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Revue des m´ ethodes d’interaction pour jeu d’apprentissage immersif

3.2 M´ ethode de s´ election

3.4.2 Le d´ eplacement dans les jeux vid´ eos

Esta narrativa conta a história de uma bruxinha, Marcelina. Ela sente-se triste, porque ninguém lhe dá atenção, uma vez que andam todos atrás de abóboras. Marcelina cede, começando a chorar, quando entra em casa de sua avó e a vê com uma abóbora nas mãos. Só após uma explicação do que se passava naquele dia, pela avó, é que Marcelina compreendeu o que se passava. Nesse momento, Marcelina decidiu passar a Noite de Halloween com as suas amigas, a Catalina, a Paulina e a Adelina. As quatro bruxinhas foram, então, de porta em porta recolher doces.

Após este breve resumo da história, necessário para compreender a ação da narrativa, observe-se o seguinte esquema actancial de Greimas (Greimas apud Soares 2013: 20-21), com seis intervenientes: sujeito, objeto, destinador, destinatário, adjuvantes e oponentes.

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No que concerne o esquema supra-apresentado, o sujeito/herói é a personagem principal da narrativa, em torno da qual se desenrola a ação, neste caso, a Marcelina. Aquilo que o sujeito quer alcançar é o objeto/objetivo, aquilo que o motiva a avançar. Neste caso, o objetivo é descobrir o que é a Noite de Halloween. A personagem que move o sujeito a querer alcançar o seu objetivo é o destinador, é ele que coloca a ação em marcha. Neste caso, o destinador e o sujeito/herói são a mesma personagem, a Marcelina. O destinatário é a personagem que sai beneficiada com o sucesso do sujeito. Neste caso, mais uma vez, é a Marcelina. As personagens que auxiliam o sujeito no decorrer da ação, para que este atinja o seu objetivo, são os

adjuvantes. Neste caso, a avó, a Catalina, a Paulina e a Adelina auxiliam Marcelina a ter a sua

Noite de Halloween. Por outro lado, aqueles que tentam impedir e contestam o sucesso do sujeito/herói, na conquista do seu objetivo, são os oponentes que nesta narrativa não existem. Ao analisarmos o esquema acima apresentado, verificamos que as personagens assumem várias funções, o que revela um sincretismo actancial. Assim, Marcelina, é, ao mesmo tempo, o

destinador, o destinatário e o sujeito/herói.

Quanto à dinâmica da narrativa, Joseph Courtès defende a necessidade de recorrer a três provas, que se consumam no decorrer da ação: a prova qualificadora, a prova decisiva e a prova glorificadora (Courtès 1979: 13; Soares 2013: 13). Estes momentos contêm os núcleos temáticos principais, ou seja, as “funções” nucleares do texto (Propp 2003: 144).

A prova qualificadora (ou situação inicial, também chamada introdução) é o momento em que se inicia a ação do conto. Esta ocorre quando Marcelina vê Petrolina e, como esta está ocupada, não lhe presta atenção: “Mas a bruxa não responde e segue caminho, sem sequer olhar para ela” (Desmoinaux 2006: 5). É então que Marcelina decide seguir Petrolina para ver o que se passa: “Vou segui-la, para ver o que é que tem de fazer com tanta urgência” (Desmoinaux 2006: 5). Quando chega ao local, verifica que todas as bruxinhas estão ocupadas demais para

Destinador:

Marcelina

Objeto/objetivo:

Descobrir o que é a Noite de Halloween e celebrá-la Destinatário: Marcelina Adjuvantes: Avó, Catalina, Paulina e Adelina. Sujeito/herói: Marcelina Oponentes: Não há

lhe darem atenção e fica triste: “Mas as bruxas estão demasiado ocupadas para lhe darem atenção” (Desmoinaux 2006: 7). A prova decisiva (ou desenvolvimento) é o momento em que ocorrem as ações que alteram o rumo do conto, ou seja, que irão provocar a resolução da ação inicial. Isto ocorre quando Marcelina pensa que a sua avó é a única que a pode ajudar e decide ir a casa dela: “Vou ver a avó! De certeza que ela me sabe explicar o que se passa!” (Desmoinaux 2006: 8). A prova glorificadora (ou conclusão), que é o desenlace da ação do conto, ocorre quando Marcelina percebe o que é a Noite de Halloween e decide festejá-la com as suas amigas, pois percebe a importância que o Halloween tem para as crianças: “Venham depressa à casa da minha avó! Vamos celebrar uma Noite de Halloween maravilhosa!” (Desmoinaux 2006: 19). Tendo em conta esta análise, podemos concluir que esta é uma narrativa fechada, pois tem princípio, meio e fim.

Ainda quanto à dinâmica da narrativa, Cristina Macário Lopes defende um modelo de divisão do conto em cinco partes, as quais são: estado inicial, perturbação, transformação,

resolução e estado final (Larivaille 1974: 368-388; Lopes 1987; Lopes apud Soares 2013: 14).

