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THE 2001 DIGITAL 21 STRATEGY

TO ENHANCE THE WORLD CLASS E-BUSINESS ENVIRONMENT IN HONG KONG

Por meio de várias técnicas e estratégias as empresas conseguem reduzir seus riscos controlando e planejando as etapas do seu processo de produção em nível de fabricação das mercadorias. Uma destas estratégias pode ser acompanhada no Projeto Amazon, e consiste em terceirizar aos fornecedores grande parte da responsabilidade com a produção, e desta forma reservar para a empresa somente um mínimo de atividades, logo um mínimo de custos, e por conseguinte, um mínimo de riscos.

Mas o controle em nível interno é insuficiente para os objetivos de uma empresa. É necessário planejar as vendas, avaliar as incertezas sobre a situação econômica futura do mercado consumidor e sobre a conjuntura econômica futura. Este fato gera pressão por parte das empresas para que seja feita uma programação econômica pelo governo. Programação esta que permita as empresas ter garantias sobre aspectos do cenário econômico futuro, e assim realizar seus investimentos com um dado nível de segurança.

O planejamento estatal possui outra função indispensável para as empresas, exerce um importante papel anticíclico.

No sistema capitalista, segundo Mandel, desde o seu surgimento, a grande indústria apresenta um peculiar desenvolvimento com caráter cíclico. Este movimento, segundo este autor, tem como causa principal, justamente as incertezas de uma economia de mercado, sendo que não se pode ajustar o consumo final junto com a produção e nem há como se sincronizar as ações de investimentos de industrias que são concorrentes entre si, e também responsáveis pela quase totalidade da produção na sociedade.

Os ciclos econômicos se sucedem entre si, e são compostos por fases também sucessivas de recessão, ascensão, boom, superaquecimento, quebra e depressão, sendo que seus efeitos são sentidos em diferentes tempos e intensidades pelos dois setores da economia – produção e consumo, responsáveis respectivamente pela produção e encomenda de bens de produção. Estas fases podem ser expressas pela variação da taxa média de lucro que sintetiza o desenvolvimento dos processos de produção. (Mandel, 1982, p. 309)

Mesmo com este movimento cíclico, há uma tendência a uma taxa natural de crescimento no longo prazo, esta tendência é decorrente dentre outros fatores a inovação tecnológica e a expansão do mercado produtor e consumidor. Outra tendência é de uma redução nos períodos dos ciclos, esta redução tem como causas fatores anteriormente demonstrados, como a aceleração do avanço tecnológico e a redução do tempo de rotação do capital; entre outros. Também existe uma tendência a amenização das fases que compõem os ciclos, apesar deste ser crônico ao sistema produtivo; amenização esta que decorre primeiramente de uma melhor interferência estatal.

Outra forma encontrada pelas empresas de se protegerem dos ciclos econômicos está em se internacionalizarem. Ao transferirem parte da sua produção ou do seu processo produtivo para outros países as empresas minimizam a influência das fases do ciclo econômico nacional sobre estes. Esta estratégia é bastante viabilizada pelo paradigma tecnológico vingente, como bem coloca Wanderley & Balanco (2000, p. 84):

Um aspecto relevante que norteia atualmente a economia internacional envolve a compatibilidade da capacidade produtiva, fundada em novas tecnologias, com a ampliação espacial de empresas e indústrias. Como é sabido, as atuais máquinas polivalentes, que são capazes de gerar simultaneamente múltiplos produtos e que têm uma capacidade de produção que trancende os limites dos mercados nacionais, inevitavelmente, conduzem à criação de uma infra-estrutura para a mundialização do capital.

E esta proteção decorre em parte pelo fato da empresa fazer localizar fora uma parcela da sua produção e realização, fazendo com que os ciclos de um país amenizem os efeitos do outro; e em parte pelo fato da internacionalização do comércio, da produção e do crédito; e da própria existência de firmas multinacionais criarem um ciclo econômico internacional,

de fases mais amplas e, portanto, mais previsíveis e cujos efeitos ao se contraporem, também amenizam os efeitos dos ciclos nacionais. (Mandel, 1982, p. 316)

Sendo que se houver uma tendência de crescimento em nível internacional, as fases de

boom se intensificam e se prolongam, ocorrendo o contrário com as fases de recessão e

estagnação. Ocorrendo o contrário, o inverso torna-se verdadeiro; é a chamada internacionalização dos riscos, mas como foi visto o que predomina é uma tendência ao crescimento. Desta forma pode-se perceber que a internacionalização de uma empresa não só lhe permite ampliar o seu mercado e a obtenção de superlucros, como reduz os seus riscos, protegendo-a dos efeitos de crises e fases recessivas em seu país de origem.

