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Essais sur éprouvettes avec un seul axe de chargement

I.2. Moyens d’essais de fatigue équibiaxiale

I.2.2. Essais sur éprouvettes avec un seul axe de chargement

A pesquisa de Girard (1981/1964) revelava a importância decisiva da proximidade espacial na França da década de cinquenta. Em metade dos casais inquiridos, os cônjuges residiam no mesmo município (commune) antes do casamento. Entretanto, o aumento da mobilidade geográfica e o decréscimo das actividades ligadas ao campo levaram Bozon e Héran (1987b) a supor que a proximidade geográfica se impusesse com menos vigor na década de oitenta. A verdade é que, apesar do decréscimo observado entre o inquérito aos casais formados entre 1914 e 1959 (Girard, 1981/1964), por um lado, e o inquérito aos casais formados entre 1960 e

1983 (1987b), por outro, as elevadas proporções de casais constituídos por cônjuges que

nasceram no mesmo município e de casamentos entre residentes no mesmo município renovava

a conclusão do inquérito de Girard: a distância geográfica permanecia um obstáculo à escolha do cônjuge.

Em Portugal, a recomposição da estrutura sócio-profissional que caracteriza as últimas décadas decorreu em paralelo com o fenómeno das migrações com destino, até meados da década de setenta, às áreas metropolitanas do Porto e Lisboa mas progressivamente, a partir dos anos oitenta, a outras cidades de grande e média dimensão fora dessas áreas. Como observa J. Ferrão, “a lógica de rede, de multipolaridade, vai-se gradualmente articulando (substituindo?) às lógicas anteriores, de forte pendor dicotómico (campo vs. Cidade, Norte vs. Sul, litoral vs. Interior), traduzindo-se por configurações territoriais em arquipélago” (1996: 187). Atendendo a este cenário de mobilidade, em que medida a distância geográfica constitui um obstáculo na escolha do cônjuge? Utilizando como unidade de referência o distrito em que nasceram e residiam os parceiros, é possível observar que a esmagadora maioria das inquiridas (86,0%) residia no mesmo distrito que o cônjuge antes de terem iniciado a vida a dois1, tendo

dois terços (66,2%) nascido no mesmo distrito que o seu parceiro (quadro n.º 4.7).

Quadro N.º 4.7 Distância geográfica entre cônjuges à nascença e antes da vida conjugal

(em percentagem)

À nascença Antes da vida conjugal

N % N % No mesmo distrito 1175 66,2 1528 86,0 Em distritos diferentes 436 24,5 175 9,9 Outras situações2 165 9,3 73 4,1 Total 1776 100,0 1776 100,0 No mesmo concelho 888 50,0 1231 69,3 Em concelhos diferentes 525 40,8 472 26,6 Outras situações 163 9,2 73 4,1 Total 1776 100,0 1776 100,0

1 Solicitou-se às inquiridas que indicassem a sua residência e a do seu cônjuge no tempo em que namoravam. 2 Esta categoria envolve todas as situações em que um ou ambos os cônjuges residiam, ou nasceram, fora dos país

Uma análise mais detalhada, recorrendo ao concelho como unidade de referência, permite revelar que sete em cada dez uniões conjugais (69,3%) é constituída por indivíduos que residiam no mesmo concelho antes do início da vida conjugal e que metade das inquiridas (50,0%) nasceu no mesmo concelho que o seu cônjuge.3 Afinal, só uma pequena proporção (14,8%) de

inquiridas casou com um homem que nasceu a seis ou mais concelhos de distância, sendo praticamente residual a proporção (4,2%) das que residiam a seis ou mais concelhos de distância do seu parceiro antes da vida conjugal (quadro n.º 4.8). Grosso modo, se se levar em linha de conta a crescente possibilidade de muitos percursos individuais serem marcados pela mobilidade espacial, nomeadamente em direcção aos grandes centros urbanos, compreende-se que as proporções relativas à homoctonia4 sejam bastante inferiores às dos casamentos entre

residentes no mesmo concelho antes da vida conjugal.

