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estimation par intervalles de confiance

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Até que ponto os pais assumem determinadas ideias como suas? Em que medida as pessoas podem ser persuadidas a desistir de uma ideia e a adoptar uma outra? Em que medida resistem à mudança de uma ideia, mesmo face à evidência de que racionalmente isso seria o melhor? O grau de adesão a uma ideia terá a ver com o seu valor instrumental (o que a ideia promete de facto ou no imaginário) e com o seu valor expressivo (o que a ideia diz acerca de quem se é), o qual será função de várias propriedades: até que ponto é partilhada, é única, é defensável, é extrema e é central. Será na medida em que estes atributos estão ou não presentes que o indivíduo se permitirá adquirir uma ideia nova e resistirá à sua mudança uma vez adquirida (Goodnow e Collins, 1990).

As mudanças nas ideias ocorrem na medida em que estas se encaixam ou não nas necessidades ou exigências particulares de cada um. Uma ideia é mantida quando é protectora, promotora ou apoiante do ego (Goodnow et ai., 1986). Algumas ideias são tão intrínsecas ao pensamento de todos os dias que nem se tem consciência delas e, como tal, são difíceis de mudar. Outras são uma parte de um conjunto mais vasto e a sua mudança implicaria a mudança de todo o conjunto (Goodnow et ai., 1986). As ideias mais difíceis de mudar são as que são apoiadas pelas estruturas e instituições sociais vigentes. Do ponto de vista psicológico as ideias parentais contribuem para a identidade pessoal e social dos pais e, quanto mais centrais elas forem para esta função, mais difícil será a sua mudança, na medida em as estruturas psicológicas mais profundas dos indivíduos vão ser alteradas. A mudança de uma ideia implica que se faça uma estimativa dos custos. Aceitar, manter ou abandonar uma ideia pode ser doloroso e pode até tornar a tarefa parental incomportável. Por isso, muitas ideias têm um carácter fortemente instrumental (cf. exemplo atrás citado do optimismo

desenvolvimental nas atribuições).

Um grau demasiado elevado de adesão a uma ideia, mesmo quando há evidência de que não se trata de uma ideia correcta, pode revelar uma atitude rígida. A atitude flexível, pelo

contrário, revela a capacidade de alterar as suas ideias face às mudanças constatadas nos contextos, face a crianças com diferentes características de personalidade ou diferentes idades e mesmo face a situações excepcionais. Rickard, Forehand, Wells, Griest e McMahon (1981) referem que a diferença entre dois grupos de mães de crianças de idade pré-escolar - umas com problemas comportamentais e outras sem problemas comportamentais - residia no facto de no primeiro grupo, para além de haver um menor conhecimento do desenvolvimento da criança e formas menos adequadas de lidar com ela, haver também uma maior rigidez na forma como as ideias eram mantidas.

2.2.6. Conexão ou estrutura

Existe alguma evidência na investigação de que as ideias se agrupam em organizações com algum grau de estruturação interna, seja ela sob a forma de hierarquia, seja sob a forma de clusters. Serão de seguida apresentados três estudos que exemplificam a conexão das ideias parentais.

Sigel (1985b) e McGillicuddy-DeLisi (1982a) afirmam que as ideias (crenças, de acordo com a sua terminologia) parentais estão interrelacionadas e organizadas hierarquicamente, formando um sistema organizado (em sub-sistemas) de conhecimentos, comparável ao dos psicólogos sobre o desenvolvimento da criança. Isto não quer dizer que todas as ideias devam estar organizadas entre si, formando um todo indissolúvel e coerente, mas sim que há grupos de ideias, entre as quais existe uma relação de dependência (McGillicuddy-DeLisi, 1982a; Sigel, 1986). Sub-sistemas mais pequenos estarão organizados no interior de um sistema mais global, havendo um certo grau de coerência interna. Entre os sub-sistemas não existe obrigatoriamente uma correspondência lógica, podendo dar-se contradições. Existe pouca informação acerca de como estes agrupamentos se constituem; porém, será mais difícil explicar a formação dos agrupamentos incoerentes do que dos coerentes.

O estudo, atrás descrito, empreendido por Palácios (1987b, 1990) revela que o grau de conexão das ideias depende do tipo de pais considerado. Os pais tradicionais apresentavam-se como um grupo coerente graças à sua aderência às tradições, enquanto que no caso dos pais modernos, o seu grau de coerência tem a sua origem no seu nível educativo. Os pais paradoxais pareciam ter recebido as ideias sem as ter integrado, não reconhecendo a falta de coerência nem se preocupando com isso. Utilizando a concepção de Sigel, pode-se

afirmar que neste último tipo de pais os sub-sistemas não apresentam coerência interna nem mesmo externa, enquanto que os outros dois tipos aparecem como bastante coerentes.

No trabalho de Bacon e Ashmore (1982, 1986) o grau de conexão reflecte os papeis dos indivíduos ou os níveis de responsabilidade. Estes autores pediram a pais descrições do comportamento social de crianças entre os seis e os 11 anos. Depois de terem reduzido o material a 99 itens (metade para rapazes e metade para raparigas), pediram a uma nova amostra de pais e de irmãos mais velhos estudantes universitários para os organizarem por semelhanças em termos do que os pais pensarião, sentirião ou responderião se o comportamento fosse observado no seu filho (medida de distância psicológica entre as descrições). Emergiram sete categorias nas respostas dos pais: comportamentos que devem ser encorajados versus mudados, comportamento social bom versus mau, comportamento maduro versus imaturo, comportamento hostil versus não hostil, comportamento normal

versus problema, comportamento típico versus não típico, comportamento revelador versus

não revelador de interesse sexual. Estes resultados mostraram-se consistentes tanto para os rapazes como para as raparigas, tanto para os pais como para as mães, apesar das diferenças nos padrões de resposta.

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