Uma outra conseqüência desta maior sincronização dos ciclos industriais das potências internacionais é uma melhor divisão internacional do trabalho. Empresas, independentemente dos países de origem, conseguem penetrar nos mercados nacionais e substituir os concorrentes nativos devido ao diferencial de competitividade em relação a estes. As empresas tendem a não operar mais em um mercado geográfico, mas em nichos de mercados. Esta regra é valida também para a alocação de investimentos produtivos e obtenção de insumos. Mandel (1982, p. 225) observou a ocorrência deste fenômeno na industria automobilística, como pode ser acompanhado pela estrofe abaixo:

A indústria automobilística é um excelente exemplo: empresas européias e japonesas dominam o mercado norte-americano de carros pequenos; certas empresas(Mercedes, Volvo, BMW, Alfa-Romeo, Citroën, algumas companhias norte-americanas) dominam o mercado europeu de carros grandes e de luxo; algumas empresas especializam-se na produção de carros médios, e outras na produção de caminhões mais leves ou mais pesados, entre outros casos .

Outro motivo para as empresas internacionalizarem seus investimentos produtivos esta no protecionismo - decorrente do desenvolvimento desigual entre os países -, acesso a novas tecnologias, novos mercados e mão-de-obra mais barata; e também, como foi visto acesso a uma melhor combinação de fatores produtivos.

As empresas buscam alocar seus investimentos em locais que de algum modo possam outorgar um diferencial de competitividade para este tipo de atividade, que possa incrementar seu nível de produção, ou seja, que ofereçam vantagens competitivas. Uma vez de posse destas vantagens competitivas, as empresas que se internacionalizaram conseguem se consolidar em diversos países comercializando os seus produtos, se instalando e produzindo. Feito isto avançam sobre o mercado dos concorrentes locais,

geralmente menores, menos dotadas de capacidade de acumulação, que não se internacionalizaram ou o fizeram com menos sucesso.

Neste processo, as grandes empresas internacionais contam ainda com outras vantagens como o acesso a um maior volume de crédito a juros menores por serem teoricamente empresas de maior capital e mais seguras. De posse deste crédito podem fazer maiores investimentos, inclusive em inovações, aumentando ainda mais a sua diferença em competitividade para com as empresas de menor capital. Isto sem citar o fato de poderem comercializar com menores custos devido a sua maior escala.

Com isto as empresas de menor porte são forçadas a saírem do mercado. O que ocorre é que o mercados abertos para a concorrência internacional, torna-se mais competitivo e árduo, sendo que nestes as empresas de menor ou médio capital e, por conseguinte, com menos capacidade de competição, não conseguem se manter por muito tempo. A este processo de eliminação de empresas menores pelas empresas maiores e mais competitivas é denominado de Processo de Centralização do Capital, e ocorrendo a este nível, de Processo de Centralização Internacional.

Este fenômeno é visível, principalmente na indústria automobilística atual, onde as grandes empresas clássicas já tiraram do mercado grande parte das concorrentes menores que decidiram vender o seu capital por já se encontrarem em dificuldades, ou por decisão estratégica, constatando que com o acirramento da concorrência futuramente não haveria mais como competir.

Uma vez tendo auferido o mercado das empresas de pequeno ou médio porte, as grandes empresas internacionais, em um ambiente de competição agora ainda mais árduo que o anterior devido ao nível mais elevado dos concorrentes restantes, passam a buscar aumento de mercado e de competitividade realizando processos de fusão e aquisição entre si. Em teoria até restarem poucas grandes empresas atuando em um mercado, e logo em seguida, apenas uma.

Este fenômeno também é visível na moderna indústria automobilística, sendo exemplos a aquisição da empresa coreana Hiundai pela compatriota Ásia Motors e a fusão (ou absorção) da Competitiva empresa italiana Fiat pela tradicional Gigante americana General

Motors12. Vale ressaltar que em processos de fusão e aquisição, ao contrario de em casos de saída do mercado, as marcas, os produtos, o próprio capital fixo e parte do variável de uma empresa continuam a existir, o que realmente passa a ocorrer é um só controle sobre o Capital.

