Na atualidade é fundamental que as organizações percebam a importância que o estilo de liderança assumido pelo líder tem no processo de motivação e satisfação de seus subordinados. Esse estímulo deve ser utilizado como ferramenta que possibilite o enfrentamento de uma variedade de desafios que exigem flexibilidade, habilidade e capacidade para lidar com as novas demandas de mercado.
As organizações e os seus líderes devem aprimorar condições e meios que desenvolvam a capacidade intelectual e criativa de seus liderados, assim como valorizar as ideias que possibilitem motivação e satisfação no ambiente de trabalho.
O conceito de liderança, estilo de liderança, motivação e satisfação, nas últimas décadas, adquiriu grande importância no cotidiano dos líderes, constituindo ações e objetivos a serem alcançados por todos. Além disso, tal conceito possibilita ações visionárias que atinjam metas e objetivos, fomentando assim, o sucesso organizacional.
Portanto, não há fórmulas, receitas formuladas ou subterfúgios que provoquem a motivação e a satisfação dos indivíduos, pois cada um traz consigo o fio condutor de motivação e satisfação. Resta aos líderes, então, saber trabalhar com as idiossincrasias de cada
139 sujeito, em busca de um ambiente saudável para que todos possam desenvolver suas atividades de forma motivada e satisfeita com o trabalho. Observa-se que as pessoas motivadas e satisfeitas desempenham suas atividades de forma mais eficiente, eficaz e com qualidade.
Na existência de uma liderança eficaz e eficiente, os líderes devem ser pessoas com bom potencial criativo, conhecedores de sua equipe de trabalho, participantes e que utilizem meios e artifícios para envolver sua equipe de forma que juntos possam construir um ambiente harmonioso e confiável no desempenho de suas atividades.
Ferraz (2010) referiu que no passado, as pessoas eram mantidas em estado de ignorância por seus líderes, a fim de facilitar a manipulação por intimidação e autoritarismo. Andrade, Moura e Torres (2010) salientaram que o cenário mundial requer flexibilidade de resposta e capacidade de rápida adaptação das organizações, principalmente, das lideranças para sobrevivere se manter competitivas. Dessa forma, os líderes devem ser capazes de adotar modelos mentais adaptados à realidade atual, devido às mudanças que ocorrem continuamente, decorrentes de demandas situacionais, internas e externas.
Essa investigação recomenda que o estilo de liderança desenvolvido pelo enfermeiro pode ser o elo primordial para a motivação e satisfação de seus liderados. Pode-se observar que, apesar da insatisfação que investigações desse tipo causam na instituição, os sujeitos da pesquisa se sentiam satisfeitos com seus líderes.
Dessa forma, é importante que as instituições, principalmente as de saúde, busquem líderes que apresentem um perfil profissional com capacidade de inovação, competentes, hábeis ao trabalhar com conflitos, bons ouvintes, comunicativos,que apresentem postura ético-profissional, sensibilidade e que tenham aporte também em seu desenvolvimento profissional e pessoal no interior da organização. Concomitantemente, os líderes devem promover um ambiente organizacional favorável,possível de se desempenhar as atividades de forma eficiente e com qualidade.
Portanto, os líderes devem criar estratégias, programas e treinamentos para manter seus liderados em condições de desenvolver seu potencial na instituição, assim como mantê- los em harmonia com o grupo de trabalho e instituição. Dessa forma, conseguirão fazer com que se mantenham motivados e satisfeitos, realizando suas atividades de forma mais confiante e com qualidade.
Pode-se refletir sobre a importância do tema, a saber,a liderança, estilo de liderança, motivação e satisfação na saúde e na enfermagem, influenciando a organização do trabalho. O
140 enfermeiro, ao cursar graduação em nível superior, sobretudo no Brasil, reconhece que uma de suas principais funções é administrar os serviços e a equipe de trabalho.
A proporção entre o número de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem no trabalho favorece e reafirma a tarefa de administrar os cuidados por meio da equipe, pois muitas vezes eles têm, por plantão de trabalho, dez ou mais técnicos e auxiliares para um enfermeiro líder da equipe.
De acordo com MELO (2004) muitos investimentos têm sido dispensados para recrutar, selecionar, avaliar e capacitar indivíduos para ocuparem posições de liderança. É sabido que dependendo das circunstâncias, os indivíduos apresentam tendências que levam a agir de um modo ou outro, conforme o contexto e as variáveis envolvidas. Dessa maneira, observa-se que os líderes poderão agir direcionando o comportamento dos liderados para o desenvolvimento de tarefas ou para o fortalecimento das relações interpessoais, seja por meio de um suporte incentivador, motivador ou de apoio ao indivíduo.
Os estudos acerca da liderança são fundamentados em diferentes abordagens. DAVEL, MACHADO e GRAVE (2001) esclarecem que as concepções e preferências metodológicas dos pesquisadores são fatores que influenciam a escolha da abordagem de liderança a ser investigada. As análises mais discutidas reconhecem a liderança como uma combinação de traços pessoais, com destaque ao comportamento do líder e aos motivos que permeiam a eficácia da liderança (BOWDITCH e BUONO, 2004; COVEY, 2002; GIL, 2008).
Satt e Cristello (2009, p. 30) afirmaram que “estudos revelaram que a motivação dos colaboradores é um fator que caminha junto com a produtividade, já que trabalhadores motivados e satisfeitos estarão mais predispostos para o trabalho”. Os mesmos autores ainda referiram que a “motivação é o resultado da interação do indivíduo com determinada situação”, portanto, ela surge de um desejo ou de uma necessidade que a pessoa tem de realizar alguma coisa.
