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Estructura de la tesi

Dans le document Teresa Ortiz Gómez (Page 9-14)

1. INTRODUCCIÓ

1.2 Estructura de la tesi

Antes da metade do século XVII não era usual o compartilhamento dos resultados científicos (PROSSER, 2013). Havia um sentimento de que os pesquisadores eram guardiões do conhecimento e, portanto estes, eram relutantes em fornecer aquilo que poderia ser uma vantagem competitiva aos seus rivais. Ainda que os pesquisadores quisessem garantir os direitos da prioridade de suas “descobertas”, também não desejavam disseminar a informação (PROSSER, 2013, p. 40, tradução nossa). Um exemplo é a forma de publicação do descobrimento dos anéis de Saturno, por Galileu, em 1610. Seu trabalho foi publicado em forma de um anagrama de 37 letras em latim para garantir a prioridade da descoberta, porém, com a tentativa de que fosse de uma forma protegida (PROSSER, 2013).

Foi neste ambiente de segredos que surgiu o primeiro periódico científico. Esta era uma tentativa que buscava mudar o paradigma para o de que a publicação dos resultados é que garantiria a prioridade de uma determinada descoberta para o pesquisador (PROSSER, 2013). Com a contínua profissionalização da pesquisa, já na metade do século XIX, os cientistas publicavam seus achados regularmente e, às vezes, até de forma independente (PROSSER, 2013). A disponibilidade da publicação havia alterado o comportamento da atividade científica. Prosser (2013) também ressalta que a comunicação científica não está relacionada apenas com a publicação dos resultados acadêmicos, mas que é uma parte vital do próprio processo de pesquisa em si. Para esse autor, a forma como os pesquisadores disseminam os seus resultados tem sido profundamente alterada nas últimas décadas, desde o lançamento do primeiro

periódico científico há quatro séculos, alterando também o ambiente de pesquisa (PROSSER, 2013).

Não apenas o pesquisador, mas diversos atores estão envolvidos nesse processo. Além das transformações ocorridas na atuação dos pesquisadores (PROSSER, 2013), outros atores como os editores de periódicos (MCGRATH, 2013), os órgãos de financiamento (KILEY, 2013), os institutos de pesquisa (CARTER, 2013), as bibliotecas acadêmicas (BROWN, 2013) e os leitores (SCHONFELD, 2013) também vem passando por transformações.

Nessa perspectiva, Prosser (2013) defende que a atividade de publicação foi alterada como reflexo das mudanças no processo de pesquisa, porém o processo de pesquisa em si também foi alterado como resultado dos desenvolvimentos da comunicação científica. Ainda que o processo tenha sofrido transformações essencialmente em decorrência dos avanços tecnológicos e apesar das possibilidades das novas tecnologias em termos de formatos de publicações e canais de distribuição ou modelos de negócios, os propósitos ou finalidades da comunicação científica têm permanecido, notavelmente, estáveis (BORGMAN, 2007).

A Ciência Aberta, neste desenvolvimento, representa uma nova abordagem para o processo científico com base no trabalho cooperativo e em novas formas de difusão de conhecimentos por meio de tecnologias digitais e das novas ferramentas colaborativas (EUROPEAN COMMISSION, 2016c). A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE (ORGANIZATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT, 2015, p. 7, tradução nossa) conceitua Ciência Aberta como uma forma de "permitir o acesso aos resultados primários de pesquisa financiada com recursos públicos – publicações e os dados de pesquisa – disponíveis ao público em formato digital sem ou com restrição mínima". Porém, para a própria OCDE (2015), é mais do que isso, Ciência Aberta é frequentemente conceituada como um termo abrangente que envolve vários movimentos tendentes a suprimir as barreiras para compartilhar qualquer tipo de resultados, de recursos ou de dados da pesquisa, de métodos ou de ferramentas, em qualquer fase do processo de investigação científica (ORGANIZATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT, 2015).

De acordo com a taxonomia do Facilitate Open Science Training For European Research, (2015, online)19, a Ciência Aberta é a prática da ciência, de tal forma, que outros possam colaborar e contribuir; em que dados de pesquisa, notas de laboratório e outros

19 FACILITATE OPEN SCIENCE TRAINING FOR EUROPEAN RESEARCH. Open Science Definition. 2015. Disponpível em: https://www.fosteropenscience.eu/foster-taxonomy/open-science-definition. Acesso em: 02. Jul. 2019.

processos de pesquisa estejam disponíveis gratuitamente de forma a permitir a reutilização, a redistribuição e a reprodução da pesquisa e seus dados e métodos. A Ciência Aberta representa uma abordagem à pesquisa que é colaborativa, transparente e acessível, considerando aspectos tanto culturais e de conhecimento, quanto de tecnologias e de serviços em um movimento que busca tornar os produtos e processos científicos acessíveis e reutilizáveis por todos (GITBOOK BOTet al., 2018). A perspectiva da Ciência Aberta transcende o acesso aos resultados de pesquisas, visto que uma ampla gama de atividades está sob a égide da Ciência Aberta – e nas suas fronteiras, incluindo as Publicações de Acesso Aberto, os Dados Abertos, as Notas abertas, as Revisão por Pares Aberta e a Educação Aberta (EUROPEAN COMMISSION, 2017).

Fecher e Friesike (2014) apresentam algumas categorias de abordagem do termo “Ciência Aberta” de acordo com uma revisão de literatura da área. A noção geral de Ciência Aberta engloba uma variedade de premissas, porém, sobre um mesmo constructo: o futuro da criação e da disseminação do conhecimento. Fecher e Friesike (2014) apresentam cinco abordagens sobre Ciência Aberta, que chamam de escola de pensamentos, baseadas na percepção de vários cientistas e pesquisadores que publicaram sobre o assunto. A conceituação do termo depende, portanto, do ponto de vista das partes interessadas que serão diretamente afetadas no ambiente de pesquisa científica (FECHER; FRIESIKE, 2014).

