CARACTERISATION EXPERIMENTALE ET SIMULATION
4.1.2. Essais de caractérisation
Depois da construção da habitação, deverá ser determinado o seu nível de qualidade, de acordo com as exigências estabelecidas durante a fase de conceção e projeção, de forma a garantir e averiguar o cumprimento do nível de qualidade estipulado. A definição do grau de qualidade pretendido poderá ser realizada através de um método de avaliação de qualidade (ex.: método Qualitel descrito no capitulo anterior).
Logo após o momento em que é construído e inicia a sua fase de exploração, começa o processo de degradação da habitação e consequentemente também a necessidade de manutenção.
O uso inadequado dado à habitação e a cada um dos seus elementos acelera o processo de degradação, podendo em alguns casos ser diretamente o próprio responsável pelo surgimento de anomalias. Por outro lado, a falta de manutenção e intervenção em caso de correção de anomalias também provoca o seu agravamento. Deste modo, é necessário promover a prevenção e disponibilizar um Plano de Utilização e Manutenção com o objetivo de assegurar uma maior durabilidade e dentro do nível de desempenho projetado.
A construção e projeção de uma habitação tem de ser feita de acordo com o estabelecimento da sua qualidade a longo prazo, e não pensando apenas em soluções a curto prazo e alcance. Dado o facto de estas habitações serem a custos reduzidos, é essencial contribuir para a manutenção da sua qualidade, facultando aos seus habitantes instruções de utilização e manutenção que estes possam seguir, evitando custos de reabilitação maiores e porventura incomportáveis no futuro, que não executados conduziriam à destruição da habitação.
Desta forma uma medida importante para minimizar a quantidade e a necessidade de manutenção durante a utilização de um edifício começa logo na fase de estudos e projeto, através da seleção de materiais e soluções construtivas adequadas, previsão do comportamento do edifício em serviço e elaboração de manuais de utilização e manutenção.
É importante saber e consciencializar os habitantes que os benefícios que advém da manutenção e conservação das habitações justifica largamente os custos que o seu desenvolvimento implica. Em muitos casos, o uso e utilização adequada dos espaços, elementos construtivos e instalações, supõem, sem custo económico nenhum, aumentar a vida dos edifícios e das suas instalações, contribuir para a melhoria do meio envolvente, conseguir melhores níveis de conforto e economia nos consumos água e energia (Oliva, 2001).
ORIENTAÇÕES PROPOSTAS Orientações para a Utilização
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O Plano de utilização deverá compreender as instruções e recomendações para o uso de todos os espaços privados (dentro da habitação) e comuns (caso se trate de um edifício multifamiliar), para o desenvolvimento das várias atividades, elementos construtivos e instalações, definindo-se as descrições e definições dos elementos e componentes dos mesmos, as limitações de uso e proibições correspondentes, as precauções e previsões a ter em conta, os produtos recomendados para a limpeza de determinados elementos e, em suma, todas as medidas necessárias para (Oliva, 2001) :
Evitar patologias;
Melhorar o conforto, a salubridade e a segurança; Promover a poupança de água e energia;
Propiciar diminuição de custos na manutenção, entre outros.
Este Plano é direcionado aos seus habitantes, sendo de extrema importância, pois, para além de não implicar custos, proporciona o bom uso da habitação, que por si só ajudará a diminuir a necessidade de manutenção corretiva e os seus custos associados.
No Plano de Manutenção são delineadas, de forma sistemática e ordenada, as instruções de manutenção e conservação dos elementos construtivos e instalações, estabelecendo-se a periodicidade e frequência das inspeções a realizar, as pessoas encarregadas de as efetuar, os elementos e aspetos a verificar, as atuações e monitorização a efetuar na manutenção, limpeza, tratamento ou reparações. Estes devem ser feitos para todos os elementos construtivos e instalações consideradas no Plano de Utilização, como também, em determinados casos relativos a instalações concretas, devem ser formuladas as advertências prévias pertinentes.
A manutenção deve começar no mesmo dia em que se ocupa a habitação. É certo que a manutenção origina gastos, mas os usuários conscientes da sua condição deverão pensar que, na realidade, estão a fazer uma inversão para evitar incorrer a curto prazo, em gastos muito maiores e, porventura, em responsabilidades legais (Oliva,2011).
De acordo com o exposto na ISO 15686-1:2000, Manutenção é a combinação de todas as ações técnicas e administrativas para que o edifício e os seus elementos desempenhem, durante a vida útil, as funções para as quais foram concebidos.
Existem diversos tipos de manutenção, tal como indicado na figura seguinte:
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A manutenção preventiva é programada no tempo e prevê o conhecimento do tipo das atividades de manutenção planeada. As operações típicas deste tipo de manutenção são as inspeções periódicas, a limpeza técnica. A conservação de uma construção depende do desempenho de cada um dos seus elementos, pelo que a tarefa de inspeção deve debruçar-se sobre todas as partes de um edifício. Assim, a inspeção periódica deve ter por objectivo a recolha de informação relativa ao estado de degradação do edifício, através da realização de um check-up, de forma a impedir a evolução das anomalias detetadas, pela adoção de medidas de atuação adequadas a cada anomalia (Sousa et al., 2003).
Em Anexo (Anexo C) encontram-se expostas ideias base a ter em consideração num plano de utilização (Tabela C1) e manutenção (Tabela C2) de uma habitação.
A frequência proposta determina os períodos de tempo recomendados, que se devem entender como aproximados segundo margens de tolerância admissíveis. Quando se propõe que a frequência seja permanente, não significa que se deverá estar constantemente a inspecionar e rever as condições indicadas, mas sim advertir especialmente a todos os habitantes sobre a necessidade de prestarem maior atenção e vigilância a respeito das anomalias e aspetos de maior relevância indicados, e que não detetadas poderão provocar danos e prejuízos consideráveis.
A manutenção preventiva proposta é feita através das ações de inspeção recomendadas, de forma muito sucinta. Estas por sua vez, são as ações de vigilância e revisão em determinados elementos da habitação, a levar a cabo nos períodos de tempo propostos, e pelas entidades referidas (habitantes, técnicos competentes, empresas responsáveis).
As atuações indicadas são as ações que deverão ser tomadas em caso de deteção de anomalias aquando da inspeção, que em alguns casos serão obrigatórias como a limpeza. No caso da deteção de anomalias por parte dos habitantes, as atuações a tomar quando de maior especificidade deverão ser executadas por entidades e técnicos competentes para tal.
As ações de limpeza, apesar de serem de manutenção preventiva, foram consideradas no plano de utilização, visto anteriormente que uma utilização adequada também poderá ajudar na manutenção preventiva.
Tal como referido, as recomendações propostas são apenas ideias base, que deverão ser desenvolvidas e adaptadas ao tipo e características da habitação e habitantes em causa.
DISCUSSÃO DE RESULTADOS Benchmarking
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