A cada ano, quatro apostilas são elaboradas e entregues aos monitores. Elas seguem a mesma estrutura quanto à diagramação e à seleção de conteúdos. São organizadas em folhas de papel A4, grampeadas, com cópias feitas em preto e branco, com exceção das capas que são coloridas. No cabeçalho, consta a identificação do projeto, o endereço da Rede Gazeta e os números de telefones e
endereços de e-mail, de hot site e de orkut de A Gazeta na Sala de Aula. Têm entre 30 a 44 páginas e não seguem uma padronização quanto ao posicionamento do índice – pode ser encontrado logo após a capa, mas também é a contracapa de algumas apostilas.
Como as apostilas são organizadas a partir de recortes de jornais, apresentam letras com diferentes fontes, fotografias e gráficos de diferentes tamanhos; enfim, as apostilas reúnem materiais jornalístico e publicitário. Esta é a sua moldura enunciativa, mas ela não é constituída pela representação visual para “[...] atrair a atenção de quem observa”, como explica Teixeira (1996, p. 95). A moldura enunciativa das apostilas de A Gazeta na Sala de Aula é a competência enunciativa do enunciador que em um emaranhado de informações jornalísticas e publicitárias consegue sistematizar um fazer didático.
Esse recorte de informações consiste em matérias jornalísticas publicadas nos veículos da Rede Gazeta, orientações sobre como o material jornalístico pode ser trabalhado com alunos, informações sobre os veículos de comunicação da empresa e serviços prestados, além de anúncios publicitários também referentes a veículos da Rede Gazeta. Como é exemplificado a seguir:
a) Orientações sobre como o material jornalístico pode ser trabalhado com alunos:
FIGURA 23 – Apostila da Oficina B
b) Informações sobre os veículos de comunicação da empresa e serviços
prestados:
FIGURA 24 – Apostila da Oficina A
c) Anúncios sobre serviços ou veículos referentes à Rede Gazeta:
FIGURA 25 – Serviços da Rede Gazeta. Apostila da Oficina A.
FIGURA 56 – Anúncio publicitário do portal Gazeta Online. Conteúdo da apostila da Oficina A –
Tempo de paz.
Fonte: A Gazeta na Sala de Aula
Em 2011, a primeira oficina aconteceu no dia 24 de março, quando o tema “Escola e família: espaço de paz” foi apresentado como a temática anual a ser trabalhada, e os monitores receberam a primeira apostila – Oficina A – que tem como título “Tempo de paz”.
O direcionamento para que o material produzido pela equipe de A Gazeta na Sala de Aula sirva como instrução do que pode ser feito em relação ao uso dos produtos jornalísticos na escola é explícito no próprio material elaborado pela equipe. Na primeira apostila, que acompanha a Oficina A, na ficha de planejamento, são colocadas orientações, tais como: utilizar a mídia de forma criativa, descrever o que foi realizado, citar de que forma as mídias foram utilizadas, registrar atividades diferentes das apresentadas na apostila, trabalhar o material com foco na leitura crítica, envolver a família nas atividades, entre outros. Além de pontuar as etapas que o professor deve incluir para o desenvolvimento da atividade: leitura, interpretação, discussão e pesquisa. Configurando-se um guia, um manual para o professor trabalhar temáticas da atualidade. Ele direciona o fazer do professor.
FIGURA 27 – Modelo de Ficha de Planejamento disponibilizado na apostila da Oficina A – Tempo
de paz.
Apesar de incentivar o professor para que ele use diferentes mídias na escola, a equipe de A Gazeta na Sala de Aula prioriza o uso do jornal impresso. Uma das orientações para o planejamento das atividades pedagógicas é que o professor tenha sempre como base o jornal impresso. Este veículo é o jornal A Gazeta. A partir de reportagens publicadas pelo jornal, são sugeridas atividades para serem desenvolvidas com os alunos. Neste cenário, o material jornalístico cumpre o seu papel de levar para a sala de aula questões da atualidade, a partir de temas presentes no dia a dia dos jovens, tais como: casamento, namoro, sexo, adolescência, educação, anorexia, etc. As formas como estes temas podem ser discutidos em sala de aula são apresentadas nas atividades propostas.
Para as atividades são utilizados verbos no imperativo afirmativo, convocando o professor-enunciatário a realizar uma ação: converse, leia, promova, dirija, apresente, questione, divida, etc. Os verbos no imperativo afirmativo também estão presentes nos objetivos das oficinas, por exemplo, na Oficina C – “Bem-me-quer, Malmequer” são apontados os seguintes objetivos:
FIGURA 28 – Exemplo de objetivos apontados para as Oficinas Pedagógicas.
A Gazeta na Sala de Aula coloca-se em um patamar de referência para ensinar e direcionar como algumas temáticas sociais devem ser debatidas no espaço escolar. Este saber de A Gazeta na Sala de Aula é modalizado pela produção jornalística da Rede Gazeta, principalmente do jornal A Gazeta. Quem detém o conteúdo do saber são os veículos de comunicação da empresa; enquanto, o saber de adequar este conteúdo informativo para a educação cabe A Gazeta na Sala de Aula. Mas, é a ação do professor que transforma a produção noticiosa em atividades didático- pedagógicas. Para isso, é necessário que o professor assuma a enunciação, passando de enunciatário a enunciador.
Essa inversão de papéis só acontecerá se o discurso do enunciador – A Gazeta na Sala de Aula – exercer o fazer veridictório, ou seja, construir o seu discurso com marcas cujos efeitos de sentido possam ser interpretados como verdadeiros pelos enunciatários monitor e professor. É a adesão do enunciatário que estabelece o contrato de veridicção, que só é firmado quando o enunciatário tem confiança no enunciador. Esta relação de credibilidade possibilita o contrato fiduciário.
O cumprimento dos contratos leva a realização do sujeito manipulador e alimenta o seu fazer contínuo, que é o professor seguir o que A Gazeta na Sala de Aula propõe para ser trabalhado na escola, enquanto projeto que envolve o uso das mídias.