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CHAPITRE 3 IMPACTS DE L’EXPLOITATION ET DE LA RESTAURATION D’UN SITE

3.1 Impacts de l’exploitation

3.1.1 Environnementaux

Com livros editados em diversas línguas, Freire idealizou um método de alfabetização que preconiza o diálogo com as pessoas simples, fundamentado na didática que permita a assimilação do objeto de estudo fazendo dele uma prática real em contraposição à educação bancária101, tecnicista e alienante.

Em lugar de comunicar-se, o educador faz ‘comunicados’ e depósitos que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem. Eis aí a concepção ‘bancária’ da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los (FREIRE, 1987, p. 33).

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Paulo Freire denominava “educação bancária ao modelo tradicional de prática pedagógica pois entendia que ela objetivava a transmissão passiva de conteúdos do professor, assumindo o papel daquele que, supostamente, tudo sabe diante do aluno, assumido como aquele que nada sabe. “Na visão bancária da educação, o saber é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber” (FREIRE, 1987).

Considerado um dos grandes pensadores da história da Pedagogia mundial, o educador buscou a compreensão de que o objetivo maior da educação é a conscientização do outro. Freire enfatiza o papel da comunicação como transformadora dos homens em sujeitos, tendo na educação o elemento compartilhado para a construção de conhecimentos. A comunicação será o produto das relações dialéticas entre os indivíduos e seu mundo. A educação passa a ser o passaporte para a liberdade e o conhecimento, seu bilhete de embarque. Seu livro principal é Pedagogia do oprimido, que embasa os conceitos de boa parte do conjunto de sua obra, sobretudo no sentido de transformar as parcelas menos favorecidas (e oprimidas) da sociedade em agentes da sua própria libertação, através da educação.

O legado de Freire conjuga a essência da pedagogia às práticas transdisciplinares, buscando um diálogo capaz de suscitar o desejo da construção de um mundo melhor, através das transformações sociais, enfatizando as práticas educativas.

Para Casali (2008), Paulo Freire empreende um processo educativo, cultural e político para que o indivíduo excluído (e que por essa razão não reconhece o valor da própria vida) se torne protagonista da sua própria prática e, consequentemente, do seu próprio reconhecimento.

Reconhecendo-se pelo olhar dos outros que, na comunidade de oprimidos como ele, puseram-se a caminho de superar sua condição de dominados, assumindo-se como capazes de transformar as condições que negavam a sua humanidade (CASALI, 2008, p. 09).

A Teoria do Conhecimento de Freire surgiu na década de 1960, a partir da cultura do silêncio, imposta aos analfabetos, sendo necessário que a construção de um novo formato de educação, que desse voz a esses grupos excluídos, fosse desenvolvido. Essa cultura do silêncio, assim denominada pelo filósofo, caracteriza-se pela ausência de participação social nos processos decisórios.

A transformação de uma sociedade será, por isto mesmo, tão mais radical quanto seja um processo intra-estrutural que toma, assim, a estrutura como dialetização entre a infra e a supraestrutura. Muito da negatividade do que costumamos chamar cultura do silêncio, típica das estruturas fechadas, como a do latifúndio, penetra, com seus sinais visíveis, na nova estrutura do assentamento (FREIRE, 1981, p. 27).

Assim, pode ser compreendido porque os pressupostos de Paulo Freire ganharam força em vários países, ao adaptarem sua proposta de transformação do aprendizado, a partir das experiências apresentadas em seu Método Educacional.

Esse Método, composto por três etapas (investigação, tematização e problematização), está baseado no princípio de que a educação deve partir da realidade que envolve o indivíduo, a fim de que ele compreenda, de fato, qual a sua posição dentro do contexto social, a partir de quatro premissas: as palavras geradoras (levantamento do universo vocabular), a silabação (divisão silábica), as palavras novas e, finalmente, a conscientização.

A partir dessa proposta, Freire concebe um formato educacional integrador, questionando o sistema tradicional vigente que tinha, nas cartilhas, seu instrumento didático básico para a alfabetização, através da repetição de palavras ou frases soltas. Para o filósofo, a produção do saber só é válida com a finalidade integradora e emancipadora, questionando a importância da ligação entre conteúdo e conhecimento vinculado, tendo como base a experiência pessoal de cada grupo.

O pensamento freireano possui a necessária compreensão de que os grupos oprimidos devem ser levados em conta, terem voz: a associação entre teoria e prática, considerando a participação do sujeito que aprende de forma dialógica com seus diferentes, através de um processo cooperativo de aprendizagem, é seu princípio fundamental.

Portanto, o diálogo é um caminho para a construção do conhecimento que, em Freire, fundamenta-se a partir de uma filosofia pluralista, produzindo ideias em busca da reflexão como análise crítica sobre a realidade do problema.

Na concepção do filósofo, “somente o diálogo, que implica um pensar crítico, é capaz também de gerá-lo. Sem ele não há comunicação e sem esta não há verdadeira educação” (FREIRE, 1987, p. 47). Freire concebe que o processo educativo não se concretiza isoladamente, mas, sim, a partir da ação conjunta entre os homens para a construção do conhecimento transformador da realidade existente.

A educação é um encontro humilde, onde todos sentem-se iguais. No lugar do encontro não existe ninguém com o saber absolutamente ignorante, mas homens que procuram compreender melhor a realidade para transformá-la (FREIRE, 1979, p. 37).

O educador promoveu um estudo precioso sobre a alfabetização de trabalhadores, pregando a utilização de um linguajar próprio, aproximando a educação da realidade cotidiana. Seu método, preconizando o processo educativo informal, tem como objetivo formar cidadãos conscientes, através de um processo educativo que se configura também como um ato político, ao capacitar o indivíduo como sujeito ativo na sociedade.

Assim sendo, o diálogo passa a compor um produto histórico na construção de uma nova consciência que, de acordo com Freire (1987, p. 09), “incessantemente, busca reencontrar-se além de si mesma”, procurando comunicar-se com o outro. Abre-se, assim, um novo cenário, em que não é mais possível desassociar a educação da bagagem histórica de uma comunidade, e que repassar o conhecimento deixa de ser uma tarefa exclusiva da escola. A prática do diálogo passa a ser dividida com outros setores da sociedade na formação da cidadania responsável, de maneira que todos sejam partícipes da construção de conhecimentos. Essa ideia é compartilhada por Sartori (2006), que entende a perspectiva do compartilhamento como outra maneira de ver a comunicação, na troca e de entendimento entre as pessoas. Do mesmo modo que Paulo Freire, Sartori considera que esse formato de comunicação é fundamental nas relações humanas, assim como a inter-relação de seus elementos básicos no processo educativo. A compreensão de que para haver conhecimento é necessária uma relação social igualitária, que permita o diálogo entre os sujeitos envolvidos, resulta em uma prática social transformadora.

Assim, é possível perceber que a união destas duas ciências, educação e comunicação, chamada Educomunicação, abre um campo de conhecimento dialógico, antes inexistente, onde o educador, segundo Freire, não é mais o que apenas educa, “mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa” (FREIRE, 1987, p. 79).