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Analyse cinématique de la coupe

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2. E TUDE FONCTIONNELLE DE LA COUPE EN FORAGE BTA

2.2. Analyse cinématique de la coupe

A nossa tese, ao realizar a exploração dos conceitos de subjetividade e engajamento, com a finalidade de definir e descrever o que é o conceito de Interessamento, deparou-se com a proposição de outro conceito inédito: o de Educação de Situação, conceito formulado com base no termo ‘situação’ utilizado por Sartre desde o Ser e o Nada, para referir-se a condição histórica, temporal e concreta dos indivíduos, e continuando na Crítica da Razão Dialética como a atuação, isto é, como práxis dos sujeitos numa época determinada que parte do presente em direção ao futuro, sugerido na seguinte passagem, sobre a atividade e a finalidade da escrita engajada: “entendeu-se ‘Escrever para sua época’ como se significasse: escrever para seu presente. Mas não: é escrever para um futuro concreto delimitado pelas esperanças, pelos temores e pelas possibilidades de ação de todos e de cada um” (SARTRE, 1990, p. 31. Grifo do autor). A noção de situação apontada por Sartre em O Ser e o Nada e a proposta de

uma filosofia da educação também fundamentada através do seu pensamento, nos deram as chaves conceituais para estabelecer o que chamamos de educação de situação.

Se considerarmos algumas implicações teóricas que envolvem a educação e sua relação com a realidade política e concreta, vemo-nos na obrigação de lembrarmos de outras teorias, como as que foram citadas na página 151 desta tese, entre outros tantas que poderíamos mencionar, que nos mostram que há uma relação indispensável e importante entre a educação e a realidade, entre a educação e a sociedade, ou entre a educação e o viés político da realidade. Todas essas questões, se considerarmos os aspectos hermenêuticos do pensamento de Sartre compõem o que chamamos de elementos de situação fática; mas, nenhum dos autores mencionados acima elevou a educação à categoria de educação de situação e nem demonstraram de que modo a situação, como algo que se produz na história por subjetividades engajadas em projetos comuns, pode estar fundamentalmente ligada, intrínseca e extrinsecamente, à educação. Compreendemos, portanto, que a relação da educação com a realidade, proposta nas teorias mencionadas, ainda não exprime de modo devido o que vem a ser uma educação de situação, visto que elas não contém sua expressão no nível de uma noção de subjetividade que encontra no engajamento a sua continuidade, como algo próprio da condição do fazer subjetivo, que se realiza à medida que escolhe os empreendimentos nos quais engajará sua existência, e os elementos para expandir a natureza da educação. Como diz Sartre, “o ponto em que melhor reconheço a subjetividade é nos resultados do trabalho e da práxis, em resposta a uma situação. Se posso descobrir a subjetividade será por uma diferença existente entre o que a situação costuma exigir e a resposta que lhe dou” (SARTRE, 2015, p. 40). Uma educação de situação toma para si o desenvolvimento dos processos de formação bem como das exigências de uma subjetividade engajada, fincada na história e no movimento das necessidades engendradas pela própria situação como construção humana, isto é, como práxis. Isto representa para nós, muito mais do que sinalizar para a relação social e o compromisso político da educação, quer como questão subjacente, quer como questão estruturante, o que já é muito importante. Trata-se do reconhecimento de que não há diferença entre a educação e os acontecimentos históricos, entre a educação e o que pode acontecer na realidade, entre a educação e o político no mundo; o que coloca tais questões como momentos da educação em seu desdobramento próprio, compondo a própria situação da educação que se transforma em situação para outrem. O cuidado em pensar sobre tais realidades incide no fato de que, quem constrói a realidade da educação é a subjetividade humana que nela se prolonga, se expande e se expressa, inclusive

como engajamento, ou como não-engajamento, que também é um modo de comprometer-se, como em qualquer outra ação que realize.

Analisando o pensamento de Sartre e o que significou em determinado momento histórico, a leitura existencialista da realidade que o levou a expressar o termo “situação” para descrever o conjunto de fatos históricos e políticos que recaíam sobre a humanidade, e reivindicando a responsabilidade por definir, fazer, destruir e reconstruir a própria realidade pelo aspecto da subjetividade movente e engajante, formalizou e criou o sentido do termo situação que quisemos retomar e enfatizar nesta tese, sobretudo para fincar a educação num presente que se projeta rumo ao futuro.