MARTINS, KOBAYASHI, AYOUB E LEITE (2006) afirmaram que os estudos sobre satisfação no trabalho/emprego são muitos, no Brasil e no mundo e, abrangem diversas linhas de pensamento. Resultados de várias pesquisas identificaram como preceptores da satisfação no trabalho os conteúdos mentais do indivíduo, como crenças, valores, fatores relacionados à disposição, moral e possibilidade de desenvolvimento no trabalho. A satisfação profissional dos enfermeiros é fundamental para a manutenção da segurança e qualidade dos cuidados de enfermagem (AMENDOLAIR, 2012).
141 Portanto, poder-se-ia assegurar que apesar do exposto nesse estudo, existe a consciência de que há muito ainda a se dizer, porém essas páginas são muito pouco para tanto. Ficam aqui os registrospara os prováveis enfoques subsequentesque se fortaleçam e se fundamentem empiricamente.
6.2. LIMITAÇÕES
Para o desenvolvimento da investigação, evidenciaram-se algumas situações facilitadoras e outras limitantes. Dentre as facilitadoras não se pode deixar de mencionar a coordenação e orientação vinda da Universidade Trás-aos-Montes Alto Doro que sempre direcionou o foco da pesquisa dentro da linha de pesquisa escolhida, além de considerar o potencial de cada pós-graduando. Esse fator permitiu o amadurecimento e o esforço permanente do aluno de pós-graduação da UTAD para atingir sua produção científica com melhor qualidade e compromisso científico.
A primeira limitação foi com a aplicação dos instrumentos de coleta de dados, a falta de interesse da população selecionada em participar da pesquisa dificultou, pois foramreceptivos, mas demoraram em retornar com os instrumentos. Outra limitação foi o prazo limitado para aplicação do instrumento com uma amostra de 617 indivíduos, atravancando assim a aplicação dos instrumentos de coleta de dados.
Outra limitação foiarealidade vivenciada pelos pesquisadores que também deve ser lembrada como fator que interfere no andamento da pesquisa. Na atualidade, o cientista depende sobremaneira do fomento, de recursos, da disponibilidade e disposição do pesquisador.Nesse caso, a pesquisadora atua num hospital que se caracteriza como um ‘laboratório de ensino-pesquisa e extensão’, porém, o espaço para tais funções é priorizado aos professores da universidade e não aos técnicos-administrativos.
Desenvolver uma cultura de pesquisa fora do mundo acadêmico não é uma tarefa fácil, especialmente para profissionais com dedicação total aos cuidados de enfermagem. A pesquisa em enfermagem, em geral, ainda é muito restrita às universidades e os enfermeiros clínicos têm poucas oportunidades para desenvolver projetos de pesquisa.
Em primeiro lugar, como implantar programas de pesquisa em enfermagem? Para tanto, é necessário conhecer o passado acadêmico dos enfermeiros, assim como suas crenças e sua auto-eficácia em pesquisa, para adotar as estratégias mais apropriadas. Além disso, ainda
142 não há um consenso sobre o melhor modelo de treinamento e apoio à pesquisa, ou como engajar de maneira eficaz os enfermeiros clínicos na pesquisa. Desse modo, é necessário um programa abrangente e multifacetado para preencher essa lacuna entre pesquisa e prática (SILVA et al, 2012).
Outra limitação desse estudo deve-se ao fato de que o hospital estava passando por uma transição administrativa impactando, assim, a coleta de dados. A escala de serviço de um mês para o outro sofria várias modificações o que se tinha de servidor/funcionário numa escala já não conferia com a escala do mês seguinte.
6.3. RECOMENDAÇÕES
Os resultados da pesquisa indicam para o desenvolvimento de investigação com os mesmos objetivos, porém, em outras realidades, países e profissionais diversos.Publicar e divulgar a tese sãorecomendações éticas que possibilitam e viabilizam o repensar crítico, podendo transformar positivamente a realidade da liderança na equipe de enfermagem que atua em serviços de saúde.
Um estágio de Pós-Doutoramento para tratar do mesmo tema pode ser recomendável de modo a amadurecer a linha de pesquisa e divulgar no mundo científico esse interesse que, num olhar global, envolve várias áreas do conhecimento. As áreas da economia, administração, direito trabalhista, psicologia organizacional, saúde e educação são ciências que se encontram num olhar crítico-reflexivo sobre o tema a que sededicou: a liderança dos enfermeiros, a satisfação e motivação para o trabalho dos técnicos e auxiliares de enfermagem.
Ainda recomenda-se que os profissionais de enfermagem que realizaram o trabalho de modo eficiente, eficaz e com qualidade tenham em mente os seguintes aspectos:
a) O planejamento do trabalho, com definição das prioridades a serem tomadas; b) A construção e proposta de treinamentos periódicos;
c) Abusca de alternativas de trabalho educativo para os profissionais de saúde (enfermagem);o envolvimento de todos os profissionais de enfermagem no processo de trabalho, desde o planejamento à execução;
143 d) Aelaboração de critérios para admissões de novos profissionais de saúde
(enfermagem);a criação de estratégias para acompanhamento desses profissionais dentro do ambiente de trabalho procurando detectar o surgimento de alguma anomalia que possa vir a prejudicar a sua saúde e o seu trabalho junto aos pacientes;
e) Abusca de alternativas que envolvem todos os profissionais de saúde (enfermagem) no trabalho de forma harmoniosa.
A construção de uma nova realidade só tem força se criada em conjunto com os interessados, especialmente, os profissionais de saúde (enfermagem). Nenhuma solução externa terá continuidade se os profissionais não estiverem envolvidos.
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