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Synthèse

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De acordo com Minayo (2008), a fase de análise de informações, quando efetivamente iniciada, é habitualmente uma etapa

de divergências e dúvidas para o pesquisador. Para a autora, os objetivos da análise são três: o primeiro seria a ultrapassagem de incertezas, ou seja, momento de questionamentos acerca das leituras feitas no material, se ele atende a todas as generalizações do(s) textos(s). O segundo é relacionado ao “enriquecimento” da leitura, desse modo, o pesquisador deve sempre questionar-se a si próprio, interrogando se sua leitura ultrapassa um olhar imediato, atingindo outras significações. E, por último, há a integração das descobertas para além das aparências, suas integrações em contexto micro e macro.

“Portanto, analisar, compreender e interpretar um material qualitativo é, em primeiro lugar, proceder a uma superação da sociologia ingênua e do empirismo, visando penetrar nos significados que os atores sociais compartilham na vivência de sua realidade” (Minayo, 2008, p. 299). A escolha desse caminho foi previamente pensada durante o trajeto da investigação, contudo, também buscando obter conformidade com as opções teórico-metodológicas utilizadas.

Dentre as possibilidades analíticas, a compreensão das informações coletadas foi inspirada na proposta dos Núcleos de Significação. Este procedimento foi idealizado por Aguiar e Ozella (2006), seguindo uma abordagem da Psicologia Sócio-Histórica para pesquisas qualitativas, em uma estrutura epistemológica baseada na teoria de Vygotsky, tendo “uma dimensão histórico-dialética na construção do conhecimento científico” (Aguiar, Soares, & Machado, 2015, p. 58). Por conseguinte, acredito essa escolha ter sido condizente com as lentes teóricas, desenvolvidas na investigação da vida cotidiana dos jovens universitários já inseridos no mercado de trabalho.

Para este caso, especificamente, fiz uma listagem dos pré- indicadores para cada um dos dez jovens e, ao final desse processo, todos foram unificados em uma lista. Os pré-indicadores emergem a partir das primeiras e das várias leituras flutuantes, de todo material coletado, gravado e já transcrito; e afloram, habitualmente, em grande número, consolidando amplos campos de possibilidades futuras para a nuclearização final. São eleitos como pré-indicadores os temas que sejam mais recorrentes, os narrados com ênfases, com carga emocional, além de ambivalências e contradições que tenham importância dentro dos objetivos da investigação e também na fala de cada sujeito. A Figura 2 demonstra o “leque” dos pré-indicadores dos dez jovens já aglutinados e vários deles foram temas recorrentes nas falas dos pesquisados. Neste ciclo dos pré-indicadores, há a identificação das primeiras palavras indicativas das formas de pensar, sentir e agir dos sujeitos.

Figura 2 - Leque dos pré-indicadores dos dez jovens aglutinados

Fonte: elaborado pela autora (2016).

Concluída a fase dos pré-indicadores, em novas leituras consecutivas eles foram aglutinados, formando os indicadores. Deste modo, dos vinte e dois pré-indicadores, resultaram quatro indicadores, afunilando temas que eram similares, complementares ou ainda que se contrapunham. Assim sendo, segue-se para a formação dos indicadores que constituem conjuntos temáticos, fazendo a união das palavras pré- significadas

Lembram, Aguiar e Ozella (2013), da necessidade das novas (re)leituras das entrevistas a cada fase do procedimento analítico. É o ir e vir do pesquisador ao seu material analítico, um jogo analítico dialético entre análise e interpretação, que vai compondo a “música” (Aguiar, Soares, & Machado, 2015; Aguiar & Ozella, 2013).

É a uma construção produtivo-interpretativa, processo interativo, reflexivo e, por que não dizer, “repleto de dúvidas”, pois, no caráter didático da análise, estamos dividindo histórias, por isso, quanto mais próximos de ações “em movimento”, um vai e vem, mais próximos estaremos também da historicidade dos sujeitos pesquisados. Os pré- indicadores agrupados deram origem a quatro indicadores, conforme mostrado na Figura 3.

Figura 3 - Os quatro indicadores

Fonte: elaborado pela autora (2016).

Os indicadores trazem relações entre seus contextos. Aguiar e Ozella (2013, p. 309) advertem que um “indicador pode ter potências e coloridos diferentes em condições diversas, tais como: fases ou etapas da trajetória de vida, tipos de relações com outros, experiências profissionais etc.”. E na continuidade das leituras e do processo analítico, sempre retomando as leituras flutuantes, voltando às entrevistas, em nova reunião/revisão dos indicadores foram produzidos os núcleos de significação resultantes, conforme mostrado na Figura 4.

Figura 4 - Núcleos de significação

A nominação de cada núcleo deve revelar a expressão da articulação entre o próprio indicador e seus conteúdos, podendo ainda conter falas expressivas dos próprios sujeitos. E com tais características foram concebidos os dois núcleos de significação: Trajetórias profissionais e educacionais: entre incertezas e expectativas na vida dupla; e O cotidiano e as histórias estudantis e laborais - quando a gente se dá conta e para pra pensar assim: o que eu faço no meu dia a dia? Quando analisados, os núcleos devem articular os processos intranúcleo e internúcleo das falas do sujeito com seu contexto social, político, econômico e cultural, objetivando compreensões em totalidade. Ainda, valho-me da experiência analítica dos Núcleos de Significação nos estudos de mestrado. Compreendi esses resultados, em uma análise metafórica, como peças de um quebra-cabeça. Contudo, em vez de se ajustarem a um único local, puderam ser “encaixados” em diferentes posições, quando da apreensão dos resultados, num movimento dinâmico inter e intra relacional (Borges & Coutinho, 2010). Além disso, tem sido também uma experiência recorrente nas pesquisas realizadas pelos bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Cientifica (PIBIC), mestrandos e doutorandos pertencentes ao Núcleo de Estudos e Constituição do Sujeito (NETCOS)22, como por exemplo, Coutinho, Borges, Graf e Suave (2013); Toassi (2008); e D’Avila (2014). Seguimos sua composição, conforme será apresentado a seguir, ressaltando que nossos processos analíticos no NETCOS foram se (re)adaptando da idealização original na etapa inicial.

De tal modo, nossas análises guardam a seguinte diferença: uma análise individual de todos os integrantes de cada pesquisa na etapa inicial dos pré-indicadores, passo este inexistente para Aguiar e Ozella, que elegem somente um participante para efetivar seu processo analítico. Assim sendo, nesta pesquisa, por exemplo, elegi pré- indicadores para cada um dos dez jovens, e, posteriormente, integrei essas informações formando um único “conjunto” dos pré-indicadores de todos os sujeitos, conforme apresentado anteriormente.

Após a formulação desse conjunto dos pré-indicadores, segue- se com a estruturação proposta pelos autores Aguiar e Ozella (2013), efetivando a análise nas três partes propostas e sequenciadas dos núcleos de significação: pré-indicadores, os indicadores e finalmente os núcleos de significação em si. Concluída a apresentação do procedimento

22 O NETCOS é coordenado pela Prof.a D.ra. Maria C. Coutinho, também orientadora desta tese.

analítico e, antes de prosseguir aos núcleos resultantes, farei, a seguir, uma apresentação dos jovens participantes.

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