Ações que promovem o trabalho do designer unido ao artesão existem de forma significativa no Brasil. O livro de Borges (2011) apresenta diversos exemplos que retratam intercessões em todas as regiões do país. Em Pernambuco, temos acompanhado intervenções de design a partir de várias instituições e profissionais e, dessa forma, conferimos um forte investimento no setor e a existência de uma grande demanda. A pesquisa referente aos modelos de gestão do design existentes no nosso país aconteceu a partir de vivências, sites, dissertações e livros. A dissertação de mestrado de Elisa Serafim, por exemplo, apresenta um mapeamento que colabora para nossa discussão. Serafim (2015) traz um mapeamento dos principais atores que desenvolvem ações de design na produção artesanal. Após esse levantamento, seleciona seis propostas e analisa os modelos de atuação de acordo com os seus pares, sendo dividido em três grupos: projetos de extensão, profissionais autônomos e Associações.
Desse mapeamento panorâmico referente aos agentes executores (SERAFIM, 2015, p. 54), formulado por Elisa, apresentamos alguns dos representantes a seguir. No entanto, fizemos uma complementação e atualização desse estudo, em que expomos mais profissionais que atuam em ações de design e artesanato, e indicamos as instituições que originaram os projetos e ações.
Todas as instituições e profissionais citados abaixo realizam ações de design junto ao artesanato. Essa listagem pode se estender se acrescentarmos arquitetos, artistas plásticos e profissionais de áreas afins. Nossa tentativa foi também a de mapear entidades que buscam trabalhar e fazer parceria com o profissional de design.
Tabela 02 - Mapeamento de instituições e profissionais que trabalham com design e artesanato13
AGENTE INSTITUIÇÃO ESTADO
BRASILEIRO
FORMATO
1. Projeto Mulheres de Palha
UFCA Ceará Projeto de Extensão
2. Projeto
Iconografias do Maranhão
UFMA Maranhão Projeto de Extensão
3. ASAS - Artesanato Solidário no Aglomerado da Serra
FUMEC Minas Gerais Projeto de Extensão
4. DESEJA.CA – Desenvolviment o Sustentável e Empreendedoris mo Social no Jardim Canadá
UFMG Projeto de Pesquisa e
Extensão
5. Programa Minas Raízes
UEMG Projeto de Pesquisa e
Extensão 6. Ana Luiza
Cerqueira Freitas
UEMG Projeto de Pesquisa e
Extensão
13
Sites visitados no período da pesquisa para configuração dos dados da Tabela 02 - Mapeamento de instituições e profissionais que trabalham com design e artesanato: Disponível em http://artesol.org.br/institucional/ Acesso em 16.09.2015
Disponível em http://www.redeasta.com.br/ Acesso em 16.09.2015 Disponível em http://www.dia.org.br/ Acesso em 16.09.2015
Disponível em http://www.renatoimbroisi.com.br/ Acesso em 17.09.2015
Disponível em http://institutomeio.org/wordpress/quem-somos/metodologia/ Acesso em 07/10/15
Disponível em http://www.designpossivel.org/sitedp/sobre-2/nossa-historia/ Acesso em 07/10/15
Disponível em http://www.pauladib.com.br/ Acesso em 17.09.2015
Disponível em http://www.rosenbaum.com.br/agentetransforma/ Acesso em 17.09.2015 Disponível em http://consuladodamulher.org.br/consuladodamulher/ Acesso em 17.09.2015 Disponível em http://aliancaempreendedora.org.br/ Acesso em 18.09.2015
7. Mayumi Ito AMARIA Consultoria 8. Ronaldo Fraga Desenvolvimento
de projetos financiados por várias
instituições.
Designer e consultor
9. Sérgio Matos Desenvolvimento de projetos financiados por várias
instituições.
