Le 23 octobre 2020, la FDA a approuvé définitivement le REMDESIVIR comme traitement d'urgence des patients COVID-19 aux Etats-Unis, faisant du produit
II. LES FAITS COMMIS AU PRÉJUDICE DES PERSONNES REPRÉSENTÉES PAR L’ASSOCIATION RÉACTION 19 CONSTITUENT DES INFRACTIONS
II.1 LA VASTE ESCROQUERIE COMMISE EN BANDE ORGANISEE L’article 313-1 prévoit et réprime l’infraction d’escroquerie :
Em ambas as regiões, os golfinhos foram mais observados e forragearam mais durante o período da manhã. A preferência de uso do habitat durante o dia corrobora os resultados de GEISE (1999) para Cananéia - SP; HAYES (1999) para Praia de Iracema - CE; ARAÚJO et al. (2001), para Baía dos Golfinhos - RN; LODI (2002) para Baía de Paraty – RJ e SANTOS & LE PENDU (2007) para Baía do Pontal - BA.
Esses padrões horários podem ser determinados pela utilização de uma área para alimentação, descanso e socialização, pelo tamanho da área e variação diária na disponibilidade de presas devido à influência de variáveis ambientais, tais como corrente, direção do vento e influência das marés (GARCIÁ, 1998 apud REIS, 2002; DAURA-JORGE, et al., 2005).
(HAYES, 1999; ARAÚJO et al., 2001; SANTOS, et al., 2007). Além disso, a redução do volume de água proporciona uma maior densidade de presas. Essa relação entre diminuição de volume de água e o aumento na freqüência das atividades de alimentação é ainda mais evidenciada em decorrência durante a baixa-mar, na maré de quadratura.
REIS (2002), ROSSI-SANTOS (2006) e DOMIT (2006) verificaram em suas respectivas áreas de estudo, uma maior ocorrência de botos-cinza durante a maré enchente. As variações nas freqüências no uso de uma área em diferentes regimes de marés demonstram que esta espécie explora de maneira oportunista as direções e velocidades das correntes de maré, forrageando a favor ou contra o sentido das correntes em estuários, uma vez que as presas podem utilizar o sentido das correntes para entrar e sair do estuário atraindo os botos para as regiões (ROSSI- SANTOS, 2006). BONIN (2001) observaram que a entrada de grupos de botos-cinza em águas internas dos rios da Baía de Guaratuba (PR) coincidiu com os movimentos de cardumes de peixes na Baía.
A dispersão e densidade de recursos disponíveis em um ambiente variam espacial e temporalmente. Estas flutuações quantitativas e qualitativas produzem mudanças em relação ao que é consumido, influenciando o comportamento alimentar de vários mamíferos (OATES, 1987 apud DAURA-JORGE et al., 2004). Assim, variáveis abióticas podem influenciar diretamente variáveis bióticas, tais como distribuição e abundância de recursos alimentares, e, indiretamente, o comportamento de forrageio dos predadores (WURSIG & WURSIG, 1980).
A produtividade nos ecossistemas aquáticos depende dos efeitos cinegéticos dos fatores metereológicos, físicos, químicos e biológicos, que limitam ou estimulam a atividade dos organismos de base de cadeia, principalmente os planctônicos autotróficos, e conseqüentemente influenciam direta ou indiretamente toda a cadeia alimentar aquática (FLORES-MONTES, 2003; PASSAVANTE & FEITOSA, 2004).
A teia trófica compreende uma série de relações entre os diversos níveis da cadeia alimentar, podendo ser destacados o fluxo pelágico, que se inicia com o fitoplâncton e segue para os copepodos, decapodos e micidaceos, depois para pequenos peixes e posteriormente para grandes predadores; e o fluxo bentônico, que tem origem nos detritos e outras matérias orgânicas,
de organismos pelágicos quanto de bentônicos, e o consumidor no topo da cadeia é freqüentemente em ambos os fluxos o mesmo animal (VASCONCELOS-FILHO, 2001).
Na área estuarina da Bacia do Pina, FEITOSA (1988) verificou que as menores produtividade e biomassa fitoplanctônicas ocorreram no período de maior precipitação (inverno), proporcionando um maior carreamento de nutrientes continentais para o estuário. Como conseqüência, os teores de sais nutrientes e a turbidez foram elevados culminando na redução da camada fótica e, conseqüentemente, da produtividade fitoplanctônica. Assim, estima-se que a abundância de peixes também tenha sofrido uma redução, pois segundo NEUMANN-LEITÃO et al. (2004) é possível estabelecer uma relação estreita entre o índice pluviométrico e a produção de peixes, uma vez que, muitos destes se alimentam de seres fito e zooplânctônicos.
