3.4 Asservissement d’un oscillateur laser sur une cavit´e optique
3.4.1 M´ethode PDH
Não há duvida de que a televisão, além de ser um veículo de comunicação, acaba nutrindo o próprio ato comunicativo, pautando as conversas do cotidiano. Conforme nos lembra Wolton (2007, p.22-23 apud PATRIOTA, 2011, p.13): “A televisão é um formidável instrumento de comunicação entre os indivíduos. O mais importante não é o que é visto, mas o fato de se ter o que falar. A televisão é um objeto de conversação. Fala-se entre si, mais tarde, em todos os lugares”. Nesse sentido, pode-se dizer que, devido a essa característica, a TV – antes mesmo de ser uma mídia digital – já apresentava um potencial para o diálogo, para a interação social, comum aos novos veículos pós-massivos de conversação, embora ela ainda seja considerada uma mídia massiva de informação.
Com o fortalecimento das novas mídias e das redes sociais, percebe-se também uma extensão dos domínios televisivos para essas esferas. Esse fenômeno, que aos poucos vem deslanchado, está sendo chamado de Social Television:
O termo Social Television é normalmente utilizado para nominar a tecnologia que oferece o suporte comunicacional para a efetivação da interação social que ocorre durante o ato de ver televisão ou o seu conteúdo, em qualquer contexto. De igual forma, inclui o estudo da televisão e a sua relação com dispositivos, suportes, redes e comportamento social. (PATRIOTA, 2011, p. 3).
Um exemplo de social television é o uso, por parte dos telespectadores, das redes sociais para fazer comentários a respeito da programação televisiva26, seja através do computador ou de dispositivos portáteis como celulares e tablets, seja através da própria TV se esta for conectada à internet (broadband TV27). Pode ser observada também a divulgação em alguns programas de TV dos elementos que fazem referência nas redes sociais ao conteúdo que foi ou está sendo transmitido, como #hastags28 e @usenames29 do Twitter. A
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Ver novamente a FIGURA 03 – Comentários na internet sobre programas televisivos.
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Ver no Capítulo 4 o item 4.1.2 A TV Conectada e Seus Fabricantes.
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TV permanece com seu papel de fomentadora de discussões, o que se modifica é que estas, além de serem presenciais de fato, também podem se realizar virtualmente com a ajuda das novas mídias.
Outra característica da TV é que, desde o seu surgimento, sua linguagem muitas vezes procurou simular um diálogo com o telespectador, usando-se de artifícios que dão a ilusão de um retorno na comunicação. Quando os apresentadores “conversam” com a câmera de vídeo – questionando e logo em seguida deduzindo a resposta – aparentam ter acesso ao mundo do espectador. Essa é uma das maneiras que a TV tem – e continua tirando proveito dela – de se aproximar do seu público, uma espécie “interatividade” primitiva. Com a tecnologia digital, no entanto, o que pode mudar é a possibilidade do programa televisivo de fato se comunicar com o telespectador (que, nesse caso, poderia ser chamado também de usuário, interator ou participante, conforme visto anteriormente).
Embora, em certos momentos, as redes sociais (estrutura pertencente à internet) estejam sendo usadas para falar dos conteúdos televisivos e embora haja a possibilidade de a interatividade (característica comum à linguagem dos computadores) fazer parte da televisão com sua digitalização, não se pode esquecer que há uma diferença na postura de consumo entre TV e internet/computador. O mesmo indivíduo que utiliza a web assume comportamentos distintos quando assiste à televisão: “as pessoas vão ‘em busca’ da internet, e a TV ‘oferece’ informação e entretenimento e ‘convida’ o telespectador para visitá-la” (CROCOMO, 2007, p.92).
Nesse sentido, adequar a linguagem de uma mídia de massa como a televisão à nova cultura participativa é mais do que aglutinar a internet à tela da TV. É importante pensar nos novos recursos que a televisão digital adquiriu – como a interatividade – de um ponto de vista expressivo, não meramente tecnológico. Pensar interatividade/participação como resultado de uma interação, de forma dialógica, entre produtores de conteúdos e telespectadores/participantes através da TV:
A televisão tem uma linguagem consolidada, e os aplicativos interativos devem respeitar essa linguagem tal qual ela é conhecida hoje pelos telespectadores. Isso não significa que a linguagem sempre será a mesma, mas os aplicativos devem ser inseridos respeitando a forma como as pessoas reconhecem a televisão (CROCOMO, 2007, pp.93-94).
As experiências mais comuns de interatividade na televisão digital ainda se assemelham muito ao conteúdo dos sites da internet, não apresentam nenhuma novidade. Na
podem ser: #BBB11; #eleicoes2010; #copa2014 etc.
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É o nome do usuário da conta no Twitter, que nesse caso pode ser o perfil da emissora, do programa, do apresentador etc.
ficção, os serviços se resumem principalmente à descrição dos personagens, ao resumo de capítulos e a fotos de bastidores. Já nos programas jornalísticos e de variedades, quizzes, enquetes e drops30 de notícias são mais constantes. Os recursos interativos não são utilizados de forma eficaz, não exploram novos formatos; podem até ser úteis, mas não estão totalmente integrados à linguagem televisiva. Programa e aplicativos não dialogam. Nesse aspecto, a
social television – mesmo quando a interação não é integrada – tem se mostrado mais
promissora e livre de amarras. O fato de o usuário ter mais liberdade para postar, comentar e compartilhar nas redes sociais, em conformidade com a cultura participativa e convergente, parece corresponder melhor ao novo perfil de consumidor midiático.
Para que a interatividade televisiva deslanche, o caminho talvez seja a elaboração de aplicações digitais que ofereçam uma maior autonomia ao telespectador, assim como a convergência e a experiência digital e em rede estão sendo capazes de proporcionar mais liberdade ao cidadão. A participação também pode ser encarada como um direito político, permitindo que as pessoas produzam e distribuam seus próprios conteúdos. Esse novo contexto tecnológico ainda pode contribuir para um fluxo de ideias mais livre, fortalecendo conceitos de cidadania e colaboração.
Durante o temporal no Rio de Janeiro em abril de 2010, por exemplo, enquanto as equipes de reportagens eram insuficientes para cobrir os estragos da chuva, vídeos feitos por celular foram enviados pelo público e viraram matéria nos principais jornais do país. Claro que esse é um exemplo pontual em que o material caseiro foi usando diante da gravidade do problema e da impossibilidade da emissora chegar a tempo nos locais atingidos, mas nada impede que isso se torne corriqueiro em um futuro próximo.
A partir dessas reflexões sobre o que permanece como característica da TV e o que pode ser modificado diante do cenário das novas mídias, o tópico seguinte irá problematizar especificamente a questão na interatividade na televisão. Serão propostas alternativas de linguagem para que a televisão interativa possa vir a se popularizar.