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7. Diophantine Approximation Lemma

7.3. The estimates

Este diálogo e esta confiança é o que busca a diretora Clarice, na relação entre escola e estudantes. Clarice quer abrir os portões da escola para a comunidade, quer dar voz aos alunos, e percebe que esta ação surte alguns efeitos positivos:

(...) semana passada eu fiz uma reunião com alguns alunos da escola, do ensino médio, e aí, como que eu escolhi esses alunos? A escola foi procurada pedindo um espaço pra acontecer um movimento de jovens aqui na escola. Num primeiro momento, você fica assim, porque a gente meio que fica engessada mesmo, né, porque cobram da gente muito, aí você fica assim engessado aí pra abrir a guarda. É, porque tudo que acontece dentro da escola, dano, né, ao patrimônio aqui na escola, a responsabilidade é minha. E assim, nós tivemos até orientações algumas vezes que não era pra emprestar a escola, né, porque, qualquer coisa, é responsabilidade minha. E aí essa nova superintendência que está aí e tal, né, deu mais, deu essa liberdade... e quando me procuraram pra abrir a escola final de semana pra um movimento de jovens, um grupo de jovens vir aqui, nossa, eu procurei saber, conversei com os pais que iam participar, com os responsáveis... fiquei sabendo que muitos dos nossos alunos iriam participar... aí chamei os alunos, conversei com eles, me inteirei mais e abri... e foi um sucesso o que aconteceu! E aí, penso assim: se foi um sucesso o que aconteceu, né, e um projeto que envolveu aí, tinha uns cento e tanto jovens aqui na escola, e se deu certo, então, né, a gente tem que acreditar mais né, nos nossos jovens e no potencial deles, e na responsabilidade deles (LISPECTOR, 2015).

Clarice busca fazer da escola um lugar mais atrativo e dá aos jovens a oportunidade deles utilizarem o espaço institucional e também a rádio da escola:

Aí também, na quinta-feira passada, marquei uma reunião com eles na biblioteca, e eles vieram. Aí eu vi, aí eu fiquei assim de certa forma, assim, encantada, com as ideias deles, com as coisas que eles... Coloquei também o que eu queria, a gente tem uma rádio aqui na escola, que não é utilizada, a não ser pra gente cantar o hino, né, e dar um aviso, bom... já pedi pra muitos professores pra utilizar, pra montar um projeto pra usar a rádio, ninguém né, quis assumir. Aí joguei pra eles. E aí eles amaram a ideia de usar a rádio, né, aí coloquei pra eles a minha preocupação com o aproveitamento deles também em si, e ofereci pra gente usar a rádio, da rádio ter um cunho mesmo educativo mesmo, formativo, educativo, aí combinamos, falei pra eles que tem que ser uma coisa séria, que eu quero uma programação, né, semanal, o que vai acontecer, e que aí eles vão me entregar com antecedência, que eu vou pedir pra um professor pra revisar aquela programação, ―pra que vocês

tomem, vocês vão estar à frente, vão estar à frente da questão de uma rádio‖ (...). Aí eles perguntam: ―pode colocar música?‖ ―Pode colocar música, mas até as músicas que nós vamos colocar, a gente vai ter que discutir, né. Que música que nós vamos colocar? Nós tamos (sic) num ambiente educacional, né, tamo (sic) na escola, então, que música vocês vão colocar lá? Que tipo de música que nós vamos levar?‖ Eles falam assim: ―Ah, se deixar pra moçada pedir música vai ser só isso, funk, não sei o quê, não sei o quê...‖ Eu falei assim: ―Nada contra, cada um tem a sua, né, o seu gosto e tal,temos que colocar e conscientizar os meninos que nós tamos (sic) num ambiente escolar. Então, que música que nós vamos colocar lá? E até porque vocês precisam entender que muito dos jovens às vezes não gosta de certo tipo de música porque não tem o hábito de ouvir. Então, tamo (sic) aqui na escola, como a escola é um espaço educacional, um espaço que a gente tá (sic) formando, então nós vamos pensar que tipo de música que a gente quer levar...‖ Porque a gente fica preocupada, de repente eles vão levar, colocar um som lá que... né.... Todos eles compraram a ideia, adoraram a ideia da rádio (...). Aí eles já pediram a escola, pra abrir a escola no final de semana, aí vai aumentando, né...(risos). Aí eu me propus a ceder a escola no final de semana, falei tudo pra eles, falei: ―Olha, a gente dá liberdade pra vocês, né, eu tô (sic) abrindo, mas essa liberdade, tem que ser seguida de responsabilidade, eu preciso da responsabilidade de vocês!‖ E aí coloquei pra eles que eu sou responsável pela escola, qualquer coisa que acontecer aqui quem responde sou eu, falei que eu não posso todos os finais de semana, mas alguns sábados sim, eu estarei presente e tal... (LISPECTOR, 2015).

