• Aucun résultat trouvé

Sc´ enarios de Collaboration

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 112-117)

DSMW : Wikis s´ emantiques multi-synchrones distribu´ es

3.2 Sc´ enarios de Collaboration

A metodologia construída para identificar os ocupados no segmento criativo na RMS permite que sejam obtidas informações sob duas perspectivas: a da classe criativa de Florida e a das indústrias criativas do DCMS. Esta característica, além de valorizar ambos os conceitos, amplia as possibilidades de análises da economia da RMS. Segundo Florida, os profissionais da classe criativa representavam 30% dos ocupados nos EUA em 2002, e apresentaram um crescimento superior a 10% nas últimas décadas em relação aos demais profissionais.

Florida e Tinagli (2004) encontraram as seguintes concentrações de classe criativa para a Europa: Bélgica (29,97%), Países Baixos (29,54%), Finlândia (28,61%), UK (26,73%), Irlanda (26,01%), Grécia (22,08%), Suécia (21,18%), Dinamarca (21,05%), Espanha (19,48%), Alemanha (18,17%), Áustria (16,92%), Itália (13,19%) e Portugal (13,14%). Para o Brasil, Golgher (2006) estimou um índice de 10,9% para os trabalhadores criativos em 2004, um percentual bem inferior ao dos EUA (30%) e da maioria dos países Europeus, aproximando-se apenas dos valores encontrados em Portugal e na Itália.

Uma outra realidade é demonstrada na TAB 5; percebe-se que a classe criativa representa 6,6% do total de ocupados na RMS, mas, se considerado apenas o núcleo super criativo, este percentual reduz para 3%. E quando o objetivo é identificar as ocupações desse núcleo restritamente relacionadas ao setor cultural, o percentual apresentado é de 2% do total de ocupados. Essa variação de 4,6% demonstra a abrangência do conceito de Florida.

Tabela 5. Distribuição das ocupações criativas na RMS, 2005 (%)

RMS Características Círculo 1 - Ocupações da Indústria Criativa Círculo 2 - Supercriativo cultural Círculo 3 - Supercriativo Círculo 4 - Classe Criativa ampliada Ocupados Total 1.511.910 1.511.910 1.511.910 1.511.910 Ocupados 54.183 30.630 45.635 99.603 Proporção dos ocupados nos segmentos

selecionados 3,6 2,0 3,0 6,6

Fonte: PNAD/ IBGE, 2005

Na TAB 5 também pode ser observado que as pessoas ocupadas em indústrias criativas respondem por 3,6% do total de ocupados na RMS. Nota-se que, apesar da investigação

possuir um caráter exploratório, o percentual de ocupados em indústrias criativas encontrado para RMS se aproxima do parâmetro inferior de 4% citado por O´Connor (2006) para áreas metropolitanas. Entretanto, salienta-se que, na composição desse círculo 1, não foram considerados todos os códigos de ocupações utilizados pelo Sistema de Indicadores Culturais do IBGE (2006), pois existiam ocupações que não se enquadravam ao conceito do DCMS60.

As adaptações metodológicas utilizadas nessa pesquisa não permitem a comparação direta dos percentuais da classe criativa da RMS com os obtidos nos EUA e na Europa. Contudo, as semelhanças existentes na natureza das atividades criativas empregadas tanto nos EUA e Europa, quanto na RMS, possibilitam que sejam efetuadas comparações aproximadas das informações. Esta condição também se aplica aos percentuais obtidos dos ocupados em indústrias criativas na RMS, outra ótica explorada pelo trabalho.

No livro The Rise of Creative Class (2002), Florida apresenta uma classificação de 49 cidades americanas, com mais de um milhão de pessoas, por percentual de concentração da classe criativa. As dez cidades que lideram o ranking da chamada “geografia da criatividade” são: Whashigton, D.C. (38,4%), Raleigh-Durham (38,2%), Boston (38%), Austin (36,4%), San Francisco (34,8%), Minneapolis (33,9%), Hartford, CT (33,4%), Denver (33%), Seattle (32,7%) e Houston (32,5%). Mesmo as últimas cidades relacionadas, Salt Lake City (26,8%), Louisville (26,5%), Memphis (24,8%), Grand Rapids, MI (24,3%) e Las Vegas (18,5%) apresentaram percentuais elevados em relação ao encontrado para RMS (6,6%).

