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Etude de circuits CMOS complexes

6.3 Simulation de l’influence de variations de process

6.3.2 Etude de circuits CMOS complexes

Este estudo piloto foi realizado a partir da necessidade de verificar no âmbito deste trabalho, se o contexto influencia a avaliação da experiência de utilização com cadeira de rodas. Esta análise não foi realizada no Estudo 1 e tem relevância para determinar de que forma desenvolver o método de avaliação de estudos subsequentes.

Como já referido em seções anteriores, tecnologias de apoio são dispositivos com o objetivo de aumentar ou devolver funcionalidades perdidas, potencializando habilidades e capacidades. As cadeiras de rodas enquadram-se na categoria das tecnologias de apoio para auxílio de mobilidade. Quando um indivíduo tem funcionalidade total ou parcial dos membros superiores preservada, a indicação é de uma cadeira de rodas manual (standard ou ativa). As cadeiras de rodas elétricas são indicadas quando o indivíduo não tem controlo motor dos membros superiores e tronco, ou no caso de recomendação decorrente de fadiga ou debilidade muscular.

Apesar da grande valia deste dispositivo na realização de atividades de vida diária, reinserção social e qualidade de vida, estes produtos têm sua utilização em alguns casos minimizada ou abandonada, em vista de algumas vezes desencadear imagens de associação a situações de debilidade funcional, incapacidade e falta de autonomia (Parette e Scherer (2004).

No âmbito da realização de atividades diárias, as tecnologias de apoio, e em específico as cadeiras de rodas, apresentam-se como um produto de grande visibilidade e estética associada à deficiência (Gitlin, 1995), o que pode vir a influenciar sua experiência de utilização.

Hassenzahl e Tractinsky (2006) enfatizaram três princípios para a experiência de utilização: as necessidades humanas, os aspetos afetivo e emocional da interação e a natureza da experiência. Além disso, consideram que o estado interno do utilizador (expectativas, motivações e predisposições), as características do produto em si, e o contexto ou ambiente em que ocorre a interação bem como a natureza desta (trabalho, lazer, voluntariado) são fatores determinantes.

A partir deste enquadramento em que o contexto inflluencia a interação com produtos, este estudo tem como objetivo geral analisar se o contexto interfere na avaliação da experiência de utilização com cadeiras de rodas.

Os objetivos específicos são:

 Analisar se situações diferentes do contexto inflluenciam na análise de variáveis estéticas associadas a uma cadeira de rodas;

 Analisar se situações diferentes de contexto influenciam a análise de reações emocionais associadas uma cadeira de rodas.

2.1 Métodos

Nesta secção será descrito:

 O modelo da cadeira de rodas utilizado;  Os ambientes virtuais utilizados;

 O instrumento de avaliação desenvolvido;  A amostra;

 O protocolo de recolha de dados;  O processamento dos dados.

2.1.1 Seleção da Cadeira de Rodas.

Para esta escolha, manteve-se o critério do estudo 1: as cadeiras de rodas manuais. O modelo específico (figura 20) foi escolhido em procura realizada na internet, com base nesse critério e no facto de estar disponível em versão 3D, requisito essencial para o desenvolvimento da metodologia deste estudo.

Optou-se por não inserir nenhuma imagem de utilizador sentado na cadeira de rodas para permitir uma visualização clara e integral de todos os seus elementos.

Figura 20 - Modelo de cadeira de rodas selecionado para o estudo 2. Retirado de www. 3dwarehouse.sketchup.com

2.1.2 Ambientes Virtuais.

Foram desenvolvidos dois ambientes virutais, para investigar se há influência do contexto experiência de utilização com cadeira de rodas. A escolha de utilizar ambientes virtuais deu-se pela possibilidade de inserir os participantes em duas situações diferentes, mantendo-se as mesmas condições experimentais para todos.

Um destes ambientes foi um jardim (figura 21) caracterizado por boa acessibilidade e com várias pessoas. Estas escolhas representam um contexto de uso externo, ao ar livre, onde há contato com pessoas e visibilidade da cadeira de rodas. A acessibilidade não foi avaliada, mas foi levada em consideração ao ser colocado um terreno liso e regular na situação do ambiente com contexto.

Figura 21 – Ambiente virtual com contexto do estudo 2.

O outro ambiente foi composto apenas pela cadeira de rodas, sem nenhum outro elemento no intuito de realizar a análise das variáveis estéticas e emocionais sem contexto (figura 22).

Figura 22 – Ambiente virtual sem contexto do estudo 2.

Estes ambientes virtuais foram trabalhados no UNITY 3D (unity3d.com) para modelação e aplicação de textura e iluminação. Foi desenvolvida uma animação (figura 23) com uma câmara que circunda a cadeira de rodas, para gerar um filme em 3D. O desenvolvimento dos ambientes virtuais e da animação foi realizado por Tiago Oliveira, aluno de Mestrado em Ergonomia.

Figura 23 - Esquema da animação do estudo 2.

