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ENTRETIEN INDIVIDUEL 3 (EI3)

Dans le document Thèse Pour le (Page 128-137)

Ryff desenvolveu, em 1989, um conjunto de seis escalas que se designam de Escalas de Bem-Estar Psicológico (Scales of Psychological Well-Being – SPWB).

Ryff considera que o bem-estar é uma qualidade do funcionamento psicológico, intrinsecamente associado à saúde mental, havendo, por isso, a necessidade de uma operacionalização do bem-estar. As seis escalas autónomas constituídas por indicadores diferenciados de cada uma das dimensões do modelo de bem-estar psicológico são:

i) a aceitação de si;

ii) as relações positivas com os outros; iii) o crescimento pessoal;

iv) os objectivos na vida; v) o domínio do meio; vi) a autonomia.

No seu modo original, as seis Escalas de Bem-Estar Psicológico são constituídas por um grupo de 120 itens, 20 em cada escala. Estes itens são compostos por afirmações descritivas, com modalidades de resposta tipo Likert e com diferentes categorias de resposta, designadamente: 1 – Discordo completamente; 2 – Discordo em grande parte; 3 – Discordo parcialmente; 4 – Concordo parcialmente; 5 – Concordo em grande parte; 6 – Concordo completamente. Diferentemente, as Escalas de Bem-Estar Psicológico, adaptadas à língua portuguesa, são constituídas por 84 itens, de acordo com o proposto por Ryff & Essex, em 1992 (Novo, 2000).

Estas seis Escalas de Bem-Estar Psicológico têm sido objecto de uma utilização bastante abrangente, sobretudo em amostras de idades adulta e avançada, existindo, portanto, pouco estudos de bem-estar psicológico com adolescentes. No contexto nacional, apenas conhecemos o estudo empírico de Fernandes, sobre o bem-estar psicológico em adolescentes, que aplicou as Escalas de Bem-Estar Psicológico (Scales of Psychological Well-Being – SPWB) de Ryff, na versão portuguesa, adaptada para 30 itens.

No nosso estudo, adoptámos esta versão dos 30 itens, que foi adaptada e validada por Fernandes (2007) (Anexo III), com vista à avaliação do bem-estar psicológico dos participantes constantes da nossa amostra. A escolha deste instrumento prendeu-se com dois aspectos fundamentais, por um lado, por ser uma escala que avalia esmiuçadamente o construto do bem-estar psicológico, uma vez que integra as seis escalas autónomas, acima referenciadas, do modelo Psychological Well-Being (PWB) de Ryff, e, por outro lado, porque foi adaptada com o objectivo de ser aplicada a adolescentes, tal como acontece com os propósitos da nossa investigação.

O conjunto dos 30 itens, distribuídos pelas seis dimensões, possui vinte e sete itens positivos e três itens negativos (cf. Quadro 14). As respostas aos itens são atribuídas numa escala tipo Likert de 5 pontos (1 – Discordo plenamente; 2 – Discordo; 3 – Nem discordo, nem concordo; 4 – Concordo; 5 – Concordo plenamente), que quando somados por total de cada escala permitem analisar a variabilidade por dimensão das Escalas de Bem-Estar Psicológico (EBEP).

Quadro 14 - Distribuição dos itens (positivos e negativos) pelas Escalas de Bem-Estar Psicológico

Dimensões Itens positivos Itens negativos Total

1 – Autonomia 1; 7; 13; 25. 19 5

2 - Domínio do meio 8; 14; 20; 26. 2 5

3 - Crescimento pessoal 3; 9; 15; 21; 27. - 5

4 - Relações positivas com os outros 4; 10; 16; 22; 28. - 5

5 - Objectivos na vida 11; 17; 23; 29. 5 5

6 - Aceitação de si 6; 12; 18; 24; 30. - 5

Total 27 3 30

O somatório dos valores das 6 escalas permitem um resultado designado de bem-estar

global que se constitui como indicador do conceito base de bem-estar psicológico, tal como

afirma Fernandes (2007).

Os valores do coeficiente Alpha de Cronbach para a EBEP situam-se no intervalo 0,85 a 0,90 quando aferida a consistência interna da medida de bem-estar psicológico global para a amostra total e, relativamente ao coeficiente Alpha de Cronbach, para cada escala, Fernandes (2007: 211) obteve os seguintes valores: 0,595 para a escala Autonomia; 0,593 para a escala

positivas com os outros; 0,675 para a escala Objectivos na vida e o valor de 0,702 para a

escala Aceitação de si.

Na verdade, de acordo com Hill & Hil (2008), o valor de Alpha de Cronbach entre os 0.80 e os 0.90, considerando todos os itens, coloca as escalas num nível de robustez considerado muito bom, facto que levou a escolhermos esta versão dos 30 itens para o nosso estudo.

4.4. Procedimentos

Foram tomados todos os procedimentos inerentes à autorização para a utilização das Escalas de Bem-Estar Psicológico e, junto do autor (Fernandes, 2007), através do contacto directo com o mesmo, obtivemos a sua anuência.

Seguidamente, solicitámos as devidas autorizações junto dos órgãos de gestão das escolas A e B onde decorreu a recolha dos dados (cf. Anexo IV). Neste pedido formal às entidades competentes foram explicitados os objectivos, o design da investigação, assim como apresentado o instrumento de recolha de informações. Comprometemo-nos, igualmente, a garantir a confidencialidade dos dados. Após a cedência das autorizações pelos órgãos de gestão das escolas A e B, contactámos os directores das turmas dos 8º e 11º anos de escolaridade, a fim de acordarmos sobre como, onde e quando íamos proceder à aplicação do instrumento. Ficou então acordado que os directores das turmas aplicavam o instrumento durante o mês de Maio de 2010, em contexto de sala de aula, mais propriamente no início das actividades lectivas de uma aula.

Dado que a amostra é constituída por estudantes com idades inferiores a 18 anos tomámos medidas do foro ético. Assim, foi pedido a cada Encarregado de Educação dos estudantes inquiridos o consentimento informado (Anexo V) para participar na investigação em apreço e recorremos aos Directores de Turma como mediadores privilegiados da comunicação com os Encarregados de Educação.

Os instrumentos (Escalas de Bem-Estar Psicológico e Escala de Cidadania para a Adolescência) (cf. Anexo VI) foram distribuídos por nós, directamente, nas escolas que seleccionámos para a recolha de informação, durante o mês de Maio de 2010. A aplicação dos instrumentos, pelos Directores de Turma, ocorreu no espaço de sala de aula, com uma duração aproximada de quarenta minutos.

Assim, na recolha dos dados, foram distribuídos 360 questionários, tendo apenas sido recolhidos 355 preenchidos e cinco destes questionários foram eliminados devido a um incorrecto preenchimento. Consequentemente, a amostra final para o estudo a que se propõe esta investigação é de trezentos e cinquenta casos (N=350).

Tendo em conta esta natureza quantitativa da investigação, os dados foram organizados no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 15.0, e seguidamente foram realizados os procedimentos estatísticos necessários.

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Em síntese, neste capítulo definimos o design de investigação e as respectivas opções metodológicas, problematizámos as questões de partida, explicitámos os objectivos e definimos as hipóteses decorrentes destes. Identificámos e caracterizámos a amostra, descrevemos os instrumentos de pesquisa utilizados e explicitámos os moldes em que decorreu a recolha da informação, assim como os procedimentos éticos.

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