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4-1 Etapes a calcul à suivre dans Robot  Choix du type de structure

Chapitres V Modélisation de la structure

V- 4-1 Etapes a calcul à suivre dans Robot  Choix du type de structure

De todas as questões formuladas e prontamente respondidas pelos informantes que colaboraram com a pesquisa, esta se destaca como, provavelmente, a mais reveladora das crenças, já que constitui uma espécie de autoavaliação sobre o desempenho e sobre as aspirações dos docentes em relação ao ensino de gramática.

Ao responderem essa questão, os professores trazem para a discussão diversos aspectos relevantes, os quais expõem, por um lado,

i) a compreensão de que o ensino de gramática precisa estar atrelado aos usos reais da língua, mantendo contínua preocupação com o contexto

sociocultural do aluno e, por outro, ii) uma referência a conteúdos e estratégias que ratificam noções tradicionalistas do ensino de língua a partir de parâmetros estritamente normativos e estruturais.

Observe-se como essas posturas se refletem na própria voz dos informantes. Inicialmente, exemplifica-se com as que estariam enquadradas entre o primeiro grupo:

(25) Uma boa aula seria desenvolvida de forma contextualizada envolvendo o cotidiano dos educandos. (Professor A, 1º ano, Pedagogia)

(26) Uma boa aula é aquela em que você consegue passar o conteúdo de forma dinâmica usando exemplos práticos próximo ao dia-a-dia da criança. (Professor C, 5º ano, Pedagogia)

(27) A partir do momento em que se trabalha a gramática fazendo um elo a realidade da turma. (Professor F, 3º ano, Pedagogia)

(28) Baseada na diversidade de texto que nos rodeia, valorizando o conhecimento do aluno, socializando experiência e conhecimentos, favorecendo a troca do saber construído. (Professor G, 5º ano, Pedagogia)

(29) Na minha visão, e por experiência própria, uma boa aula só da certo quando há situações da realidade do aluno, algo inserido no contexto. Para depois mostrar que para que o texto ser bem entendido é preciso seguir regras para um bom aprendizado que irão fazer parte de sua vida escolar e social. (Professor J, 2º ano, Teologia)

Distanciando-se dessa visão de cunho potencialmente sociointeracionista, revelam-se as crenças visivelmente ancoradas em preceitos tradicionais:

(30) Uma boa aula de gramática seria acompanhada de estudo de livro didático (gramática) onde os alunos pudessem exercitar os conteúdos trabalhados e contextualizar com outras disciplinas. (Professor E, 4º ano, Geografia)

(31) Explorar os conteúdos gramaticais durante a fala, a leitura e a escrita de textos para haver a melhor compreensão e uso dos mesmos. (Professor M, 3º ano, Pedagogia)

Há, ainda, aquelas respostas que não se enquadrariam em um grupo nem no outro porque resvalam para a expressão de aspectos mais didático- metodológicos, o que talvez esteja condicionado à formação pedagógica dos informantes e às influências todas que essa área do conhecimento exerce, alimentando as mais diversas crenças sobre a prática de ensino. São os casos das falas seguintes:

(32) Uma boa aula de gramática se daria onde os alunos participassem e consequentemente dessem o retorno as aulas dadas. Uma boa aula é aquela onde o aluno aprenda, mas para isso o professor precisa planejar corretamente e coerentemente com os objetivos a serem alcançados. (Professor B, 1º ano, Pedagogia)

(33) Uma boa aula de gramática numa turma de 3º período da EJA corresponde ao 4º e 5º ao do ensino fundamental é aquela que você começa explorando a palavra a partir do contexto que ela está inserida, observando o seu significado, a sua função: se está nomeando, caracterizando, determinando gênero, fazendo uma ligação. Ou expressando uma circunstância, ou seja, motivar o aluno a perceber que de acordo com o significado e com sua função dentro do texto as palavras participam de uma sequência que lhe dá

sentido e significado. A partir dessa compreensão o aluno abstrai melhor as regras práticas e estas se tornam mais reais. (Professor D, 4º e 5º ano, Letras)

(34) Tudo vai depender do planejamento, dos objetivos que pretende alcançar, na necessidade e na receptividade da turma. (Professor T, 5º ano, Pedagogia)

(35) Quando percebe-se que o aluno assimilou o conteúdo ensinado, tanto na língua falada quanto na escrita. Orientar e ensinar de uma maneira que o aluno conheça as diferenças linguísticas em todos os eixos da fala. Informar que a língua falada e escrita sofreu algumas transformações e ainda passa por esse processo no seio da sociedade, que é composta de uma diversidade cultural, mas capaz de respeitar seus idiomas e diferenças fazendo uso da gramática em todas as camadas sociais. (Professor N, 2º ano, Pedagogia)

Como se pode enxergar nos sentidos que emanam da elocução dos professores, pairam indefinições sobre o que seja uma aula de gramática que consiga atingir bom nível de qualidade. Há referências a livro didático, como também, recorrentes alusões ao planejamento. Ora, o livro didático pode ser um excelente recurso para a execução de estratégias de ensino ou mesmo ocupar papel central no encaminhamento de algumas atividades. Entretanto, seu uso como fiel escudeiro do professor, que já nem mesmo planeja suas atividades, nem reflete sobre se elas estão adequadas ao nível de sua turma, pode transformá-lo em instrumento a serviço da não-aprendizagem.