2.1.3 Instrumento de Avaliação.

Para alcançar o objetivo proposto neste estudo foi desenvolvido um instrumento composto por questões referentes à estética e às reações emocionais, para procurar perceber quais são o fatores a influenciarem a experiência de utilização com cadeiras de rodas.

Em estudo sobre o design univesal em residências adaptadas para pessoas com deficiência (Mace, 1998) ressalta que as tecnologias de apoio são produtos que têm pouca ou nenhuma atenção dada à estética durante seu desenvolvimento. A função é valorizada em detrimento das preferências e experiências o utilizador, e sua comercialização é baseada em campanhas de marketing onde a competitividade pelo menor precço prevalece. Esta conjuntura faz com estes produtos provoquem reduzida vontade nos utilizadores em adquiri-los.

Desmet, Overbeeke e Stefan (2001) desenvolveram investigação alicerçado no conceito de que as emoções devem ser o ponto de partida durante o desenvolvimento e conceção de um produto, em vista das várias emoções que a interação com um produto pode desencadear. No entanto ressaltam que as emoções não são provocadas pelo produto em si, mas sim pelo significado que as características de design do produto provocam. Este princípio pode ser aplicado às cadeiras de rodas, que a partir de sua imagem de dependência e incapacidade, pode provocar emoções negativas de auto-identificação em seus utilizadores.

Com base no exposto, foi desenvolvido um instrumento com duas questões: uma referente às variáveis estéticas e outra referente às variáveis emocionais. Cada questão desdobrava-se em outras por meio de um diferencial semântico distribuído em uma escala de Likert de 5 pontos, que foi escolhida por ser de entendimento mais claro e uso mais fácil (Nagamachi, 2011). O diferencial semântico, para as respetivas questões, foi constituído por adjetivos relacionados a elementos estéticos e por adjetivos relacionados a reações emocionais. Este instrumento está apresentado na tabela 4.

Tabela 4 - Instrumento desenvolvido com variáveis estéticas e emocionais

Como avalia as propriedades que a cadeira possa ter?

1 2 3 4 5 VA RI ÁVEIS Conservador Inovador ES TÉTI CAS Complexo Simples Desconfortável Confortável Inseguro Seguro Bonito Feio

Qual emoção sente após observar esta cadeira de rodas?

1 2 3 4 5 VA RI ÁVEIS Raiva Alegria EMOCIO NA IS Desinteresse Interesse Tristeza Felicidade Aborrecimento Diversão Desprazer Prazer Culpa Alívio Desprezo Valorização Repulsão Atração Desapontamento Satisfação Desmotivação Motivação Vergonha Orgullho Estigma Prestígio

As palavras no domínio da estética foram selecionadas a partir de sites e catálogos sobre cadeiras de rodas. As palavras no âmbito das emoções foram retiradas do instrumento Geneva Emotion Wheel (K. R. Scherer, 2005) já descrito neste documento.

2.1.4 Amostra.

A amostra foi composta por 46 estudantes universitários: 14 homens e 32 mulheres, pertencentes aos cursos de licenciatura em Ergonomia e Reabilitação Psicomotora da Faculdade de Motricidade Humana – Universidade de Lisboa. A idade variou de 18 a 29 anos (d.p. ± 1.71). Em vista deste estudo ter um caráter exploratório, a amostra foi de conveniência.

2.1.5 Protocolo Experimental.

Para a avaliação da influência do contexto na avaliação das variáveis estéticas e reações emocionais associadas a cadeira de rodas foram desenvolvidas duas condições:

 A observação da cadeira de rodas em um jardim, representando um contexto externo acessível (figura 21);

 A visualização da cadeira de rodas sozinha, sem contexto (figura 22).

Cada condição foi exibida para 23 pessoas, em salas de aula diferentes, de forma que cada grupo visualizou apenas uma das situações. Cada grupo foi composto de 6 estudantes de Ergonomia e 17 estudantes de Reabilitação Psicomotora.

Antes de se iniciar a aplicação do instrumento, realizou-se uma explicação sobre protocolo e o objetivo do teste, seguidos da seguinte informação:

 Durante a visualização do filme, observe cuidadosamente o vídeo;  Não faça nenhum comentário ou som;

 Responda quando for solicitado no papel que recebeu;

 Responda tão breve quanto possível, porque há apenas 7 segundos para responder cada questão.

Após esta introdução, um exemplo de como o instrumento deveria ser respondido foi exibido (figura 24). Foi utilizado um projetor e as questões, que apareciam a cada sete segundos, foram respondidas individualmente, em papel. Para este estudo não foi desenvolvida uma narrativa.

Figura 24 – Exemplo dado durante a orientação sobre como responder o instrumento desenvolvido 2.1.5.1 Tratamento de Dados.

Para a análise dos dados obtidos foi realizado o teste não paramétrico para amostras independentes: teste U de Mann-Whitney.