As abordagens identificadas por Fecher e Friesike (2014) sobre a Ciência Aberta, considerando a diversidade das partes envolvidas são: (a) escola democrática, que preconiza a igualdade de acesso; (b) escola pragmática, que evoca a pesquisa colaborativa; (c) escola de infraestrutura, que está relacionada com arquitetura tecnológica que viabilize ferramentas colaborativas; (d) a escola de publicidade, que diz respeito a acessibilidade na criação do conhecimento; e (e) a escola de métricas, pautada nas métricas alternativas de impacto. Neste estudo, adota-se os preceitos das escolas democrática e a pragmática pois são as que incluem os dados abertos na sua abordagem, conforme citado na Seção 1.2 – Capítulo 1.

O Quadro 1 apresenta as principais prerrogativas de cada abordagem, os grupos envolvidos, assim como a principal argumentação central, os métodos e as ferramentas para viabilizar cada aspecto da Ciência Aberta categorizados por Fecher e Friesike (2014).

Quadro 1 - Comparativo das abordagens da Ciência Aberta

Abordagem Premissa Central Partes envolvidas Argumentação central Ferramentas e Métodos Democrática O acesso ao conhecimento não é igualmente distribuído Cientistas, políticos e cidadãos Tornar o conhecimento disponível gratuitamente a qualquer um

Acesso aberto, direitos autorias, dados abertos, software aberto Pragmática Criação do conhecimento poderia ser mais eficiente se os cientistas trabalhassem em colaboração Cientistas Abertura do processo de criação do conhecimento Sabedoria das multidões, efeitos de rede, dados abertos, software aberto Infraestrutura Pesquisa eficiente depende de ferramentas e aplicações disponíveis Cientistas e Provedores de plataformas Criação de plataformas abertas, ferramentas e serviços para cientistas Ferramentas e plataformas colaborativas Pública Ciência precisa se tornar acessível ao publico Cientistas e cidadãos Tornar a ciência acessível aos cidadãos Ciência cidadã, Blogging científico Métricas As publicações científicas precisam de métricas alternativas de impacto Cientistas e políticos Desenvolver um sistema alternativo de métricas de fator de impacto

Altimetria, revisão por pares, citação e fatores de impacto

Fonte: Adaptado de Fecher e Friesike (2014, p. 20, tradução nossa).

Diante das concepções mais amplas de Fecher e Friesike (2014), a Ciência Aberta pode ser considerada um importante mecanismo para a viabilidade da pesquisa científica contemporânea, que utiliza intensivamente dados digitais de pesquisa (SAYÃO; SALES, 2016). Essa abordagem que considera o uso intensivo de dados na prática científica se denomina eScience.

Cunhado por John Taylor (2001), que foi diretor-geral do Conselho de Pesquisa do Office of Science and Technology (OST) do Reino Unido o termo eScience foi difundido, posteriormente, por James Nicholas Gray, inicialmente por meio de palestras e de discussões com pares. A perspectiva de pesquisa científica de Taylor (2001) para o século XXI possibilitaria aos pesquisadores lidar de forma mais eficaz com o grande volume de dados gerados.

Existem diferenças na forma escrita de e-Science, como eScience, EScience, escience e Science, e a literatura também aponta para termos sinônimos como Ciência Orientada a Dados (Data-Driven Science), Pesquisa Eletrônica (e-Research), Ciber Infraestrutura (Cyberinfrastructure), Ciência Melhorada (Enhance Science), Ciber Ciência (Cyberscience) e Infraestrutura Eletrônica (eInfrastructure) (CESAR JUNIOR, 2011, p.7; MEDEIROS; CAREGNATO, 2012, p. 315) bem como se aponta para um quarto paradigma da ciência (fourth

paradigm of science) (HEY; TREFETHEN, 2003).

Portanto, o termo eScience se configura como uma prática de pesquisa científica intensiva na geração de dados de pesquisa e também no seu uso, no armazenamento, no processamento, na análise e no compartilhamento destes (HEY; TANSLEY; TOLLE, 2009). Em 2014, o Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) resumiu a conceituação, constatando que o "eScience promove a inovação em pesquisas colaborativas, computacionais ou intensivas em dados em todas as disciplinas ao longo do ciclo de vida da pesquisa" (INSTITUTE OF ELECTRICAL AND ELECTRONICS ENGINEERS, 2014, online – tradução nossa). Para Medeiros e Caregnato (2012), a eScience modifica a forma que os cientistas trabalham, desde os tipos de problemas abordados quanto as ferramentas que utilizam, alterando profundamente a natureza da documentação e da publicação resultantes da sua pesquisa (MEDEIROS; CAREGNATO, 2012).

Sendo assim, a prática da ciência é realizada de tal forma que outros possam colaborar e contribuir, sempre que os dados da pesquisa, notas de laboratório e outros processos de pesquisa estejam disponíveis gratuitamente e de forma facilitada, em termos que permitam a reutilização, a redistribuição e a reprodução da pesquisa e seus dados. Medeiros e Caregnato (2012) identificam que além da colaboração e da cooperação, a eScience possibilita a interdisciplinaridade. Profundas alterações, portanto, estão sendo apontadas no processo de comunicação científica nas últimas décadas enquanto atividade sociotécnica (BORGMAN, 2007; BORGMAN; FURNER, 2012; JUBB, 2013).

Dans le document Teresa Ortiz Gómez (Page 9-14)