Tentando-se refinar os dados que representam a visão dos professores sobre uma boa aula de gramática, chega-se aos números distribuídos na tabela seguinte:

UMA BOA AULA DE GRAMÁTICA NÚMERO DE PROFESSORES

%

Relacionada com a realidade do aluno

07 35

Motivação e interação com os alunos

04 20

Assimilação dos conteúdos 02 10

Exploração dos conteúdos

gramaticais

03 15

Acompanhamento do livro didático e resolução de exercícios

02 10

Baseada na diversidade textual 02 10

TOTAL 20 100%

Tabela 3: Uma boa aula de gramática

Como se pode perceber, no dia a dia de sala de aula, a participação responsiva do aluno não parece estar claramente conectada à consecução de resultados positivos em se tratando da aquisição da língua considerada padrão, seja na modalidade oral, seja na escrita. O simples fato de o aluno participar da aula não pode ser tomado como indicativo de que ele assimila conceitos, formula, elabora e apreende conteúdos que lhe tornarão um usuário mais competente de sua língua.

O fato de essas referências estarem postas de maneira mais ou menos aleatória, provavelmente, é indício de que as crenças sobre o ensino – pautadas na memória do que ao longo da vida lhe foi apresentado como uma boa aula de língua portuguesa – emergem de modo recorrente, por vezes incompatibilizando-se com os conhecimentos teórico-metodológicos assimilados e, em outras vezes, desvirtuando esses conhecimentos ao comporem um quadro de transparente oposição às sugestões dos especialistas e pesquisadores atualmente preocupados com o ensino de gramática.

Certamente, o que os professores sabem da vida, do mundo, do contexto que os cerca ou de horizontes mais amplos, suas experiências com a indisciplina, a falta de gosto pelo estudo e a predominante apatia dos alunos em relação ao ensino que lhes é destinado reflete-se em seu discurso, transborda em suas exposições e influencia sua prática tão insistentemente ancorada na tradição.

Pelo exposto, não seria incoerente pensar, numa análise não exaustiva, que as práticas docentes, no que tange ao ensino de gramática, recebem influências tanto de suas crenças quanto de seus conhecimentos, nos termos já anteriormente diferenciados.

Nesse contexto, vê-se que o professor se apropria de numerosos fatores que se interpõem e que estão relacionados a sua experiência, considerando princípios e valores, como também, os conhecimentos construídos pela assimilação de informações academicamente elaboradas.

De fato, apenas um estudo de caso minucioso e exclusivo é que poderia precisar em que dimensão um ou outro desses aspectos é predominante em sua prática. Ou, sendo mais realista, talvez seja impossível apontar com exatidão se é o conhecimento ou se é a crença o esteio que dá sustentação à prática pedagógica dos professores colaboradores desta pesquisa. Aliás, aqui, talvez seja possível generalizar, cogitando incluir nessa incerteza qualquer professor ou professora inseridos em contexto real de sala de aula.

Não se pode deixar de anotar que as respostas formuladas exprimem reflexões, elas próprias, condicionadas pelas crenças. Assim, emergem defesas de aspectos do ensino de língua que vão além do domínio dos conceitos gramaticais. Em alguns pontos de vista, essa postura parece paradoxal, uma vez que se choca com a própria visão de gramática explicitada ou implicitada pelo informante.

Talvez, por prevalecer uma concepção de gramática normativa, que finge ter vida própria a despeito do funcionamento da linguagem, não se revela com a clareza necessária, a real importância que o ensino de

gramática possa ter para a consecução de uma aprendizagem significativa. E isso é denunciador de uma crença que emerge das respostas fornecidas ao questionário: é importante ensinar gramática, quaisquer que sejam as teorias embasadoras da prática, as metodologias selecionadas e os recursos didáticos utilizados.

Isso posto, vê-se que é impossível identificar o nível de influência das crenças e relacioná-lo ao nível de influência das concepções; não se duvida que a própria oscilação nas respostas e até a manifestação de algumas incoerências na prática, sejam consequências do duelo travado entre aquilo que recebem como conhecimento já formulado, teórico, acadêmico e aqueles saberes que foram se incorporando, às vezes até intuitivamente, ao longo de suas vivências e experiências pessoais, ou seja, as crenças.

Nesse duelo, se o que se busca é ressignificar o desenvolvimento do ensino de língua, algumas certezas precisam se consolidar. É sobre isso que se reflete a seguir.

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