7. Transferència: Observatori de la Comunicació a Catalunya (OCC InCom-UAB)
7.1. Informació general
7.1.4. Estructura i continguts de l’Observatori
Após as exposições da EP- AMT e da ET – AMT, as quais continham sugestões de comportamentos negativos, foi questionado se além dos citados as respondentes identificavam algum outro comportamento negativo. A Tabela 3 a seguir demonstra que 67,79% das mulheres vítimas não identificaram nenhum outro comportamento negativo, 32,20% afirmaram que sim. Tabela 3: Identificação de outros comportamentos negativos
OUTROS COMPORTAMENTOS NEGATIVOS Sim Não Total
Respostas 19 40 59
% 32,20% 67,79% 100%
Fonte: Dados primários, 2019.
Para as 32,20% que afirmaram que sim, solicitou-se que explanassem quais eram os comportamentos, ressalta-se que das 19 respondentes foram obtidas respostas de 18, ou seja, uma mulher deixou de responder, abaixo seguem algumas respostas:
Para a ascensão de cargos de chefia a preferência sempre é dos homens. Mas isso acontece com determinados chefes, outros dão preferência a conhecimento e qualidade (R01).
Críticas intensas a vida pessoal, ainda que haja compartilhamento e vida pessoal no trabalho, considero algumas críticas desnecessárias (R02).
eu vejo muito em reuniões os homens interrompendo as falas das mulheres, principalmente no caso da hierarquia, quando se trata de algum subordinado ou pessoa com menor grau de instrução do que a chefia. mas também acredito que este comportamento seja praticado por outras mulheres em grau de hierarquia maior em ralação a servidores com grau de hierarquia menor (R03).
Sobrecarga de trabalho, executar trabalho que não é da sua função (R06). Dizer que o trabalho que fizemos foi ele quem fez (R08).
Incompetência gerencial nas demandas da diretoria. Falta de envolvimento de chefias deixando os técnicos sozinhos com atribuições. Inassiduidade das chefias, as quais muitas vezes ficam uma semana sem aparecer no local de trabalho (R11).
Se você trabalha bem, cada vez mais te dão serviços e não há reconhecimento. O reconhecimento e as gratificações legais só vem em benefício de quem é amigo ou intimamente. Infelizmente as gratificações não são concedidas com base no trabalho do servidor, e sim com base em motivos íntimos e amizades (R14).
Demonstrar preferência pelos homens de forma totalmente explícita (R15).
Utilização do cargo (chefia) como forma de coação das atividades/prioridades profissionais, desconsiderando a minha capacidade, comprometimento e critérios profissionais (autonomia) para a organização do trabalho (R16).
Comentários sobre vida particular de colegas (R17).
Frases como: fulana não tem mais idade pra engravidar, vai ser bom pro setor (R18). Na R01, a respondente chamou atenção para a preferência nos cargos de chefia serem para os homens e coloca que, “[...] Mas isso acontece com determinados chefes, outros dão preferência a conhecimento e qualidade”. Oliveira, Gaio e Bonacim (2009) colocam que na divisão sexual do trabalho está incluso o fato dos homens terem mais inclinação a ocuparem melhores postos de trabalho, e as mulheres postos de trabalho de níveis inferiores, bem como, afirmam que essa situação se torna mais evidente com o crescimento de estudos sobre gênero.
Nesse a perspectiva, a R02 e R17 expõe o fato de a vida particular ser motivo de comentários, a R18 explana “Frases como: fulana não tem mais idade pra engravidar, vai ser bom pro setor” o que diz respeito ao fato das mulheres poderem engravidar, essa situação não ocorre com homens. Com o movimento feminista, as mulheres lutaram por políticas relacionadas aos cuidados com seus filhos, bem como pelo fim da divisão sexual do trabalho, tanto nas organizações quanto dentro dos lares (PATEMAN, 1996).
Para Pinheiro, Galiza e Fontoura (2009), a sociedade brasileira vem sofrendo cada vez mais mudanças em sua estrutura, o modelo familiar constituído pela casal e filhos está em queda, já que as mulheres estão cada vez mais inseridas no mercado de trabalho. No entanto, notou-se pelas respostas obtidas que as mulheres ainda passam por situações constrangedoras pela maternidade.
No que diz respeito às relações das mulheres com filhos e a ocorrência de situações negativas no trabalho por esse motivo, Marcia realizou uma colocação relacionada ao contexto em que as mulheres vivem na sociedade quando diz respeito às questões familiares e da maternidade:
Eu sempre digo, quando eu era criança eu era filha do Seu Moacir quando me casei eu virei a mulher do Seu Pedro e quando tive dois filhos homens eu passei a ser a mãe do Paulo e João, isso demonstra que a gente possui identidade de enfrenta toda essa questão do patriarcado, e poucas mulheres conseguem se perceber, mas gente tem, não são coisas antigas isso são coisas que estão acontecendo agora, então a principal característica é o patriarcado, são as questões culturais que foram sendo sustentadas por esse patriarcado e que foram determinando papeis que foi dado as mulheres, cuidar da família, filhos e isso complicou muito a nossa vida, e a gente ainda reproduz, quando a gente não consegue romper isso com os nossos filhos ao colocar rosa na menina, dar boneca, panelinha ensinar a ser educada, cruzar as pernas, né, obedecer, ser gentil , carinhosa, enquanto ao homem a gente diz, vai seja garanhão, dirija, joga bola, saia, vá pescar, a gente reproduz isso em casa. (MARCIA)
Eu vejo que as mulheres mães elas têm que estar sempre trabalhando com essa variável que trabalhar, conseguir desenvolver uma carreira e ser mãe também. Não temos uma estrutura que auxilie a vida das mulheres mães. (ANA)
Marcia falou sobre o patriarcado, que ainda é presente no Brasil. Para Corrêa e Carrieri (2007) as características patriarcais colocam obstáculos na vida profissional das mulheres, por conta disso, o assédio moral torna-se mais propício a ocorrer com elas. Mesmo não sendo mãe Ana evidencia que as mulheres além de se preocupar com suas carreiras, precisam enfrentar as demandas que maternidade impõe.