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EPISODE DE L'INVASION FRANÇAISE EN SUISSE

Dans le document ALMANACH DES VILLES ET DES CAMPAGNES (Page 147-150)

“A adolescência não pode ser negada ou vista como um «tempo entre»” (UNFPA, 2003, p.10). Tal como a infância, a idade adulta e a senescência, esta é uma das etapas do ciclo vital (Sampaio, 1993). Actualmente já não é vista como um estádio de desenvolvimento fixo no tempo ou nas manifestações, mas como um processo de transição através do qual o indivíduo passa da infância para a maturidade (Swanwick & Oliver, 1985).

A adolescência é um período de desenvolvimento caracterizado por rápidas mudanças a nível fisiológico, cognitivo (Srof & Velsor-Friedrich, 2006; DiClemente et al., 2001), sociocultural (DiClemente et al., 2001) e comportamental, sendo a transição para uma vida adulta saudável um dos grandes desafios que os indivíduos enfrentam (Velsor- Friedrich, 2001), em particular devido às múltiplas ameaças que ensombram a saúde e bem-estar dos adolescentes (DiClemente et al., 2001). Os padrões comportamentais estabelecidos durante a adolescência terão um importante papel no desenvolvimento dos hábitos de saúde do adulto (Hoelscher et al., 2002; Gomes, 2001; Scheuring et al., 2000; Lowry et al., 2000), como por exemplo no consumo de tabaco e álcool, nas escolhas alimentares e em padrões de actividade física (Leger & Nutbeam, 2000a), podendo afectar a saúde do indivíduo para toda a vida (WHO, 2005b).

A adolescência é tradicionalmente considerada como uma fase em que se goza de óptima saúde (WHO, 2005a; Shenkman et al., 2003; Irwin, 2003; Millstein, 1989), com baixos níveis de morbilidade (Ministério da Saúde, 2004b; Sells & Blum, 1996) e mortalidade, uma vez que as taxas de mortalidade são mais baixas do que em crianças e idosos (WHO, 2002a). Estas razões levam a que por vezes os serviços de saúde não considerem os adolescentes como um grupo prioritário e os tratem em unidades de adultos ou de pediatria, em vez de criarem serviços ajustados às suas necessidades particulares (Ferreira, 1996; WHO, 2002a), e a que seja o grupo populacional menos vigiado e um dos grupos em que a educação para a saúde ainda não atingiu a frequência necessária (Casazza & Ciccazzo, 2007).

As causas de morbilidade e mortalidade entre os adolescentes deixaram de ter uma predominância nas infecções, para passarem a ser de etiologia comportamental (DGS, 2005; Sells & Blum, 1996). Na actualidade, as maiores ameaças à saúde deste grupo populacional são os comportamentos de risco preveníveis (Irwin et al., 2002; DiClemente et al., 2001). Estas condutas desviantes tendem a co-ocorrer e a prevalência de múltiplos comportamentos de risco a aumentar com a idade (Brener & Collins, 1998). Considerando estes factos, é importante que se enfatize a promoção da saúde e se optimizem os

serviços preventivos para os adolescentes, com o fim de se obterem resultados tangíveis para a sua saúde (Cohall et al., 2007). Como a maioria dos adolescentes frequenta a escola, quanto mais não seja até ao final do ensino obrigatório, ou em alternativa até atingirem a idade mínima para sair, ela é há muito reconhecida como um local por excelência (Cohall et al., 2007; Leger & Nutbeam, 2000a) para a realização de acções de educação para a saúde, destinadas a este grupo populacional (Guldbrandsson & Bremberg, 2005; Kubik et al., 2005b). O Ministério da Saúde (2004c) refere que a estratégia de intervenção em saúde, preconizada para as escolas portuguesas, no âmbito da promoção da saúde e prevenção da doença, assenta em actividades que devem ser executadas de forma regular e contínua ao longo de todo o ano lectivo.

A investigação é essencial na identificação de estratégias para melhorar a saúde dos adolescentes (Leger & Nutbeam, 2000b), avaliar os processos e resultados, bem como detectar a necessidade de novas intervenções. Estudos recentes provaram que as acções de intervenção breves bem estruturadas, realizadas com estudantes do ensino secundário, podem resultar em múltiplas e positivas mudanças de comportamento nos adolescentes (Werch et al., 2007, 2005; Pirskanen et al., 2006; Larimer et al., 2004). O trabalho apresentado engloba dois estudos, um exploratório (i) e outro quase- experimental (ii), que têm como objectivos nucleares analisar os estilos de vida e os comportamentos de risco dos adolescentes do ensino secundário (estudo i), e avaliar em que medida as acções de educação para a saúde, desenhadas e estruturadas para adolescentes e realizadas por profissionais de saúde, são eficazes na aquisição de conhecimentos e na mudança de atitude e comportamentos dos participantes (estudo ii). Este documento encontra-se estruturado em nove capítulos. Após esta introdução, faz-se uma revisão teórica e o enquadramento conceptual da temática em estudo nos três capítulos seguintes. Nos restantes, com excepção do nono, onde se listam as referências bibliográficas utilizadas, apresenta-se a investigação empírica e os resultados obtidos. O segundo capítulo faz um breve enquadramento da adolescência e revê o desenvolvimento físico, psicológico, social e moral que se processa nesta fase da vida. O terceiro capítulo analisa a evolução do conceito de estilo de vida e as suas repercussões na saúde. Abordam-se alguns comportamentos do adolescente que podem ser causa de morbilidade e mortalidade, nesta fase da vida ou na idade adulta, nomeadamente os hábitos de sono, alimentares, de actividade física e de sedentarismo, consumo de tabaco e de álcool, e o comportamento sexual, identificando-se para cada comportamento os factores de risco e protecção.

Introdução

3 O quarto capítulo centra-se na problemática da educação para a saúde aos adolescentes. É dada ênfase à promoção da saúde nas escolas, considerando que elas são um local ideal para a realização de acções deste tipo, que dotem o adolescente de conhecimentos e competências que lhe permitam fazer escolhas saudáveis.

O quinto capítulo é dedicado ao desenho do estudo. Inicia-se com a revisão de algumas recomendações feitas para a investigação sobre estilos de vida na adolescência, seguindo-se-lhe a apresentação das motivações, os objectivos e variáveis que conduzem o estudo exploratório e quase-experimental, e os instrumentos de colheita de dados utilizados. Por último, expõem-se algumas das recodificações das variáveis em estudo. No sexto capítulo apresentam-se os resultados obtidos, começando-se pelo estudo exploratório. Após a caracterização da amostra, expõem-se separadamente os resultados de cada comportamento considerado nesta fase. A apresentação do estudo quase- experimental inicia-se pela caracterização da amostra dos dois grupos (experimental e de controlo). Passa-se então à descrição dos resultados relativos aos conhecimentos dos adolescentes, de ambos os grupos, sobre alimentação e sexualidade, antes e após a intervenção no grupo experimental, concluindo-se este capítulo com a apresentação dos resultados referentes aos comportamentos estudados.

O sétimo capítulo destina-se à discussão dos resultados de ambos os estudos, à luz dos principais contributos da investigação nacional e internacional, e às possíveis implicações que eles podem ter para a promoção da saúde aos adolescentes.

No oitavo capítulo apresentam-se as conclusões mais representativas deste trabalho, referindo-se as suas principais limitações e sumariando-se os pontos mais positivos, e descrevem-se algumas direcções que nos parecem determinantes para a continuidade da investigação.

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