De acordo com os recolhidos, através das questões Q 2, Q 9 e Q 11, que correspondem ao sentimento de conforto e/ou desconforto face às pessoas com dificuldade(s) e que têm NEE, os resultados mostram, principalmente, sentimentos de desconforto, sobretudo quando a questão é direcionada ao inquirido e este aspeto é inovador na Escala, isto é, A SACIE-R, sofreu grandes alterações, nomeadamente, a Q 2 e a Q9, foram introduzidas e a questão seguinte foi eliminada: “Sinto-me confortável entre pessoas
com NEE”.
As questões Q2, Q9 estão relacionadas com os sentimentos de conforto e/ou desconforto que os educadores/professores têm, ou poderão ter, em relação a si próprios face à(s) dificuldade(s)/NEE, física, cognitiva emocional ou outra.
Sentimentos, atitudes e preocupações dos educadores de infância e dos professores do ensino básico e secundário face à inclusão dos alunos com NEE na sala de aula
A Q 2 interpela o docente no sentido de saber se o afeta o facto de poder vir a sofrer de alguma dificuldade/NEE. Os resultados mostram significativos sentimentos de desconforto (> 57%).
Na Q 9 os resultados são semelhantes e igualmente expressivos com sentimentos de desconforto (> 59%) face ao sentimento de mal-estar se o inquirido tivesse alguma dificuldade/NEE.
A Q11 é direcionada para o desconforto e/ou receio de encarar/enfrentar uma pessoa com incapacidade. Observamos que os resultados seguem uma tendência contrária às questões anteriores. Os sentimentos de desconforto são pouco significativos (> 13%). Pelo contrário, os sentimentos de conforto são francamente significativos (> 87%).
O tópico dos sentimentos na Escala não está representado de forma equitativa, ou seja, há apenas três questões para este conceito, ao invés dos restantes: as atitudes são aferidas em sete questões e as preocupações em cinco. Para além deste facto, duas das três questões são direcionadas ao inquirido/professor. Ora, os resultados mostram sentimentos de desconforto muito significativos nas questões relacionadas com o inquirido e sentimentos de
conforto, igualmente significativos, quando dirigidos ao „outro‟ com quem o
professor/educador interage. A dúvida que se nos coloca é que a seguinte: se a pessoa tem
tanto medo/receio de ter uma incapacidade, como pode aceitar „confortavelmente‟ trabalhar
com crianças e jovens que têm incapacidades?! Será que está preparada para tal se, na eventualidade de vir a ter uma incapacidade, o medo sentido a constranja a agir com normalidade?! Como se pode trabalhar com alunos com necessidades específicas se o professor tem medo de lidar com eventuais problemas/incapacidades/ dificuldades que pode ter ou vir a ter?!
4.3. Atitudes
A análise dos dados, recolhidos através das questões Q 3, Q 5, Q 6, Q 8, Q 12, Q 13 e Q15, permite conhecer atitudes dos sujeitos face aos alunos com dificuldade(s)/NEE através de situações específicas em que o inquirido terá de escolher a opção que se coaduna
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a si . De um modo geral, resultados apresentados evidenciam atitudes favoráveis, mas nem sempre significativas.
A Q 3 caracteriza a atitude do professor face aos alunos que têm dificuldade em expressar oralmente os seus sentimentos e interpela no sentido de saber se estes deveriam estar nas aulas do ensino regular. Os resultados mostram atitudes indubitavelmente favoráveis (> 91%).
A Q 5 mostra a atitude do educador/professor face ao modo e tempo como estabelece contactos com pessoas com dificuldade(s)/ NEE e, nesta questão, as atitudes são favoráveis e significativas (> 88%).
A Q 6 indica a atitude do educador/professor face aos alunos desatentos e sua permanência no ensino regular. Perante a eventual perturbação do ambiente de sala de aula devido a alunos com dificuldades de atenção, a percentagem de professores que diz ter uma atitude mais favorável do que desfavorável é, tal como nas duas questões anteriores, maioritária, mas não tão expressiva (> 72%).
A Q 8 averigua a atitude dos professores em relação aos alunos que necessitam de outros meios de comunicação (por exemplo, Braille e Língua Gestual Portuguesa – LPG) e respetiva permanência no ensino regular. Nesta questão a atitude dos professores revelou-se favorável, mas menos significativa (> 78%).
A Q12 aclara se os alunos que frequentemente reprovam nos exames nacionais deveriam estar nas aulas do ensino regular. Nesta questão, observamos, mais uma vez, uma atitude favorável e mais significativa (> 82%).
A Q13 examina se os professores conseguem ultrapassar o choque inicial quando encontram pessoas com incapacidades físicas graves. Os resultados desta questão evidenciam, pelo contrário, atitudes menos favoráveis e pouco inclusivas (> 56%). Esta questão suscita alguma inquietude. Se não vejamos: alunos com deficiências motoras muito incapacitantes, ou até mesmo alunos com multideficiência, são populações raras mas intensas, isto é, apesar de serem poucos necessitam de um vasto conjunto de recursos, materiais e humanos, disponíveis para melhorar a sua qualidade de vida e facultar a
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aprendizagem possível. Ora, se os educadores não estão emocionalmente preparados para trabalhar com estas crianças e jovens, como é que estes podem ser autenticamente incluídos?! Mais uma questão para todos refletirmos.
A Q 15 procura conhecer a atitude dos professores em relação ao facto de saber se alunos com currículo individualizado (de acordo com a legislação portuguesa “currículo específico individual) deveriam estar nas aulas de ensino regular. Os resultados revelam atitudes mais favoráveis do que a questão anterior (> 76%).
Em síntese, em relação às questões relativas às atitudes favoráveis ou desfavoráveis dos professores, em termos gerais e analisando as questões isoladamente, o balanço é positivo. Em quase todas as questões (exceto na Q 13) mais de dois terços dos educadores/professores inquiridos referem que têm atitudes favoráveis perante várias situações de inclusão que lhe foram colocadas. Mas será que 70%, ou até 80%, de atitudes favoráveis é suficiente para se afirmar, categoricamente, que as atitudes dos educadores/professores dos vários níveis de ensino, face à inclusão dos alunos com NEE na sala de aula, são inclusivas?! Não nos parece, sobretudo, quando o ano de 2013, tal como dissemos na capítulo II, era o ano que o Ministério da Educação, tinha estipulado como a data limite para a inclusão de todos os alunos com NEE. Para se chegar a este ponto, a uma efetivação plena da inclusão em meio escolar, em todos os níveis de ensino, as atitudes de uma parte substancial de professores têm de mudar ainda mais. A mudança de atitudes, como vimos no capítulo I, é possível mas demora. É possível uma mudança de caráter cognitivo, afetivo e comportamental do modo como internalizamos a inclusão, como a pensamos, como a sentimos e como a vivemos.