O estado inicial desta narrativa caracteriza-se por uma situação de desequilíbrio, uma vez que Marcelina vê Petrolina, mas esta não lhe dá atenção. Isto leva Marcelina a seguir Petrolina e a verificar que nenhuma bruxinha lhe presta atenção, pois estão todas ocupadas: “Mas as bruxas estão demasiado ocupadas para lhe darem atenção” (Desmoinaux 2006: 7). A

perturbação ocorre quando Marcelina se dirige para casa da avó, pois acha que esta é a única

que a pode ajudar a perceber o que se passa. No entanto, quando chega a casa da avó, encontra esta a carregar uma abóbora: “Oh, não! – exclama. – A avó também mudou! Agora só se interessa pelas abóboras!” (Desmoinaux 2006: 10). A transformação ocorre quando a avó acalma Marcelina e lhe diz que é Halloween: “Mas é claro que não, meu tesouro! Tu continuas a ser a minha bruxinha preferida, mas hoje é Noite de Halloween!” (Desmoinaux 2006: 10). A

resolução acontece imediatamente após a transformação, ou seja, é a explicação do que é a

Noite de Halloween. A avó explica o que é a Noite de Halloween através da sua lenda e da importância que tem para as crianças: “ouve-me com atenção – disse a avó. – Eu explico…” (Desmoinaux 2006: 10). Por fim, o estado final é de equilíbrio, uma vez que a Marcelina ficou a saber o motivo pelo qual as bruxinhas andavam tão atarefadas e chamou as suas amigas para festejarem a noite juntas: “Eu também me quero mascarar e receber doces! – exclama Marcelina, saltando do colo da avó.” (Desmoinaux 2006: 18). No que diz respeito à estrutura

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lógica da narrativa, o estado final veio alterar o estado inicial da mesma, uma vez que a ação se inicia em situação de falta e termina com uma situação de equilíbrio.

A narrativa analisada anteriormente não nos dá um tempo e um espaço específicos (Reis & Lopes 1987; Soares 2013: 22-25), no entanto aparecem pequenas expressões que nos dão indícios espácio-temporais. Para percebermos o tempo da ação, temos as seguintes expressões: “Num belo dia de Outono” (Desmoinaux 2006: 4). Esta expressão dá-nos a conhecer a estação do ano em que decorre a ação. No que se refere ao dia, “…mas hoje é Noite de Halloween!” (Desmoinaux 2006: 10), esta expressão diz-nos qual a festividade que está a ser festejada, a Noite de Halloween, que é festejada a 31 de outubro e. Finalmente: “Boa noite, Marcelina, e feliz Noite de Halloween!” (Desmoinaux 2006: 31). Esta expressão significa que a ação se desenrolou no decorrer de um único dia. Quanto ao espaço, há vários no decorrer deste conto, tais como: “campo” (Desmoinaux 2006: 4); “colina” (Desmoinaux 2006: 7); “campo de abóboras” (Desmoinaux 2006: 7); “casa da sua avó” (Desmoinaux 2006: 10) e “ronda” (Desmoinaux 2006: 27), que significa o caminho que percorreram para conseguirem os doces, e que ocorre durante a noite.

Quanto às personagens referidas na narrativa temos algumas caracterizações (físicas/psicológicas), como a seguir serão referidas (Reis & Lopes 1987; Khède 1990; Soares 2013: 22-25).

Como caracterização física de Marcelina, a narrativa dá a entender que se trata de uma criança, ao utilizar expressões como, “bruxinha” (Desmoinaux 2006: 4), e ao referir que esta se senta no colo da sua avó: “… e senta Marcelina no seu colo.” (Desmoinaux 2006: 10). Esta revela ser uma criança impulsiva e rápida, uma vez que foi chamar as suas amigas, repentinamente, para prepararem a Noite de Halloween “À velocidade de um raio, Marcelina corre a avisar Catalina, Paulina e Adelina.” (Desmoinaux 2006: 19). No que respeita à caracterização psicológica de Marcelina, podemos dizer que é uma criança sensível, uma vez que esta ficou triste quando nenhuma das outras bruxas lhe prestou atenção: “Está quase a desatar a chorar, quando lhe vem à cabeça uma ideia:” (Desmoinaux 2006: 8). Pode-se também depreender que é uma criança muito ligada à sua avó, pois quando não sabia o que se passava, foi ao seu encontro e chorou, quando percebeu que a sua avó também tinha uma abóbora:

E, então, desata a chorar. A avó sorri, larga a abóbora e senta a Marcelina no colo (Desmoinaux 2006: 10).

Marcelina é também uma personagem muito curiosa. Percebe-se isso, quando ela quer saber toda a história do Halloween: “Noite do quê…” (Desmoinaux 2006: 10) e, quando insiste em saber para que são as abóboras: “Mas então, para que são essas abóboras todas?” (Desmoinaux 2006: 13) e “Continuo sem perceber onde entram as abóboras nesta história…” (Desmoinaux 2006: 15).

