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69.”Energy Access Explorer, a dynamic geospatial information system to connect SDG 7 and sustainable development outcomes”,

A professora Estela22 era a regente da turma de quatro anos. Formada em

Pedagogia, atua no magistério há 20 anos, dez anos com a educação infantil. Professora efetiva do município de Cariacica há quatro anos, trabalhava há dois no CMEI “Singular”. Estela também trabalhava como professora de educação infantil contratada no município de Vitória, no turno matutino. Para a professora, na educação infantil é fundamental “Trabalhar os conceitos básicos. Porque eles já

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Os nomes dos sujeitos da pesquisa são fictícios.

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vivem isso [...] acho que a função nossa é essa: organizar o que eles já conhecem” (trecho da entrevista realizada em 7-7-2010).

Diante da inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais, no início da pesquisa, Estela se considerava despreparada para trabalhar com esses alunos por não ter formação adequada, uma vez que, na graduação, ela só teve uma disciplina voltada para educação especial, e a rede municipal só oferece formação continuada para os professores colaboradores de ações inclusivas e para pedagogos. A professora indicava a necessidade de investimento na formação dos professores regentes e não apenas dos especialistas para que a inclusão educacional pudesse acontecer de fato nas escolas.

Estela já havia trabalhado com um aluno com necessidade educacional especial numa escola particular, mas nunca com uma criança com autismo. Para a professora, diante da criança com autismo, o não saber do professor parece aumentar, pela falta de interação e por não conseguir identificar as vontades e os desejos do aluno.

A dificuldade maior que eu encontro é a falta de comunicação dele. Outra criança chegaria pra mim e falaria bem assim: ‘Tô com sede, eu quero ir ao banheiro’, mas ele não fala, então isso me angustia muito, porque... como é que eu vou saber a hora dele ir ao banheiro? A hora dele beber água?... isso que tá me angustiando... o trabalho a gente vai fazendo, só que eu fico angustiada, eu fico achando que não está funcionando alguma coisa, devido a ele não estar me respondendo, tá bom?, gostou? Essas coisas que a gente escuta das outras crianças. A gente sabe quando um aluno gostou de uma atividade ou não, eles expressam né? Até no rosto, no jeito, numa atitude, mas ele, não, ele não tem essa troca, então pra mim essa é a grande dificuldade[...] (trecho da entrevista com a professora regente ESTELA, realizada em 7-7-2010).

O fato de o aluno “não se expressar”, fazia com que as mediações realizadas pela professora tivessem como foco principal o cuidado. Sua preocupação era ficar por perto para que o aluno não se machucasse. Estela cercava Daniel de cuidados nos espaços fora de sala, principalmente nos momentos de brincadeira livre no parquinho. Ela segurava a mão de Daniel quando ele subia no escorregador, estava sempre ao lado dele e pedindo que as demais crianças tomassem cuidado com ele. Nessa relação de cuidado, Daniel também não conseguia se afastar da professora nos espaços fora de sala, sempre buscava por ela. Quando não a encontrava,

parecia ficar sem rumo, começava a andar de um lado para outro, balançando as mãos e os dedos.

A professora Raquel é a professora colaboradora de planejamento. A função desse profissional é cobrir o horário de planejamento das professoras do CMEI. Durante o planejamento, as professoras se ausentavam da sala, e Raquel assumia o papel de regente em cada uma das turmas. No CMEI, cada professor tem um dia de planejamento. No caso da turma de quatro anos, esse momento acontecia às segundas-feiras, dia em que Raquel realizava as atividades com a turma.

Raquel é formada em Pedagogia com especialização em educação infantil, atua no magistério há dez anos, é professora efetiva do município de Cariacica há quatro anos, mesmo tempo em que trabalha no CMEI “Singular”. No turno matutino, Raquel é professora regente de uma turma de quatro anos no mesmo CMEI.

Para Raquel, o maior desafio no trabalho com Daniel é a “socialização”: “[...] eu fico muito preocupada, eu sei que o isolamento é uma característica do autismo, mas ele precisa fazer parte do grupo, interagir... é a base do desenvolvimento. Se isso não acontece, como é que a gente faz? Eu nunca tive contato com um autista. O começo foi complicado” (trecho da entrevista realizada em 26-7-2010).

A inclusão escolar, para Raquel, requeria um trabalho diferenciado com as crianças com necessidades educacionais especiais a partir das atividades da turma: “[...] dentro da rotina da escola, trazendo ele para a turma sem deixar ele isolado, mas, ao mesmo tempo, olhando para sua especificidade”.

O início da pesquisa no CMEI “Singular” coincidiu com a chegada da professora colaboradora de ações inclusivas para atender aos alunos com necessidades educacionais do CMEI. Alice começou suas atividades uma semana depois do início da pesquisa de campo. Com experiência de dois anos no magistério, foi contratada pelo município para desempenhar a função de professor colaborador de ações inclusivas, função esta que já havia exercido durante três meses, em 2009, em outra escola da rede municipal de Cariacica.

A proposta de trabalho do professor colaborador de ações inclusivas, definida pela Seme, era atuar como facilitador do processo de inclusão junto ao professor regente,

planejando as ações em conjunto, realizando estudos com base nas formações recebidas quinzenalmente a partir do trabalho realizado com a turma e com o grupo. Quando questionada sobre o trabalho com a criança com autismo, Alice respondeu: Apesar de trabalhar na rede nessa área de educação inclusiva, eu nunca podia imaginar que ia cair assim um autismo logo. Tem pouco tempo que trabalho na rede, eu pensei que isso ia cair pra mim mais tarde, quando eu tivesse experiência. Mas caiu pra mim, eu tô tentando desenvolver, mas não tá fácil, não [...]. Logo que eu cheguei, a angústia foi dele não olhar nos meus olhos, é você chamar e ele não responder. Você tá falando com ele, ele vira para o lado e faz de conta que você não tá falando nada. Isso tava me matando por dentro (trecho da entrevista realizada em 6-7-2010). A professora colaboradora de ações inclusivas participava quinzenalmente de uma formação continuada promovida pela Seme, somente com o grupo de professores nessa função, e mensalmente de um grupo de trabalho com os pedagogas e professores colaboradores de ações inclusivas. A política de formação não contemplava a participação do professor regente nos encontros de estudo, e quem deveria promover momentos de formação com o professor regente era o professor colaborador de ações inclusivas no espaço do CMEI.

A política de formação continuada do município é um ponto questionado pela professora regente que consideramos importante ressaltar. Destaca a professora a necessidade de investimento em momentos de formação continuada para os professores regentes da rede que tenham alunos com necessidades educacionais especiais em sala. Para ela, essa formação não deveria ficar apenas a cargo do professor colaborador de ações inclusivas, o que nem sempre acontecia por conta de outras demandas do CMEI.

Diante das falas das professoras, é possível perceber que elas não se sentiam preparadas para trabalhar com uma criança com autismo. A “não interação” por parte da criança as angustiava, não sabiam o que fazer, como se aproximar do aluno, interagir com ele e fazer com que ele fosse parte do grupo.