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6 - ETUDE DE /V QUAND * EST UNE INTEGRALE DE REPRESENTATIONS•

Os três irmãos IN_H8 EDR40 os irmãos não gostavam dela Porque a girafa tem o

pescoço longo

MS_H1 EDR1 a girafa não gostou Por que a galinha tem asa

mas não voa?

MS_H4 EDR13 a galinha não podia voar [,] mas ela queria Fonte: Dados da pesquisa, 2012-2017.

Os enunciados com Grau 1 apresentam os dois critérios delineados por Authier-Revuz para pertencimento no campo do DR, assemelhando-se àqueles disponibilizados pela autora – “eles falaram de teatro” e “Paulo evocou sua juventude” (1993). Apesar de apresentarem os referidos critérios, estes enunciados foram classificados enquanto DN (e não como DI) a partir dos verbos (“avisar, saber, ir ensinar”) utilizados pelas díades.

De seu lado, os enunciados com Grau 2 indicam a existência de ato enunciativo, mas há ausência do que teria sido dito pelos personagens – “a cobra foi falar com a girafa” (MS_H1). Para Authier-Revuz, semelhante a “eles falaram durante duas horas” (1993, p. 10-11), não se trata de DR. Alinhado as reflexões de Jonasson (2003), estes enunciados foram considerados como formas de DR por indicar ato enunciativo, opção teórica que também justifica os enunciados do Grau 3. Estes possuem o último grau de indicação enunciativa, tendo sido classificados como DN a partir do conjunto textual.

Os Quadros de 9 a 11 expõem as estruturas e os EDD, EDI e EDN, ao mesmo tempo em que permite o delinear de breves considerações quanto à transcrição dos ME. Grosso modo, há duas formas de transcrição – diplomática e normativa. Na diplomática, respeita-se “disposição topográfica – página, linha, margem e reescrituras interlineares – do original” (GRÉSILLON, 2007, p. 168-169). Na normativa, há preservação do que foi escrito, mas não é obrigatório manter as palavras que iniciam e finalizam cada linha, erros gramaticais discentes. Em nosso trabalho, utilizamos uma transcrição intermediária. Isto é, transcrevemos o que o aluno escreveu, considerando a palavra que iniciou e finalizou cada linha. Erros gramaticais foram corrigidos (“Há muito tempo” para “A muito tempo”, “quebrou” para

“cebrou”) e, quando houve acréscimo de pontuação ou de letras, utilizamos colchetes. Como a leitura dos manuscritos é, às vezes, difícil, apresentamo-los, no corpo do texto, como ilustrado abaixo. Ressaltamos que todos ME constam sob a forma de Anexos A e B.

Quadro 12 - Transcrição intermediária e disposição gráfica dos ME na Tese

Fonte: L’ÂME, Dossiê Vila, 1992.

A princípio, enumeramos todas as linhas desde o título. Isabel e Nara não costumavam deixar espaço entre título e início da história, o que explica a ausência de número. Em Marília e Sofia, há igual espaço e ausência numérica, pois a folha entregue às alunas estabelecia, a priori, onde o título deveria ser escrito. Em seguida, destacamos o EDD, EDI e EDN com cores diferentes – vermelho, verde e lilás, respectivamente. No EDD, houve ainda utilização da cor laranja no sintagma introdutor, estando o vermelho reservado à fala do personagem.

Com os manuscritos organizados em ordem cronológica, enumeramos os Enunciados de DR (EDR) à medida que os identificávamos nos ME. Esta contagem progressiva pode ser visualizada através da numeração que consta acima de cada DR. De modo a contribuir com a localização destes discursos durante análises, houve inclusão de código. Logo, o EDD “a mãe [...] falou: -cheeeeeeeeeeegaaaaaa” é acompanhado pelo código L6_DR13, significando que ele está na 6ª linha e corresponde ao EDR número 13.

A terceira parte deste trabalho condensa análise do EDR em ME, estando organizada em três Seções (4, 5 e 6). As Seções 4 e 5 evidenciam as formas de representação do EDR nos

1. A família F atrapalhada 2. Era UMA VEZ um MENINO que 3. chamava fim que

4. e a mãe dele chamava fina e o pai 5. fumo.

6. a mãe tava trabalhando muito : 7. efalou: e falou:

8. - cheeeeeeeeeeegaaaaaa13 fim14:

9. - que [?]15 me chamou mãe? 16:

10. - eu fumo:!!! 17:

11. - está me chamando querida!!! 18

12. e ele foi para o quarto e cantou

13. - fim [,] fumo [,] fina fiiiiiiiiiinaaaa19:

14. - está me chamando amor20.

15. 16.

17. FIM21

18. 19.