Quadro N.º 4.8 Homogamia geográfica em função dos locais de nascimento e de residência antes da vida conjugal (em percentagem)

Os cônjuge nasceram... Antes da vida conjugal, os cônjuges residiam... N % %

acumulada N % % acumulada

No mesmo concelho 888 50,0 50,0 1231 69,3 69,3

Em concelhos adjacentes 261 14,7 64,7 289 16,3 85,6

Num raio de dois a cinco concelhos de distância 202 11,3 76,1 108 6,1 91,7

Num raio de seis ou mais concelhos de distância 262 14,8 90,8 75 4,2 95,9

Outras situações 163 9,2 100,0 73 4,1 100.0

Total 1776 100,0 1776 100,0

Estes resultados são suficientemente esclarecedores da importância global que a proximidade geográfica assumiu na escolha do cônjuge entre as inquiridas, pois da elevada frequência de casamentos entre mulheres e homens nascidos no mesmo concelho - bem como

3 O método que adoptámos para identificar a proximidade geográfica ao nível do concelho consistiu num cálculo de

distância com base em mapas com uma desagregação correspondente, avaliando-se posteriormente a distância entre os concelhos, registando o número de círculos de concelhos que separava o concelho de nascimento da mulher do concelho de nascimento do homem no mapa do Continente com uma desagregação por concelhos. Os mapas consultados estão incluídos no volume do Instituto Nacional de Estatística, Nomenclaturas Territoriais –

Designações e Códigos, Série Normas n.º 22, 1998.

4 A homoctonia diz respeito às uniões conjugais em que os parceiros nasceram no mesmo contexto geográfico: no

do facto de a maioria das escolhas recair sobre um parceiro residente no mesmo concelho - se induz uma inclinação generalizada para casar dentro de apertados limites geográficos. Pode então dizer-se que, na escolha do cônjuge, a proximidade geográfica adquire uma relevância equiparada ou até superior à da proximidade sócio-profissional. É, aliás, reconhecida a frequência com que a homogamia geográfica surge articulada à homogamia sócio-profissional, como resultado da natureza endogâmica5 que caracteriza o processo de escolha do cônjuge em

determinados contextos – nomeadamente entre os grupos menos qualificados ligados ao campo e/ou à indústria (Almeida, 1998/1993; Lourenço, 1991; Pinto, 1985; Silva, 1998; Sobral, 1999; Wall, 1998)6. A título de exemplo, tendo como objecto de estudo as dinâmicas familiares num

contexto rural, K. Wall constatou na sua pesquisa que “os jovens sucessores que aceitaram ser incluídos na agricultura familiar e que não queriam estudar são os que melhor aceitam os “conselhos” homogâmicos e as pressões sociais que emanam do meio camponês. Em contrapartida, os que teriam gostado de estudar, parecem procurar, aproveitando um contexto onde as estratégias matrimoniais são reconhecidas como mais livres, aliar-se a outros grupos profissionais.” (1998: 249-250).

No entanto, será que a imposição da proximidade das origens geográficas na escolha do cônjuge se observa com o mesmo vigor em todos os grupos sócio-profissionais? Os dados revelam que a origem geográfica assume uma importância efectivamente mais decisiva junto dos meios menos favorecidos. A grande maioria das inquiridas que exercem actividades agrícolas (C, OA) ou industriais (OIQ, OINQ) e das domésticas casou com um homem nascido no mesmo concelho (quadro n.º 4.9). O mútuo conhecimento das famílias e as relações de vizinhança quer nas aldeias, onde encontramos uma população predominantemente agrícola ou pluriactiva, quer em bairros dos meios urbanos, onde, entre outros grupos sócio-profissionais, se concentra em particular o operariado da indústria, poderão explicar a tendência para a escolha recair sobre o conterrâneo.

No caso das camponesas, diversos estudos observaram que a homogamia geográfica não é alheia à própria homogamia sócio-profissional, sendo mais a primeira o resultado das estratégias da segunda do que o inverso. “Tratando-se de casamentos projectados com membros provenientes, já da própria freguesia, já de freguesias vizinhas”, refere M. C. Silva, “o risco de

5 A noção de “endogamia” refere-se aos casamentos no interior do grupo de pertença, supondo por isso da parte

dos parceiros “uma atitude de identidade e de reconhecimento recíproco” (Lourenço, 1991: 166).

