3.2 Finite Expansion Set
3.2.1 Pr´esentation
No presente capítulo, serão explicitados os meios de recolha de informação acerca das crianças em acompanhamento em contexto de sala e em intervenção psicomotora. Deste
modo, os instrumentos foram os processos clínicos, para os três grupos em acompanhamento em sala e o instrumento de avaliação psicomotora, somente para o grupo de intervenção psicomotora.
Nos processos clínicos estão presentes informações acerca do historial desenvolvimental, escolar e familiar de cada criança, bem como o seu percurso na instituição, e.g., as datas de todo o seu processo, desde a entrevista à família, a observação inicial à criança o início do apoio, as avaliações, entre outros. Assim, tais processos são de extrema importância para um conhecimento holístico acerca da criança, impossível de o ter apenas com o contacto direto em sala e/ou em intervenção psicomotora. O instrumento de avaliação de carácter psicomotor, utilizado na instituição, denomina-se Protocolo de Avaliação Psicomotora. Com este pretende-se avaliar o desenvolvimento psicomotor e posteriormente delinear objetivos de intervenção das crianças em apoio. O referido instrumento foi elaborado pelos técnicos de psicomotricidade que fazem e/ou já fizeram parte da equipa técnica. No ano letivo 2014-2015, o instrumento de avaliação foi aperfeiçoado pela técnica responsável pela intervenção na Casa da Praia em colaboração com a estagiária de segundo ciclo de Reabilitação Psicomotora. Desta revisão e aperfeiçoamento, resultaram adaptações referentes a algumas atividades, critérios de cotação e registos qualitativos.
Nesta recente versão estão presentes provas da Bateria Psicomotora de Vítor da Fonseca (1975 cit in. Fonseca, 2010) nomeadamente: passividade; paratonia; diadococinésias; sincinésias; imobilidade; equilíbrio estático; lateralidade; sentido cinestésico; lateralidade primária/cruzamento da linha média/projeção no espaço; organização espacial; estruturação dinâmica; representação topográfica; reprodução de estruturas rítmicas; e coordenação geral. Provas do ABC Movement de Henderson e Sugden (1992), tais como: equilíbrio dinâmico; percurso; e recorte. Do Body Skills de Werder e Bruininks (1988): coordenação oculomanual; coordenação oculopodal; e agilidade. Da Escala de Observação Somatognósica de Sousa (2001), nomeadamente a somatognosia (memória cinestésica). Do Teste de Avaliação da Motricidade Gnosopráxica Distal de Vaivre-Douret (1997), imitação de gestos. Do Teste de Conceitos Espaciais de Morato (1991), nomeadamente a prova dos conceitos espaciais básicos. Além destes testes e provas, foram elaboradas provas originais pela equipa técnica da Casa da Praia, tais como: identificação das partes do corpo; construção do puzzle do corpo; organização rítmica; e memorização rítmica. Tais provas foram selecionadas de forma a melhor avaliar
e responder às necessidades, características, dificuldades e problemáticas da população atendida na instituição.
O Protocolo de Avaliação Psicomotora compreende, assim, 31 provas, organizadas pelos sete fatores psicomotores, cotadas de 1 (valor mais baixo) a 4 (valor mais elevado), de acordo com a prestação da criança. De forma a obter o valor de cada fator psicomotor realiza-se a média aritmética dos itens englobados. Uma vez que, com o referido instrumento, se pretende avaliar o desenvolvimento de capacidades específicas das crianças e não comparar os resultados com as capacidades de outras crianças com igual idade cronológica, este instrumento é utilizado com referência a critério e não à norma, comparando a criança consigo própria, em dois momentos diferentes, sem comparar nem generalizar à população portuguesa. A aplicação do instrumento deverá ser realizada em duas partes, uma em sala e outra em ginásio, cada uma com aproximadamente 50 minutos. Contudo, dependendo da organização da instituição e disponibilidade da criança, poderá reduzir-se o tempo e prolongar-se os dias. O instrumento é aplicado no princípio da intervenção, de modo a definir os objetivos de intervenção de cada criança e no fim da intervenção, de forma a aferir os seus progressos. Contudo não é necessário, na avaliação final, aplicar todas as tarefas, mas sim apenas as que se encontram nos objetivos de intervenção. Importa mencionar que, em concordância com a responsável pela intervenção psicomotora da instituição, não foi aplicada a tarefa da representação topográfica, inserida no fator psicomotor estruturação espaciotemporal, às crianças que avaliei.
