fluage des interfaces collées
III.3. Etapes de validation du prototype de banc de fluage
Além da organização estrutural do MB, explicitado no subcapítulo 1.1, existe certa diferença entre a história, os documentos e o cotidiano dos núcleos. O Brasil apresenta contextos bem distintos, mas tentarei organizar uma narrativa ampla e geral do que seria atualmente o perfil dos participantes, a partir de meu olhar de visitante de alguns núcleos e de conversas informais, realizadas nos eventos nacionais.
A maior concentração de núcleos se encontra no interior dos estados, principalmente São Paulo, Bahia, Roraima, Pará e Rio de Janeiro, que contam com os maiores efetivos do Brasil. O público atendido pelo MB já não é mais a “elite”, e sim a classe média, média baixa e baixa. Os participantes não pagam mensalidade, mas realizam doações voluntárias e simbólicas, conforme suas condições financeiras. Em acampamentos e atividades externas em que terão gastos, as crianças juntamente com a coordenação, costumam fazer campanhas financeiras para custeá-los. O uso do uniforme, que antes era obrigatório, já não é mais. Atualmente é apenas incentivado e muitos que crescem ou evadem, deixam seu uniforme na sede para
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quem quiser utilizá-lo. Incentiva-se a compra da camiseta do Núcleo para permitir a uniformidade, principalmente nas saídas coletivas. Além do uniforme, é importante que cada núcleo adquira outros materiais e ferramentas para ensinar técnicas, por exemplo, de como acampar. O espaço físico da sede normalmente é emprestado (imóvel de prefeituras, igrejas, escolas). Poucos são os núcleos com sede própria. As despesas com a sede e a taxa de anuidade ao estado, são mantidas com campanhas financeiras providas pela diretoria e pelos pais de apoio52. Se ao longo de décadas a
menina bandeirante se encaixava perfeitamente no estereótipo de rica, branca, católica, heterossexual, atualmente já se tem uma pluralidade sem ter exclusividades, observam-se meninas e meninos de diversas etnias, orientações sexuais, condições sociais, crenças (teoricamente, desconsiderando o ateu por ir de encontro com a promessa).
A cada início de ano ocorre a divulgação para a adesão de novos bandeirantes, em redes sociais ou por panfletagem em escolas públicas. Uma estratégia muito comum é o convite para o “bivaque do amigo” no qual cada bandeirante leva seu amigo para passar a tarde fazendo brincadeiras em equipes. O número de participantes meninos e meninas praticamente se equipara, já não havendo mais a predominância feminina. As ações desenvolvidas ocorrem de acordo com a necessidade da localidade, contudo há uma predominância de atividades voltadas ao meio ambiente. As parcerias antes feitas com a Igreja Católica, hoje realizam-se com as prefeituras, em campanhas de saúde e assistência social.
A coordenação dos ramos tende a ser mais jovem do que a diretoria (de núcleo, estadual e nacional). Muitos adultos que tiveram algum tipo de ligação com o MB hoje levam seus filhos e filhas às reuniões e demonstram certa nostalgia ao lembrarem de seus momentos como bandeirantes e relatam que gostariam que seus filhos tivessem as mesmas experiências. Muitos pais e mães chegam a mencionar a intenção de voltarem para ajudar na coordenação ou diretoria, todavia isso acontece esporadicamente e dentre os motivos mais comuns mencionados informalmente está a frase: “no meu tempo era diferente”. É interessante observar que essa frase é muito recorrente, já foi usada numa publicação da década de 1960 e eu mesma fiz esse
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comentário na introdução desse trabalho. Ano após ano escuta-se essa menção ao passado idealizado. Mas, se pode perguntar: que tempo será esse que foi bom então? Uma hipótese é de que esse seja o tempo da infância, colorido pelas tintas da memória.
Com a falta de adesão de novos adultos, a renovação não acontece, seja na coordenação ou de novos dirigentes, e esta é a realidade em muitos estados, tanto que, na Assembleia Nacional de 2014, o estatuto foi alterado para poder legalizar a permanência contínua de algumas pessoas nos postos que ocupam, o que vai de encontro ao próprio nome “Movimento” e demonstra a baixa efetividade das atividades de formação e liderança. Uma prática muito comum é o acúmulo de cargos e tarefas e não a troca de cargos, ou rodízio de tarefas, sobrecarregando os jovens e adultos, conforme apresentam resultados satisfatórios nos trabalhos que executam, o que pode levá-los a exaustão e ao afastamento.
Um dos fatores a se considerar é uma percepção social, ainda dominante, de que o MB é considerado um movimento de elite, devido tanto as suas efetivas ligações iniciais com grupos abastados na época de sua criação e durante um longo período de seu funcionamento e aos custos pela manutenção de participação53. Outro fator
mencionado anteriormente, é a percepção da influência da religiosidade como sendo um possível delimitador de participação para quem não é católico. Ou seja, quem efetivamente frequentava o MB, eram as crianças e jovens católicos, de classe média e média alta. O que pode constituir-se em uma barreira para a inserção e permanência atual de crianças e jovens mais pobres e não católicos. Acredito que esta visão ainda não tenha sido superada no imaginário comum, mesmo que já não condiga com o funcionamento de muitos núcleos atualmente.
Alguns estados conseguem manter poucos funcionários remunerados, mas a maioria são pessoas voluntárias que também precisam participar da gestão do estado. O setor Nacional conta com 21 funcionários remunerados em diferentes setores, alguns são coordenadores que foram aprendendo a desempenhar funções técnicas. A falta de renovação também acaba gerando certos comodismos e se estabelecem relações de confiança e amizade, prejudiciais numa instituição que precisa cumprir
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várias questões burocráticas. No ano de 2016, o MB não ficou de fora da crise pela qual o Brasil vem passando e precisou rever sua administração e orçamentos. Alguns estados estão se mobilizando e discutindo formas de auxílio e/ou consultoria técnica. Ainda não se conhece o desfecho dessa crise e em que moldes se efetivará a continuidade do MB. No entanto, o que se sabe é que essa não é a primeira vez em que ele passa por um momento de tensões e contradições. Ao longo de sua história muitas vezes se confrontaram diferentes visões e projetos de continuidade e atuação. Essa dissertação procura analisar especificamente a conjuntura de reformas de 1968 e, no próximo capítulo, apresenta-se uma abordagem dos principais aspectos do contexto sociocultural da década de 1960, procurando compreender as possíveis correlações entre as transformações no panorama nacional e internacional e o projeto de reestruturação do Movimento, formulado no período.
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CAPÍTULO II - “CAMINHANDO E CANTANDO”: A DÉCADA DE 1960 E SUAS