Os resultados obtidos nesse estudo parecem corroborar essa hipótese, uma vez que durante a estação chuvosa, as menores freqüências de forrageio no Porto do Recife estiveram correlacionados ao aumento na pluviometria, diminuição na salinidade, redução dos nutrientes dissolvidos e da quantidade de presas potenciais do boto-cinza. O inverso foi verificado durante a estação seca, na qual as atividades de alimentação do boto-cinza apresentaram uma tendência a aumentar conjuntamente com a diminuição dos índices pluviométricos, aumento da salinidade, dos teores de nutrientes dissolvidos e da disponibilidade de presas na região.
Embora se esperasse que com o aumento da pluviometria, a quantidade de nutrientes aumentasse devido à lixiviação continental, o ponto de coleta localizou-se na região mais externa do canal, onde ocorre a mistura da água do canal principal do estuário com a água do mar. Desta maneira, com o aumento do volume de água no canal principal, a concentração de sais minerais provavelmente foi diluída. De acordo com NEUMANN-LEITÃO et al. (2004), nos meses chuvosos, áreas costeiras pernambucanas próximas receberam influência da pluma estuarina dos Rios Capibaribe e Beberibe, contendo grandes concentrações de nutrientes e de biomassa fitoplantônica. Larvas de decápodes oriundas do estuário da Bacia do Pina foram predominantes na plataforma durante a estação chuvosa, uma vez que essas larvas servem de alimento para
1999), no Rio de Janeiro (LODI, 2002; AZEVEDO et al., 2005), em Santa Catarina (DAURA- JORGE et al., 2004).
DAURA-JORGE et al. (2004) verificaram que durantes as estações frias (outono e inverno) os botos-cinza percorreram uma área maior e se deslocaram mais intensamente. Os autores sugeriram que o aumento no requerimento espacial e nos deslocamentos seria necessário para compensar a ausência e/ou escassez de suas presas, principalmente aquelas dominantes.
A diminuição na ocorrência e na freqüência de forrageio durante o inverno e a ausência do botos-cinza no Porto nos meses de maio e junho, poderiam estar associada ao deslocamento desses animais do Porto para outras áreas costeiras com maior abundância de presas. Na Baía da Babitonga, o inverno e a primavera foram os períodos mais críticos, em termos de recurso alimentar, para as populações de botos-cinza e de toninhas (Pontoporia blaivillei). Assim, ambas as espécies responderam a esta situação dispersando e ampliando sua área de forrageamento. Já as estações de verão e outono apresentaram uma grande disponibilidade de recursos alimentares e as populações das duas espécies se mantiveram mais agregadas em áreas de concentração de presas (CREMER, 2007).
Das espécies de presas potenciais do boto-cinza analisadas, apenas a freqüência de pesca da tainha ou sauna (Mugil curema) apresentou uma correlação com a quantidade de eventos de forrageio ao longo dos meses. CREMER (2007) verificou que na Baía de Babitonga M. curema foi a presa de maior relevância, seguida de Micropogonias furnieri (corvina) e Diapterus rhombeus (carapeba). No Rio de Janeiro, as espécies mais representativas foram Trichiurus lepturus (peixe-espada), Porichthys porosissimus (Piramangaba) e Mugil sp. ocupou a 19º posição em relação ao índice de relevância (DI BENEDITTO et al., 2001).
Essa relação pode indicar que a tainha seja uma espécie de presa predominante na dieta do boto e que a distribuição, comportamento e abundância do boto seja influenciada pela disponibilidade desse recurso alimentar. Contudo, são necessários estudos sobre o conteúdo estomacal e ecologia alimentar do boto-cinza no litoral de Pernambuco para corroborar essa hipótese, pois muitas espécies que são importantes na dieta desse animal em outras regiões do País, tais como o peixe-espada (Trichiurus lepturus) e a carapeba (Diapterus rhmobeus), habitam
dados do CEPENE. Essas espécies, e talvez outras que componham a dieta do boto, não sejam alvos da pesca na região, porém representem grande relevância na alimentação dos botos.
Outro fator que pode ter influenciado na redução ou ausência de botos no Porto é a presença de tubarões. HAZIN et al. (2000) registraram a ocorrência de oito espécies de tubarão no litoral pernambucano, Carcharhinus acronotus (Flamengo); Carcharhinus plumbeus (Sucuri) Carcharhinus leucas (Cabeça-chata); Carcharhinus limbatus (Galha-preta); Carcharhinus porosus (Azeiteiro); Galeocerdo cuvier (Tigre); Ginglymostoma cirratum (Lixa) e Sphyrna lewini (Martelo). Os golfinhos são itens alimentares, tanto para o tubarão Cabeça-chata, quanto para o tubarão Tigre (COMPAGNO, 1984).