2.2 Apresentação e Discussão dos Resultados

Como se pode identificar no gráfico de linhas da figura 25, o diferencial semântico com variáveis emocionais apresentam uma tendência para valores mais altos de média para o contexto com o jardim. No entanto, foi encontrada diferença estatística significante apenas para os adjetivos desmotivação/motivação (Z=-2.018; p<.05). Para os mesmos adjetivos, o desvio padrão mostra um resultado de maior variação para a situação com contexto, como exposto no gráfico de linhas da figura 26.

Figura 25 – Gráfico de linhas mostrando os resultados das médias para os adjetivos emocionais.

Figura 26 – Gráfico de linhas com os valores do desvio padrão para os adjetivos emocionais.

Como se pode verificar no gráfico de linhas na figura 27, no diferencial semântico com variáveis estéticas também foi encontrada uma tendência para valores mais altos de média no contexto com o jardim, com exceção dos adjetivos inseguro/seguro. Porém, foi encontrada diferença estatística significante apenas para os adjetivos feio/bonito (Z= - 2.893; p<.005).

No gráfico de linhas exposto na figura 28 estão representados os valores de desvio padrão para os adjetivos estéticos. Da mesma forma que o identificado na figura 26 (gráfico de linhas com valores do desvio padrão para adjetivos emocionais) não há uma

tendência clara para altas variações de resultados, quando comparados as duas situações de contextos diferentes.

Figura 27 – Gráfico de linhas com resultados das médias para os adjetivos estéticos.

Figura 28 – Gráfico de linhas com valores de desvio padrão para os adjetivos estéticos.

Não foram encontradas diferenças estatísticas significativas entre as duas situações de contextos (jardim e sem contexto) presentes nos ambientes virtuais para as variáveis emocionais, apesar da situação de contexto com o jardim apresentar maiores valores de média para variáveis de tal categoria. Da mesma forma, para as variáveis estéticas, não há diferenças estatísticas significantes.

Em relação à população participante é necessário observar que o facto de serem estudantes de licenciaturas da área de saúde (Ergonomia e Reabilitação Psicomotora) pode ter influenciado na avaliação das reações emocionais, devido ao facto destes estarem

habituados a vivências onde as cadeiras de rodas são uma possibilidade de superação dos utilizadores, como no desporto adaptado.

Além disso, na metodologia aplicada não houve identificação das razões para cada resposta dada. Considerando que as respostas partem da perceção do participante sobre as situações exibidas, não há certeza que a interpretação e a forma de avaliação para cada contexto ocorreu de maneira uniforme e de acordo com o pretendido.

Outro fator que pode ter influenciado a avaliação das reações emocionais em ambas as situações de contexto é a presença de uma cadeira de rodas imóvel e sem um utilizador. Isto pode ter causado uma avaliação impessoal e uma interação inconsistente com os ambientes virtuais, não despertando emoções nos participantes.

2.3 Conclusões

Os resultados deste estudo indicaram que não há diferenças estatísticas significativas na avaliação de elementos estéticos e de reações emocionais associados a uma cadeira de rodas em relação a uma situação representativa de um contexto público e outra situação sem contexto.

Ao considerar-se que a estética e as reações emocionais são fatores que influenciam a avaliação da experiência de utilização com cadeiras de rodas, pode-se inferir, a partir dos resultados obtidos, que quando comparados uma situação de contexto de uso em ambiente social e outra situação sem contexto, apenas com a cadeira de rodas, não há diferença na avaliação desta experiência de utilização.

A ausência de uma narrativa pode ter sido um fator determinante para estes resultados. O falta de uma história para inserir os participantes em um mesmo panorama levou a uma interpretação individualizada, causando, possivelmente, uma dispersão dos resultados.

Desta forma, a ausência de narrativa é considerada um fator limitante, que deixou bastante evidente a necessidade de controlar as condições experimentais de forma mais rigorosa em estudos futuros.

O facto de a amostra ser apenas de pessoas não utilizadoras de cadeiras de rodas e com uma opinião previamente formada sobre este produto, em vista da formação que possuía (licenciatura em reabilitação psicomotora e em ergonomia) é também um fator limitante deste estudo, por possivelmente ter provocado uma avaliação circunscrita das situações apresentadas.

Para a avaliação do contexto de uso de cadeira de rodas, um produto com elevada envolvência emocional agregada, o mais indicado seria uma análise em situações reais ou em ambientes virtuais imersivos.

Para os estudos futuros, definiu-se dar continuidade à análise da experiência de utilização com cadeiras de rodas por meio da avaliação de aspetos relacionados às qualidades do produto, reações emocionais e da perceção de estigma, com instrumentos já consolidados na literatura e em condições experimentais homogêneas e precisas.

Foi publicado a partir deste estudo, no livro Advances in Intelligent Systems and Computing, o capítulo Can the Context Stigmatize the Assistive Technology? A Preliminary Study Using Virtual Environments. doi: 10.1007/978-3-319-41983-1_26 (Anexo C).

3 Estudo 3: Avaliação da Experiência

de Utilização, Reações Emocionais e

Perceção de Estigma na Interação

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