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Ethernet Installation

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Chapter 3. Configuringthe NetworkingHardware

3.3. Ethernet Installation

Depois de 350 anos em que os africanos foram escravizados no Brasil, chegaram africanos e sua descendência tornou-se brasileira. No ano da abolição da escravatura, os que

ainda eram escravizados, eram pessoas nascidas no Brasil, com descendência africana. Os quilombos foram espaços onde a cultura desse povo passou por várias transformações, tendo se reinventado e deixado no Brasil marcas inegáveis nos nossos dias. A variedade cultural dos africanos se misturou até formar nas Américas, diferentes tipos de dança, músicas e religiões afrodescendentes. Dentre as músicas, temos o blues, o jazz, o reggae, o rap, o rock and roll e aqui no Brasil caracterizou-se o samba. A cultura africana no Brasil foi inicialmente bastante represada, pois a influência europeia da época era predominante e bem aceita, a qual não condizia com as tradições africanas, em que suas manifestações eram proibidas. Mas no século XIX, o samba causou admiração e aceitação popular e governamental, mesmo em época de ditadura militar (1964-1985), onde surgiram as escolas de samba42 e um grande material bibliográfico de canções e marchinhas. O Brasil recebeu uma carga cultural que compreende vários campos, mas também o que foi bastante transformada foi a linguagem. Existem palavras que se fala com frequência, mas nem se imagina que são de origem africana, tais como: macaco, fubá, cachimbo, carimbo, camundongo e cachaça. Até mesmo a culinária obteve acréscimos africanos, temperos e ingredientes populares como o feijão preto, o leite de coco e a pimenta malagueta foram trazidos pelos africanos. Em termos de religião, os africanos trouxeram o candomblé, que está presente em todos estados brasileiros. Existem também mais de 16 religiões conhecidas, da qual a umbanda é a mais popularizada.

A capoeira é “made in Brasil”, considerada uma das lutas mais perigosas, que combina ginga, dança e música e possui uma história um tanto excêntrica quanto ao seu surgimento, pois foi criada para autodefesa contra os escravistas, durante a noite, horário em que permaneciam com seus braços presos, e também era praticada nos quilombos, onde podiam se expressar livremente. A música é um fator que difere a capoeira de outras lutas, e é marcada principalmente pelos tambores e berimbaus, e suas letras, havendo sentido ou não, tinham motivos mais relevantes, como sinais de alerta para o grupo com a aproximação da polícia. Nos dias atuais, a capoeira está presente em vários países do mundo, tendo sedes e escolas que difundem e espalham a cultura que nasceu oficialmente em solo brasileiro.

Podemos, com tudo isso, dizer que a cultura brasileira não é única, ela é diversificada, formada pela cultura indígena, cultura europeia e cultura africana, essas três culturas a definem, por isso é importante trabalhar todas elas dando a sua devida importância, porque contribuíram e tem contribuído para a edificação de um país ainda melhor.

42 Exemplificamos algumas escolas de Samba que se destacaram no ano de 1969, são elas: Acadêmico do Salgueiro, Estação Primeira de Mangueira, Portela, Acadêmico de Santa Cruz, Unidos do Jacarezinho e Paraiso do Tuiuti. Informação Disponível em: https://mundodocarnaval.com.br/1969-o-carnaval-e-a-ditadura/, acesso em 01 fev. 2019.

Munanga (2007, p. 13) descreve a África culturalmente nos seguintes termos:

A África ao sul do Saara é culturalmente uma. Essa comunidade cultural é a africanidade, ou seja, a configuração própria à África de diversos traços que podemos encontrar separadamente alhures, […], mas a combinação desses traços idênticos é que forma o rosto único. A africanidade é esse rosto cultural que a África oferece ao mundo.

Ele ainda afirma que:

Colocar a questão da africanidade na diáspora equivale a colocar a questão das resistências culturais que por sua vez desembocaram em identidades culturais de resistência em todos os países do mundo que foram beneficiados pelo tráfico negreiro. O Brasil é um deles, ou melhor, é o maior dos países beneficiados pelo tráfico transatlântico e também aquele que oferece diversas experiências da africanidade em todas as suas regiões, do norte ao sul, do leste ao oeste. (MUNANGA, 2007, p. 13).

Essas informações denotam a diversidade cultural que o continente africano tinha quando da escravatura, os africanos escravizados mantiveram de forma resistente a sua organização sociocultural, onde os quilombos se constituíram o espaço livre para sua prática e conservação. Nos quilombos existiam africanos de diversas etnias e tribos, essa convivência trouxe o fenômeno de aculturação étnica, uma vez que a África estava presente. Gerações foram formadas nesse período de resistência, nascidos no Brasil, descendentes de africanos, esses são os afro-brasileiros. A cultura foi se reinventando e surgiram manifestações culturais no solo brasileiro, que não existiam na África, surgiram no Brasil, mas com sua origem nos africanos, são as africanidades brasileiras. Silva (2008, p. 126) descreve que uma expressão importante das “africanidades brasileiras”, é a capoeira. O corpo dos escravizados encerra em si toda a herança trazida da África para o Brasil. Africanidades brasileiras referem-se às raízes da cultura brasileira que tem origem africana.

Procurando entender como poderá ocorrer esse movimento de produção dos estudantes do curso de licenciatura em Matemática na UFU, na abordagem de conteúdos matemáticos fazendo o uso da cultura africana e afro-brasileira, julgamos que podemos ter dificuldades em separar o que é africano e o que é afro-brasileiro, daí que enquadraremos tudo que seja, cultura africana e afro-brasileira no conceito africanidades, é nesse âmbito que faremos o uso do termo africanidades em situações futuras, para nos referirmos a essas culturas, cuja separação acabaria com a essência do afro-brasileiro.

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