Então, que é situação para Sartre? É a relação expressa entre a liberdade e a facticidade (SN, p. 597). É também um termo utilizado para expressar o signo da história que se desenrola e imprime em determinada época ou momento histórico e também para mostrar a força das circunstâncias como realidade concreta, da qual não escapamos. A situação é, portanto, a circunstância que media, prepara, estabelece e elenca determinadas características estruturais de uma época histórica, desde que se considere que tudo o que há é feito por mãos humanas, por sua práxis e a sua ação, e a construção de cada realidade posta e articulada nos engendramentos que forjam uma sociedade como organismo político vivo. Para Sartre, a situação é descoberta quando a realidade humana descobre sua função em uma sociedade cuja realidade é historicidade. Isto quer dizer que a subjetividade enquanto aquilo que se faz, que se constitui ao constituir a realidade, mergulha na atualidade do signo histórico já construído como situação. De tal forma, que a liberdade requerida pela subjetividade é um mergulho na ação histórica, que já identificamos como sendo a inteligibilidade da história.

Pensando que a educação é também um aspecto fundamental da história e que ela está presente fazendo-se de acordo com o desenho original que se desenvolve historicamente em uma sociedade determinada, isto é, circunstancial e, portanto, sujeita a uma situação que lhe emoldura, que lhe traça as bordas da atuação que lhe caracteriza epocalmente, pensar a partir de Sartre sobre uma educação de situação é garantir o esforço da subjetividade livre que se engaja a partir de um horizonte determinado a fim de determinar novos horizontes, mas mantendo a possibilidade de criá-los, sem fechá-los. A educação de situação deve estar assentada no caráter e no aspecto histórico e aberto da realidade, como uma garantia de coerência para uma determinada circunstância que pode ser transformada por sujeitos livres.

Caracterizar a educação como sendo educação de situação é o que pensamos ser uma espécie de garantia de que ela permaneça aberta, pois, estará submetida à abertura dos acontecimentos, da práxis humana fundamentada pela subjetividade, que no modelo que

adotamos pela filosofia de Sartre, se revisa na medida em que vai conquistando a existência como liberdade, pelos atos de engajamento. Vimos, a este respeito, que o ser humano é o ser em que o seu próprio ser se encontra em questão. O ser cujo ser está em suspensão por não lhe caber uma essência e, por essa razão, projeta-se rumo a seus fins próprios que são fins históricos, isto é, que compõe o tecido do que chamamos situação. Cabe aqui a reflexão de que o homem é questão para si mesmo por ser uma totalidade nunca acabada. Da mesma forma que o ser humano, a história, a sociedade e a educação não podem conter acabamento nem totalização. Essas vias deverão permanecer em aberto porque a abertura da subjetividade se estende para estas realidades. Portanto, a educação está em situação porque deve ser feita; está por se fazer pelo esforço conjunto das subjetividades existentes no mundo da vida. As preposições “de” e “em” utilizadas aqui para nos referirmos a educação de situação indicam a transcendência projetiva da consciência sobre a educação e sobre a situação, visto que elas são feitas pela realidade humana. Por isso, dizer educação de situação ou em situação é existencializar no concreto da história toda contribuição humana para a continuidade e desenvolvimento da própria educação, que continuará a existir não às margens da história, mas como história viva, porque humana, pois, “qualquer aspecto da realidade somente se torna significativo quando apreendido no âmbito da consciência e da história humanas” (SILVA, 2004, p. 15).

O conceito de educação de situação diz-nos que aquilo que construímos se constitui por nosso engajamento em uma realidade cujo significado só nos é possível no âmbito da consciência e da história humana, por isso, o Interessamento é uma intencionalidade viável apenas no campo de uma educação de situação. Esta, por meio da historicidade do Interessamento, visto que ele é uma intencionalidade da consciência existencialmente situada, prevê que a realidade humana – com todos os aspectos mencionados nesta tese – se constitui quando a totalidade do real adquire sentido existencial a partir de projetos humanos específicos, afinal, tudo o que existe independente da ação humana, existe para a realidade humana como vetor intencional de onde uma transformação pode surgir, pois, qualquer coisa pode ser objeto da ação ou da indiferença humana.

No tocante a educação de situação, acreditamos que a antropologia sartriana confirma essa possibilidade quando resumidamente pode ser definida como uma filosofia que incorpora as possibilidades de ser da realidade humana, o seu fazer-se a si, sua transcendência e intencionalidade, à realidade humana como aquilo que se apropria ou não da realidade, como aquilo que constrói e destrói, como realidade que se adapta e modifica, enfim, a realidade humana tornando-se realidade histórica; essas são características que uma educação de

situação por meio do engajamento subjetivo pode dar conta, tomando esse caráter formativo da realidade humana como sua responsabilidade. De acordo com a filosofia de Sartre o processo de historicidade pelo qual a realidade humana elabora a própria existência tornando- se vir-a-ser é uma realização em sentido próprio e sua tarefa, nestas circunstâncias, é tornar-se existência como realidade histórica. É a esse papel que uma educação de situação pode servir à realidade humana, fornecendo-lhe condições de forjar-se a si mesma pelo engajamento articulado a vida em seu desenrolar como situação histórica.

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