20. (SI) e ESTÃO ME CHAMAN 21. DO!!!22

manuscritos de Isabel/Nara e Marília/Sofia. A Seção 6 apresenta as semelhanças e diferenças das ocorrências deste discurso nas díades. Para análise do EDR no produto textual, adotamos critérios morfossintático, visual, semântico e enunciativo.

O verbo foi assumindo como um dos componentes essenciais na estruturação do DR e o classificamos em introdutores ou constitutivos de incisa, dicendi ou sentiendi, sinalizador de DN. Houve ainda a identificação dos verbos e tempos verbais utilizados pelas alunas, bem como sua ausência (DD apresentado sem verbo introdutor ou sem incisa).

Além do aspecto verbal, observamos a presença (ou não) de pronomes pessoais no sintagma introdutor (ele falou). Em termos visuais, analisamos a disposição do DR na folha de papel, a duplicação de letras e a utilização de pontuação. No aspecto semântico, a mudança de sentido foi discutida a partir de substituições de pronomes, de verbos e de tempos verbais. Todos esses critérios encontravam-se associados a um caráter enunciativo que considerou as interlocuções entre personagens, entre narrador e personagem, entre narrador e leitor.

A quarta parte do estudo recupera a gênese dos EDR que constam nos ME através do retorno ao processo de escritura em ato. Ela está igualmente subdividida em três Seções (7, 8 e 9) e preserva a mesma sequência organizacional da análise realizada sobre os manuscritos. Dada à extensão dos corpora, quatro processos foram selecionados, sendo dois de cada díade.

Quadro 13 - EDR, ME e processos de escritura em ato

DD em histórias com títulos sugeridos

Título Escreveu Enunciados de discurso reportado

A princesa e a pedra encantada (IN_H1)

Isabel  ele falou nós vamos ter que dar dez beijos em cada um (EDR1) Como surgiram as

palavras (MS_H7)

Sofia  ele disse - vocês macacos vão aprender na escola (EDR29)

DN e DI em histórias com temas livres

Os três irmãos (IN_H8)

Nara  os irmãos não gostavam dela (EDR41)

 eles [...] aaaavisaram para não esconder a bola (EDR42) Porque o sol brilha

(MS_H8)

Marília  o dragão perguntou ao sol se ele poderia devolver o fogo (EDR37)  o sol disse não porque ele não podia sair de lá (EDR38)

Fonte: Dados da pesquisa, 2012-2017.

Na ocasião do Doutorado, foram retiradas quatro narrativas escritas a partir de títulos sugeridos. Apesar da exclusão, as duplas ainda apresentavam histórias com esta característica – A princesa e a pedra encantada (IN_H1), Em uma casa na floresta (IN_H3) e Como surgiram as palavras (MS_H7). Como a H3 não tinha DR no ME, analisamos o DD da H1. Semelhante a esta história, Como surgiram as palavras (MS_H7) também apresentava DD no corpo textual e foi escrita com título sugerido. Portanto, a gênese do DD é realizada em histórias produzidas a partir de delimitação de título.

Em Isabel e Nara, havia um EDI em A mãe má (IN_H5) e dois EDN em Os três irmãos (IN_H8). Como A mãe má foi escrita por Isabel, optamos por Os três irmãos, escrita por Nara. Em Marília e Sofia, havia grande quantidade de histórias com EDI e/ou EDN escritas por Marília. Elegemos Porque o sol brilha (MS_H8), última história produzida pela díade, assim como Os três irmãos. Em Porque o sol brilha e Os três irmãos, o tema foi livre.

A princesa e a pedra encantada (IN_H1) e Como surgiram as palavras (MS_H7) possuíam apenas um EDD no corpo textual, o que não ocorreu em termos de EDN e EDI. Para selecioná-los, acrescentamos outro critério. “Ele falou nós vamos ter que dar dez beijos em cada um” (IN_H1_EDR1) foi construído desde a combinação da história, diferentemente de “ele disse - vocês macacos vão aprender na escola” (MS_H7_EDR29), que emergiu na cadeia sintagmática durante a inscrição textual. Em Os três irmãos (IN_H8), essas formas de emergência do DR aconteceram, respectivamente, em “eles [...] aaaavisaram para não esconder a bola” (IN_H8_EDR42) e “os irmãos não gostavam dela” (IN_H8_EDR41).

Porque o sol brilha (MS_H8) tinha oito EDR (4EDI, 2EDN e 2EDD), destes apenas dois foram construídos desde a combinação da história – “o dragão gritou” (MS_H8_EDR36) e “o dragão perguntou ao sol se ele poderia devolver o fogo” (MS_H8_EDR37). De modo a incidir sobre a gênese das três formas de EDR de sua combinação à inscrição no ME, optamos pelo EDR37. Para preservar a mesma quantidade de discursos, também analisamos a gênese de “o sol disse não porque ele não podia sair de lá” (MS_H8_EDR38).

Quadro 14 - ME, processos de escritura em ato e definição dos EDR

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