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ET L'ASSEMBLÉE DE L'ATLANTIQUE NORD

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Nas aulas de Matemática que observamos, num primeiro momento, o professor finalizava o capítulo referente à Geometria Analítica, com atividades relacionadas à distância entre dois pontos, no plano cartesiano. A dinâmica adotada pelo professor consistia em explicar o conteúdo, para, em seguida, os alunos realizarem as atividades propostas no livro didático. Num segundo momento, foi iniciado o conteúdo de Estatística, que levava os alunos a construir tabelas de frequência, analisar e construir gráficos, calcular as medidas de tendência central e de dispersão. O professor permitia o uso da calculadora pelos alunos.

As atividades propostas no livro didático traziam situações do cotidiano, mas, em nenhum momento verificamos, seja nas atividades propostas no livro, seja nos exemplos dados pelo professor, questões voltadas à área do curso técnico em agropecuária. Numa das aulas que observamos, por exemplo, foi possível verificar uma relação da disciplina com a Geografia, em que o professor, levando o mapa mundi para a sala de aula, solicitava que os alunos

escolhessem duas cidades, identificassem suas latitude e longitude, e calculassem a distância real entre elas. Foram envolvidos conceitos de regra de três simples e escala para a realização da atividade. Os alunos também utilizaram régua e o professor utilizou fita métrica para medir a distância entre as cidades no mapa.

Ao trabalhar os conteúdos na área de Estatística, o professor alertou sobre a manipulação de dados estatísticos e da confiabilidade na pesquisa estatística. Destacamos, também, que, em alguns momentos, o professor discutia com a turma, os resultados encontrados nos cálculos, de forma a levá-los a compreender a aplicabilidade da Matemática em situações reais. Nesse sentido, pudemos observar que o professor, apesar de não abordar assuntos específicos da área do curso, buscava trabalhar a disciplina de forma a aplicá-la em situações do cotidiano.

A partir das nossas observações, foi possível verificar, nas aulas das disciplinas técnicas, que a aplicação de conceitos matemáticos é essencial para a concretização das práticas, exigindo do aluno o domínio de conceitos lógico-matemáticos para a correta execução das atividades. Em contrapartida, percebemos, nas aulas de Matemática, não haver essa relação com as disciplinas técnicas, e verificamos, portanto, a necessidade de um maior diálogo entre os professores do curso.

Vale destacar que não apoiamos a idéia de que, a todo o momento e, a todo instante, o professor de Matemática deva relacionar seu conteúdo às disciplinas técnicas, considerando a importância de que aos alunos seja dada a oportunidade de conhecer a realidade social, cultura, econômica e política para além das disciplinas técnicas. Nesse sentido, corroboramos Santos (2012) que aponta que o ensino da Matemática nas instituições que ofertam educação profissional e tecnológica não deve acontecer de maneira análoga às instituições que ofertam apenas Ensino Médio, nem, portanto, priorizar apenas a formação técnica. Para a autora, é necessário que a Matemática, assim como as demais disciplinas constantes do currículo, auxilie no desenvolvimento das capacidades que contribuam para a concretização de um currículo que seja realmente integrado.

Nesse sentido, para que ocorra a formação humana integral dos indivíduos, principal finalidade de uma proposta de integração curricular, faz-se necessária uma articulação entre as áreas do curso de forma a proporcionar aos alunos a apreensão de conceitos técnico- científicos, com foco na formação cidadã. Além disso, a escola deve engajar-se numa

proposta de ensino que supere a fragmentação entre a formação propedêutica e a formação profissional, em que os atores sociais participem da construção da proposta pedagógica da escola e conheçam os objetivos do curso, com vistas a planejar ações que busquem atender a tais objetivos. A partir desse entendimento, ao se considerar a proposta de um curso técnico integrado à educação profissional técnica de nível médio, o planejamento entre as áreas do conhecimento pode fortalecer o curso e favorecer um maior alinhamento entre as disciplinas.

Diante desse entendimento, perguntamos aos professores de Matemática e da Formação Profissional, se eles conheciam o Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Agropecuária. Dos seis professores entrevistados, quatro (4) responderam conhecer parcialmente, e dois (2) responderam conhecer totalmente. Nenhum dos entrevistados respondeu que não conhecia o projeto pedagógico. Sobre as suas participações no na construção do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) Técnico em Agropecuária, as respostas foram as seguintes:

Tabela 1 – Participação dos professores da terceira série “A” do curso Técnico em Agropecuária na construção do PPC.

Respostas apontadas no questionário Número de

professores

Não fui convidado a participar das discussões 1

Fui convidado a participar das discussões, mas não me interessei 0 Participei apenas da construção da ementa da disciplina que ministro 2

Participei ativamente das discussões 1

Não trabalhava no Campus na época da sua construção 2 Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

As respostas apontam que a construção dos Projetos Pedagógicos de curso fica limitada, muitas vezes, a ações fragmentadas na escola, em que cada um contribui com uma parte (em especial na construção das ementas), de forma isolada, sem, contudo, perceber a totalidade da proposta.

Sobre o planejamento entre as disciplinas, ao considerar a importância da interdisciplinaridade no contexto da integração curricular, perguntamos aos professores se a escola promovia momentos de planejamento e discussões entre as disciplinas da formação geral e as da área técnica. Dos professores entrevistados, um (1) respondeu nunca, três (3) responderam raramente e, dois (2) responderam às vezes. Nenhum dos professores respondeu frequentemente ou sempre. Vale destacar, ainda, que todos os professores

entrevistados responderam que fazem o planejamento de forma individual, sendo que nenhum deles afirmou realizar o planejamento com o pedagogo, a supervisão, o Coordenador do Curso e/ou com outros professores.

Essa situação pode ser verificada durante as observações das aulas de Matemática e das disciplinas da formação profissional do curso, em que cada professor realizava suas práticas pedagógicas de forma isolada às demais disciplinas do curso. Esse quadro demonstra que a Instituição deve se manter atenta ao tratamento dado a um curso que oferta educação profissional técnica de nível médio na forma integrada ao Ensino Médio, no sentido de promover momentos de discussões e planejamento que favoreçam a interdisciplinaridade como estratégia importante no contexto da integração curricular. Conforme verificado por Santos (2008) a falta de planejamento coletivo compromete a prática pedagógica do curso e a real implementação do currículo integrado, levando a uma formação fragmentada dos estudantes e à desarticulação do currículo.

5.3 A PARTICIPAÇÃO DA MATEMÁTICA NO CURSO SOB O PONTO DE VISTA DOS

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