Chapitre 2. Etude des propriétés physico-chimiques des matériaux
4. Etude du composé Pr 2 NiO 4+δ par spectroscopie d’absorption des rayons X
4.2. Etat de la valence du nickel en fonction de la température
Nos anos mais recentes, os embates sobre a maior ou menor necessidade de planejamento e estruturação dos recursos e atividades educativas, especialmente quando apoiados em tecnologias digitais (como é o caso da EaD via internet), parece se dar entre, de um lado, o paradigma conectivista, que defende uma pedagogia espontânea, aberta, caótica e em rede e, do outro lado, todos os demais paradigmas (Escolanovismo, Behaviorismo, Cognitivismo, Construtivismo e Socioconstrutivismo).
Os conectivistas consideram que todas as teorias de aprendizagem desenvolvidas em décadas anteriores à chamada revolução tecnológica digital estão ultrapassadas. Segundo estes pensadores, as tecnologias de informação e comunicação têm alterado nossas vidas de maneira tão profunda desde a década de 1990 que as formas pelas quais raciocinamos e aprendemos, hoje, são radicalmente diferentes daquelas existentes em décadas anteriores (SIEMENS, 2004).
O excesso de informação circulante, o prazo de validade curtíssimo da informação na contemporaneidade, a proliferação de toda sorte de dispositivos digitais que realizam parte das atividades cognitivas que antes eram realizadas por nós, a necessidade de aprendermos por toda a vida e em todos os ambientes (dentro e fora das instituições formativas) desafiam as teorias de aprendizagem de tal maneira que uma abordagem inteiramente nova seria necessária. Para alguns, o Conectivismo, proposto por George Siemens e Stephen Downes, seria tal abordagem.
Conectivismo é a integração de princípios explorados pelas teorias do caos, rede, complexidade e auto-organização. Aprendizagem é um processo que ocorre em ambientes nebulosos cujos núcleos estão em constante mudança – não inteiramente sob controle do indivíduo. Aprendizagem (definida como conhecimento acionável) pode residir fora de nós mesmos (em uma organização ou base de dados), é focada em conectar conjuntos especializados de informação, e as conexões que nos permitem aprender mais são mais importantes que nosso atual estado de conhecimento. (SIEMENS, 2004, p. 04, tradução nossa85).
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Texto original: Connectivism is the integration of principles explored by chaos, network, and complexity and self-organization theories. Learning is a process that occurs within nebulous environments of shifting core elements – not entirely under the control of the individual. Learning (defined as actionable knowledge) can reside outside of ourselves (within an organization or a database), is focused on connecting specialized information sets, and the connections that enable us to learn more are more important than our current state of knowing.
Nesse paradigma, o conhecimento não pode mais ser concebido apenas como proveniente das experiências de aprendizagens pessoais, mas principalmente como uma rede de saberes que estão distribuídos entre todas as pessoas que fazem parte de nossa rede de relações, bem como em nossos dispositivos tecnológicos. Num mundo em constante transição, é impossível, alegam os conectivistas, adquirir por experiência própria todos os conhecimentos necessários à realização de nossas atividades diárias, de maneira que nosso conhecimento estaria, hoje, armazenado em nossa rede de relações, em nossos amigos, colegas e tecnologias. As aprendizagens pessoais de cada indivíduo alimentariam constantemente essa rede coletiva de conhecimentos. Assim, no âmbito do Conectivismo, a capacidade e a oportunidade de poder aprender mais têm maior importância do que o atual nível de conhecimentos de uma pessoa. Ou seja, mais importante do que aquilo que se sabe é ser capaz de identificar novas informações relevantes dispersas na rede (de relacionamentos e dispositivos) no momento necessário, e saber se desviar das informações inúteis.
Segundo Siemens (2004), a teoria do caos e a teoria das redes são paradigmas que precisam ser considerados quando pensamos, hoje, em compreender os processos de aprendizagem. Nas palavras do autor: ―O caos, como ciência, reconhece a conexão de tudo a tudo.‖
Siemens prossegue:
Uma rede pode simplesmente ser definida como conexões entre entidades. Redes de computadores, redes de energia, e redes sociais, todas funcionam dentro do mesmo princípio simples de que pessoas, grupos, sistemas, nós, entidades podem ser conectados para criar um todo integrado. Alterações na rede têm efeito cascata no todo. (SIEMENS, 2004, p. 03, tradução nossa86).
Kop e Hill (2008) descrevem o processo de aprendizagem em rede assumido pelo Conectivismo:
O processo de aprendizagem é cíclico, nele, os aprendentes se conectarão a uma rede para compartilhar e encontrar nova informação, modificarão suas crenças a partir de nova aprendizagem, e então se conectarão a uma rede para compartilhar essas realizações e encontrar nova informação mais uma vez. (KOP; HILL, 2008, p. 02, tradução nossa87).
86 Texto original: A network can simply be defined as connections between entities. Computer networks, power
grids, and social networks all function on the simple principle that people, groups, systems, nodes, entities can be connected to create an integrated whole. Alterations within the network have ripple effects on the whole. 87 Texto original: The learning process is cyclical, in that learners will connect to a network to share and find new information, will modify their beliefs on the basis of new learning, and will then connect to a network to share these realizations and find new information once more.
