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Environment – Climate Change Management

Overall conclusion:

Chapter 3: Environment – Climate Change Management

Castles e Coltheart (2004) examinaram minuciosamente estudos longitudinais e de treinamento que foram desenvolvidos desde o trabalho de Liberman et al. (1974) até o ano de 2003 e que apresentavam resultados de uma correlação causal entre as capacidades fonológicas e a aprendizagem de leitura e/ou da escrita. Tais estudos foram submetidos a estritos e coerentes critérios de seleção, o que resultou em um corpo de estudo que foi avaliado pelos autores sob a perspectiva de algumas questões específicas.

Os estudos longitudinais selecionados por Castles e Coltheart (2004) foram examinados com a finalidade de responder duas principais questões. A primeira questão foi determinar que aspectos da consciência fonológica são capazes de predizer a subseqüente aquisição da leitura e da escrita. A segunda questão foi determinar qual o tamanho dessa unidade fonológica. Com relação à primeira questão, os autores concluíram que os estudos examinados apresentaram fortes argumentos sobre a participação das habilidades de análise e síntese fonológica sobre a relação causal entre consciência fonológica e leitura e escrita. Já com relação à segunda questão, algumas observações devem ser comentadas.

Com relação à participação da rima, os autores verificaram que havia um corpo de estudos que, ao utilizar as oddity tasks, encontraram uma forte correlação dessa habilidade com a aprendizagem da leitura e da escrita, enquanto outros estudos, que não utilizaram esse tipo de tarefa, não encontraram tais correlações. Os autores assinalam que os resultados podem ter sido influenciados pelo grau de pureza com que foi medida a consciência de rima. As tarefas do tipo oddity task têm sido freqüentemente criticadas por poderem estar avaliando o julgamento fonêmico e não a habilidade em questão. Dessa forma justifica-se porque alguns estudos encontraram uma correlação positiva dessas tarefas com as habilidades de leitura e de escrita, pois, efetivamente, estão mensurando habilidades fonêmicas.

Castles e Coltheart (2004), ao examinarem os estudos que tinham encontrado alguma participação da sílaba como fator importante, concluíram que há poucas evidências para afirmar uma contribuição, independente, da consciência silábica, ao menos para o inglês. Dentre os estudos examinados encontra-se o estudo de Cardoso-Martins (1995), que mostrou algum indício da contribuição da consciência silábica para a aprendizagem da leitura e da escrita no português do Brasil. Entretanto, esse resultado pode ter sido mascarado pela tipo de tarefa utilizada. Cardoso-Martins (1995) utilizou tarefas do tipo oddity task em que o grau de consciência fonológica exigido é menor do que em tarefas de manipulação. Além disso, essas tarefas como mencionado anteriormente, podem ter avaliado o julgamento fonêmico e não a habilidade silábica.

Com relação à consciência fonêmica, Castles e Coltheart (2004) relataram um corpo de estudos que coerentemente mostraram a contribuição única da consciência fonêmica para o aprendizado da leitura e da escrita. Entre esses estudos está o de Cardoso-Martins (1995). É de se destacar, também, que muitos estudos consistentemente encontraram a contribuição específica da habilidade de segmentação fonêmica. Os autores ressaltaram que, embora haja na literatura suporte para a afirmativa de que a consciência fonêmica permite e/ou ajuda a aprendizagem, há também suporte para a hipótese de que a causalidade flua em direção inversa, havendo claras evidências de uma complexa relação recíproca entre essas duas habilidades.

Dada a natureza complexa dessa relação, os autores acreditam que o exame de estudos de treinamento, por seu caráter experimental, poderá explicar melhor essa correlação. Por definição, os estudos longitudinais não podem estabelecer relações de causalidade. Assim, os estudos de treinamento foram examinados com o objetivo de identificar se os efeitos específicos do treinamento fonológico eram transferidos para a leitura e/ou a escrita. Dada, entretanto, a ambivalência dos resultados encontrados entre os diversos estudos, os autores restringiram a análise, procurando averiguar se o treinamento fonológico afetava, além das habilidades de leitura e escrita, a aquisição das relações letra-som, e se os sujeitos possuíam conhecimentos pré-existentes de leitura ou de escrita. A relação recíproca entre consciência fonêmica e leitura e escrita implica em que a presença de algum conhecimento prévio de leitura, assim como o conhecimento de grafemas, possa ser reforçada pelos treinos em consciência fonêmica e, assim, camuflar os resultados.

Seguindo esses critérios de análise, os autores concluíram que nenhum estudo de treinamento estabelece, de forma confiável, que o treinamento específico da consciência fonêmica ajuda na aquisição da leitura e da escrita. A análise de muitos estudos indicou a

melhora das habilidades de leitura e de escrita como resultado do treinamento combinado da consciência fonêmica e das correspondências grafofonológicas. Por outro lado, alguns estudos indicaram que o treino da consciência fonêmica possibilitou a melhora das habilidades de leitura e escrita, mas, também, de um corpo maior de habilidades.

Os autores, evidentemente, não negam a relação causal entre consciência fonêmica e aprendizagem da leitura e da escrita e nem, tampouco, desvalorizam a contribuição desse treinamento no nível educacional. Apenas afirmam que essa relação causal não foi experimentalmente comprovada. Os autores também ressaltam a importância do ensino das correspondências grafema-fonema para a aprendizagem da leitura e da escrita.

A conclusão mais surpreendente da revisão de Castles e Coltheart (2004) é a de que a relação observada entre consciência fonológica e aprendizagem da leitura e da escrita pode não refletir uma relação causal, e sim o fato de a criança utilizar suas habilidades ortográficas na execução das tarefas fonológicas. Por isso, os autores enfatizam a necessidade de controlar o conhecimento pré-existente de leitura e o conhecimento das correspondências letra-som.

Castles e Coltheart (2004) sugeriram que essa conexão entre consciência fonológica e aprendizagem da leitura e da escrita surge porque ambas as habilidades são índices das habilidades ortográficas. Uma hipótese levantada pelos autores é a de que talvez não seja possível adquirir consciência fonêmica na falta de instrução das correspondências grafofonológicas. Em conseqüência, seria possível também que o mais forte fator preditivo para a aquisição da leitura e da escrita fosse o conhecimento de grafemas.

Esses aspectos apontados por Castles e Coltheart (2004) são de extrema importância para o prosseguimento dos estudos de aquisição de leitura e escrita. Se a consciência fonológica, habilidade estreitamente relacionada à aquisição da leitura e da escrita, estiver condicionada à instrução das correspondências grafofonológicas, essa habilidade deve ser alvo do ensino alfabético. Nesse sentido, a influência do método de ensino tem sido apontada como uma variável capaz de determinar diferenças tanto com relação ao desenvolvimento das habilidades fonológicas como, por conseqüência, com relação ao desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. A influência do método de ensino é o tema da próxima seção.

2.3 A contribuição do método de ensino para as habilidades

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