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Erreurs de compilation les plus fréquentes

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E. Erreurs de compilation les plus fréquentes

Como já referimos, esta tese apoia-se na mobilização de um conjunto de conhecimentos da área do turismo, em particular do turismo rural; dos estudos rurais, especificamente do

desenvolvimento rural; e dos estudos empresariais, nomeadamente do marketing.

Pensamos que o estudo acerca destes domínios poderá contribuir para a compreensão do argumento principal que esta tese coloca. Tal tarefa será levada a cabo através de uma abordagem que inclui então várias dimensões, nomeadamente a caracterização dos

promotores, a caracterização da oferta dos empreendimentos e (de acordo com o

referido) a análise das repercussões do desenvolvimento dessa oferta junto das

populações locais.

Como sabemos, o turismo rural é um objeto de estudo que, nas últimas décadas, tem vindo a adquirir uma importância particular na área do turismo, como testemunha o facto de assistirmos à publicação de um corpo bibliográfico significativo (e.g. Cánoves et al., 2004; Clark & Chabrel, 2007b; Komppula, Rhodri, & Marcjanna, 2007; Lane, 1994b; Leal, 2001; Middleton, 1982). Um dado relevante é que se trata de um fenómeno difícil de definir, já que se situa na intersecção de duas dimensões conceptuais: o turismo e o rural (Silva, 2006b).

No que toca ao primeiro conceito, sabemos que inclui diversos setores económicos (Cooper, Fletcher, Gilbert, & Wanhil, 2008), o que faz com que seja difícil apresentar uma definição clara e concisa do fenómeno. Com efeito, segundo Gilbert (1990), o que dificulta ainda mais a definição do turismo diz respeito à natureza excessivamente ampla do conceito e, também à diversidade de serviços que envolve. Para além dos setores económicos, o turismo também envolve outros setores não económicos (Middleton & Clarke, 2001), não possuindo, portanto, limites claros em função da vasta extensão de atividades que abrange.

Tendo presente estas considerações, julgamos que uma das definições que melhor ilustra a complexidade do conceito é a referida por Mathieson e Wall (1982). Na ótica destes autores, o turismo é (Mathieson & Wall, 1982, p. 1): “o movimento temporário de pessoas para destinos exteriores

ao seu lugar de trabalho e residência, as atividades desenvolvidas durante a estadia nesses destinos, e as facilidades criadas para satisfazer essas necessidades”. De facto, como advogam os autores em causa,

também as expectativas desenvolvidas pelos residentes das áreas de receção e os papéis desempenhados pelas agências e instituições que intervêm no setor.

No que toca ao turismo rural, apesar de também não existir uma definição universal do conceito (Kastenholz, 2002; Lane, 1994b), em termos genéricos, poder-se-á dizer que é o

turismo que se desenvolve nos espaços rurais (Lane, 1994b; Sharpley & Sharpley, 1997).

Ora, se já é difícil definir turismo, é ainda mais complexo definir turismo rural, já que o conceito de rural é também ambíguo. Por exemplo, ao nível do senso comum, o rural é habitualmente definido por oposição ao urbano, mas não existe uma linha de separação entre campo e cidade (Silva, 2006b), o que torna então a separação entre os dois territórios complexa.

Apesar destas limitações em termos conceptuais, importa referir que, foi na década de oitenta que começaram a afirmar-se procuras dirigidas aos espaços rurais, sendo este cada vez mais valorizado pela sua inerente variedade de habitats, paisagem e património humano (Clyptis, 1991; Middleton, 1982; Prentice, 1992). Foram (e são) geralmente mais apreciados os espaços tradicionais e as áreas pobres, que são também as mais marginalizadas e as mais vulneráveis económica e socialmente (Cavaco, 1995).