Várias espécies da família Carcharhinidae utilizam berçários, que são áreas geograficamente discretas dentro da distribuição da espécie, para onde as fêmeas migram por ocasião do parto, e onde os filhotes permanecem durante os estágios iniciais do ciclo de vida (CASTRO, 1993 e SIMPFENDORFER & MILWARD, 1993 apud GARLA, 2003). Os berçários normalmente são localizados em regiões costeiras com águas relativamente rasas e oferecem as vantagens seletivas de uma baixa taxa de predação, abundância de presas e hábitat apropriado para os jovens (MORRISSEY & GRUBER, 1993 e MERSON & PRATT, 2001 apud GARLA, 2003). Assim, o Porto do Recife constitui uma área com características atrativas para ser usada como berçários. De acordo com COMPAGNO (1984) o tubarão Cabeça-chata utiliza áreas estuarinas como berçários durante os meses de inverno. Além disso, HAZIN et al. (2000) capturou esses animais em áreas um pouco ao Sul da entrada do Porto, durante os meses de março (n = 1) e em junho (n = 3). Porém, estudos comparativos entre as freqüências de ocorrências dos botos-cinza e de tubarões são necessários para corroborar essa hipótese.
5.5. Uso da área do Porto do Recife para Forrageio.
nadando contra a corretenza, mergulhava e emergia com um peixe em sua boca. A autora denominou esse comportamento de “alimentação contra corrente” e sugeriu que as presas eram arrastadas para o predador devido à força das correntes. SIMÕES-LOPES (2005) relata a ocorrência dessa estratégia pelo golfinho-nariz-de-garrafa na Baía de Tramandaí.
Embora o maior número de eventos de forrageio no Porto do Recife tenha sido registrado em profundidades de 7 a 10 metros, não houve diferença significativa entre esta categoria e a de profundidades de 3 a 6 metros. Provavelmente, a maior ocorrência de forrageios em áreas mais profundas, seja devido a essas áreas se localizarem mais próximas à região de mar aberto, favorecendo a concentração de presas marinhas. Em Olinda, os comportamentos foram observados em profundidades de 3 a 5 metros. A preferência de utilização de botos variou com diferentes profundidades em várias regiões do Brasil. ANDRADE et al. (1987), verificaram que os botos ocorrem mais em áreas com profundidades maiores que 5 metros, REIS (2002) e AZEVEDO et al. (2005) relataram a preferência dos botos em águas de 6 a 12m e 10m, respectivamente. Contudo, SIMÃO & POLETTO (2002) constataram que os botos pescam mais nas áreas de profundidade maior que 10 metros durante todo o ano. A presença de espécies de presas tanto pelágicas quanto demersais na dieta do boto-cinza, demonstra que esse golfinho pode se alimentar em diferentes profundidades (DI BENEDITTO et al., 2001).
6. CONCLUSÕES:
Por ser uma área estuarina, com grande disponibilidade de recursos alimentares, o Porto do Recife constituiu um local muito utilizado pelos botos como área de forrageio, enquanto Olinda caracterizou-se como uma área de deslocamento dos botos-cinza entre regiões adjacentes, com atividades de forrageio ocorrendo de maneira oportunista.
Os botos-cinza apresentaram um repertório comportamental mais diversificado no Porto do Recife quando comparado a Olinda.
Houve uma preferência dos botos por direcionar as presas para regiões mais rasas e com presença de obstáculos, o que possivelmente proporcionou a diminuição da rota de fuga dos peixes e o amento no sucesso da captura.
As freqüências de atividades de forrageio sofreram influência de vários fatores ambientais em ambas as regiões, sendo mais freqüentes durante o turno da manhã e no verão. No Porto do Recife, a quantidade de forrageios foi influenciada indiretamente por variáveis ambientais, como a estação do ano, os estados de maré, a salinidade, o nível de precipitação pluviométrica e os teores de nutrientes inorgânicos dissolvidos e, diretamente, pela sazonalidade de ocorrência das presas que compõem a dieta dos botos.
Este trabalho constituiu um passo inicial para um melhor entendimento dos aspectos comportamentais e ecológicos do boto-cinza. Porém faz-se necessária a realização de mais estudos sobre a ecologia alimentar, o tamanho da população, o uso e fidelidade de áreas, bem como sobre padrões de deslocamento do boto-cinza no litoral de Pernambuco. Locais de grande importância para a alimentação, como o Porto do Recife, são consideradas como áreas-chave para a conservação de cetáceos. Assim, espera-se que as informações contidas nesta pesquisa forneçam subsídios para elaboração de planos de conservação e de gerenciamento costeiro da região, uma vez que desse habitat depende a sobrevivência da espécie estudada.