecimento de ensino que ministrava formação de grau universitário. No entanto, é questionável a sua qualificação como uma universidade.
Tem havido quem associe a existência efémera desta instituição ao surgimento dos festejos dos estudantes de Guimarães a São Nicolau. No entanto, até hoje não foi encontrada nenhuma evidência que permita relacionar esse facto com as Festas Nicolinas.
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