Os ambientes virtuais de aprendizagem vêm ganhando espaço nas discussões sobre o uso de tecnologia de informação e comunicação na educação. Um ambiente virtual de aprendizagem constitui uma categoria de software com recursos que possibilitam implementar e avaliar disciplinas e cursos no formato a distância e no presencial.
O uso dos AVA tem sido difundido nas escolas, contudo, o termo apresenta diferentes definições e é usado com diferentes sentidos.
Para Cunha Filho et al. (2000, p. 57),um ambiente virtual é uma plataforma de comunicação na qual são projetadas intervenções. Os autores defendem que os ambientes virtuais são ambientes pedagógicos reconhecíveis por três características tecnológicas: comunicação multidirecional; registro de conteúdos produzidos pelo grupo; acesso aberto no tempo e no espaço; e por duas características sócio-cognitivas: sociabilidade (capacidade de gerar e manter laços entre os indivíduos) e inteligência coletiva (interesse do grupo e capacidade tecnológica para construir e compartilhar um saber comum).
As plataformas comunicacionais se diferenciam dos meios de difusão que concentram a inteligência em uma ponta e transmitem informação de forma unilateral. Com características tecnológicas que possibilitam as relações entre os indivíduos, permitem construir e compartilhar um saber comum através do diálogo, propiciando comunicação multidirecional (CUNHA FILHO et al, 2000).
Os AVA permitem utilizar formas de comunicação síncronas e assíncronas, mediadas por diversos tipos de tecnologias e linguagens. Cunha Filho et al. (2000) ressaltam que as ferramentas assíncronas podem revolucionar o processo de interação entre professores e estudantes uma vez que modificam os processos tradicionais por meio
dos quais a comunicação vem se dando ao longo dos tempos, tanto na estrutura quanto no tempo.
Neste trabalho, considera-se que, como espaço possível devido às tecnologias digitais, os ambientes digitais de aprendizagem
[...] são sistemas computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentar informações de maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de conhecimento, elaborar e sociabilizar produções, tendo em vista atingir determinados objetivos. As atividades se desenvolvem no tempo, ritmo de trabalho e espaço em que cada participante se localiza, de acordo com uma intencionalidade explícita e um planejamento prévio denominado design educacional, o qual constitui a espinha dorsal das atividades a realizar, sendo revisto e reelaborado continuamente no andamento da atividade (ALMEIDA, 2003, p. 331).
Entende-se, assim como Santos, que o ambiente virtual é “um espaço fecundo de significação onde seres humanos e objetos técnicos interagem, potencializando assim a construção de conhecimentos, logo a aprendizagem” (SANTOS, 2005, p. 61; 2012, p. 225). Vale ressaltar que para a autora a aprendizagem é um processo sociotécnico em que os sujeitos interagem na e pela cultura entendida como espaço de construção de saberes e conhecimento. As tecnologias podem potencializar e estruturar novas formas de relações sociais e, assim, potencializar novas formas de aprendizagem e de construção de conhecimento.
Estes espaços ocorrem na internet e têm como foco principal a aprendizagem. São formados pelos “sujeitos e suas interações e formas de comunicação que se estabelecem por meio de uma plataforma" (BEHAR, 2009, p. 29). A plataforma é a infraestrutura tecnológica que compõe o ambiente.
Em seus estudos, Pires e Veit (2006) denominam de ambiente virtual de aprendizagem a tríade: plataforma, material que possibilita a aprendizagem, estímulos e usos que são feitos de ambos para propiciar a
interação estudante-professor, estudante-estudante e estudante objeto do conhecimento. Para os autores, os ambientes virtuais de aprendizagem facilitam, através das ferramentas de comunicação, as relações interpessoais e a relação dos atores envolvidos com o material educativo.
Por sua vez, Silva (2012, p. 64) diz que o ambiente virtual de aprendizagem é a “sala de aula online”, composta por ferramentas que viabilizam a interatividade e a aprendizagem. Este ambiente permite a disponibilização de conteúdos e a proposição de atividades pelo professor e permite a atuação dos alunos. Já os autores Vavassori e Raabe (2012, p. 314) o definem como um sistema com ferramentas e recursos que permitem e potencializam sua utilização em atividades de aprendizagem através da internet.
