Données géométriques et masses volumiques des chènevottes
Chapitre 2: De la caractérisation expérimentale à la sélection de la chènevotte
2.2 Etude expérimentale intra-caractéristique
As instalações de uma biblioteca reproduzem o seu conceito, o seu significado e o que ela se propõe a ser, aos “olhos” da sociedade. Os espaços físicos das bibliotecas traduzem suas funções estratégicas, sua ideologia. Em lugar do conceito de ambiente, essa pesquisa adotou o conceito de ambiência de Belintane (2002), que a compreende como “[...] um meio físico, mas, ao mesmo tempo, estético e psicológico planejado para interações humanas [...]”
por se entender que o conceito de ambiência apresenta uma completude e adequação às descrições do espaço informacional de Pierruccini (2007).
Na categoria espaço informacional dialógico, as BPM foram avaliadas levando em consideração as características compostas dos diferentes elementos que se relacionam, interagem e produzem visibilidade e significados às BPM, proporcionando um conforto e bem-estar, que seduzem o público, despertando seu interesse em frequentar e permanecer no dispositivo, como os seguintes elementos: estética; localização; tamanho; luminosidade; temperatura; ventilação; mobiliário; layout e organização física.
Desse modo, os resultados da investigação revelaram que, embora a maior parte dos usuários tenha afirmado estar satisfeita em relação aos espaços físicos das BPM, na observação direta a pesquisadora constatou a insuficiência desses espaços, o que torna plausível supor que a maioria dos usuários participantes da amostra não tem ou não teve contato com outras bibliotecas ao longo de suas vidas, não tendo como referencia espaços informacionais mais próximos do modelo ideal de uma biblioteca, ficando assim sem parâmetros para estabelecer uma avaliação mais consistente em bases comparativas, que permitisse o questionamento quanto à qualidade ambiental das BPM utilizadas. Este fato corrobora com o pensamento de Perrotti (2010) e Milanesi (1986), quando estes afirmam que as bibliotecas não fazem parte das vivências do cotidiano do povo brasileiro. Esse pensamento é ratificado pelo depoimento de um usuário (BPM 6) participante da amostra que, ao responder se as atividades culturais oferecidas pela BPM fazem diferença na vida dele, destacou não ter vivido a experiência de uso desse tipo de ambiente informacional na sua formação inicial, afirmando: “[...] na minha infância não tive está oportunidade de ir a uma biblioteca.”
Os resultados obtidos na observação direta demonstram que os espaços físicos das BPM analisadas expressam o descompromisso do poder público municipal e a falta de conhecimento do que vem a ser uma biblioteca, na sua condição fundante de dispositivo de mediação cultural. As instalações das BPM transmitem, traduzem a importância que lhes é dada pelas instituições políticas e gestoras dos bens públicos. Exceto a BPM 2 (Barreiras), todas as demais funcionam em espaços próprios das prefeituras, contudo, estes não foram criados nem tampouco adaptados adequadamente para instalação de uma biblioteca, não havendo uma preocupação com o redimensionamento do espaço para atendimento aos princípios conceituais do que seja uma biblioteca pública, para que serve e a qual público esta se destina.
O conceito de ambiência (Belintane, 2002) aponta para a importância dos aspectos físicos, estéticos e psicológicos na concepção de um espaço constituído para interações humanas. No caso das BPM analisadas verificou-se que estas não utilizam recursos materiais e imateriais para atrair o público. Os resultados analisados permitem afirmar que essas BPM não se constituem em espaços de interação, de acolhimento, que possibilite a sinergia, elementos importantes para que ocorra a mediação e apropriação da informação com defende Perrotti (2010). As BPM 4 e 5 (Salvador) se apresentam com grades e trancadas, por falta de segurança, não contando com vigilantes, proporcionando um sentimento de vulnerabilidade e insegurança ao público e a equipe que ali atua. Conforme se pode perceber na Figura 7, as BPM1 (Alagoinhas) e BPM 6 (Serrinha) têm cores sombrias, com as áreas de circulação interna funcionando como depósitos de mobiliário, privando os usuários de um espaço de convivência agradável e organizado. Uma biblioteca bem planejada e organizada dispõe de setores diversificados, o que traduz a oferta de serviços e o cumprimento das suas funções sociais, porém observou-se que esta não é a realidade das BPM 2 (Barreiras), BPM 3 (Ipirá) e BPM 6 (Serrinha).
Vale ressaltar que a mediação, a partir da abordagem de Vygotsky (1998), exige a compreensão quanto à importância dos meios, da mediação simbólica que utiliza os instrumentos e signos para o desenvolvimento e aprendizagem do indivíduo. A biblioteca transmite, através dos símbolos materiais e imateriais, um significado, um discurso que interfere na realidade local. (FADEL et al., 2010). Assim, pode-se afirmar que a mediação dessas BPM apresentam limites no que tange aos significados que estão deixando de produzir pela precariedade de suas ambiências.
Os usuários, ao manifestarem seus sentimentos em relação ao espaço físico das BPM, demonstram o entendimento de que os elementos materiais e imateriais que compõem as bibliotecas favorecem a produção de sentidos e significados, na perspectiva defendida por Pierruccini (2007), quando fazem afirmações como a que se pode observar no depoimento do usuário da BPM 5:
A estrutura é muito metódica, lembra muito a escola. Biblioteca deve ser assim como um shopping, teatro ou museu, deveria ter uma estrutura que remetesse ao entretenimento.
Conforme o depoimento acima, o sentido e o significado transmitido pela BPM ao usuário são de um espaço onde impera a ordem imposta, não dialógica, relacionando-se, na concepção do usuário, com a imagem da escola tradicional. Segundo Althusser (1985), a escola é um aparelho ideológico do Estado, ou seja, uma instituição normativa e de base
manipuladora, como destaca Flusser (1983). Ao fazer a associação da BPM utilizada com esse tipo de escola, o usuário está indicando o sentimento de ausência de um espaço de cultura acolhedor e dialógico.
Enfim, as BPM do Estado da Bahia não atendem ao conceito de ambiência, por deixarem de propiciar aos seus usuários o acolhimento necessário à mediação efetiva, deixando de proporcionar o prazer de frequentá-las. No momento em que as mesmas têm seus espaços físicos precários e mal estruturados, consequentemente estas não contemplam a possibilidade de gerarem a sensação prazerosa e agradável proporcionada pela estética. Essas BPM não têm uma identidade, visibilidade nas comunidades nas quais estão inseridas, provocando um distanciamento e rejeição do público, o que provavelmente leva à baixa frequência de uso dos seus serviços e produtos.
Para finalizar, considera-se que, além de ofertar uma ambiência convidativa e acolhedora, as BPM enquanto espaço de mediação, também precisam encantar e seduzir seu público através do acervo, do seu repertório informacional, constituído para atender as necessidades informativas, formativas e culturais dos usuários. (PIERRUCCINI, 2007). Assim, busca-se na próxima seção fazer a discussão dos resultados obtidos quanto a esse elemento.