Quanto às personagens secundárias (Reis & Lopes 1987; Khède 1990; Soares 2013: 22- 25), a avó não tem caracterização física ao longo da narrativa. Quanto à caracterização psicológica, percebemos que é uma personagem atenciosa, uma vez que, quando vê que Marcelina está a chorar, larga a abóbora e senta-a no seu colo: “A avó sorri, larga a abóbora e senta Marcelina no seu colo” (Desmoinaux 2006: 10). Depreende-se, também, que é uma personagem bastante paciente, quando tenta explicar a Marcelina o que é a Noite de Halloween: “-Já vais saber a seguir – diz a avó.” (Desmoinaux 2006: 14). Além disso, gosta de ajudar, uma vez que diz a Marcelina para ir chamar as suas amigas para preparem a sua Noite de Halloween: “Então, vai a correr chamar as tuas amiguinhas – diz a avó. – Prepararemos tudo juntas.” (Desmoinaux 2006: 18). Finalmente, percebemos que é uma personagem bem-educada, uma vez que cumprimenta educadamente as amigas de Marcelina: “-Bem-vindas, meninas! – diz a avó. – E agora, vamos trabalhar! Comecemos pelas abóboras.” (Desmoinaux 2006: 19). Quanto à caracterização física das três amigas de Marcelina (Paulina, Catalina e Adelina) nada se sabe. No entanto, quanto à caracterização psicológica, podemos dizer que elas são trabalhadoras, uma vez que aderiram ao plano de Marcelina para festejarem a Noite de Halloween “Iuuupii! – gritam as três bruxinhas, agarrando cada uma numa abóbora.” (Desmoinaux 2006: 19). Da Petrolina, o narrador pouco nos fala, apenas sabemos que é apressada e “mal-educada” por não ter dado atenção a Marcelina, quando estava com pressa: “Mas a bruxa não responde e segue caminho, sem sequer olhar para ela.” (Desmoinaux 2006: 5).

As restantes bruxas são apenas figurantes (Reis & Lopes 1987; Khède 1990; Soares 2013: 22-25), pois só sabemos que estão a apanhar abóboras: “Mas as bruxas estão demasiado ocupadas para lhe darem atenção.” (Desmoinaux 2006: 7).

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No que diz respeito à forma de construção do tempo na dinâmica da narrativa, podemos afirmar que ele é linear, não existindo analepses nem prolepses (recuos e avanços, respetivamente).

Neste conto, o narrador não tem um papel ativo, não intervém na ação, sendo não participante, ou então, um narrador na 3ª pessoa. Quanto ao seu ponto de vista/perspetiva, podemos afirmar que este tem uma visão global da narrativa, uma vez que tem um conhecimento total dos acontecimentos e das personagens, sendo, deste modo, um narrador omnisciente. O narrador utiliza várias expressões, analisando as personagens, os acontecimentos e a ação. Assim, recorre a algumas expressões verbais que dão ênfase à ação, utilizando verbos no presente do indicativo “continuas”, “suspira”, “quero”. Estes verbos contrastam com as expressões verbais no pretérito imperfeito do indicativo, que marcam o teor descritivo do texto, “regressavam”, “andavam”, “queria” e com o pretérito imperfeito do conjuntivo “existisse”. Podemos ainda verificar marcas de ação das personagens, através do uso de expressões verbais no pretérito perfeito do indicativo “disse”, “deixaram”, “foram”, que marcam os avanços na ação. Através do diálogo, o narrador dá uma maior veracidade à história e provoca um maior interesse por parte das crianças, tornando a ação mais enfática e cativante: “Continuo sem perceber onde entram as abóboras nesta história… - suspira Marcelina” (Desmoinaux 2006: 15).

Conseguimos ainda perceber que o narrador utiliza alguns recursos estilísticos para ilustrar o assunto, tais como, a adjetivação, que serve para qualificar um nome, dando-lhe mais significado “Quando chega a casa da sua avó, Marcelina vê que ela transporta uma abóbora enorme para a cozinha.” (Desmoinaux 2006: 10); a dupla adjetivação, onde se recorre à utilização de dois adjetivos (antepostos ou pospostos) para qualificar o nome, “Para se disfarçar de fantasma, Marcelina usa um velho lençol branco.” (Desmoinaux 2006: 24); a enumeração, “Nesse dia, disfarçam-se do que querem, desde que meta medo: de fantasma, de vampiro, de monstro ou mesmo de bruxa…” (Desmoinaux 2006: 16); o diminutivo, para sugerir a faixa etária de Marcelina e das suas amigas “bruxinhas” (Desmoinaux 2006: 19) e a sua empatia “amiguinhas” (Desmoinaux 2006: 18); e, finalmente, a onomatopeia, que consiste na imitação de sons da natureza: “Brrr!” (Desmoinaux 2006: 12).

Podemos, em suma, dizer que esta narrativa contém uma mensagem cultural e valores sociais e preconiza a educação para os afetos.