Os índices citados acima demonstram o contraste das cidades americanas com a realidade encontrada na RMS. Na conjuntura americana o desafio dessas cidades está em aprimorar o grau de desenvolvimento econômico que já foi alcançado. Por exemplo, em Boston (38%), as faculdades e universidades assumem um papel de destaque na economia, pois além de serem as principais fontes de emprego da região, elas são responsáveis por atrair empresas de alta tecnologia, indústrias de softwares e de biotecnologia (FLORIDA, 2002). Essas características refletem numa economia mais sofisticada com relação à da RMS, principalmente pela contribuição do setor de serviços de alto fim.

60 No texto Creative cities: The role creative industries in regeneration, o Dr. Justin O´Connor cita que em áreas

Na RMS (6,6%), apesar do setor de serviços também assumir num papel de destaque na economia, o predomínio de serviços de baixo fim difere completamente do cenário de Boston. Logo, embora a concentração de membros da classe criativa se configure um elemento comum na análise, o estágio de desenvolvimento em que se encontra cada uma das economias é determinante para estabelecer panoramas tão díspares.

Abordando a realidade brasileira também são encontradas diferenças na performance da classe criativa entre os estados do país. Os percentuais obtidos por Golgher (2006), a partir da PNAD (2004), para os estados de São Paulo (14,7%), Rio de Janeiro (15,2%) e Minas Gerais (10,6%) ratificam a tendência desses trabalhadores se concentrarem em regiões urbanas com uma economia mais dinâmica e diversificada.

Salienta-se que estes valores não são totalmente comparáveis com o encontrado para RMS (6,6%) pelos seguintes fatores: primeiro, eles são referentes a estados brasileiros; segundo há uma diferença de um ano na coleta dos dados da PNAD, e, principalmente, devido à maior abrangência na seleção dos códigos de ocupações da CBO realizado por Golgher (2006). A compreensão de classe do autor, o fez considerar também como trabalhadores criativos as categorias que compõem o grande grupo (1) da CBO - Membros Superiores do Poder Público, Dirigentes de Organizações de Interesse Público e de Empresas, Gerentes -, enquanto que, na presente pesquisa foram consideradas apenas as categorias que integram o grande grupo (2) da CBO - Profissionais das Ciências e das Artes -.

Isto não significa dizer que uma proposta seja melhor que a outra, mas que demonstram diferentes óticas de análise sobre a aplicação do conceito controverso de classe criativa de Florida. Apenas ilustrando: quando aplicados os critérios dessa pesquisa para o estado da Bahia, os trabalhadores do setor criativo representavam 3,2% do total de ocupados (PNAD, 2005), enquanto, nos parâmetros de Golgher, eles respondiam por 6,1% (PNAD 2004).

O próprio autor reconhece que a expressão “setor criativo apresenta limitações e

imperfeições” (Golgher, 2006, p.8 apud MELLO, 2007 p.75). A inexistência de um consenso

do que vem a ser classe criativa e o reconhecimento de sua crescente relevância para o desenvolvimento regional instigam a explorar novos recortes metodológicos. Assumindo esses riscos, o presente estudo visa oferecer subsídios para novas reflexões sobre o setor criativo, tendo como objeto o perfil dos ocupados na RMS.

Para construir o perfil dos ocupados no segmento criativo da RMS, serão utilizadas algumas variáveis fornecidas pela PNAD como sexo, cor, idade, escolaridade, renda, número de trabalhos, faixa de horas trabalhadas, posição na ocupação, contribuição para previdência, local onde funciona a empresa ou negócio e condição na família. Com o objetivo de facilitar a compreensão das informações, estas variáveis serão agrupadas conforme os atributos pessoais dos ocupados e aquelas características que são definidas pelo mercado (SANTANA; SOUZA, 2001).

Tabela 6. Distribuição da população ocupada total e dos ocupados no segmento criativo segundo atributos pessoais, RMS, 2005 (%)

RMS Características Círculo 1 - Ocupações da Indústria Criativa Círculo 2 - Supercriativo cultural Círculo 3 - Supercriativo Círculo 4 - Classe Criativa ampliada Total dos Ocupados Sexo Masculino 57,7 50,3 57,5 43,9 55,3 Feminino 42,3 49,7 42,5 56,1 44,7 Idade 17 a 24 anos 26,2 19,7 16,0 12,5 21,5 25 a 39 anos 38,9 38,1 43,8 43,9 43,4 40 a 59 anos 31,5 36,0 36,1 39,5 31,6 60 anos e mais 3,5 6,1 4,1 4,0 3,5 Cor Indígena 0,4 0,7 0,5 0,4 0,5 Branca 23,8 30,6 39,7 43,3 18,7 Preta 25,8 22,5 17,4 16,9 28,4 Amarela 0,0 0,0 0,9 0,4 0,3 Parda 50,0 46,2 41,5 38,9 52,1 Escolaridade

