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ENTRETIEN AVEC M. RAIDI, VICE-PRÉSIDENT DU COMITÉ

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ANNEXE I LES ENTRETIENS DE LA DÉLÉGATION

IV. ENTRETIEN AVEC M. RAIDI, VICE-PRÉSIDENT DU COMITÉ

Muitas foram as dificuldades durante o processo de construção desse trabalho de conclusão de curso no que se refere às questões que foram surgindo no decorrer do processo de delimitação de tema e como esse abrangeria o recorte temporal proposto na pesquisa. Mas é gratificante poder “encerrar” essa inicial pesquisa, pois a mesma proporcionou um melhor conhecimento de uma produção cultural que apesar de ser popularmente conhecido pouco está presente no nosso cotidiano ou nas discussões sobre base documental histórica.

Os cordéis nos proporcionaram “enxergar” o mundo através dos olhos dos seus produtores (cordelistas), analisar como esses homens viam e viviam seu contexto social, econômico e cultural a partir dos seus versos simples porém carregados de significados e ideologias, que nas entrelinhas tratam de temas que estavam em “destaque” na sociedade em que estavam inseridos. Assim, a condição social desses poetas não os impediram de estar atentos ao que se passava e preocupava aos intelectuais (médicos, juristas, higienistas) e percebemos como esses discursos se imbricavam.

No entanto, o tema não se esgota nessa simples produção textual, há muito “mar a desbravar” ainda. Mas, o que se propôs nesse trabalho de pensar o folheto de cordel como produção do tempo e espaço do seu produtor nos ajudou a delimitar as produções da representação feminina e ponderar como tais representações influenciariam as relações sociais (amorosas, familiares) estabelecidas pelas personagens nas narrativas, contribuindo de fato para futuras pesquisas nas áreas de pesquisa tanto sobre o cordel quanto sobre a modernidade e as representações femininas, enriquecendo os estudos pertencentes ao âmbito de História Cultural e de alguma forma, da História Regional.

Buscou-se ao longo do trabalho analisar os cordéis através do contexto em que foram produzidos e como eles traçaram os perfis femininos a partir das transformações (mudanças) proporcionadas pela modernidade. No tocante à problemática, podemos afirmar que foi possível pensar nas hipóteses que dariam resultado para a proposta da pesquisa. Vemos, portanto uma similaridade nos discursos proferidos tanto pelos homens de instrução e formação quanto pelos cordelistas, viventes na maioria das vezes, da área rural de alguns dos Estados como Paraíba, Ceará e Pernambuco.

Os discursos articulados sobre o feminino nos cordéis encontram conformidade com os enunciados nas revistas e jornais que se preocuparam em alertar a sociedade os perigos que os novos tempos trariam para os valores morais e honra social de toda uma coletividade. É possível diferenciar em alguns pontos o objetivo dos “alertas” para o “perigo” das novas

posturas e novos comportamentos imitadores de outros centros modernos difundidos pelos poetas e pelos escritores.

Se os intelectuais da época buscaram maneiras de controlar as posturas através das instituições sociais, pautados nos discursos científicos da época, os cordelistas mostram uma preocupação principalmente no que se refere à honra feminina que seria um “espelho” para a honra do seu cônjuge. Mostrando, ora através da sátira/humor ora da crítica aberta e de um discurso moralizante, os “excessos” que a sociedade do seu tempo vive.

Enfim, é plausível perceber que o cordelista enxergava o seu espaço e as mudanças que pouco a pouco foram sendo sentidas em conformidade com os demais produtores de discursos (médicos, juristas, religiosos, etc.) na sociedade de 1920 e 1930. Vemos que apesar de em alguns cordéis o homem ser a personagem que organiza toda a trama e que seria responsável, em alguns casos, pelos efeitos negativos de sua passividade perante os desmazelos femininos, temos igualmente cordéis que ressaltam de forma menos crítica a participação feminina nos outros espaços sociais. Entretanto, alguns cordelistas mostram, a partir de uma produção de um ideário feminino (modelo perfeito/ideal) que as mulheres deveriam saber ou compreender que lugar social lhes cabia, garantindo, assim, a sua honra e a de seu lar.

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23Alguns dos cordéis que não apresentam data foram escolhidos levando em consideração ao recorte temporal em que abrange a produção cordelistica dos poetas. Barros e Resende sendo considerados poetas da primeira geração tem suas produções delimitadas entre os anos de 1900 a 1930, abrangendo as décadas utilizadas aqui na pesquisa. Ressaltando também que muitos desses cordéis foram reproduzidos inúmeras vezes. Já os poetas da segunda geração, como Athayde, tem as produções abrangendo as decadas de 1920/30 em diante. Para consultar sobre a primeira e geração de poetas popular ver http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/poeta.html# .

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