6 Em particular, nas “classes rurais”, recordar C. Saraceno, “a homogamia tem muitas vezes como corolário a

endogamia, dado que a unidade patrimonial é constituída pela terra e por isso o/a cônjuge é procurado na mesma localidade, possivelmente com uma terra vizinha. A endogamia dos casamentos camponeses, facilitada aliás pelas dificuldades de comunicação entre aldeias, podia levar a casamentos entre consanguíneos e afins.” (1995/1992: 94).

‘mau casamento’ é limitado pelo conhecimento do(a) candidato(a) e, sobretudo, pelo controlo do volume de bens e demais elementos fulcrais que presidem às decisões de escolhas matrimoniais.” (1998: 210). Já no que toca às operárias industriais, entre as razões da proximidade das origens geográficas dos parceiros supõe-se a influência das redes informais – nomeadamente, redes de parentesco – que suportam a deslocação do operariado imigrante oriundo das zonas rurais. Quer o recurso a redes informais e a precariedade dos recursos disponíveis que marcam os percursos migratórios (Pires, 2003), quer a influência dessas redes na escolha de um cônjuge conterrâneo são realidades já cientificamente demonstradas. A título de exemplo, veja-se como os operários e as operárias do Barreiro “que migram solteiros acabam frequentemente por vir a escolher, na cidade, um parceiro da sua terra”. (Almeida, 1998/1993: 228).

Quadro N.º 4.9 Posição sócio-profissional da mulher no início da vida conjugal segundo distância a que nasceu do cônjuge (percentagem em linha)

Os cônjuges nasceram... No mesmo

concelho Em concelhos adjacentes

Num raio de dois a cinco concelhos de distância A seis ou mais concelhos de distância Outras situações Total ED/PIC 26,4 8,0 12,0 32,8 20,8 100,0 PTEI 41,2 7,8 13,7 19,6 17,6 100,0 IPP 34,6 19,2 15,4 17,3 13,5 100,0 C 71,1 20,5 3,6 3,6 1,2 100,0 EE 39,6 11,1 12,7 23,2 13,3 100,0 ENQ 50,0 13,8 10,8 13,1 12,3 100,0 OIQ 65,8 15,0 11,7 3,3 4,2 100,0 OINQ 59,3 22,2 10,7 5,3 2,5 100,0 OA 70,7 11,0 7,3 9,8 1,2 100,0 Domésticas 51,6 13,5 12,3 14,1 8,5 100,0 Outras situações 47,3 17,3 11,5 15,0 8,8 100,0 Total (n = 1776) 50,0 14,7 11,4 14,8 9,2 100,0 x2= 215,02; DF=40; p<,000 (cc=,33)

Se entre as mulheres com profissões industriais ou agrícolas a homogamia de concelho tende a acentuar-se, é precisamente o comportamento inverso que se observa entre as que exercem actividades qualificadas. Enquanto que a grande maioria das primeiras casa com um homem que nasceu no mesmo concelho que o seu, a proporção homóloga entre as mulheres com profissões mais qualificadas (ED/PIC) reduz-se a pouco mais de um quarto (26,4%). Por outro lado, quase

um terço destas mulheres casou com um homem que nasceu a seis ou mais concelhos de distância (32,8%). Inclinação semelhante se constata junto das mulheres com profissões técnicas ou entre as empregadas executantes: duas em dez destas inquiridas casou com um homem que nasceu a, pelo menos, seis concelhos de distância. Este alargamento da área de escolha do cônjuge junto das inquiridas mais qualificadas e com profissões ligadas ao terciário não pode deixar de ser interpretado à luz de um contexto marcado pela mobilidade geográfica rumo aos grandes centros urbanos, onde tende a concentrar-se a oferta deste tipo de actividades profissionais, sendo de realçar que estas mulheres são provavelmente menos confrontadas com a diversidade de constrangimentos que conduzem as inquiridas pouco qualificadas a casar com o conterrâneo. Por outras palavras, os dados indicam claramente que a

importância da proximidade das origens geográficas se atenua bastante entre as mulheres com profissões mais qualificadas e ligadas aos serviços.