Na tabela 5, abaixo apresentada, encontram-se organizadas as provas inseridas no instrumento de avaliação, englobadas no correspondente fator psicomotor.
Tabela 5 - Apresentação das Provas Avaliadas em Cada Fator Psicomotor
Fatores Psicomotores Provas Avaliadas
Tonicidade Passividade Paratonia Diadococinésias Sincinesias Equilíbrio Imobilidade Equilíbrio Estático Apoio Retilíneo Apoio em Pontas dos Pés
Apoio Unipodal Equilíbrio Dinâmico Marcha Controlada
Salto Lateralização Ocular, Auditiva, Manual e Podal Noção do Corpo Identificação das Partes do Corpo
Somatognosia (memória cinestésica) Construção do Puzzle do Corpo
Imitação de Gestos Lateralidade Primária Cruzamento da Linha Média
Projeção no Espaço
Estruturação Espaciotemporal
Conceitos Espaciais Básicos Organização Espacial Estruturação Dinâmica Reprodução de Estruturas Rítmicas
Organização Rítmica Memorização Rítmica Praxia Global Coordenação Oculomanual Coordenação Oculopodal Coordenação Geral Agilidade
Praxia Fina Percurso
Recorte
De modo a avaliar o A.S., dadas as dificuldades sentidas se prenderem com a estruturação espaciotemporal, apenas se avaliou a criança nessa área. Porém, além de se aplicar as tarefas compreendidas, para tal, no Protocolo de Avaliação Psicomotora, houve a necessidade de se utilizar provas de outros instumentos de avaliação. Assim, foi elaborado e aplicado um questionário da estruturação temporal, disponível no Anexo D, visto não haver provas focadas apenas nesta área, dada a necessidade em verificar de que forma o A.S. dominava e se organizava perante os conceitos temporais. Este questionário foi elaborado por mim, visto ser a responsável pela intervenção com a criança, em colaboração com a orientadora local, responsável pela intervenção psicomotora na instituição e pela educadora responsável pela intervenção pedagógica-terapêutica do grupo onde a criança se insere. Deste modo, a sua elaboração teve como base e fundamento a psicomotricidade e a pedagogia terapêutica, com questões pensadas e que remetem para a individualidade da criança, focando-se em exemplos práticos da sua vida e dia-a-dia, de forma a verificar o seu funcionamento. Foi também aplicado o Subtest 2: Position in Space e o Subetest 5: Spatial Relations pertencentes ao Developmental Test of Visual Perception Versão Original de Hammill, Pearson e Voress (s.d.) e o Teste de Conceitos Espaciais de Morato (1991).
Quanto ao questionário, por mim denominado de Questionário da Estruturação Espaciotemporal, é composto por questões relativas aos momentos do dia, horas do dia, tempo (horas e minutos), dias da semana, meses, dias, anos, estações do ano, idade e etapas da vida. Do Subtest 2 (Hammill, Pearson e Voress, s.d.), tal como o nome indica,
pretende-se verificar se a criança apresenta uma adequada noção das imagens posicionando-as no espaço. Consiste, assim, na observação de 25 imagens isoladas, encontrando-a posteriormente englobada noutras cuja diferença é a posição espacial. No Subtest 5 (Hammill, Pearson e Voress, s.d.), pretende-se que a criança relacione as imagens no espaço, reproduzindo os exemplos mostrados. Nas 10 imagens, cada uma apresenta um retângulo dividido ao meio, estando desenhada numa metade uma figura unida por pontos e na outra metade apenas os pontos para que a criança desenhe a figura, relacionando-a no espaço. OTeste de Conceitos Espaciais de Morato (1991), é composto por dois sub-testes, um que avalia a frente/trás e outro que avalia a lateralidade (direita/esquerda), referente ao próprio corpo, à ação sobre os objetos, às deslocações no espaço e ao relacionamento de figuras.