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ETUDE DES PRINCIPAUX MECANISMES REGISSANT LE CONTACT

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Comunicação não violenta a partir do teatro do oprimido

Cheguei às 14 horas, me apresentei na frente e subi, uma das educadoras estava chamando os meninos que estavam no cochilo pós-almoço. Encontrei a responsável pelo grupo comigo e as técnicas. Pedi um minuto para guardar a mochila no armário e a atividade foi na sala de reforço. Voltei à sala de reforço, contribui para arrumar em círculo. Levei xerox do conceito do que era teatro do oprimido86 e a técnica também responsável pela atividade levou xerox da fábula do sultão (reflexão sobre o potencial de comunicação não violenta).

85Em sua maioria os bregas da periferia de Pernambuco, como exemplo, Mc troinha, Mc Elvis, Shevechenko e elloco.

86 É uma metodologia criada em 1960 por Augusto Boal que utiliza o teatro como ferramenta de educação social.

Subiram 11 meninos, alguns novos e alguns que já conhecia de outros momentos, a seleção é feita pela equipe e de acordo com os horários e atividades deles. Eu fiquei responsável pela oficina e a técnica ficou como guardiã87. De início ocorreu uma incredulidade deles sobre o que eu iria fazer nesta tarde. Muito pela minha idade, não chegaram a perguntar, mas me achavam nova pelos apontamentos que fizeram de que eu não tinha idade para ser chamada de “tia”. De acordo com o relatado em projeto da Universidade Estadual do Rio de Janeiro com o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) em 1997 é resultados das relações de poder no sistema “poucos adolescentes se tratam pelos nomes. Conforme o grau de intimidade, adotam apelidos ou utilizam-se mesmo dos números que os identificam. Em relação aos adultos, tratam as mulheres por “tia” e os homens por “seu”” (BARCELLOS; PUT, 2000, p. 147).

Comecei a oficina explicando um pouco o que era aquele momento, que a partir do teatro iríamos trabalhar comunicação não violenta. Perguntei se sabiam o que era, se alguém queria ser ator e se sabiam o que faz um ator ou atriz e no que trabalham. Houve participação, falaram das novelas e filmes, mas não conseguiam visualizar a relação com a nossa atividade.

É importante pontuar que foi a primeira atividade a frente da equipe, considero que houve uma participação efetiva de pelo menos 4 de maneira pró ativa e desde o começo, 2 ao longo da atividade, 2 esporadicamente (uma resposta ou outra) e 3 não participaram88.

Com isso distribui os conceitos de teatro do oprimido, pedi ajuda para lerem e os demais prestarem atenção. Foi um momento onde houve solidariedade imediata, prestaram atenção ao colega lendo e foram contribuindo quando o mesmo parava em uma palavra. A dificuldade de leitura se dá principalmente pelo baixo perfil escolar encontrado, ainda em pesquisa realizada em 1997 pelo Fonacriad

confirmou o que já se encontra bem estabelecido na literatura sobre o tema: a grande maioria desses adolescentes é do sexo masculino, com baixa escolaridade, oriundos de famílias pobres e que praticam, em sua maioria, infrações contra o patrimônio (ARANTES, 2000, p. 64).

Fiz perguntas sobre o conceito que lemos, 2 dos meninos responderam de imediato como se fosse algo dado e simples, apesar de afirmarem que nunca tiveram contato com a técnica do teatro do oprimido.

87Termo utilizado pelos círculos restaurativos de condução de um grupo.

Passado esse momento de apresentação eu expliquei que em específico hoje íamos trabalhar o teatro imagem. Iríamos trabalhar como estátuas, construiríamos uma cena e os demais deveriam falar sobre ela. Solicitei dois voluntários, começou a tal brincadeira que já apareceu anteriormente em outras oficinas de apelidos e de “ladrão” daí, assumi o posicionamento da equipe técnica e solicitei que se chamassem pelo nome. Pedi para que se cumprimentassem dando um aperto de mãos e ficasse estátua.

Os demais apontaram que a situação em estátua eram dois amigos se encontrando na rua, marcando de terem um passeio ou que acabaram de se conhecer. Estimulei fazendo perguntas. Importante dizer que quando eu chamava atenção para onde eles estavam e todos em unanimidade “CASEM tia” “mas e a imaginação?” “ahhh tia […] na rua, no bairro [...] na escola”.

Agradeci e solicitei que um deles sentasse e convidei mais um para construir algo diferente, colocou a mão como se fosse bater na mão do outro e fez um legal. Dada a imagem estimulei com perguntas. Apontaram que eram amigos, que era algo positivo, feliz e etc. Agradeci e pedi para sentarem. Solicitei mais dois voluntários, as brincadeiras de apelidos novamente e a negativa de não quererem participar. Foi o nosso segundo ponto de tensão na atividade, o primeiro foi quando me apresentei na mediação da atividade. Então fui eu e a outra técnica de estátua, coloquei os braços no ombro dela e estiquei uma das pernas. Neste momento a guardiã foi à mediadora e estimulou perguntas. Alguns reclamaram que não dava para enxergar de onde estavam que eu era grandes demais, outros afirmavam que eu estava dando uma rasteira e que não tinham certeza se era tão positivo assim a imagem. Finalizamos a imagem e nos encaminhamos para a reflexão do momento.

Todos sentados, eu perguntei o que acharam da atividade. Apontei que era justamente para que verificassem que cada um tem seu ponto de vista, que a gente não vai conseguir dar conta de saber de tudo só com imagem, que é preciso estarmos atentos que o nosso corpo “fala” e que a comunicação não violenta depende de cada um de nós nas mais variadas situações. Uns um pouco incrédulos outros prestando atenção apontei que iria montar uma situação e queria saber a opinião deles.

Os dois que não queriam participar das ações levantando ao longo da oficina coloquei na imagem (já que estavam sentados) e pedi mais dois para encenar uma situação de uma pessoa apontando para a porta e outra saindo com a cabeça baixa. Estimulei o que acharam da situação, não acharam a situação positiva, pois, era alguém

colocando o outro para fora disseram, poderia ser na escola? Indaguei. “É o professor, ele fez coisa errada tia, perturbou na escola” disseram.

Estimulei para que alguém mudasse a situação e deixasse ela positiva, um dos meninos cumprimentou o que estava apontando para a porta e os demais alertaram que a situação “poderia ser na escola ainda, que estava agradecendo, que poderia ser no CASEM”. Conclui apontando que a divergência entre eles era normal e que cada um tinha a sua opinião, mas que o nosso corpo também é importante na comunicação não violenta.

P

ara terminar a oficina, distribuímos a fábula do sultão e um deles leu para o grupo. Foi preciso pedir silêncio, pois, já estavam inquietos com a hora.

Houve dificuldade em algumas palavras, ajudamos, um deles não concordou com a explicação, de que uma situação pode ser dita de várias maneiras diferentes, a guardiã fez as perguntas sobre a história e responderam de acordo com a leitura. A guardiã finalizou apontando para o fato de que podemos dizer o que temos para dizer de um jeito melhor, não violento assim como na história. A técnica achou legal o momento e confessou que teve um momento que acreditou que não iria e que tinha me saído muito bem participando com a outra técnica para estimular eles. Ela apontou a vontade de continuar com essa técnica, quem sabe encenar a fábula com os meninos, conversar mais sobre a história com eles.

Terceiro encontro com as famílias, as autorizações e a superlotação

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