Clarice se preocupa com a distância que existe entre alunos e a escola e vê na abertura dos portões escolares aos alunos e à comunidade uma chance de romper com esse abismo que teima em permanecer entre estudantes e instituição:

Então assim, eu vou emprestar essa escola pra eles, vou começar a ceder, e não sei, né, comentei até depois com a vice, falei assim: ―Não sei, isso me angustia muito, sabe, essa distância deles...‖ Na hora do recreio eu procuro circular, hoje conversei com dois meninos, então, junto, mais próxima deles, mas mesmo assim isso não é o bastante, né. Então eu, de repente, eu não sei se vai ser a solução, mas de abrir um espaço, de abrir a guarda pra eles, pra eles se sentirem, sabe, que eles fazem parte, que a escola é deles, né, é pra eles, que a gente só tá (sic) aqui por conta deles, e de abrir pras coisas que eles gostam. Eles gostam de música, eles gostam de dança, eles gostam de teatro, então vamos abrir, né, pra esse lado, incentivar esse lado, pra ver se a gente consegue arrebanhar mais (LISPECTOR, 2015).

A gestora acredita que os alunos precisam se sentir parte da escola, que a escola é deles. Vê na arte uma possível solução para o aluno se envolver com o ambiente escolar. Nota-se também um discurso religioso com a abertura dos portões para um grupo de jovens ligados à igreja quadrangular:

Nas quartas-feiras nós temos aqui na escola uns meninos que são da igreja quadrangular, e eles pediram pra mim um espaço, isso que eles chamam de célula, sabe? E aí nesse momento eles usam a sala 18 que é uma sala maior

que eu tenho, e aí, né, os meninos que querem vão pra lá. Aí eles falaram assim: ―Ah, com essa questão da rádio a gente pode de repente abrir‖. Eu falei assim: ―nada impede que vocês abram‖, de repente vai aumentando, porque já aumentou muito o grupo. E eu, né, toda quarta-feira que eu tô (sic) aqui, vou lá, participo do grupo deles, e eles rezam, mas eles cantam, eles dançam, sabe e... não sei, de repente, acho assim, não sei se é a solução, mas abrir mais essa guarda pra eles, abrir pra eles... Acho assim que quando a gente, qualquer um, quando você se sente parte de uma ação, de um projeto, você se sente responsável por aquilo. Então, de repente, eles fazendo parte, né, utilizando a rádio, utilizando mais a quadra, até final de semana, o espaço físico da escola e aí se sintam mais responsáveis. E aí na reunião eu falei pra eles: ―gente, mas não se esqueçam que o nosso, o foco de vocês tem que ser os estudos, vocês precisam estudar...‖ (LISPECTOR, 2015).

O fato da escola abrir os portões para jovens ligados a determinado grupo religioso esbarra na questão da laicidade do Estado. Não sendo nosso objetivo ampliar esta discussão, deixamos aqui o questionamento sobre até que ponto a escola pública deve ou não incentivar projetos desta natureza e como isso vai refletir na formação dos sujeitos.

O que evidenciamos nestes discursos foi a tentativa da diretora de aproximar o aluno do contexto escolar, fato que identificamos como estratégia utilizada pela escola na difícil tarefa de trazer o jovem para a escola.

Outro ponto que destacamos foi a utilização da rádio escolar pelos alunos, projeto que tem sido visto como efetivo nesta relação escola x aluno. Uma questão interessante é que o espaço onde funciona a rádio lembra uma espécie de prisão (Figura 5): um pequeno cômodo, uma salinha que comporta apenas uma pessoa, situada dentro de outra sala maior, onde funciona a secretaria. Este espaço foi adaptado para o funcionamento da rádio. Apesar da estrutura disciplinar, este cômodo tem sido utilizado de uma outra forma pelos alunos, os quais puderam ter a oportunidade de experimentar outras possibilidades dentro do contexto escolar.

Desta forma, outros discursos vão se constituindo no cenário escolar, no entrelaçamento entre o velho e o novo, entre a estrutura disciplinar arcaica e a movência da sociedade de controle. Apesar destas ressignificações e de algumas mudanças observadas na relação escola x aluno, a velha escola parece não mais fazer sentido e, caso não se adapte aos novos tempos, corre o risco de ser esquecida para sempre.

Figura 5: A rádio Fonte: A autora

Sibilia (2012) aponta que os muros escolares precisam ser repensados, a escola precisa reformular de forma radical seu velho dispositivo pedagógico. Esta autora vê a educação à distância como uma possível solução, porém, há que se lembrar que esta modalidade vem sendo destacada e mesmo bem sucedida no ensino superior, apesar de questões como o vínculo entre professor e aluno ser considerado um ponto importante na aprendizagem. Já no ensino médio, a educação à distância evoca outras questões, como a socialização dos adolescentes como fator essencial para a formação do jovem, e o fato do adolescente ter um lugar pra ficar enquanto seus pais trabalham.

Diante do imperativo das inovações tecnológicas e do surgimento das sociedades do conhecimento e da informação, as escolas vêm sendo pressionadas a se adequarem às novas condições colocadas por um contexto econômico e social cada vez mais seletivo. É preciso formar um aluno cada vez mais adaptado aos imperativos tecnológicos e mercadológicos. A questão que se coloca é se a escola tem refletido sobre todas estas mudanças, bem como sobre o tipo de formação que nossos adolescentes têm recebido.

No próximo capítulo veremos como a instituição vem tratando estas questões e que sentidos vêm sendo dados à educação e ao trabalho, levando em conta todas estas transformações.

4 – EDUCAÇÃO, TRABALHO E ASCENSÃO SOCIAL:

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