Perante a constatação desta associação entre a atenuação da proximidade das origens geográficas e as qualificações da mulher não se estranha então que a homogamia geográfica seja apanágio das mulheres que se casam mais cedo. De facto, a clara maioria das mulheres que iniciaram a vida conjugal antes dos vinte e cinco anos casou com um homem que nasceu quanto muito no concelho vizinho, sendo que mais de metade vive com um homem que nasceu no mesmo concelho (quadro n.º 4.10). Por sua vez, não pode dizer-se que os casamentos entre conterrâneos sejam raros entre aquelas que iniciaram a vida conjugal depois dos vinte e cinco anos, mas a proporção destas uniões vai pouco além dos quatro casamentos em cada dez, evidenciado-se, no caso daquelas que começaram uma vida a dois na segunda metade da casa dos vinte anos, o facto de praticamente duas em cada dez uniões (19,3%) se concretizar com um homem que nasceu num concelho bastante distante, isto é, a seis ou mais concelhos de distância do seu. A este propósito, uma vez que estamos aqui mais frequentemente perante mulheres que adiaram o início da vida conjugal em virtude da sua aposta numa escolaridade superior, a interpretação mais plausível consiste então no alargamento do mercado matrimonial para além do seu contexto de origem, alargamento esse que a própria frequência do meio universitário proporciona. Já a probabilidade de um adiamento do início da vida conjugal em virtude de um prolongamento dos estudos parece ser menos plausível entre as mulheres que começaram uma vida a dois mais tarde, na casa dos trinta anos. Confrontadas já com constrangimentos inerentes à própria lógica de evolução do mercado matrimonial, estas mulheres destacam-se pela sua ambivalência: por um lado, são de longe aquelas que mais casam com um homem de um concelho vizinho (29,1%); por outro, não deixam de se destacar por casarem com homens que nasceram a seis ou mais concelhos de distância (16,4%). De

resto, quando não se trata da primeira conjugalidade, os padrões matrimoniais alteram-se bastante também no que respeita ao peso da proximidade geográfica: menos de três em cada dez mulheres (28,1%) que já tinham tido uma vida conjugal à data do inquérito é casada com um homem que nasceu no mesmo concelho, e apenas uma em cada dez (10,4%) vivia com um homem nascido num concelho vizinho.

Quadro N.º 4.10 Distância geográfica entre os cônjuges antes da união segundo perfil conjugal e idade da mulher no início da vida conjugal (percentagem em linha)

Antes da vida conjugal, os cônjuges residiam... Total No mesmo concelho Em concelhos adjacentes cinco concelhos de Num raio de dois a

distância A seis ou mais concelhos de distância Outras situações % N 19 anos ou menos 55,3 13,8 11,6 11,6 7,7 100,0 441 20-24 anos 52,3 15,2 10,4 13,8 8,4 100,0 930 25-29 anos 42,5 13,0 11,8 19,3 13,4 100,0 254 Primeira união conjugal 30 ou mais anos 41,8 29,1 7,3 16,4 5,5 100,0 55 No mínimo, segunda união conjugal 28,1 10,4 20,8 26,0 14,6 100,0 96 Total 50,0 14,7 11,4 14,8 9,2 100,0 1776 x2= 61,23; DF=16; p<,000 (cc=,18)

À associação entre a atenuação da proximidade das origens geográficas com as qualificações da mulher e a idade da mulher no início da vida conjugal acresce, por outro lado, uma propensão das mulheres mais escolarizadas para conhecer um homem que reside para além do seu concelho ou de um concelho adjacente. Com efeito, quase metade das inquiridas já licenciadas no início da vida conjugal casou com um homem que residia a dois ou mais concelhos de distância do seu (quadro n.º 4.11). Pelo contrário, a proximidade espacial na escolha do cônjuge torna-se um factor mais decisivo à medida que nos aproximamos das mulheres com menos escolaridade, sendo que a maioria das inquiridas que não tinha escolaridade (53,9%) ou que possuíam apenas o ensino primário (59,3%) no início da vida conjugal casou com um homem que também residia no seu concelho. Em suma, a proporção de casamentos entre indivíduos que residam no mesmo concelho antes do início da vida conjugal decresce progressivamente à medida que se elevam os recursos escolares da mulher, pelo que este tipo de uniões conjugais não chega a representar um terço das uniões (30,6%) das mulheres licenciadas.

