Annexe du chapitre 2
Chapitre 4 Etude chimiotaxonomique d’exsudats de
Inês Andrade *
A Mouraria é um bairro de encruzilhadas. Mais de 50 nacionalidades habitam e trabalham num território onde confluem culturas, religiões, jovens e menos jovens, tradições popu- lares como as marchas e os santos populares ou as celebrações das comunidades mi- grantes que nas últimas décadas partilham as suas tradições com a vivência quotidiana de um bairro em profunda mudança.
Nos últimos dez anos, a Mouraria atravessou um forte processo de transformação. A As- sociação Renovar a Mouraria (ARM) foi criada em Março de 2008 com o objectivo de revi- talizar este território, votado ao esquecimento por parte dos poderes públicos. Um bairro degradado social, cultural e urbanisticamente, ostracizado, e com um estigma negativo que fazia deste território central da cidade um local repleto de barreiras físicas e imag- inárias que impediam qualquer cidadão de se aventurar na sua descoberta.
Em finais de 2007 foi criado um movimento de cidadania com o objectivo de inverter esta situação e que teve uma grande expressão mediática, que despoletou na criação da ARM. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) demonstrou interesse em promover um projecto de intervenção de requalificação do território, focado nas dimensões do espaço público, da criação de infraestruturas chave e na junção com projectos de promoção da cultura lo- cal. Dentro deste programa de Parcerias Para a Regeneração Urbana, co-financiado pelo QREN, foram desencadeadas as primeiras intervenções efectivas que deram origem à transformação do território.
Esta dinâmica de intervenção gerou uma motivação da sociedade civil para colaborar de forma efectiva com as transformações em curso, coincidindo com a implementação do Orçamento Participativo (OP) da CML e que, por força dessa dinâmica cívica, levou a que a Mouraria fosse vencedora de um OP que deu origem ao Programa de Desenvolvimento Comunitário da Mouraria (PDCM). Neste programa, coordenado pelo então criado GABIP Mouraria, participaram cerca de 40 organizações com áreas de intervenção diferenciada e que procuravam responder às necessidades sociais identificadas.
quinhas e Restaurantes da Mouraria.
-Dinamização Cultural e Artística, com o Arraial de Santo António, o Palco Planisfério, as Visitas Cantadas com Fado, a Orquestra Batucaria, e uma intensa programação cultural associada ao bar/restaurante que encerrou em 2018.
Por força das transformações sofridas pelo território, tendo ficado no mapa da especu- lação imobiliária e da pressão turística, fomentando a desertificação da população e fragilização de laços comunitários, a ARM introduziu de forma mais intensificada 3 novos eixos de acção:
-Activismo na área dos direitos humanos, nomeadamente na defesa dos direitos funda- mentais das comunidades mais vulneráveis, bem como na questão da habitação, da turis- tificação e da especulação imobiliária.
-Educação Para o Desenvolvimento, com um vasto trabalho desenvolvido nas escolas do território, com universidades e comunidades de investigação sedimentadas numa vasta rede de parcerias nacionais e internacionais.
-Intervenção Ambiental, com a implementação do Arraial Sustentável e do Projecto Mouraria Composta, com uma rede de compostagem comunitária e uma Loja-Oficina. A ARM tem actualmente o Estatuto de Organização de Utilidade Pública e de ONGD e tra- balha em parceria com centenas de organizações da sociedade civil de todo o mundo. Hoje, a Mouraria atravessa um momento complexo cuja problemática central está na falta de habitação, nos despejos, na introdução de fundos imobiliários focados na habitação de luxo, esvaziando-se dos seus habitantes tradicionais e recebendo novos moradores de classes altas que não manifestam desejo de efectivar um entrosamento com a comuni- dade local e de promover impacto positivo com a envolvente.
A Mouraria tem sido objecto de estudo em todo o mundo por representar uma boa prática de requalificação social e dinâmica da sociedade civil. É apresentada como um exemplo de como o desenvolvimento local pode ser influenciador ao nível de boas práticas globais. Para além do trabalho desenvolvido pela ARM no apoio diário à comunidade, importa continuar a fomentar o questionamento sobre o nosso papel transformador enquanto cidadãos e enquanto forças colectivas da economia não lucrativa que se posicionam acti- vamente na construção de uma cidade mais inclusiva e sustentável e que se questionam permanentemente sobre qual o nosso lugar na cidade.
• Sentimento de ligação/pertença comunitária; • Maior articulação Interinstitucional;
• Optimização de recursos;
• Existência de recursos financeiros e logísticos direccionados;
• Maior e melhor visibilidade da Mouraria enquanto potência de crescimento e de foco de interesse a diferentes níveis;
No entanto os desafios à Intervenção com as Mulheres e neste território mantêm-se: • Encerramento de pensões nas áreas circundantes, levou a que muitas mulheres se desloquem para a zona do Martim Moniz; Não há alternativas habitacionais que ofereçam condições satisfatórias, em Lisboa;
• A dificuldade ao nível habitacional » agravamento da situação económica de muitas mulheres, sendo a prostituição, em algumas situações, uma forma de complementar o rendimento obtido por outra situação profissional ou como principal fonte de rendimento; Precaridade laboral, que promove a consequente procura de alternativas laborais para obtenção de recursos financeiros;
• Aumento das situações com necessidades básicas;
• Aumento das situações de utentes sob consumos, não assumidos, sem aceitarem inter- venção neste âmbito;
• Aumento de utentes dependentes dos serviços, sem organizarem acções futuras a longo prazo estruturadas ou planeadas no tempo;
• Dificuldades dos Imigrantes (no que respeita à regularização da documentação; acesso aos serviços; empregabilidade; barreira linguística; questões culturais);
• Apoiar as Mulheres para uma maior participação cívica na comunidade enquanto cidadãs; • Promover conhecimento sobre a temática da Prostituição de forma a diminuir o estigma e a discriminação.
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* Obra social das irmãs oblatas Do santissimo redentor