• Aucun résultat trouvé

4.5 Consommations et confort thermique

4.5.2 En hiver

A pesquisa qualitativa trabalha essencialmente com dois tipos de dados: os visuais e os verbais. (FLICK, 2004, p. 27). Os dados verbais podem ser coletados através do inquérito

pessoal, pois segundo Samara e Barros (2002, p.65), “com ele se obtém o maior número de informações possível do entrevistado”.

Para realizar a pesquisa dentro dos parâmetros técnicos desejáveis, no presente estudo, foi empregada a técnica de coleta de dados através de entrevistas em profundidade. Tendo em vista que o assunto investigado contém uma série de aspectos subjetivos que são ligados às emoções e que fazem parte dos processos mentais dos indivíduos, há vantagens reais e evidentes na utilização da entrevista pessoal.

Como vantagens, é possível citar que a proximidade e a interação que se estabeleceu entre entrevistador e entrevistado, pois estas condições proporcionaram uma grande riqueza de dados e contribuíram, em muito, para lançar luz ao problema desta pesquisa.

A afirmação de Richardson (1999, p. 207) complementa esta idéia:

(...) a melhor situação para participar na mente do outro ser humano é a interação face a face, pois tem o caráter, inquestionável, de profundidade entre as pessoas que proporciona as melhores possibilidades de penetrar na mente, vida e definição dos indivíduos.

E, por tratar-se de um grupo de respondentes pertencentes a faixa etária a partir de 60 anos, a escolha pela técnica de coleta através de entrevistas pessoais ampara-se também em McDaniel e Gates (2003, p.197) quando afirmam que “as entrevistas pessoais são menos estressantes para os entrevistados mais idosos e têm índices mais altos de resposta”.

Como desvantagens da entrevista em profundidade, Markoni e Lakatos (2002) citam a possibilidade de o pesquisado ser influenciado pelo pesquisador e o pouco controle do pesquisador sobre a coleta de dados. Entretanto, Migueles (2003, p. 103) afirma que “é importante ter em mente que este controle nunca é total, independentemente do método que se utilize”.

Sendo assim, a despeito das limitações, entendeu-se que as entrevistas em profundidade realizadas de forma individual eram mais indicadas, pois segundo Slongo e Rossi (1997, p.8), “os entrevistados tendem a sentir-se mais confortáveis em responder às questões formuladas. Eles sentem-se menos constrangidos em uma situação um-a-um do que num grupo focal, onde precisariam se expor frente a outras pessoas”.

O período de aplicação da pesquisa ocorreu nos meses de janeiro e fevereiro de 2006 e as entrevistas em profundidade foram realizadas na residência dos respondentes ou, em alguns casos, no seu local de trabalho. Cabe ressaltar que muitas das dificuldades mencionadas anteriormente a respeito do agendamento das entrevistas deveu-se ao período escolhido para esta coleta, tendo em vista que os meses de férias de verão são bastante utilizados pelas pessoas pertencentes à terceira idade para viagens e longas estadias em balneários, ausentando-se assim de Porto Alegre, onde a coleta foi realizada.

As entrevistas em profundidade foram realizadas com a utilização de um roteiro semi- estruturado que pudesse coletar com maior riqueza e exatidão as informações e também permitisse que os entrevistados pudessem trazer à tona o que eles acham relevante, ao invés de conduzir a entrevista somente pela noção de relevância do pesquisador (LINCOLN; GUBA, 1985).

As entrevistas foram realizadas pela própria pesquisadora que teve a atribuição de estimular os respondentes a falarem livremente, possibilitando, com isso, que eles pudessem entrar em detalhes e relatar suas experiências pessoais, mas assegurando que todos os tópicos relevantes à questão de pesquisa fossem mencionados durante a entrevista. Inicialmente, foi efetuada uma entrevista que serviu como uma espécie de pré-teste, pois seu conteúdo não foi aproveitado na análise de resultados, tendo a mesma sido utilizada somente para verificação do tempo de aplicação, entendimento das questões e pertinência da utilização de algumas citações bibliográficas literais constantes do roteiro semi-estruturado.

Antes cada entrevista ser iniciada, foi explicado ao entrevistado o objetivo e a relevância da pesquisa, a importância da sua colaboração, bem como foi dada a garantia de sua confidencialidade.

O tempo médio de duração das entrevistas ficou em torno de 50 minutos e foi possível observar uma pequena timidez por parte dos respondentes quando a pesquisadora posicionou o equipamento para a gravação do áudio das entrevistas, fato que foi rapidamente superado logo após terem sido feitas uma ou duas perguntas genéricas a título de “quebra-gelo”.

Para que os respondentes pudessem conhecer e compreender o Processo Decisório de Compra (PDC) foi mostrado pela pesquisadora um esquema gráfico, reproduzido na Figura 8, abaixo, contendo as sete etapas do PDC e foi dito a eles sobre quais etapas eles seriam

questionados, ou seja, foi explicado que as perguntas do roteiro focalizariam as etapas: (1) Reconhecimento da Necessidade; (2) Busca de Informações; (3) Avaliação de Alternativas; e (4) Compra.

Processo Decisório de Compra

Reconhecimento da Necessidade Busca de Informações Avaliação de Alternativas Pré-Compra Compra Consumo Avaliação Pós- Consumo Descarte 1 7 6 5 2 3 4

Figura 8 - Esquema Gráfico das Etapas do Processo Decisório de Compra apresentado aos respondentes na coleta de dados

Fonte: Adaptado de Blackwell, Miniard e Engel (2005, p. 73)

A partir das orientações de Flick (2004, p. 138), foi verificada a apropriabilidade da seleção metodológica e o controle de sua aplicação e, a julgar-se pelo transcurso de toda a fase de coleta, pode-se dizer que o entrevistador e o método se combinaram, garantindo com isso também a apropriabilidade do método para o assunto.

Cuidou-se também para que os critérios de profundidade fossem atendidos, tendo-se a vigilância de garantir que as respostas não ficassem apenas no espectro geral dos tópicos, mas sim que as mesmas ultrapassassem níveis superficiais da mera concordância ou discordância dos enunciados das perguntas. Para isso, a pesquisadora conduziu as entrevistas com a cautela de mudar de tópico ou introduzir uma nova pergunta somente após o respondente ter tido tempo e possibilidades suficientes para esgotar o tópico anterior de maneira detalhada.

O registro de todas as entrevistas foi verificado ainda na presença dos respondentes a fim de conferir a qualidade da audição dos dados coletados e evitar que algum eventual problema técnico de equipamento pudesse prejudicar os dados e os mesmos ficassem inutilizados para posterior transcrição. De acordo com Richardson (1999, p. 217), “isso é necessário, pois podem surgir aspectos não compreensíveis ou ainda uma gravação estragada que exija uma nova entrevista com determinada pessoa”. Efetuada esta conferência, a entrevista foi encerrada.