Quadro N.º 4.11 Distância geográfica entre os cônjuges antes da união segundo escolaridade da mulher no início da vida conjugal (percentagem em linha)

Antes da vida conjugal, os cônjuges residiam... Total No mesmo

concelho Em concelhos adjacentes

Num raio de dois a cinco concelhos de distância A seis ou mais concelhos de distância Outras situações % N Licenciatura ou grau superior 30,6 4,1 16,3 28,6 20,4 100,0 49

Ens. médio/ Lic.

incompleta 27,9 11,7 7,2 28,8 24,3 100,0 111 Ensino secundário 41,2 8,5 14,6 17,6 18,1 100,0 199 Ens. preparatório/ básico 47,1 14,1 12,6 16,6 9,6 100,0 573 Ensino primário 59,3 16,6 10,3 9,9 3,8 100,0 686 Sem escolaridade 53,9 21,1 9,2 9,2 6,6 100,0 76 Total 49,9 14,3 11,5 14,8 9,4 100,0 1694 x2= 158,81; DF=20; p<,000 (cc=,29)

Finalmente, averiguemos até que ponto os diversos contextos geográficos traduzem diferentes inclinações no que toca à escolha do cônjuge. O facto de se concentrar nos grandes centros urbanos a oferta de profissões qualificadas e ligadas ao terciário leva a supor que sejam as residentes nesta região antes do início da vida conjugal quem menos se inclina para casar com um homem nascido no mesmo concelho (quadro n.º 4.12). Com efeito, entre estas mulheres, a proporção das que casaram com um homem que nasceu a, pelos menos, seis concelhos de distância (32,9%) supera a própria homogamia de concelho (31,7%). Já entre as que residiam num concelho da Área Metropolitana do Porto (AMP), se não deixa de ser significativo que duas em cada dez (19,8%) viva em união com um homem que nasceu entre dois a cinco concelhos de distância, prevalecem aqui as uniões entre nascidos no mesmo concelho (49,1%) ou em concelhos adjacentes (18,1%).

Quadro N.º 4.12 Área de residência da mulher antes da vida conjugal segundo distância a que nasceu do cônjuge (percentagem em linha)

Mulher e cônjuge nasceram...

Mulher residia...

No mesmo

concelho Em concelhos adjacentes Num raio de dois a cinco concelhos de distância A seis ou mais concelhos de distância Outras situações Total

Num concelho da AML 31,7 8,4 12,9 32,9 14,1 100,0

Num concelho da AMP 49,1 18,1 19,8 7,8 5,2 100,0

Num concelho com 100.000 ou mais

habitantes fora da AML e da AMP 67,8 11,9 6,3 7,7 6,3 100,0

Num concelho com 50.000-99.999

habitantes fora da AML e da AMP 63,9 15,6 8,9 6,3 5,2 100,0

Num concelho com 10.000-49.999

habitantes fora da AML e da AMP 55,2 19,1 10,1 10,7 4,9 100,0

Num concelho com menos de 10.000

habitantes 57,9 19,8 7,1 9,5 5,6 100,0

Total (n = 1678) 50,9 15,0 11,4 15,1 7,6 100,0

x2= 258,93; DF=20; p<,000 (cc=,37)

