Educar é uma tarefa que exige comprometimento, perseverança, autenticidade e continuidade. O supervisor escolar representa uma figura de inovação. Aquele profissional que assume o papel fundamental de decodificar as necessidades. Segundo Vieira (2006), a função do supervisor não é nada fácil, pois exige compromisso pessoal de todos; exige abertura de espaços para a participação; há necessidade de crer, de ter fé nas pessoas e nas suas capacidades; requer globalidade (não é participação em alguns momentos isolados, mas sim constante);
distribuição de autoridade; igualdade de oportunidades em tomada de decisões e democratização do saber.
Questionados sobre a visão que têm sobre si próprio enquanto profissionais em função supervisiva, as respostas foram as seguintes:
Quadro 3 – Respostas dos inquiridos sobre o que é ser supervisor
Supervisores Brasileiros Supervisores Portugueses Total Um regulador de atividades 2 concordam
2 discordam Todos concordam
7concordam 2 discordam
Um gestor de
conflitos Todos concordam Todos concordam
9concordam
Um comunicados entre todos os órgãos de gestão da escola
Todos concordam Todos discordam 4concordam 5 discordam
Um amigo dos
professores Todos concordam Todos discordam
concordam discordam Um investigador constante 3 concordam 1 discorda 3 concordam 2 discordam 6concordam 3 discordam Um líder pedagógico
dentro da escola Todos concordam
3 concordam 2 discordam
7concordam 2 discordam
Quanto a primeira visão do supervisor enquanto regulador de atividades verifica-se que entre ambas as respostas apresentadas por todos os inqueridos existem situações de concordância e discordância sobre o supervisor regulador. Parte da ideia que se defende no trabalho do supervisor que envolve esta regulação de atividades é muitas vezes relacionada ao conceito de trabalho que regula/inspeciona. O conceito de trabalho que inspeciona foi durante muito tempo parte da prática de muitos supervisores, visto por muitos como aquele que fiscaliza atividades, que verifica a nível fiscalizador os processos e pessoas. Alguns autores defendem que o supervisor surgiu da evolução do conceito de fiscalização, mas que esta veio com o tempo desaparecer dentro da evolução das práticas pedagógicas. Por outro lado, ainda se defende a ideia do supervisor controlador. Segundo Alves (2006), as relações educativas têm sido substituídas por relações burocráticas; crescimento e amadurecimento têm sido substituídos por controles e programações.
Também podemos verificar que outra visão de supervisor regulador esta relacionada à prática de regular num sentido de acompanhamento para ajuda. Regular pessoas e atividades numa componente onde se priorize um carácter mais de apoio. Esta pode ser considerada como uma prática mais aberta e construtiva.
Ambas as respostas atribuídas por estes supervisores podem ir ao encontro destas visões do supervisor regulador, tanto para uma prática mais fechada e prescritiva quanto para uma visão de regulação onde se desenvolva uma atividade aberta e de apoio a pessoas e processos.
Para ambas as repostas, a visão de supervisor enquanto aquele que gere conflitos, que se posiciona como um comunicador entre todos os órgãos de gestão da escola, e que se consideram como um amigo dos professores, é aceite por todos os inquiridos. A prática do supervisor no contexto pedagógico, ao pensarmos enquanto professores com uma visão mais senso comum deste meio, não deixa de ser entendida como sendo desarticulada do meio onde a sua rotina de trabalho exige praticamente que se tenha uma atitude comunicativa, um papel articulado entre órgãos e um carácter gestor dos processos que se desenvolvem no âmbito pedagógico. A figura do supervisor não se desarticula da ideia de que este é, portanto, um representante máximo na função de articular processos e pessoas, de contato fácil e amigável dos atores pedagógicos e da prática constante do ensino e aprendizagem.
Quanto à visão de supervisor enquanto um investigador constante, as respostas dos inqueridos dividem-se em torno desta perspectiva. A relação do supervisor investigador tem muito a ver com a ideia do “modo de ser” do supervisor, que implica conhecimento e reflexão sobre a sua própria realidade enquanto supervisor e o contexto onde se pretende atuar.
Também tem a ver com a necessidade de se fomentar a criação e apoio a culturas de formação de índole experiencial e investigativo (Maio, 2010), e não apenas para os outros intervenientes do processo pedagógico, mas também para si próprio com a finalidade de se auto desenvolver e de criar melhores condições para o contexto onde se insere.
Enquanto líder pedagógico, todos os supervisores brasileiros concordam com esta visão, enquanto entre os supervisores portugueses houve uma divisão de opiniões acerca disto. Ao observarmos a visão de Tafoi (2011), esta considera que o supervisor deve ser aquele que primeiro deve estar disposto a estimular a colaboração e divisão de responsabilidade e acima de tudo estar envolvido na mobilização de novos saberes, na construção coletiva para mudança de práticas elevando consideravelmente o sucesso acadêmico de professores e alunos. O conjunto das variáveis no sucesso organizacional, representa, portanto, os esforços apreendidos por este profissional e nos seus esforços nas atividades que cria/desenvolve para o sucesso escolar. Segundo Sergiovanni (s/d) em qualquer sistema social, o comportamento é uma função da interação entre personalidades singulares e os papéis a que estes estão determinados a cumprirem.
O papel do supervisor pedagógico pode ou não ser considerado o de um líder dependendo daquilo a que se destina a sua figura enquanto supervisor em seu contexto de trabalho. Cabe apenas a determinação por cada membro em contexto escolar daquilo que consideram fundamental e que encaram como sendo a figura de um líder.