Sem instrução e menos de 1 ano 0,4 0,7 0,5 0,2 4,1

1 a 3 anos 2,3 2,7 1,8 0,8 9,1

4 a 7 anos 13,8 11,6 7,8 3,8 23,4

8 a 10 anos 13,9 8,2 5,5 3,8 17,7

11 a 14 anos 50,8 36,1 32,4 25,5 36,9 15 anos ou mais 18,1 40,1 51,6 65,7 8,6 Não determinados e sem declaração 0,8 0,7 0,5 0,2 0,2

Na TAB 6 nota-se o predomínio do sexo masculino (55,3%) em relação ao total dos ocupados na RMS. Esta tendência se reproduz em três dos quatro círculos utilizados para a análise dos ocupados no segmento criativo. Inclusive, na coluna referente às indústrias criativas o percentual dos ocupados do sexo masculino (57,7%) é ligeiramente maior que o total. Porém, na coluna que representa os ocupados na classe criativa ampliada esta característica se inverte, 43,9% são do sexo feminino e 39,5% do sexo masculino. O fato é justificado pela presença, no grande grupo 2 da CBO - Profissionais das ciências e das artes -, de famílias com grande concentração de ocupados do sexo feminino como saúde, secretariado e assistência social.

Os dados para a variável idade, representada por faixas etárias, apontam para o predomínio dos ocupados na faixa de 25 a 39 anos, tanto nos quatro segmentos criativos (média 41,1%) como no total de ocupados (43,4%). As diferenças são notadas nos extremos da distribuição. Na faixa de 17 a 24 anos, a maior participação (26,2%) encontra-se na coluna das indústrias criativas, e na faixa acima de 60 anos, o maior percentual de ocupados 6,1% está na coluna dos super criativos culturais.

Na distribuição dos ocupados por cor, constata-se uma predominância dos pardos 52,1% na coluna que representa o total de ocupados, e nos quatro segmentos criativos, 44,1% em média. Na classe criativa ampliada, os brancos (43,3%) superam os pardos (38,9%). Os dados também indicam que os percentuais de ocupados da cor preta são inferiores a brancos e pardos em todas as colunas que representam a classe criativa. Esta situação não se reproduz nas colunas da indústria criativa 25,8% e para o total de ocupados 28,4% cujos percentuais de ocupados da cor preta só são inferiores aos de pardos.

A TAB 6 demonstra que a baixa escolaridade é uma característica predominante entre os ocupados totais na RMS (54,3%). Desses, 4,1 % não possuem sequer instrução e 50,2% dispõem de até 10 anos de estudo, ou seja, cursaram até o primeiro grau. No outro extremo da distribuição por anos de estudo, constata-se que 36,9 % do total de ocupados possuem entre 11 a 14 anos de estudo, e apenas 8,6%, possuem mais de 15 anos.

Esta realidade é diferente para os ocupados no segmento criativo da RMS em todos os quatro círculos. Para os ocupados nas indústrias criativas, 50,8% possuem no mínimo 14 anos de estudo e 18,1% possuem 15 ou mais anos. Pela perspectiva da classe criativa, para os ocupados na faixa dos 15 anos ou mais de escolaridade, os percentuais encontrados são os

maiores, 40,1% para os classificados como super criativos culturais, 51,6% para os super criativos e 65,7% para aqueles que compõem a classe criativa ampliada de Florida.

Analisando o conjunto das três colunas que representam os ocupados na classe criativa, os percentuais médios revelados de escolaridade para as faixas de 11 até 14 anos de estudos e de 15 ou mais anos são respectivamente 31,3% e 52,5%. Comparando esses resultados com os percentuais dos ocupados nas indústrias criativas para as mesmas faixas de escolaridade são encontrados 50,8% e de 18,1%. Isto destaca a relação que Florida estabelece ao considerar a criatividade como sinônimo de altos níveis de educação formal.

