Partie I Le cancer du sein
C. BRCA1 : un gène suppresseur de tumeur associé aux cancers du sein
3. Etude des cancers du sein associés à BRCA1
A renovação do projecto ficou a dever-se muito ao repertório então seleccionado. Este passou a ser constituído sobretudo por clássicos portugueses e estrangeiros, tendo sido excluídas, as peças encomendadas ou vencedoras dos Prémios do Teatro do Povo com intenções políticas e ideológicas mais ou menos subtis140.
Não deve também dissociar-se esta viragem de um progressivo abandono da perspectiva de cultura popular idealizada por António Ferro, «um paradigma tradicionalista, assente na sugestão folclórica e regionalista» (MELO 2001: 323), e que se reflectia fortemente no repertório inicial produzido para o Teatro do Povo.
Terá sido Francisco Ribeiro o principal responsável pela escolha do repertório141, mas o discurso do responsável máximo do SNI parecia ir no sentido de uma adesão total aos ideais humanistas que esta selecção parecia indicar. Assim o deixava transparecer o comentário veiculado pelo Secretariado e publicado em vários jornais, bem como os próprios discursos de José Manuel da Costa:
[...] uma missão eminentemente pedagógica como esta tem, ao mesmo tempo, um carácter de maior interesse humano, dando a conhecer aos espíritos menos informados dos grandes problemas morais e sociais uma ideia vibrante, sugestiva e plástica – pode dizer-se – do que é relevável e eterno no homem, no seu todo.142
140 De facto, 1951 é o último ano dos concursos de peças para o Teatro do Povo.
141 Para além de uma carta de Francisco Ribeiro dirigida a Beatriz Costa que será referida mais adiante e
que testemunha a responsabilidade de Francisco Ribeiro pela remodelação do projecto, na documentação oficial podem ser encontrados vários exemplos do envolvimento de Francisco Ribeiro na selecção do repertório, nomeadamente nas cartas de resposta de Francisco Laje, chefe da 3ª secção do SNI,
recusando propostas de repertório e fundamentando a recusa no parecer negativo do director artístico da companhia (Estas afirmações podem ser ilustradas com os seguintes exemplos: Carta de Francisco Laje ao Presidente da Comissão Central das Festas da Rainha Santa Isabel, datada de 14 de Maio de 1952; Carta de Francisco Laje a D. Fernanda de Almeida (redacção do Diário da manhã), datada de 28 de Fevereiro de 1952 e Carta de Francisco Laje a Jorge de Faria datada de 31 de Março de 1952 (PT/IAN/TT SNI Cx 2534 (3581-A).
142 Este excerto faz parte de um comentário veiculado pelo SNI e publicado pelos seguintes jornais:
A. Boavida «O teatro e o cinema do povo» in Renovação (Vila do Conde) 10/10/53; «A acção do Teatro do Povo» in Notícias da Beira (Mangualde) 10/10/53; «O Teatro do Povo» in Ecos de Estremoz 04/10/53 ; «A acção do Teatro do Povo» in Correio de Abrantes 04/10/1953; «A acção do Teatro do Povo» in Notícias de Portugal 04/10/1953; «Teatro do Povo» in A Voz 23/09/07; «Teatro do Povo» in
Novidades 19/09/53 ; Aos espectáculos do Teatro do Povo em 22 localidades assistiram 140.000 pessoas» in Diário da Manhã (18/09/53).
O seu desejo [de José Manuel da Costa] de proporcionar ao público, através do teatro do SNI cultura acessível à formação das classes populares. […]
Depois de criticar as reservas postas à iniciativa do SNI, pelos «Velhos do Restelo» que teimam em considerar a cultura apenas acessível a um escol privilegiado […] O Secretariado Nacional da Informação acentuou que tal conceito ficava eloquentemente desfeito pelo êxito […]
«Teatro do Povo» in Notícias de Macau (28/08/52)
Apresentaram-se, então, no primeiro ano, dois programas constituídos por O juiz da Beira e D. Duardos de Gil Vicente e a Castro de António Ferreira e O traído imaginário de Molière. Note-se que O Juiz da Beira já tinha sido encenado por Francisco Ribeiro no Teatro do Centro Universitário de Lisboa da Mocidade Portuguesa em 1947 e 1948. Com este espectáculo o encenador recorria, mais uma vez, ao expediente de revisitação de repertório já trabalhado que, tal como atrás foi notado, lhe era muito familiar.
Para além do espectáculo de evocação medieval O arremedilho de Guimarães, levado à cena em 23 de Junho por ocasião das solenidades do milenário daquela cidade, repetiu-se, em 53, sensivelmente a mesma programação do ano anterior, apenas com a diferença de, no segundo programa, a Castro, por falta da actriz principal143, ter sido substituída pelo Auto de Santo António de Gustavo de Matos Sequeira. Este último espectáculo voltaria a ser apresentado em 54, fazendo parte de um programa que integrava também O príncipe disfarçado de Marivaux, apresentado em alternância com o Alfageme de Santarém e O tio Simplício de Almeida Garrett, no ano em que se assinalava o primeiro centenário da morte daquele dramaturgo.
Por fim, em 1955, subiram ao palco os textos S. João Baptista de António Lopes Ribeiro e Comédia das verdades e das mentiras de Francisco Ribeiro e Costa Ferreira, alternando na programação com o Rei Lear de Shakespeare. Note-se que a Comédia das verdades e das mentiras foi um texto evocativo da commedia dell’arte que revelava, mais uma vez, um certo desejo de regresso às origens do teatro.
No conjunto, nota-se uma progressão no sentido de um recurso cada vez maior a obras adaptadas ou de autores contemporâneos, embora inspiradas em modelos clássicos. Esta evolução foi porventura ditada pela necessidade de garantir uma melhor compreensão dos espectáculos por parte do público popular.
143 Este dado consta da Informação interna dirigida ao chefe da 1ª repartição elaborada pelo chefe da 3ª