A formação de conglomerados internacionais, também é uma forma de resposta ao aumento dos riscos, pois representa uma maior capacidade de investimentos, maior escala, maior capacidade de negociação com os fornecedores, enfim, maior poder econômico.

Em um ambiente de centralização, as decisões estratégicas de uma empresa passam a ser ainda mais decisivas, pois é importante obter quaisquer tipos de vantagens sobre concorrentes que estejam em um mesmo patamar, para se diferenciar destes no momento em que for decidir, por exemplo, fusões com empresas também grandes, mas em níveis diferentes. Há também a possibilidade de, ao se adquirir uma vantagem, ela possa ser ampliada em um segundo momento considerando-se as inovações tecnológicas e o acirramento das exigências concorrenciais existente.

Os processos de Concentração e de Centralização do Capital não necessitam da internacionalização da economia para ocorrerem, embora esta os impulsione. Mesmo em uma economia fechada, havendo concorrência este termina por se dar, pois ele é típico e natural do sistema capitalista. Como foi visto anteriormente o Capital busca tornar-se hegemônico, e é neste sentido que os movimentos de Concentração e Centralização o levam, sendo que estes processos não se limitam ocorrer por dentro de um mercado apenas, grandes empresas de um mercado podem se inserir em mercados nos quais muitas vezes não possuem menor relação, ou realizarem movimentos de fusão e aquisição com empresas destes. Sintetizando, um Capital visa naturalmente tornar-se hegemônico no mercado como um todo.

Mesmo ao se fortalecerem e tornando-se internacionalizadas os ciclos internacionais ainda representam empecilho para o planejamento das grandes empresas multinacionais, e estas necessitam da atuação de uma forma de Estado Supranacional mais forte que o Estado Nacional clássico, capaz de superar não só as fases descendentes destes ciclos, mas

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A própria GM surgiu como sendo o resultado de uma fusão ocorrida no inicio do século, de um grupo de pequenas empresas automobilísticas de Detroid, visando assim poder competir com a Ford, empresa também sediada naquela cidade. Auferiram êxito neste objetivo.

também as novas contradições internacionais que surgem decorrentes de suas atividades, bem como oferecer proteção contra perdas de câmbio, aumento de impostos aduaneiros e controle monetário; enfim um novo Estado Supranacional que libere suas atividades de restrições impostas pelo conceito clássico de soberania nacional.

Segundo Mandel (1982 p. 233), existem três modelos de Estados Supranacionais possíveis dado um novo quadro econômico internacional:

• Modelo do Superimperialismo, que constituí na existência de uma única nação dotada da hegemonia tanto do poderio militar quanto financeiro13;

• Modelo do Ultra-imperialismo, que constitui na hipótese das grandes empresas multinacionais se expandirem pelo mundo e independerem dos estados nacionais agora enfraquecidos, que deixam de interferir na concorrência entre elas;

• Modelo da Concorrência Imperialista, que vêm a ser a formação, por parte dos países de grandes blocos continentais, concorrendo entre si. Esta é a hipótese mais viável, e também a que acompanhamos se concretizar, com a formação de diversos blocos, sendo os principais, a Alca e o Mercado Comum Europeu. A formação destes blocos, é também uma conseqüência direta do acirramento da concorrência de seus grandes conglomerados multinacionais.

Em oposição a teoria de Mandel na qual o Estado se move em defesa dos interesses das grandes empresas multinacionais, há ainda a tese, defendida por alguns de que a união das nações em blocos econômicos visa se opor a força crescente destas empresas, que ao se internacionalizarem, tornam-se muitas vezes indiferentes à conjuntura dos seus países de origem, e evitar que se concretize o cenário do ultra-imperialismo. Deste modo a “fusão” econômica dos países em blocos poderia pretender a se “rivalizar” à fusão dos conglomerados industriais, cujo patrimônio supera o PIB de muitos países.

É neste cenário, diante de uma nova estrutura tecnológica e diante de um novo paradigma institucional internacional, que a indústria automobilística vem a finalmente, realizar um investimento de grande porte na Região Nordeste do país.

13

Este não chega a ser a situação do poderio norte-americano, pois este encontra rivalidade na Comunidade Européia e, por exemplo, econômica e militar no Japão e China respectivamente.