• Aucun résultat trouvé

Enhanced ShockBurstTM transaction diagram

No seu livro acerca dos fundamentos do desenho destinado a estudantes de cursos artísticos universitários, Aubyn (1998) afirma que é a linha que define a forma — o

desenho de contorno (contour drawing) — dando o exemplo da linha feita pelo lápis e

que contorna os dedos da mão. A linha de contorno, tal como é utilizada no desenho, quer seja de uma criança ou de um adulto, é entendida, genericamente, por diversos autores e investigadores como a forma gráfica elementar (Nicolaides, 1941; Gibson, 1966, 1979; Arnheim, 1974; Kennedy, 1994; Edwards, 1979, 1999; Aubyn, 1998).

Segundo Kennedy (1994), na continuidade das ideias de James Gibson, principal mentor da abordagem ecológica25 da percepção visual, os contornos que definem os limites dos objectos são os elementos principais nas imagens:

«The elements on which picture are based are the contours  abrupt borders or gradual transitions between one region of the picture and another. The contours in the picture generate perceptual effects like effects caused by the boundaries of solid objects. Therefore, the pictures contours can substitute for an object’s boundaries» (Kennedy, 1994:188).

No entanto, esta ideia de contorno dos objectos é invulgar nos programas de ensino tradicionais, em manuais escolares ou em desenho técnico. Desde o séc. XIX e ao longo de décadas no séc. XX, o «desenho escolar» era entendido como desenho linear. Na prática, o termo usado era o de «traço». Desenhar seria, assim, a actividade de traçar e elaborar formas gráficas mais ou menos complexas e designadas por «traçados geométricos» ou «construções geométricas». Contudo, nota-se a influência do desenho básico (Sausmarez, 1958), em Portugal, na disciplina de Educação Visual — o desenho é marca, o gesto ou vestígio que o instrumento deixa na superfície e a forma gráfica torna-

25 «We are concerned here with things at the ecological level, with the habitat of animals and men,

because we all behave with respect to things we can look and feel, or smell and taste, and events we can listen to. The sense organs of animals, the perceptual systems, are not capable of detecting atoms or galaxies. Within their limits, however, these perceptual systems are still capable of detecting a certain range of things and events. One can see a mountain if it is enough faraway and a grain of sand if it is close enough. That fact is sufficiently in itself to deserve study. And it is one of the facts that this book will try to explain» Gibson (1979: 9-10).

se uma «linha» ou «linha geométrica». Em consequência, as propriedades físicas, materiais e visuais da forma gráfica são substituídas pelas suas propriedades

geométricas. Ou, dito de outro modo, se seguirmos a terminologia de Rudolph Arnheim,

o conceito visual da linha seria substituído pelo conceito geométrico da linha. Na verdade, a linha de contorno é um conceito que inclui quer as propriedades visuais quer as propriedades conceptuais do traço no desenho, embora as suas características não sejam propriamente geométricas ou matemáticas. Este conceito visual é, afinal, uma construção da percepção visual do sujeito observador, sendo o resultado de uma operação mental específica ao «transportar» a informação visual relativa à forma percebida. Para demonstrar esta ideia, consideremos as duas fotografias da Fig. 7.1., a silhueta de um objecto numa situação real em que um observador está colocado numa posição em que o sol é ocultado pelo objecto. Na fotografia da esquerda temos valores médios de claro-escuro e uma iluminação normal; na fotografia da direita há o contraste entre duas zonas da imagem, sendo uma clara e a outra muito escura, em alto contraste. Note-se que esta última é uma estratégia muito utilizada para representar as características da forma de um objecto no desenho, pintura e fotografia.

Fig. 7.1. Forma-silhueta.26

Se, num primeiro momento, a ideia de linha de contorno parece ser simples e evidente, uma análise mais profunda revelará ser frequente a confusão entre o contorno e a silhueta de uma forma, o mesmo é dizer entre os termos «contour» e «outline» na língua inglesa. Este ponto é bem claro: «We do not think of a line as a contour, unless it

26

A linha de recorte da massa sólida escura destaca-se em silhueta do céu iluminado que é o fundo da imagem. Esta linha de contorno contém toda a informação visual necessária para o observador reconhecer o objecto, com a possibilidade de usar ainda o conhecimento anterior e a memória pessoal de outras

follows the sense of touch, whereas an outline may follow the eye alone» (Nicolaides, 1941: 13).

Deste modo, embora arbitrária, estamos convencidos de que esta diferença poderá estar mais no sentido espacial, segundo a terminologia actual, na informação visual que é captada pelo observador, isto é, na sua qualidade tridimensional:

«We think of an outline as a diagram or silhouette, flat and two-dimensional. It is a sort of thing you make when you place your hand flat on a piece of paper and trace around the fingers with a pencil  you can not even tell from the drawing wheter the palm or the back of the hand faced downward. Contour has a three-dimensional quality; that is, it indicates the thickness as well as the length and width of the form it surrounds» (Nicolaides, 1941: 12).

Em consequência, a linha de contorno no desenho não é apenas uma silhueta plana, mas antes uma qualidade visual e táctil da forma do objecto: «The contour of any form in nature is never on one plane, but, as you follow it, is constantly turning in space» (Nicolaides, 1941: 20).

No âmbito de uma abordagem cognitiva sobre o desenho, neste estudo, entende-se, por linha de contorno, a informação visual que diz respeito às relações espaciais entre as superfícies do objecto. Segundo Nicolaides (1941: XIII): «The job of the teacher, as I see it, is to teach students, not how to draw, but how to learn to draw».

Documents relatifs