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Etat de la mise en œuvre du Plan de travail et budget 2000-2001 pour le

A severidade em relação à escravidão do povo negro, perpassa todo o território brasileiro, todos atravessados pela lógica racista, legitimada pela Igreja Católica e produzida pelo sistema econômico escravista. O cristianismo, por sua vez, acompanha legitimando a inferioridade da raça negra e ao mesmo tempo amenizando a dor com a promessa da salvação àqueles que sublimassem sua dor no sofrimento de Jesus Cristo.

No Estado de Goiás, de uma forma peculiar, segundo Silva (2008) os negros escravizados acompanhando as bandeiras de “penetração” sofrem o desatino da escravidão e do racismo. O autor ainda diz que a vida do escravo era quase sempre dura, tinham que cumprir com uma jornada de trabalho exaustiva, péssimas condições

alimentares e de moradia, executavam seus serviços sem nenhuma segurança e proteção o que quase sempre lhes acarretavam doenças como: reumatismo, verminoses, problemas de rins e coluna, associadas a essas condições sub-humanas os escravos ainda tinham que suportar os maus-tratos de seus senhores. No entanto, ao contrário do que estamos condicionados, o escravo reagiu a esse processo de diversas formas, tais como: abortos, suicídios, revoltas e fugas.

Segundo Baiocchi (1983) em Goiás, quando por volta de 1722, os bandeirantes chefiados por Bartolomeu Bueno, começaram a ocupar as terras centrais com o objetivo de explorar as riquezas minerais da região, trouxeram com eles os primeiros negros. Estes eram usados como mão de obra escrava, nos centros de garimpos instalados. E dão início ao povoamento de Goiás, sob o símbolo do ouro e da garimpagem.

Assim diz a autora citando Salles (1971).

O escravo f aiscador, às margens dos rios Vermelho e das Almas, extrai de sol a sol, o ouro misturado aos seixos e areia. Com bateia de madeira movimentava a mistura heterogênea de rochas, f azendo acumular os grãos de ouro no f undo, sendo as impurezas extras lavadas pela água, que af luía aos poucos, na superf ície da vasilha. Trabalhava inclinado e seminu, os pés expostos na água, o corpo exposto ao calor do sol (SALLES, apud: BAIOCCHI, 1983. p. 18)

Com a descoberta do ouro em Goiás, diz, Baiocchi (1983) há um notável aumento populacional com a chegada de novos negros para trabalharem nas minas. Os negros eram no século XVIII, essencialmente mineradores, e, no século XIX, por causa do declínio da mineração, passaram a atuar na lavoura e na pecuária.

No entanto, como diz Silva (1974) foi assim, portanto, que a sociedade escravista se aportou em Goiás, implantando o regime econômico escravocrata e eurocêntrico, O escravizado, continua a ser definido como propriedade de outro, tratado como animal de trabalho, objeto de transação, podendo, por isso, ser negociado e violentado. Inclusive através de instrumento público, escritura de compra e venda; podendo ainda ser hipotecado, alugado, doado, penhorado e até figurar

como objeto de atos de última vontade, como o testamento e outras garantias legais, sendo, pois, considerado mercadoria.

De acordo com Silva (1974.p.178)

Tinham que cumprir com uma jornada de trabalho exaustiva, péssimas condições alimentares e de moradia, executavam seus serviços sem nenhuma segurança e proteção o que quase sempre lhes acarretavam doenças como: reumatismo, verminoses, problemas de rins e coluna, associadas a essas condições sub -humanas os escravos ainda tinham que suportar os maus-tratos de seus senhores.

O que se sabe a partir de Baiocchi (1983) é que o negro escravizado não era apenas usado nos trabalhos de lavoura ou minas, o seu valor militar era também aproveitado. Ele organizava, defendia e supria a manutenção de todos. O negro escravizado foi o elemento principal que possibilitou a colonização do vasto território goiano. Segundo a autora, foi o elemento principal, permitia abastança dos senhores e deitava na terra as sementes da subsistência, que, mais tarde, floresceria.

A origem do negro que veio para Goiás segundo Baiocchi (1983) é Minas Gerais através, principalmente dos bandeirantes mas, a origem africana desses negros não é fácil de ser precisada, a autora afirma que os elementos negros participantes do ciclo da garimpagem e que subiram às elevações do Brasil Central foram em sua maioria, negros bantos (angolas, congos e moçambiques e outras denominações regionais).

Contudo, a decadência das minas, levou ao abandono da capitania por muitos, inclusive pelo branco, iniciando assim uma ruralização da população que já se encontrava bastante miscigenada. Mas, a partir dos anos 30 do século XIX foi a população aumentando, graças à migração do Pará, Maranhão, Bahia e Minas Gerais, agora motivados pela atividade agropecuária. E segundo Baiocchi (1983), a ocupação humana do sudoeste Goiano nasce da última fase da expansão pecuária, que do Leste, pelo São Francisco, atingiu Minas e de seu interior, pelo Paranaíba, chegou até Rio Verde e Rio Claro, em Goiás, em busca de pastagens. A mesma autora afirma (p.27), que “esse processo de ruralização intensiva e extensiva chega ao século XX,

1920, com a maioria da população concentrada na área rural, exercendo atividades na agricultura e pecuária”.

Essa atividade agropastoril propicia a fixação do homem e o crescimento demográfico, inclusive de Mineiros, onde se situa o Quilombo do Cedro.

Na questão religiosa a influência do catolicismo segue o que ocorria em todo território brasileiro. A Igreja é a que legitima, que cria consciência, estrutura práticas, sentimentos, gostos, aspirações e que vai contribuindo na ordem e na moral. Desta forma, podemos afirmar que no município de Mineiros e consequentemente no Quilombo do Cedro tinha-se o mesmo propósito.

Para Ilustrar essa afirmação cito o depoimento de Dona Sueli tataraneta de “Chico de Moleque”.

Os padres, quando aqui vieram tiveram o propósito de evangelizar o povoado do Cedro, então eles iam visitar as f amílias e realizar sacramentos. Então Dom Herick, americano e que veio f azer missão aqui criou esse canto para que todos cantassem: vamos para o Cedro de todo coração dar o catecismo pra nossos irmãos. Quando chegamos aqui sentimos emoção. Graças a Deus por nossa missão. Gosta de pé, pé rum belum belum. E todos nós sabíamos de cor, especialmente as crianças.

1.4. DA FORMAÇÃO DE QUILOMBOS AOS REMANESCENTES DE

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