Paraíba Designer e consultor
10. Lia Mônica Rossi Desenvolvimento de projetos financiados por várias instituições. Designer e consultora 11. Aliança Empreendedora
ONG Paraná Contrata design para
ações específicas 12. DIA - Design,
Inovação e Arte
ONG Possui equipe de
design própria 13. CCTA - Centro de Cultura e Tecnologia para o Artesanato Ñandeva Programa de desenvolvimento do artesanato 14. Laboratório O Imaginário
UFPE Pernambuco Projeto de Extensão
15. CPD - Centro Pernambucano de Design
SEBRAE Contrata profissionais
de design
16. Projeto Jovem Artesão
FUNDAJ Contrata profissionais
de design 17. CMN - Casa da
Mulher do Nordeste
ONG Contrata profissionais
18. Rede Asta OSCIP Rio de Janeiro Equipe de design própria
19. Projeto EcoSol UNIVILLE Santa Catarina Projeto de Extensão
20. Projeto DESOL UNIVILLE Projeto de Extensão
21. Heloisa Crocco Laboratório Piracema Design
Designer e consultora
22. Design Possível Universidade Presbiteriana Mackenzie – ASSOCIAÇÃO
São Paulo Teve início como Projeto de Extensão e hoje é uma Associação Design Possível [CNPJ
10.596.973/0001-99]
23. LabSol UNESP Projeto de Extensão
24. Marcelo Rosenbaum
Projeto A gente Transforma
Designer e consultor
25. ArteSol OSCIP Contrata profissionais
de design 26. Consulado da
Mulher
INSTITUTO Contrata profissionais
de design 27. Paula Dib Desenvolvimento
de projetos financiados por várias
instituições.
Designer e consultora
28. Renato Imbriosi Desenvolvimento de projetos financiados por várias instituições. Designer têxtil, consultor e professor de artesanato. 29. Lars Diederichsen
Instituto Meio São Paulo Designer e consultor
Fonte: adaptado da pesquisa de Elisa Serafim (2015), com complementações e atualizações
Nessa pesquisa, verificamos que as intervenções de design junto ao artesanato, desenvolvidas nas universidades, representam 38% do total das ações, e são indicadas como projetos de extensão, com atuação em suas regiões. Em relação aos profissionais,
alguns fundaram ONG’s, OSCIP’s, Institutos, Projetos Sociais, Redes e outros trabalham para diversas instituições públicas ou privadas. Constatamos também que o discurso sobre desenvolvimento, sustentabilidade e geração de renda está presente como uma unanimidade. Algumas dessas instituições e profissionais divulgam mais abertamente as suas metodologias de trabalho, seja na internet, artigos ou livros publicados, são eles: ArteSol, Instituto Meio, Design Possível, Consulado da Mulher, Programa Minas Raízes, Laboratório O Imaginário e a professora Ana Luiza Cerqueira de Freitas. As ações que não se configuram como projetos de extensão costumam contratar designers, por isso não se tem uma metodologia de design ou um modelo de gestão aberto para discussão.
Quando tratamos sobre os modelos de atuação, nem todos expõem os seus métodos, apenas os formalizados e institucionalizados, como citados acima. Os designers costumam atuar de acordo com as necessidades de cada grupo e não configuram, necessariamente, o seu modelo de gestão. Por se tratarem de instituições de ensino e terem a formação do profissional através de projetos de extensão, apresentamos no apêndice, a Tabela 11 – Projetos de extensão voltados para produção artesanal de universidades brasileiras, com os principais projetos das universidades, onde pudemos perceber particularidades referentes a: atuação, parcerias, métodos de trabalho, públicos, objetivos e informações complementares. Dessa construção, vimos que existem projetos que praticam consultorias distintas, como: atendimento individualizado, atendimento em laboratório da universidade para construção das experiências, atendimento em grupo, registros fotográficos como estratégia de divulgação e criação de catálogos, consultorias que se responsabilizam pela comercialização e outras não, consultorias que envolvem profissionais de outras áreas, além de design, propostas que atendem o público feminino, outras um público misto, entre outros formatos. Borges (2011), ao acompanhar várias ações de design, afirma que “Não há um procedimento-padrão ou receituário para as ações de revitalização do artesanato – e nem poderia ser de outra forma, já que diferentes situações exigem diferentes respostas” (BORGES, 2011, p. 59). Damos destaque ao trabalho desenvolvido pela professora Ana Luiza Cerqueira Freitas, publicado em 2011, que traz de maneira sistematizada sua metodologia de projeto aplicado ao artesanato, não como uma metodologia rígida, mas sim flexível, como deve ser, envolvendo os artesãos, designers e a produção.
As ações de design junto à produção artesanal, indicadas acima, confirmam que se trata de uma área de atuação para o designer, e configuram-se como uma oportunidade
de mercado, principalmente para jovens profissionais. Percebemos, nos projetos citados, que a contratação de um profissional externo à equipe efetiva sempre é possível, ou seja, existe a necessidade de parcerias com profissionais autônomos nos projetos, institutos e organizações.
4. SUSTENTABILIDADE E SEUS REBATIMENTOS NA INTERVENÇÃO DE