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EDSM IV: Enquête Démographique de Santé 4ème édition EFV: Efavirenz

OBJECTIFS : Objectif général :

I. GENERALITES 1. Infection à VIH

I.1.3.2. Epidémiologie analytique

Na contemporaneidade, as questões de acessibilidade permeiam todos os campos e áreas da vida do ser humano que perpassam o individual, adentram o social e o coletivo. É um tema imprescindível, principalmente quando se faz referencia à culturas e patrimônios. Vive- se num mundo em que, até pouco tempo, não era possível acessar os espaços de conhecimento e da cultura. Estes eram restritos aos eruditos. Acessibilidade em termos físicos não era um tópico debatido abertamente – ou de qualquer outra forma, porque os seres que não eram “perfeitos” não possuíam espaço nem voz no mundo.

Esse contexto se estendia para as edificações, nas quais o acesso era praticamente impossível de muitas formas, as igrejas por exemplo eram construídas no alto de colinas, morros, com acesso somente a partir de grandes escadarias, ruas íngremes e muitas vezes sem o que se chama de um piso batido; o acesso era entre pedras, pedregulhos e cascalhos, majestosas escadarias infinitas.

Esse tema, passou por mudanças, debates, chegando à contemporaneidade sob o viés da compreensão e da necessidade de inclusão e capacitação social e coletiva de todos para tudo. No ano de 1981, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu Decreto criando Ano Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiências (AIPPD)57, época em que se passou

a dar importância as pessoas portadoras de alguma necessidade especial que eram também merecedoras dos mesmos direitos que os outros cidadãos.

Essas questões de acessibilidade chegaram os espaços geográficos e religiosos da Basílica. A Irmandade do Santuário do Bomfim e o pároco decidiram serem atores participantes desse processo de inclusão social. Não foi especificada a data exata, mas, entre 2009 e 2010, período longo, segundo os funcionários do local, a Basílica ganhou rampas de acesso. Uma nota sobre o assunto foi dada no jornal O Globo.com58, sobre o assunto,

abordando a questão, mas a nota não informa a data exata,

Uma das mais tradicionais igrejas da Bahia, a do Bonfim ganhou, uma rampa de acesso para portadores de necessidades especiais. A obra, que representou um investimento de mais de R$ 56 mil, cumpre as determinações da Lei de Acessibilidade, como é conhecido o Decreto-Lei 5.296, de 2 de dezembro de 2004.

57Associação Filantrópica Montes Belos Solidários Inclusão Social. Em:

http://www.afmbs.org.br/site/noticia/ver/id/24. Acesso em 29 de Junho de 2015.

58 Trecho disponível em: http://oglobo.globo.com/brasil/igreja-do-bonfim-na-bahia-ganha-rampa-para-

A legislação regulamenta o atendimento às necessidades específicas de pessoas portadoras de deficiência no que se refere a projetos de natureza arquitetônica e urbanística, de comunicação e informação, de transporte coletivo, bem como a execução de qualquer tipo de obra, quando tenha destinação pública ou coletiva. (http://oglobo.globo.com/brasil/igreja-do-bonfim-na-bahia-ganha-rampa-para- deficientes-3070646).

Além das adaptações arquitetônicas, implementação de duas rampas nas laterais da igreja e uma no interior do corredor da lateral direita para a Sala de Milagres, a sala possui dois acessos diretos: um pelo corredor citado e outro pelo altar mor, como indicado no I Plano de Ação e Integração das Pessoas com Deficiência ou Incapacidade59. (Figuras 31, 32)

Figura 31 – Rampa de acesso à Basílica, lado noroeste.

Figura 32 – Rampa de acesso ao interior da área do velário para nave lateral noroeste do Santuário

Fotógrafa: Cândido, 2014. Fotógrafa: Cândido, 2014

O fator comunicacional ganhou destaque quanto à acessibilidade, pois esse é um fator de suma importância no que tange as possibilidades de participação de pessoas com deficiência física, promovendo assim um processo de inclusão.