Em outras palavras, para o Conectivismo, a aprendizagem é o processo de estar em rede, o processo de estar constantemente acessando e compartilhando novas informações por diversas conexões e, com isso, modificando sua visão de mundo e a dos outros. Um processo que, para os conectivistas, é espontâneo, não intencional, não depende de linguagem e não se apoia em lógica.
Segundo Downes (2012), concepções de aprendizagem e de conhecimento que estão apoiadas em teorias como o Construtivismo consideram que esses fenômenos (aprendizagem e conhecimento) estão baseados em lógica e linguagem. De fato, para o Construtivismo o conhecimento está organizado em esquemas que, em grande medida, são organizados pela linguagem (relação semântica) e pela lógica embutida nas informações que constituem tais esquemas. Para o construtivista Gérard Vergnaud (1933 - ), por exemplo, um conceito não se desenvolve sozinho na mente de um estudante, ele se desenvolve dentro de um campo de conceitos com os quais guarda relação. Vygostky, como vimos, também defendia posição semelhante.
O Conectivismo, diferentemente, considera que o conhecimento é constituído por conexões que se formam naturalmente por associações que não dependem nem de lógica nem de linguagem. Um conhecimento não precisa ter ―significado‖ para ser integrado à rede de aprendizagens de um indivíduo. Se no Construtivismo a construção de significados sobre as coisas e sua inserção em uma estrutura lógica é condição para a aprendizagem, no Conectivismo o significado é irrelevante. Significados seriam epifenômenos, efeitos secundários da aprendizagem, sobre a qual não exerceriam qualquer influência própria.
No conectivismo, uma frase como ‗construindo significado‘ não faz sentido. Conexões formam-se naturalmente, através de um processo de associação, e não são ‗construídos‘ através de algum tipo de ação intencional. E ‗significado‘ é uma propriedade da linguagem e da lógica, conotando propriedades referenciais e representacionais de sistemas simbólicos físicos. Tais sistemas são epifenômenos de (algumas) redes, e não descritivos de ou essenciais a essas redes. (DOWNES, 2012, p. 85, tradução nossa88).
Segundo Downes, no Conectivismo o conhecimento não se constrói, conhecimento se acessa e se aciona através de uma rede de relações entre pessoas e dispositivos que deve, constantemente, ser expandida. Para o autor, um determinado conhecimento, uma
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Texto original: In connectivism, a phrase like 'constructing meaning' makes no sense. Connections form naturally, through a process of association, and are not 'constructed' through some sort of intentional action. And 'meaning' is a property of language and logic, connoting referential and representational properties of physical symbol systems. Such systems are epiphenomena of (some) networks, and not descriptive of or essential to these networks.
determinada compreensão, um determinado entendimento sobre um assunto qualquer é, de certa forma, um conjunto de conexões que se formaram de maneira espontânea e não estão baseadas em lógica. Conhecimento, entendido como um conjunto de conexões espontâneas, não é algo que se constrói (como um prédio), mas algo que se expande (como uma planta). (DOWNES, 2012).
Para os conectivistas, ao propormos situações de aprendizagem não devemos adaptar o ambiente ao estudante. Quando adaptamos, ou personalizamos, procuramos oferecer mais opções, mais escolhas, nós tentamos oferecer um ambiente que possa ser ajustado ao estudante. O Conectivismo defende que se faça precisamente o oposto. ―Você precisa garantir autonomia ao estudante no ambiente.‖ (DOWNES, 2012, p. 87, tradução nossa89
). Se o ambiente pode ser ajustado às preferências do usuário, os desafios à aprendizagem diminuem e uma atmosfera de aprendizagem artificialmente facilitada se instala. Assim, o Conectivismo é radicalmente contrário a qualquer tipo de tentativa de facilitação da aprendizagem recorrendo à customização de materiais e atividades. De fato, para este paradigma, a única forma de incrementar a aprendizagem é conhecendo quais as características que tornam uma rede eficiente, já que para o Conectivismo a aprendizagem é a formação espontânea de uma rede.
Neste paradigma não há espaço para certos tratamentos pedagógicos dos recursos de aprendizagem, especialmente se tais tratamentos partem do princípio de que a aprendizagem é um processo de construção intencional e que essa construção depende de conhecimentos prévios e pode ser facilitada por um ambiente previamente estruturado.
A aprendizagem não é estruturada, controlada ou processada. Aprendizagem não é produzida (exclusivamente ou confiavelmente) através de um conjunto de processos pedagógicos, comportamentais ou cognitivos‖. (DOWNES, 2012, p. 93, tradução nossa90).
Respondendo às críticas que consideram que a abordagem conectivista pode levar ao caos na aprendizagem, Downes (2012) responde que o objetivo do paradigma conectivista é precisamente o de levar a aprendizagem do aluno ao caos para que ele possa aprender a lidar com situações instáveis que requerem mudanças rápidas de atitude e capacidade de acessar diferentes tipos de conhecimento no momento exigido.