Dando sua contribuição, Kenski (2013, p. 123) argumenta que o AVA é um novo espaço educacional e “suas funcionalidades garantem- lhe a condição de espaço de convergência, rampa de acesso ao ciberespaço e tudo que ele possa conter para garantir a aprendizagem de um grupo de pessoas sobre determinado assunto”. O AVA não se caracteriza como um espaço restrito e fechado e oportuniza que se desenvolva uma proposta pedagógica. Possibilita usar e explorar recursos com diferentes linguagens. Proporciona oportunidade de situações de ensino e aprendizagem diferenciadas para desenvolvimento individual e ou coletivo localizadas no ambiente e fora dele.
Considerados como sistemas de comunicação que se fundamentam nas TIC, os AVA, “são recursos que visam aperfeiçoar a mediação do processo educativo” (SILVA, D., 2011, p. 20). Logo, é importante compreender o funcionamento desse recurso e as formas de uso.
As potencialidades do ambiente virtual de aprendizagem não se restringem à ampliação dos espaços para aprender. Há alteração na relação temporal dos processos de ensino e aprendizagem que se expande através das ações síncronas e assíncronas. As ferramentas que configuram o ambiente caracterizam o espaço, pela função de comunicação que possuem através de diferentes mídias e linguagens, e podem propiciar a formação de uma rede de interações que favorecem o aprendizado.
Entende-se que o ambiente virtual de aprendizagem pode ou não propiciar melhorias no aprendizado em função do uso que os atores envolvidos fazem dele. Cabe ao professor definir e propor os recursos
que serão utilizados no processo de ensino e aprendizagem. No entanto, é o aluno o protagonista do aprendizado. Ele fará uso ou não do recurso proposto segundo seus interesses, suas motivações e crenças a respeito da aprendizagem. Dessa forma, este estudo sepropôs a investigar: como os alunos do Ensino Médio veem a utilização do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) no processo de ensino e aprendizagem de Física?
Vale ressaltar que, atualmente, muitos são os AVA disponíveis. Segundo Lacerda (2013), os AVA atendem às mais diversas funções de interesses institucionais e pedagógicos. Então, quando for tomada a decisão de usar um AVA, será necessário refletir sobre os sistemas para que atendam às necessidades dos atores envolvidos no processo de desenvolvimento dos cursos e disciplinas e para que contemplem as exigências comunicacionais dos tempos de hoje (LACERDA, 2013).
Uma lista de AVA, classificados em função da forma de aquisição, pode ser vista na Tabela 1 apresentada por Lacerda (2013). Tabela 1 - Classificação de AVA quanto à forma de aquisição.
Classificação AVA Instituição/ Mantenedor Endereço Eletrônico
Gratuitos
Moodle Moodle.org http://moodle.org..br
E-Proinfo Ministério da Educação
(Brasil) http://eproinfo.mec.gov. br TelEduc Universidade de Campinas ( Brasil) http://teleeduc.org.br Proprietários
Blackboard Blackboard http://blackboard.com
Chamilo VZW Chamilo (Bélgica) http://campus.chamilo.com
PRAL Grupo Virtuous (Porto
Alegre, Brasil)
http://pral.com.br
Institucionais
EVA Universidade do Sul de
Santa Catarina - Unisul (Brasil)
https://www.uaberta.uni sul.br/eadv3/
AulaNet Pontifícia Universidade
Católica (Rio de Janeiro, Brasil)
http://www.aulanet.org. br
Solar Universidade Federal do
Ceará (Ceará, Brasil)
http://www.solar.virtual .ufc.br
Ainda segundo Lacerda (2013), pode-se tomar a decisão de escolha em função da forma de aquisição. Existem AVA: i) gratuitos ou não comerciais – quepermitem modificações e adaptações e podem ser utilizados sem custos financeiros; ii) proprietários ou comerciais – que são personalizados de acordo com os interesses e demandam custo financeiro para aquisição, instalação e manutenção; e iii) institucionais – que são desenvolvidos pelas instituições para uso próprio epodem ser licenciados sob permissão dos mantenedores.
Na escola onde a pesquisadora é professora no Ensino Médio e onde foi desenvolvida a pesquisa empírica, o Moodle foi disponibilizado pela instituição para a Educação Básica. Esse fato, aliado ao interesse em utilizar as TIC digitais como recurso para mediar o processo de ensino aprendizagem de Física, fez com que a pesquisadora procurasse conhecer as características desse ambiente virtual de aprendizagem. Entende-se que a fala dos alunos sobre o uso podem estar relacionadas com as características do recurso utilizado