Em Ossaea a filotaxia é oposta cruzada e somente em O. congestiflora observam-se, eventualmente, três folhas por nó. As folhas são simples, pecioladas, com o pecíolo de algumas espécies apresentando um nítido ou inconspícuo sulco mediano ventral.
Na maioria das espécies, as folhas são patentes a obliquamente ascendentes, excetuando-se as de O. cinnamomifolia, que se mostram pêndulas principalmente nos nós mais basais e, às vezes, também as de O. amygdaloides.
A maioria das lâminas foliares apresenta consistência cartácea, havendo variações neste tipo, que em O. confertiflora e O. mavacana sobressaem como um pouco mais flexíveis do que as demais e são caracterizadas como subcartáceas, e em O. congestiflora e O.
cabraliensis são um pouco mais rígidas, neste caso sendo caracterizadas como rígido-
cartáceas. Somente as folhas de O. cinnamomifolia e de O. coriacea são nitidamente coriáceas, representando um bom caráter para separar estas duas espécies das demais
Ossaea ocorrentes no Brasil.
Na maioria das espécies, as lâminas foliares de um mesmo nó mostram-se desiguais quanto ao tamanho. Entretanto, essas diferenças não se mantêm constantes numa mesma espécie e nem num mesmo indivíduo, o que inviabiliza a utilização desta característica na diferenciação entre os táxons. As folhas de um mesmo nó podem variar de isófilas a subiguais em tamanho, em O. cinnamomifolia, O. coriacea, O. congestiflora e O. warmingiana, cuja diferença entre os comprimentos não ultrapassa 1 cm. Por outro lado, as folhas de um mesmo nó em O. angustifolia, O. confertiflora, O. marginata e O. sanguinea variam de subiguais a nitidamente anisófilas, cujas maiores diferenças nos comprimentos das folhas de um mesmo nó situam-se entre 5,5 a 8,0 cm, dependendo da espécie. Mas também todas estas quatro espécies podem apresentar as folhas do mesmo nó subiguais no comprimento.
Em relação à forma das lâminas foliares, encontra-se uma variabilidade muito acentuada nas Ossaea ocorrentes no Brasil, podendo ser observadas desde lâminas elípticas, oblongas, ovadas ou obovadas, até variações destes tipos. A forma obovada ocorre raramente no grupo estudado e em O. meridionalis é possível evidenciar todas estas formas, incluindo-se algumas de suas variações, exceto a forma oblonga.
A base foliar pode ser aguda, obtusa, cuneada, arredondada ou subcordada. As formas subcordada, em O. cogniauxii, O. congestiflora e O. coriacea, e cuneada, em O.
cinnamomifolia, O. marginata e O. sanguinea, por terem uma distribuição mais restrita nas
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espécies de Ossaea estudadas, apresentam-se com um valor diagnóstico mais expressivo do que as outras formas da base da lâmina, observadas em outras espécies deste gênero.
Em algumas lâminas foliares, a base não se mantém simétrica, devido às diferenças de altura no ponto de convergência dos bordos foliares ao pecíolo. Isto não é considerado de valor taxonômico, embora haja uma tendência de ocorrer essa assimetria mais em umas espécies, como O. leptopus, do que em outras.
O ápice foliar não se mostra como de importância diagnostica específica e praticamente em todas as espécies mantém-se acuminado, variando de curto a longo, ou mesmo falcado em algumas delas. Somente em O. congestiflora apresenta-se também obtuso.
4.3.2. VENAÇÃO
O número de nervuras foliares principais varia de cinco a nove, estando dispostas longitudinalmente em relação ao maior eixo da folha e enquadradas, na classificação de Hickey (1974, 1988), dentro do padrão aeródromo perfeito. A nervura principal central é sempre mais espessa do que as demais e as laterais-marginais sempre inconspícuas, o que muitas vezes dificulta a utilização do número de nervuras como um caráter taxonômico, já que para um mesmo táxon alguns autores as incluem na contagem e outros não.
Com base na posição das três nervuras principais mais internas, define-se o padrão de nervação como do tipo aeródromo basal, como em O. sulbahiensis, ou aeródromo suprabasal, sendo este último tipo encontrado na maioria das espécies de Ossaea estudadas (Fig. 7). Ossaea cabraliensis apresenta principalmente folhas com nervuras basais (Fig. 7a), podendo-se encontrar também folhas curtamente suprabasais.
Klucking (1989), com uma nova terminologia para os padrões de nervação das Melastomataceae, classifica as folhas de O. leptopus e de O. marginata como arcuadas secundárias. Pelo estudo deste autor, neste padrão, as nervuras principais laterais internas seriam ramificações oriundas da nervura central. Pelo estudo de 8 espécies - O.
amygdaloides, O. cabraliensis, O. confertiflora, O. fragilis, O. leptopus (= O. capillaris), O. marginata, O. meridionalis e O. sanguinea - através de material diafanizado e de secções
transversais do pecíolo, verifica-se que os feixes vasculares das nervuras principais estão independentes entre si desde a base do pecíolo, o que se mostra uma característica consistente para considerá-las como nervuras principais. Esta constatação também tem sido verificada por Baumgratz (1997) para as espécies de Huberia DC.
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As nervuras secundárias são salientes na maioria das espécies e unem a nervura principal central com as nervuras laterais internas, e estas às nervuras laterais marginais.
A rede de nervação foliar, na maioria das espécies de Ossaea estudadas, tem um padrão laxo, onde os feixes vasculares são delgados, emitindo poucas ramificações para o interior das aréolas e estas mostram-se com áreas mais amplas (Figs. 8a-d). Por outro lado, somente O. cinnamomifolia e O. coriacea (Figs. 8e-f) apresentam um padrão denso, onde os feixes vasculares são mais espessos, formando numerosas e curtas ramificações para o interior das aréolas, e estas encontram-se com áreas mais reduzidas, o que torna esse caráter de importante valor taxonômico para estas duas espécies.
Alguns autores como Costa (1977), Baumgratz & Ferreira (1984) e Baumgratz (1989- 1990, 1997) têm evidenciado para espécies de Melastomataceae que, na região das saliências ou ondulações do bordo foliar, as nervuras últimas marginais terminam em forma de pincel, com numerosas terminações vasculares individualizadas e incompletas. Essa característica do bordo foliar é encontrada em todas as espécies de Ossaea estudadas (Fig. 9) e geralmente essas terminações vasculares finalizam-se ao nível dos tricomas tectores freqüentemente situados nessas saliências marginais.