59 O I Plano de Ação para a Integração da Pessoa com Deficiência ou Incapacidade, 2006-2009, é composto por

dois capítulos: o primeiro está dividido em três eixos de intervenção - o primeiro eixo, Acessibilidade e Informação, destacam estratégias para a construção de uma sociedade para todos. As políticas e as ações relativas à acessibilidade, à comunicação, à cultura, ao desporto, ao lazer e à sensibilização/informação contribuem para a inclusão social e afirmação desse grupo de cidadãos como pessoas de pleno direito.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 120/2006. Em:

Os processos de inclusão e acessibilidade do Santuário foram aprimorados. A inserção de dois televisores nas naves laterais deu acesso aos cultos nos dias de maior número de fiéis como na primeira e a última sexta-feira de cada mês. Nesses períodos, a Basílica recebe muitos fiéis, que se dirigem ao espaço sagrado para assistir aos cultos e serem abençoados pelo Senhor do Bomfim. Como os ambientes não comportam tamanha quantidade de pessoas. No ano de 2011, a indução de duas telas de televisão, uma em cada corredor lateral a nave dando a possibilidade da visão indireta das missas para os fiéis. (Fotografia 33)

Fotografia 33 – Monitor para fieis acompanhar as missas, lateral sudeste.

Fotógrafa: Cândido, 2014.

Um fiel, chamado aqui de João60, disse que “não é a mesma coisa ver na TV que ver o

padre falando ao vivo. Mas já serve né, pois, pior é vim na igreja e não ve nada. Mas a gente ouve direito, o microfone é bom, a gente não vê, mas ove. E agora com a TV ajuda um pouquinho mais né dona?! (SIC)”.

Nesse ambiente, compreende-se a imagem ou objeto como um tipo de texto, diferente do texto escrito, convencional, claro, porém, não menos importante. Ao contrário, esse tipo de leitura é fomentado pelo próprio observador, o qual, a partir de seu grau de instrução, de suas experiências vivenciadas, do seu contexto social e coletivo, poderá identificar importantes resultados, muitas vezes além do que a imagem está informando. No espaço, a maioria dos diálogos realizados advém da inserção de imagens postas pelos fiéis, devotos, suplicantes,

60 Anônimo. O entrevistado aceitou falar, porém sem ter seu nome verdadeiro citado. Entrevista concedida em

enfermos, pagadores de promessas e intermediários. Esses intermediários são os que levam os pagamentos de pessoas que não podem se deslocar para o local da desobriga para efetivar o prometido. É o caso de dois anjos da guarda, em cerâmica, distintos entre si, feitos por Maria61, que, passando por enfermidade, solicitou ao Senhor do Bomfim cura, e prometeu que pagaria com duas imagens do Anjo Gabriel62, sendo que uma ficaria na Sala de Milagres, cerâmica in natura, e a outra estilizada, policromada, com os adereços do anjo, que está, no Museu dos Ex-votos. Porém, por motivos de “cuidados” e preservação da peça, as duas imagens foram alocadas no Museu. (Figuras 34, 35).

Figura 34 – Anjo em cerâmica crua, trabalhada. Figura 35 – Anjo em cerâmica, policromada, trabalhada.

Fotógrafa: Cândido, 2015. Fotógrafa: Cândido, 2015.

Esse fato nos traz à tona a abordagem da primeira e da quarta questão de discussão propostas no projeto de pesquisa, que seriam: o rompimento das diferenciações comunicacionais e as restrições de colocação de objetos nos respectivos ambientes; e o quarto questionamento que aborda a discussão do espaço museológico para manter certo

61Nome fictício dado por nós para preservar a identidade da pagadora de promessa, solicitação da irmã que levou

a graça ao Santuário.

62 Significa “Deus é meu protetor” ou “homem de Deus”. É o arcanjo anunciador, por excelência das revelações

de Deus e é, talvez, aquele que esteve perto de Jesus na agonia entre as oliveiras. Está associado a uma trombeta, indicando que é aquele que transmite a Voz de Deus, o portador das notícias, o transmissor das boas novas. Esse Arcanjo é citado várias vezes na Bíblia Sagrada. Foi ele quem anunciou ao profeta Daniel a vinda do Redentor. In: http://anjosarcanjosedevas.blogspot.com.br /2009/03 /arcanjo-gabriel.html . Acesso 28 de Agosto de 2015.

distanciamento e diferenciação com erudição exacerbada, o que poderia desvirtuar a noção da cultura popular, representada nos ex-votos. De acordo com Canclini, as tarefas museais, que não devem interferir na liberdade comunicacional,

[...] a sua tarefa não é a de copiar o real, mas sim a de construir as suas relações. Portanto, não podem permanecer na exibição de objetos solitários, nem de ambientes minuciosamente ordenados; devem apresentar os vínculos que existem entre os objetos e as pessoas, de modo que se entenda o seu significado. (CANCLINI, 1983, 86).

Subsumindo, como base no pensamento de Canclini (1983), verificam-se as diferenciações entre a comunicação livre, na sala de milagres, e a comunicação com interferência, no museu.

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