EPISODIQUE DU PARTICIPANT
II. 3.2 Etape 1 : appréciation globale après amorçage autobiographique
A incorporação à Universidade de um coro já existente não foi gratuita. Houve grandes benefícios para ambas as partes. Por um lado, o coro ganhou status e infraestrutura. O nome da UFMG possibilitou mais perene visibilidade fora do
25 Contudo, não se pode deixar de mencionar que Fonseca fundou a Orquestra de Câmara da UFMG
(1965) e que ele foi o regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais mediante concurso público (1981). Fundou também a Orquestra de Câmara do MAI (Modern American Institute) e atuou como convidado nas orquestras de PE, BA, MG, RJ, SP, RS e DF. (SANTOS, 2001)
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Município de Belo Horizonte, por todo o país, e tranqüilidade para isso, uma vez que esse nome estaria oficialmente isento de partidarismos. Também serviu para atrair cantores com um perfil específico, a classe universitária, embora nunca se tenha exigido vínculo com a UFMG, especificamente, ou com qualquer universidade.
Do ponto de vista infraestrutural, o coro passou a ter acesso a todo o aparato logístico da Universidade, inclusive pessoal, além de sala de ensaios personalizada e exclusiva. Essa estrutura cresceu com o tempo e, em fins da década
de 1990, o Ars Nova dispunha de uma sede num importante edifício27 localizado no
centro de Belo Horizonte. A sede tinha quatro salas – a principal, mais ampla, a secretaria, a cozinha e o arquivo morto, que também eram usadas para ensaios de naipes –, banheiros feminino e masculino exclusivos, além de contar com um funcionário de meio expediente na secretaria e com serviço de limpeza por conta da Universidade. (Antoniol & Silva)
Como Órgão Especial da Universidade, o Ars Nova fornecia uma ajuda de custos a seus integrantes que chegou a atingir o valor de um salário mínimo por cantor na década de 1990 (Antoniol). Isso foi estímulo para muitos cantores durante muitos anos, e, assim, o Coro conseguiu manter entre trinta e dois e quarenta e dois o número de elementos, com os naipes equilibrados. O grupo passou a dispor de vozes maduras, o que confere o peso necessário para a sonoridade buscada por Fonseca. A maioria dos integrantes possuía formação básica musical adquirida ainda na Escola Regular, e alguns tiveram aulas particulares de Música na infância. Apesar disso, o solfejo continuou não sendo uma habilidade da maioria dos integrantes. Enquanto muitos dedicavam‐se à carreira musical e tinham formação de nível profissional, outros exerciam atividades profissionais paralelas à Música (Antoniol & Silva; Schmidt de Andrade). Mesmo assim, o coro salta do patamar de amador para o de
semiprofissional, ou seja, que possui uma estrutura pessoal e uma infra‐estrutura organizadas e cujos membros já passaram por um processo prévio de musicalização, sistemático ou não, mas eficiente, mesmo não tendo muito larga experiência prévia com técnica vocal. Em virtude da qualidade, da estrutura e da conseqüente visibilidade, o Coro desenvolve facilidades para conseguir patrocínio ou arrecadar
fundos para cumprir agenda de viagens.28
Por outro lado, a UFMG recebeu um Coro com cinco anos e meio de experiência, já com sucesso em Belo Horizonte e com um público cativo. Com a associação do Coro à Universidade, o nome dela seria levado a uma infinidade de lugares. Se contarmos apenas eventos nacionais e internacionais de grande expressão no mundo coral, teremos mais de duas dezenas. O Ars Nova foi condecorado em quase todos esses eventos, mais da metade como primeiro colocado, incluindo um
Hours Concours – Rio de Janeiro, 1978 – e um Grand‐Prix – Atenas, Grécia, 1998
(SANTOS, 2001).
Para Carlos Alberto Pinto Fonseca, o fato de Universidade assumir o Ars Nova institucionalmente significou a estabilidade profissional. Mais que isso, significou a oportunidade de trabalhar com um mesmo coro ao longo de muitos anos, o que lhe permitiu maior compreensão do Canto Coral e desse coro especificamente em mínimos detalhes. O contato prolongado com o coro também permitiu‐lhe dar‐se a conhecer e fazer‐se compreendido com absoluta clareza por esse coro. A incorporação do coro à Universidade significou para Fonseca a oportunidade de experimentar sua bagagem técnica em todos os níveis e de moldar o coro a seu gosto a ponto de imprimir‐lhe sua assinatura. Tudo isso possibilitou que 28 Já em 1969, o coro faria duas viagens internacionais para concursos e seria condecorado: (1) New York (USA) – IIº Festival Internacional de Coros Universitários: “Dipl. de Honra ao Mérito”, e (2) San Miguel do Tucumán (Argentina) – 1º Concurso Latino‐Americano de Coros: “Plaqueta de
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Fonseca apresentasse ao público os melhores reflexos de sua competência, o que, para o regente que trabalha com coro semiprofissional, só é possível nas condições de estabilidade em que ele se encontrou.
Seria impossível discorrer sobre a história do Ars Nova sem associá‐la a Fonseca. A influência do Maestro e a qualidade do seu trabalho, associadas à estrutura da Universidade, elevaram o nome do grupo a um patamar de reconhecimento internacional. As pessoas que participaram do coro durante alguns anos da gestão de Fonseca demonstram profunda admiração por ele e atribuem a ele conhecimentos dos mais importantes que adquiriram. Nas palavras dessas pessoas, o Ars Nova foi uma verdadeira escola para muitos músicos de Minas Gerais e do Brasil, entre eles alguns expoentes do Canto Lírico atual, como José Carlos Leal, Kátia Kazzaz, Marcos Tadeu, Marcus Ribeiro, Rita Medeiros, Sílvia Klein e Suely Lauar. Se o Ars Nova teve a fama de melhor coro do Brasil, deve‐o ao alto nível do trabalho do Maestro Fonseca, associado a toda a estrutura universitária. Por outro lado, se Carlos Alberto Pinto Fonseca obteve como Maestro o reconhecimento que obteve, deve‐o especialmente ao fato de ter tido em mãos o Ars Nova por tanto tempo.