Tabela 7 Distribuição da população ocupada total e dos ocupados no segmento criativo conforme algumas características do mercado de trabalho, RMS, 2005 (%)

RMS Características Círculo 1 - Ocupações da Indústria Criativa Círculo 2 - Supercriativo cultural Círculo 3 - Supercriativo Círculo 4 - Classe Criativa ampliada Total dos Ocupados Posição na Ocupação Empregado 47,3 51,7 65,3 75,9 60,1 Conta própria 50,8 46,3 32,9 20,3 23,3 Empregador 1,5 1,4 1,4 2,9 3,9

Trabalhador não-remunerado membro da unidade

domiciliar 0,4 0,7 0,5 0,2 1,6

Outros trabalhadores domésticos e não remunerados

0,0 0,0 0,0 0,6 11,2

Contribui p/ Inst. Previdência

Sim 33,8 38,8 57,1 69,2 51,3

Não 66,2 61,2 42,9 30,8 48,7

Faixa de horas trabalhadas

0 a 20 horas 33,8 29,9 21,0 23,4 15,3

21 a 40 horas 42,7 46,9 57,1 57,1 40,4 Mais de 40 horas 23,5 23,1 21,9 19,5 44,3

Local onde funciona a empresa ou negócio

Loja, oficina, fábrica, escritório, escola, repartição pública

51,2 55,1 68,9 84,1 63,6 No domicílio em que reside 30,4 31,3 21,0 10,7 7,5 Em domicílio de empregador, patrão, sócio ou freguês 3,5 2,7 1,8 1,0 12,2 Em local designado pelo empregador, cliente ou freguês

14,6 10,9 8,2 4,2 9,1 Outros (Fazenda, sítio, granja, chácara, etc.; em veículo

automotor; em via ou área pública)

0,4 0,0 0,0 0,0 7,6

Sabe-se que os ocupados no segmento criativo possuem um nível de escolaridade superior ao da população ocupada em geral, uma característica valorizada pelo mercado de trabalho. Mas, quais são as especificidades desse segmento no que se refere à posição na ocupação, contribuição para previdência, faixa de horas trabalhadas, local onde funciona a empresa? São essas questões que os dados contidos na TAB 7 pretendem esclarecer.

Conforme a posição na ocupação, os dados apontam que 60,1% do total de ocupados são empregados. No segmento criativo, os percentuais dos ocupados como empregados na classe criativa ampliada 75,9%, e no núcleo super criativo 65,3%, superam os 60,1% do total de ocupados. Cenário que ratifica a importância do grau de instrução e da qualificação profissional para o mercado de trabalho. Para a categoria dos trabalhadores por conta própria, um outro panorama é revelado, os maiores percentuais de ocupados nesta condição encontram-se nas indústrias criativas (50,8%) e no super criativo cultural (46,3%).

Isto revela que, para as ocupações criativas diretamente relacionadas com a cultura, os autônomos predominam. Esta especificidade pode ser comprovada pelos percentuais dos ocupados em indústrias criativas (66,2%) e dos super criativos culturais (61,2%), que não contribuem para o instituto de previdência social. A situação se inverte para os ocupados na classe criativa ampliada e aqueles que representam apenas seu núcleo super criativo. Eles são os que mais contribuem para a previdência, respectivamente com os percentuais 69,2% e 57,1%, inclusive, superando o percentual de 51,3% do total de ocupados.

Quanto à faixa de horas trabalhadas, 44,3% do total de ocupados trabalham mais de 40 horas e a maioria dos ocupados nos segmentos criativos trabalha na faixa de 21 a 40 horas. Entretanto, para a faixa de até 20 horas trabalhadas, os percentuais apontados para os quatro segmentos criativos são: indústrias criativas (33,8%), super criativos culturais (29,9%), classe criativa ampliada (23,4%) e núcleo criativo (21%), que excedem os 15,3% apresentados para o total de ocupados, ou seja, os profissionais dos segmentos criativos também são os que mais desempenham jornadas inferiores a 40 horas.

Segundo o local onde funciona a empresa ou negócio, 63,6% dos trabalhadores desempenham suas funções fora de sua residência, percentuais ainda mais acentuados podem ser observados para os ocupados na classe criativa ampliada (84,1%) e em seu núcleo super criativo (68,9%). Mas, a variável também demonstra que, em relação ao total de ocupados (7,5%), aqueles dos

setores criativos relacionados com a cultura são os que mais trabalham em seus próprios domicílios. Os ocupados em indústrias criativas representam 30,4% e os ocupados no núcleo super criativo cultural 31,3%. Esses percentuais também sinalizam a concentração de autônomos no setor.