No entanto, no que toca aos constrangimentos da distância geográfica na escolha do cônjuge, o perfil das residentes na AML contrasta mais fortemente com o das habitantes nos concelhos exteriores às áreas metropolitanas. Com efeito, independentemente da densidade demográfica do concelho, a grande maioria das inquiridas que residiam fora das grandes áreas metropolitanas antes de viver em conjugalidade casou com um homem que habitava no mesmo concelho ou num concelho adjacente. Uma observação da composição sócio-profissional dos diversos contextos geográficos permite compreender em parte estas diferenças. O facto de a homogamia de concelho se observar menos entre as residentes na AML - dando mesmo lugar ao casamento entre parceiros nascidos a vários concelhos de distância - não parece alheio ao próprio perfil da região, que se destaca pela presença de profissões qualificadas e ligadas ao terciário (quadro n.º 4.13). No que toca à AMP, se a significativa presença das profissionais técnicas e das empregadas executantes pode fornecer pistas para explicar a inclinação heterogâmica para casar com homens nascidos a vários concelhos de distância, o forte peso de operárias industriais nesta área metropolitana também deverá elucidar quanto à preponderância das uniões entre parceiros nascidos no mesmo concelho ou em concelhos adjacentes. Por sua vez, quando se observa a acentuação da homogamia geográfica nos concelhos de maior

dimensão (mais de 100.000 habitantes) há que ter em conta a forte presença do operariado da indústria nestes contextos urbanizados. Já nos concelhos de pequena e média dimensão, a acentuada homogamia geográfica poderá também explicar-se pelo perfil sócio-profissional das residentes nestes concelhos: domésticas, mulheres no segmento menos qualificado da indústria (no caso dos concelhos com 50.000 a 99.000 habitantes) e mulheres com actividades agrícolas (nos concelhos com menos de 50.000 habitantes).

Quadro N.º 4.13 Área de residência da mulher antes do início da vida conjugal segundo a sua posição sócio-profissional no início da vida conjugal (percentagem em linha)

Mulher residia...

ED/

PIC PTEI IPP C EE ENQ OIQ OINQ OA Domésticas Outras situações Total

Num concelho da AML 12,2 5,9 3,2 0,2 32,4 10,0 2,9 7,5 0,9 13,4 11,3 100,0

Num concelho da AMP 5,6 3,9 2,2 2,6 22,0 4,7 15,9 19,0 0,9 9,9 13,4 100,0

Num concelho com 100.000 ou mais habitantes

fora da AML e da AMP 8,4 2,1 1,4 3,5 9,1 7,7 18,2 22,4 2,8 11,9 12,6 100,0

Num concelho com 50.000- 99.999 habitantes fora da

AML e da AMP 4,1 0,7 2,6 7,8 10,8 6,7 6,3 24,9 1,9 24,5 9,7 100,0

Num concelho com 10.000- 49.999 habitantes fora da

AML e da AMP 5,4 1,3 3,4 7,7 12,4 7,3 4,1 8,8 10,9 24,8 13,9 100,0

Num concelho com menos

de 10.000 habitantes 4,0 1,6 4,0 9,5 11,9 5,6 2,4 5,6 12,7 24,6 18,3 100,0

Total (n = 1678) 7,2 2,9 2,9 4,8 18,4 7,4 6,9 13,3 4,9 18,6 12,7 100,0

x2= 436,31; DF=50; p<,000 (cc=,45)

Em suma, se é verdade que a distância espacial constitui um constrangimento na escolha do cônjuge, a proximidade das origens geográficas dos parceiros assume uma importância que se vai alterando em função dos grupos sócio-profissionais, retraindo-se junto das profissões qualificadas ou ligadas ao terciário, mas acentuando-se quer entre as mulheres com profissões menos qualificadas - ligadas ao campo ou à indústria - quer entre as mulheres domésticas. Os diferentes pesos da origem geográfica na escolha do cônjuge reflectem, afinal, os modos diferenciados como os actores sociais vivem o fenómeno da mobilidade espacial que, associada a movimentos migratórios rumo aos grandes centros urbanos, caracteriza as últimas décadas.

Mas se a importância das origens geográficas varia em função dos contextos sócio-profissionais, a proximidade espacial dos locais de residência antes da vida conjugal revela-se decisiva para a grande maioria das inquiridas - sete em cada dez mulheres casou, de facto, com um homem que residia no mesmo concelho que o seu – o que vem aproximar os nossos resultados das conclusões das pesquisas realizadas em França (Bozon, 1987a).