89 Texto original: You need to grant the learner autonomy within the environment.
90 Texto original: learning it is not structured, controlled or processed. Learning is not produced (solely or
É relevante percebermos que na mesma medida em que o Conectivismo atribui grande importância à autonomia do estudante na expansão de sua rede de aprendizagens, considera também que o papel do professor é cada vez menos relevante nesse processo. Os alunos e suas redes são/serão o pivô da aprendizagem. Eles decidirão cada vez mais os conteúdos de aprendizagem e mesmo quem pode ou não participar da rede. Isso fica muito claro quando Kop e Hill descrevem a paisagem pedagógica ideal no âmbito do Conectivismo:
As redes online e face-a-face que as pessoas constroem ao longo de suas vidas proverão expertise e conhecimento, adicionalmente à orientação que os tutores locais ou online podem oferecer. Os estudantes estarão no centro da experiência de aprendizagem, em vez do tutor ou da instituição. Os estudantes serão fundamentais em determinar o conteúdo da aprendizagem, além de decidirem a natureza e níveis da comunicação, e quem pode participar. (KOP; HILL, 2008, p. 09, tradução nossa91, destaque nosso).
Kop e Hill, contudo, trazem críticas em relação ao quadro de ampla autonomia pintado pelos conectivistas, pois somos tentados a estabelecer conexões com pessoas que costumam pensar de forma semelhante à nossa, ou seja, não somos muito predispostos a nos envolver em situações que exijam o embate de pontos de vistas. Assim, ao contrário do que defende o Conectivismo, o papel mediador do professor pode ser muito importante para que seja oferecido o contraditório e não apenas o que os alunos estão interessados em ouvir.
A filosofia conectivista embasa os famosos MOOC92, sigla, em inglês, para Cursos Abertos Massivos Online. O primeiro desses cursos foi oferecido em 2008, na University of Manitoba, pelos proponentes da abordagem conectivista, e, desde então, muitas propostas de cursos massivos online têm proliferado, embora tais investidas batizadas de MOOC nem sempre sigam os princípios do Conectivismo.
Analisando o paradigma conectivista à luz de outras teorias de aprendizagem (se é que podemos considerar o Conectivismo uma teoria de aprendizagem), ele parece reeditar uma série de atropelos que já foram cometidos em nome do ―novo‖ na área educacional: a diminuição da relevância do professor; a supervalorização da ―autonomia‖ e dos interesses espontâneos dos alunos a qualquer custo; a compreensão de que a aprendizagem
91 Texto original: The online and face-to-face networks that people build-up throughout their lives will provide
expertise and knowledge, in addition to the guidance that local or online tutors can provide. Learners will be at the centre of the learning experience, rather than the tutor and the institution. Learners will be instrumental in determining the content of the learning, in addition to deciding the nature and levels of communication, and who can participate.
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escolar/acadêmica não é uma prática intencional; a rejeição total a paradigmas de aprendizagem já existentes; a ideia de que é possível extrair consequências pedagógicas diretamente de teorias que não têm intenção pedagógica (teorias do caos e de redes); certa desvalorização dos conteúdos de ensino, uma vez que o mais importante seria desenvolver determinadas habilidades mentais (como a capacidade de aprender constantemente).
Segundo Romiszowski e Romiszowski (2004), o surgimento de ―novas religiões‖ (se assim pudermos nos referir ao Conectivismo) no cenário educacional não é novidade e, no momento atual, com o aparecimento e disseminação das tecnologias digitais, não tem sido muito diferente. Como os autores indicam, em seu excelente texto, uma postura mais sensata (e com a qual concordamos) seria a de tentar integrar o que há de útil em paradigmas de aprendizagem existentes ao que pode ser útil em paradigmas emergentes.
Vale a pena fecharmos nossa breve análise sobre o Conectivismo reconhecendo-o como uma abordagem muito recente, em busca de reconhecimento, ou seja, ainda não é consenso de que se trata de uma teoria de aprendizagem de fato. Contudo, consideramos importante descrevê-lo por estar intimamente ligado ao fenômeno da expansão das tecnologias digitais neste início de século e por alegar ser a melhor abordagem que se pode empregar no ensino apoiado por tais recursos.
Tecnologia Educacional Princípios orientadores
Design de materiais didáticos - Materiais não devem receber tratamento didático- pedagógico prévio. Um bom material didático não deve tornar a aprendizagem artificialmente mais fácil.
Design de ambientes de estudo - Ambientes de aprendizagem devem estimular atividades em grupo e dar autonomia aos estudantes.
Design de atividades de aprendizagem - O conteúdo e o desenho das atividades devem estar centrados nos interesses dos alunos e privilegiar o desenvolvimento da capacidade de acionar novos conhecimentos (dispersos nas redes) o tempo todo; - O redirecionamento das atividades, bem como a escolha dos recursos nos quais elas se apoiam, devem ser, em cenário ótimo, decididas pelos estudantes. Quadro 6 – princípios orientadores do desenvolvimento da tecnologia educacional conectivista.
CAPÍTULO 3 PROJETO PEDAGÓGICO DE CURSO (PPC): CONCEPÇÃO E