Tabela 8 Distribuição da população ocupada total e dos ocupados no segmento criativo conforme rendimentos, condição na família e número de trabalho, RMS, 2005 (%)

RMS

Características Ocupações da Círculo 1 - Indústria Criativa Círculo 2 - Supercriativo cultural Círculo 3 - Supercriativo Círculo 4 - Classe Criativa ampliada Total dos Ocupados Condição na Família Chefe 40,4 48,3 49,8 47,5 49,3 Cônjuge 17,7 18,4 17,8 24,3 22,6 Filho 32,7 27,2 27,4 23,8 21,1 Outro parente 8,1 5,4 4,1 3,6 4,8 Agregado 0,4 0,7 0,5 0,4 0,7 Pensionista 0,8 0,0 0,5 0,4 0,6 Empregado doméstico 0,0 0,0 0,0 0,0 0,9 Renda

Até 1 salário mínimo 42,7 32,7 22,4 15,5 45,3 Mais de 1 até 2 salários 23,1 17,0 13,7 13,4 29,3 Mais de 2 até 5 salários 18,1 26,5 22,8 29,7 16,4 Mais de 5 salários 16,1 23,8 41,1 41,4 9,1

Número de Trabalho

Um Trabalho 94,2 89,1 90,9 82,4 94,9

Dois Trabalhos 5,4 9,5 8,2 13,6 4,7

Três ou mais 0,4 1,4 0,9 4,0 0,4

Fonte: PNAD/ IBGE, 2005

A variável condição na família apresentada na tabela indica que a maioria dos ocupados na RMS são chefes de família (49,3%), e que nos segmentos criativos esta tendência também se faz presente. O percentual de ocupados no núcleo super criativo que se encontra nessa condição (49,8%), inclusive, supera o de total de ocupados na RMS. Embora a concentração de chefes de família entre os ocupados em indústrias criativas (40,4%) seja inferior ao total de ocupados, a distribuição sinaliza que eles dispõem de um maior nível de remuneração.

Um reflexo dos baixos níveis de escolaridade entre os ocupados na RMS pode ser constatado na TAB 8. Observa-se que 74,6% do total de ocupados são remunerados com até dois salários mínimos, sendo que desses, 45,3% possuem uma renda de até um salário mínimo. Nota-se que esse percentual se aproxima do apresentado na TAB 6 (50,2%) para o total de ocupados que dispõe apenas do primeiro grau de instrução.

Para os ocupados nos quatro segmentos criativos, os dados apontam um cenário mais promissor. Na faixa de mais de dois até cinco salários, os ocupados nos quatro segmentos, indústria criativa (18,1%), super criativo cultural (26,5%), núcleo da classe criativa (22,8%) e a classe criativa ampliada (29,7%), apresentam percentuais superiores a 16,4% do total de ocupados. Este cenário reflete a correlação positiva entre anos de estudo e nível de renda presente na distribuição.

Considerando-se a faixa de mais de cinco salários, as ocupações selecionadas por Florida como classe criativa ampliada e seu núcleo super criativo apresentam os maiores percentuais de toda a distribuição, respectivamente 41,4% e 41,1%. Apenas 9,1% do total de ocupados na RMS encontram-se nessa mesma faixa de remuneração. Os resultados não surpreendem, pois esses trabalhadores representam a melhor parcela das ocupações do setor de serviços, profissionais com altos níveis de escolaridade, mais qualificados e melhor remunerados.

Os segmentos criativos relacionados com a cultura também apresentam uma tendência semelhante. Para a faixa de renda de mais de cinco salários, nota-se que a participação dos ocupados nas indústrias criativas (16,1%) e a daqueles classificados como super criativos culturais (23,8%) é superior à apresentada pelo total de ocupados (9,1%). Considerando que, entre os ocupados em indústrias criativas, existem profissionais de nível médio, ainda assim, sua remuneração é melhor que a do total de ocupados na mesma condição.

Nota-se também, que a maioria dos ocupados na RMS possui apenas um trabalho (94,9%), e aqueles da classe criativa ampliada são os que apresentam a maior participação, tanto na categoria de dois trabalhos (13,6%) quanto na faixa de três trabalhos (4%). Para a categoria de dois trabalhos, os percentuais dos ocupados nas indústrias criativas (5,4%) e dos enquadrados como super criativos culturais (9,5%) são superiores ao do total de ocupados (4,7%).

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 112-117)