Ao mesmo tempo, a década de oitenta coincidiu com o agravamento dos problemas de muitas das áreas rurais, em particular no espaço europeu e em Portugal. Se para umas eram notórios os problemas ambientais que a produção desenfreada das décadas anteriores começava a causar, para outras, para as mais interiores, periféricas e fragmentadas, eram visíveis as faltas de oportunidades de trabalho e “condições de vida”, o agravamento das situações de pobreza e o abandono dos territórios (Cavaco, 1995). Daí que tenha sido sensivelmente, nesta altura, que começaram a evocar-se (mais do que em alturas anteriores),

novas formas de desenvolvimento dos meios rurais, em oposição ao desenvolvimento

agrícola vigente até aí, começando a argumentar-se que a vitalidade do mundo rural não deveria continuar a depender tão vincadamente dos resultados económicos da produção primária, mas antes do seu grau de “urbanização” e “integração” na sociedade, sendo por isso necessário um desenvolvimento rural de carácter mais endógeno (Garafoli, 1982) e, como tal, assente nas necessidades locais das próprias comunidades. Não obstante a agricultura continuar a desempenhar um papel importante no meio rural, sublinharam-se, nesta altura, as

recursos entre elas e a importância decisiva dos promotores das áreas rurais, agentes, capazes de ultrapassar a tradição agrária da população residente ativa (gestores do território, guardiões da natureza – recebendo salários sociais) e, noutros meios, agentes capazes de ocupar os vazios humanos deixados pela emigração e êxodo rural.

Neste contexto, começaram a combinar-se frequentemente propostas de valorização de produtos agrícolas (com qualidade reconhecida, e.g. produtos tradicionais, biológicos e caseiros) com planos de desenvolvimento do artesanato e de atividades ligadas à cultura e ao turismo. Na verdade, como setor transversal, global, de fronteiras fluidas, o turismo pode,

efetivamente, interferir nos tecidos económicos e sociais, nas dinâmicas demográficas e de emprego, no património natural e cultural, nos comportamentos das populações e na ocupação, ordenamento e funcionamento dos territórios (Cavaco, 1999a). É

justamente pelas razões acima apontadas que o turismo rural tem sido, um pouco por todo o lado, considerado agente de desenvolvimento rural e tem merecido atenção por parte de diversos estudos que se focalizam na relação entre turismo e desenvolvimento rural (e.g. Briedenhann & Wickens, 2004; Lane, 1994a; Sharpley & Vass, 2006; Susan & John, 2004) e na perceção dos respetivos impactos pela população local (e.g. Andereck, Valentine, Knopf, & Vogt, 2005; Ko & Stewart, 2002; Perdue et al., 1990).

No campo do turismo em áreas rurais, que compreende maioritariamente empresas de pequena dimensão, como os empreendimentos de TER, claramente, o sucesso destes está dependente do desejo e da capacidade dos empreendedores se empenharem nos planos de desenvolvimento turístico (Komppula, 2007) e desenvolvimento local e na criatividade usada para tal (Lordkipanidze, 2002). Mas o sucesso desses mesmos projetos está também dependente da habilidade para cativar e manter clientes satisfeitos (Levitt, 1986). Eles poderão não só voltar ao mesmo local, como também transmitir uma mensagem positiva acerca da estadia e tudo o que nela encontraram (Kotler, Bowen, & Makens, 2006). Com efeito, a procura de relações de qualidade baseada em clientes satisfeitos, leais e portadores de um

“passa-palavra positivo” é considerado um elemento chave para a diferenciação do negócio

(Castellanos-Verdugo, Oviedo-García, & Veerapermal, 2007). É neste contexto que o

marketing se torna fundamental no campo do turismo rural, como aliás o comprovam

Ao contrário do que muitos promotores de turismo rural ainda pensam, marketing não é sinónimo de publicidade. É antes uma filosofia, uma maneira de pensar e uma maneira de estruturar o negócio (aqui o turismo rural), no sentido de fornecer valor aos consumidores,

motivar a compra e satisfazer as suas necessidades (Kotler et al., 2006). Para tal, é

necessário articular uma série de procedimentos e ações, nas quais, se salientam desde logo, as relativas à oferta turística. Com efeito, é necessário pensar-se que, para além das atrações naturais (e.g. paisagem) e construídas (e.g. infraestruturas do empreendimento e da região onde está localizado), fazem parte da oferta uma série de outros elementos. Middleton e Clarke (2001) referem as relativas às atrações culturais, como a história, folclore e festividades locais e as atrações sociais: modo de vida e costumes dos residentes e oportunidades para encontros sociais. Para além disto, é necessário ainda manobrar eficazmente uma série de outros controles: comunicação, distribuição e preço.

Julgamos aliás, que a interdisciplinaridade do estudo constitui-se como aspeto

inovador, contribuindo certamente para a compreensão que o argumento desta tese coloca.

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